Fire Keeper

27 Capitulo 26 - Fire Keeper


Notas iniciais
~tambores tocando enquanto faço minha entrada teatral~ Depois de quase oito meses sem aparecer, eu voltei. Me desculpem por tudo e agradeçam o SS Squad ♥ grupo da fanfic Summertime Sadness da linda da Anne Bridge ♥ por esse capitulo. Enjoy.

Amor verdadeiro é um conceito ilimitado. Ele se estende por diversas pessoas e pode ser facilmente encontrado. É possível sentir amor verdadeiro pelo seu melhor amigo, pelo seu pai ou sua mãe, pelo seu bicho de estimação... Uma alma gêmea é muito diferente. É raro, e, as vezes, até impossível. Por isso, é inestimável e infinito; incompreensivo como o universo. Não era possível explicar aquele sentimento, porque não existiam palavras suficientes para os expressar... Mas não era preciso dizer nada.

Mas Regina o sentia, com todo o seu ser.

E não tinha certeza se um dia conseguiria conter seu coração acelerado ou o sorriso fácil que se formava em seus lábios a cada vez que Robin lhe olhava daquela maneira; divertido, presunçoso, apaixonado. Também não era fácil resistir ao seu toque, que conseguia desarmá-la sem nenhum esforço.

Ela traçou o contorno do rosto de Robin, lentamente, se deliciando com sua presença e seu toque, pelo que pareceu uma eternidade.

Seus corpos ainda estavam nus, enroscando-se como raízes enquanto os sentimentos afloravam, através do toque, através do olhar… Não era preciso dizer nada.
Robin sabia o que Regina estava pensando porque isso refletia em cada gesto que ela fazia. Ele levou suas mãos até a barriga dela, onde a parte mais perfeita daquela relação crescia, e sentiu-se transbordar em um mar de felicidade novamente, um sentimento tão puro e forte que fazia seu peito doer. As vezes, era difícil suportar tanto amor, como se algo pudesse explodir dentro dele a cada vez que Regina sorrisse em sua direção.

O sentimento era único. Ela era única. Com todos os seus defeitos, qualidades e contradições, que se encaixavam nele como se existissem exatamente para estar ali.

E não era preciso dizer nada.

Nenhum dos dois sabiam quanto tempo havia passado, mas os primeiros raios de sol já entravam pela janela entreaberta, trazendo consigo a brisa quente da manhã. Regina já não sentia mais os enjoos matinais, mas sua fome parecia vir dobrada e não demorou para que isso começasse a incomodar. Ela sentiu falta dos dias no castelo, onde não precisaria se levantar para ter seu café da manhã -ou qualquer outra coisa qual ela sentisse vontade-, pois seus pequenos desejos sempre eram feitos por criados. Sua vida agora era bem diferente disso.

Era fácil se acostumar com sua nova realidade, mas se lembrar dos momentos que a levaram até ali causavam dores de cabeça de preocupação. Afinal, os problemas não tinham desaparecido só porque ela decidiu fugir deles. Regina se perguntou quantos dias ela ainda teria até que tudo despencasse sobre sua cabeça e rezou para que fossem muitos, o suficiente pra que aquela criança em seu ventre não fosse comprometida de maneira alguma.

Por outro lado, a companhia de sua família fazia seu corpo transbordar de satisfação e quaisquer outros pensamentos eram rapidamente esquecidos, ou, pelo menos, ignorados. Eles tinham esse poder em sua vida, de fazerem tudo ao seu redor parecer muito pequeno perto do que eles poderiam proporcionar. Era como magia de luz fluindo por todas as suas veias, mesmo que ela soubesse que esse era um tipo de magia que costumava repelir sua carcaça podre e maldosa, como acontecia com o bebê que ela carregava.

Esse assunto ainda a trazia arrepios, mas ela tentou se convencer de que estava tudo bem com a gravidez, mesmo que Rumple não fosse a pessoa mais confiável do mundo. Ela se sentia fraca e pequena quando se lembrava do que tinha ocorrido no castelo do Dark One, ela tinha se exposto de uma maneira que nunca fizera antes, e tinha feito isso por outra pessoa. Uma pessoa que ela nem ao menos conhecia ainda — seu filho. Mas não se arrependia e, de fato, faria novamente se fosse para garantir o futuro daquela criança.

Era incrível como eles, sua família, conseguiam a fazer tão forte e tão fraca ao mesmo tempo.

Amor era mesmo fraqueza, no fim. Mas também era força, muita força, que sobressaia qualquer outra coisa.

Regina suspirou ao sentir seu estômago reclamar mais uma vez e tirou delicadamente o braço de Robin de sua cintura curvilínea antes de se levantar.

—Estamos morrendo de fome. — Ela disse, se referindo a ela e o bebê, mordendo o lábio pra controlar o sorriso sorrateiro que ameaçava surgir em seu rosto enquanto ela encarava os olhos brilhantes de Robin a desenhar as curvas de seu corpo. Ela quase ficou tímida pela sua nudez, quase—embora aquilo nunca tivesse a incomodado antes — era diferente agora, quando sua barriga se alongava em uma forma redonda e totalmente nova.

—Você é linda. — Ele disse calmamente, como se lesse os pensamentos dela, e passou a língua pelo lábio inferior antes de o morder, um gesto que Regina já conhecia bem, mas ainda tinha dúvidas se era inconsequente ou se ele sabia como era irresistível e fazia de propósito. Para todos os casos, ela se ajoelhou na cama e se curvou para dar um selinho nos lábios rosados e levemente umedecidos dele.

—Obrigada. — Regina respondeu, sincera, admirando o azul-claro dos olhos de Robin qual ela tanto gostava. — Estou indo comer. Você vem?

—Estou logo atrás de você.

Regina o beijou mais uma vez antes de procurar seu vestido vermelho pelo chão e o vestir, sem se preocupar muito com sua aparência. Ela não tinha ninguém para impressionar ali.

Enquanto se afastava do quarto e, consequentemente, do calor do corpo de Robin; o buraco em seu estômago parecia ficar cada vez maior — e ela sabia que não era somente por causa da fome. O efeito instantâneo que a distância do afeto causava em seu corpo era assustador.

Embora a vida parecesse fácil e tranquila ali no alto das montanhas, ela sempre sentia aquela sensação estranha, que não sabia bem de onde vinha, como uma pequena ervilha debaixo de seu colchão, que apesar de parecer tão pequena e insignificante, ainda é capaz de causar um grande incômodo.

Era sufocante, na verdade. O fantasma da culpa a perseguia onde quer que fosse, as vezes adormecia ao seu lado e ela conseguia ignorá-lo por alguns instantes, mas ele sempre estava ali, na espreita.
A pior lembrança, era a do seu último dia no castelo. As cenas vinham como flashes em sua mente, fazendo todo seu corpo tremer em uma mistura de raiva, confusão e tristeza. Era impossível esquecer aquele acontecimento, e ela sabia que o mesmo sentimento assolava os outros, todos aqueles que viram sua fúria.
Cedo ou tarde, ela teria que enfrentar a consequência de suas ações e isso significava ir a corte e ter seu destino julgado por pessoas que a odiavam.

Seu coração, que a minutos atrás parecia completo, agora estava desolado. Ela demorou alguns instantes pra perceber que tinha parado de andar e puxou uma grande lufada de ar antes de continuar seu caminho, se encolhendo em si mesma enquanto as paredes pareciam se apertar ao seu redor.

Henry já estava na cozinha, mexendo em chaleiras que liberavam vapor forte com cheiro de camomila e erva doce. Uma pequena mesa de madeira ostentava pães e bolos frescos, que vinham da vila mais próxima. Regina sorriu para a cena, seu pai sempre fora tão cuidadoso e gentil, era um espanto ela ter puxado somente a crueldade de sua mãe; ela desejou ser um pouco mais como ele.

—Precisa de ajuda com alguma coisa, pai?

—Oh, bom dia! — Ele sorriu para ela enquanto tirava uma das chaleiras do fogo. — Talvez você possa me ajudar com o outro chá?

—Camomila, não é? Preciso mesmo de um calmante.

—Nervosa com alguma coisa? — Ele se virou para ela, com um semblante preocupado já característico dele.

—Nada demais. — Ela tentou sorrir, não queria falar sobre o que estava sentindo, porque isso só fazia suas preocupações parecem mais reais.

Ela se serviu do chá e tomou um lugar na mesa, ansiosa para comer um dos pães doces cobertos de creme.

—Tem certeza?

—Sim, não se preocupe. Vai ficar tudo bem depois que eu comer um desses. — Ela pegou um pão e levou a boca, dando uma mordida e depois outra. — Ou dois...Talvez três.

—Vá com calma. — Henry riu, balançando a cabeça para os lados. — Sua mãe também costumava ficar faminta quando estava te esperando.

—Como uma coisinha tão pequena pode causar tanta fome? — Ela riu, cutucando sua própria barriga.

—Hmm, seu rosto já está ficando mais redondo. — Henry acariciou a bochecha de Regina com as costas dos dedos e sorriu pra ela, subitamente encantado pelo quanto ela tinha mudado.

—Estou mesmo engordando, eu sei.

—Você está ótima. Nem acredito que logo teremos outra criança correndo por essa casa, fazendo companhia pro Roland. — Ele sorriu com doçura e Regina retribuiu, deitando levemente sua cabeça na mão que continuava em sua bochecha.

—Eu também não, pai.

Ela sentia seu peito tomado por gratidão e não sabia como colocar em palavras. Seu pai tinha aceito Robin e Roland tão bem, os tratando como parte da família desde o primeiro instante, e mesmo depois de todas as coisas ruins que ela já tinha feito, ele os acolheu em sua casa sem pensar duas vezes. Mais uma vez, ela desejou ter herdado a bondade dele.

Ela voltou a atenção para seu chá, enquanto seu pai se acomodava em uma das cadeiras ao seu lado e os garotos finalmente apareceram na cozinha. Robin carregava Roland nos ombros, que estava com uma carinha sonolenta, o que não surpreendeu Regina devido ao cansaço do dia anterior.

—Bom dia.-Robin cumprimentou com seu sorriso doce e colocou Roland sentado em uma das cadeiras. -Como se diz, Roland?

—Bom dia.

—Que menino preguiçoso. — Regina sorriu, encarando a feição cansada do garoto.

—Não queria sair da cama.

Robin serviu Roland antes de se sentar ao lado de Regina, deixando a cadeira o mais perto possível dela e beijou sua testa antes de servir a si mesmo.

A sutileza da monotonia sempre a deixava desconcertada e inquieta, as vezes ansiosa e ela não fazia nada, a não ser esperar que o sentimento passasse, levando junto todas as memórias desagradáveis. Mesmo assim, ela não mudaria nada. Preferia viver com sua família protegida pelas paredes claras da mansão, do que em seu castelo escuro e infértil. Pelo menos, era isso que preferia agora, quando ela tinha que pensar não só por si mesma, mas por dois.

Robin emanava calor ao seu lado, fazendo, de alguma forma, que ela se sentisse mais confortada. Regina segurou a mão dele e apertou levemente, esperando poder dividir a tensão que tomava seu corpo. Ele a deu mais um beijo, dessa vez em sua têmpora, como resposta ao seu toque e Regina se perguntou o que se escondia por trás daqueles olhos de um céu sem nuvens. Ela não queria dividir suas preocupações, mas algo a dizia que Robin sabia de qualquer maneira. Talvez porque fossem coisas que ele também temia ou talvez ele só a decifrasse como ninguém. Em qualquer dos casos, isso a deixava aliviada.

—Eu estava pensando em te levar para uma caminhada em Sherwood. — Robin pigarreou, de repente, fazendo a atenção de todos voltaram para ele. Regina o encarou por um instante e inclinou a cabeça, pensando em como Sherwood era distante.

—Eu adoraria. — Ela respondeu, sincera, mas ainda ponderando.

—Eu posso conduzir uma carruagem. — Ele deu de ombros. -Tem pessoas que eu gostaria que te conhecessem.

—Oh, sim.

—Você nunca fala muito sobre sua vida, Robin. — Henry sorriu um pouco, largando sua xícara de chá. — O que deixou para trás em Sherwood?

Regina mordeu o lábio inferior e voltou sua atenção para a comida em sua frente, enquanto pensava. Ela sabia quem eram as pessoas e o último (e único) encontro que tivera com eles não tinha sido dos mais agradáveis. Não que ela tivesse culpa, certo? Não foi ela quem estava por ai invadindo castelos. Mas, de todo jeito, a mera menção a eles fez seu estômago doer. Os merry men eram como uma família para Robin e ela tinha uma ideia do quanto era complicado para ele viver longe deles como estava fazendo, — e fazendo por ela. Eles provavelmente a odiavam, mas ela não os culpava.

—Ah, você sabe... — Robin começou suavemente, com um vinco se formando em sua testa enquanto ele parecia se lembrar de algo.

—Tudo. — Regina disse rapidamente, respondendo por ele. Seu pai provavelmente não tinha noção do quanto esse assunto poderia ser delicado, mas ela preferiu não dar voltas na história. -Ele deixou tudo para trás, por mim.

Ela se deu conta de que era a primeira vez que dizia isso em voz alta ou que se quer pensava nisso com tanta clareza e convicção, mas era a verdade. Robin tinha abandonado toda sua vida para estar ao lado dela, sem duvidar de suas escolhas em momento algum. A dor em seu estômago aumentou.

—E não me arrependo — Ele segurou mais forte em sua mão, percebendo o tom culpado dela.

—O que não fazemos por amor, não é? — Henry comentou em tom melancólico, porém com um pequeno sorriso.

Regina imaginou que ele estivesse se lembrando de suas próprias decisões precipitadas feitas por amor. Regina se lembrava de todas que ele tinha tomado por ela.

No fim, todos tinham sua pequena carga. Era ela quem tinha perseguido uma criança por anos devido a perda de um amor. De todo jeito, era tudo demais para ela.

O peso em sua consciência parecia a espremer contra o chão e ela não tinha forças para lutar contra isso, como teria, afinal? Ela não faria nada além de aceitar aquele peso e as consequências que vinham com ele. Regina sentiu seus olhos arderem e os apertou com força, evitando as lágrimas que queriam cair e por mais que ela se sentisse insegura sobre conhecer os amigos de Robin, ela não poderia negar isso a ele, seria egoísmo. Ela puxou uma grande lufada de ar, tentando se acalmar.

—É claro que vou com você, Robin. Vai ser bom para Roland também, aposto que ele sente saudades.- Ela o olhou forçando um pequeno sorriso, embora sua voz a denunciasse. Ele apenas a encarou com um olhar pouco convencido e deu um suspiro, ela não conseguiria enganá-lo, nem se tentasse muito.

—Você terminou? — Ele apontou para seu pão meio comido que estava esquecido em cima da mesa e Regina balançou a cabeça. Roland os encarava sem entender e Henry percebia a tensão crescer cada vez mais, ele resolveu focar em sua xícara já vazia.-Precisamos conversar.

Robin olhava para os olhos avermelhados de Regina sentindo um aperto em seu peito, ela estava muito diferente de quando tinha o deixado no quarto mais cedo. Ele a puxou pela mão enquanto se levantava e esperou que Henry entendesse a desfeita.

Quando Regina se levantou, ele passou um braço ao redor de sua cintura – sempre maravilhado pelo fato de um bebê estar crescendo naquela curva grande da barriga – e a puxou para mais perto.

—Roland, eu preciso que fique com Henry por um instante, tudo bem? — Com tanto sono como estava, Roland não se incomodou nem um pouco.

Henry sorriu para o garoto enquanto o casal se afastava e levava a nuvem de tensão para longe da cozinha.

x.x.x

As vezes, Robin sentia que Regina era como fogo.

Quente, incontrolável e destruidora.

Mas também, necessária. Fogo era capaz de destruir na mesma medida que era capaz de criar, era desejado na mesma medida que era temido e se você o sufoca, ele não se propaga.

Ele a observou caminhar de maneira calma, com o vestido vermelho balançando ao redor de seus pés, seus cabelos longos soltos caindo em cascata pelas costas e os olhos marrons piscando os longos cílios em sua direção, ela era fascinante como uma fogueira, serpenteando ao seu redor e queimando sua pele enquanto envolvia seu corpo.

Sua aflição era sempre perceptível, embora agora, se manifestasse de uma forma diferente. Robin tinha aprendido a lidar com explosões de raiva, que formavam chamas tão intensas e devastadoras quanto poderiam ser, que lambiam e tornavam cinzas tudo que estava ao redor.

Agora, Regina parecia se extinguir, presa em uma caixa impenetrável que domava suas chamas e a reprimia.

Robin se perguntou se ela sabia que a caixa era criação dela mesma.

—Você não está bem. — Ele a disse, quando finalmente chegaram ao quarto, erguendo sua mão para levar uma mecha do cabelo espeço dela para trás da orelha.

—Só estou preocupada com algumas coisas.

—É sobre o bebê? -Ele quis saber, notando como ela levou as mãos até a barriga.

—Eu não quero te deixar preocupado também ou te incomodar com meus pensamentos, é só...

—Regina, me diga. — Robin a segurou levemente pelos ombros, olhando em seus olhos. — Alguma coisa aconteceu?

—Nada, é só… Tudo. Tudo isso, Robin. Eu não consigo parar de pensar em tudo que deixei para trás no meu último dia naquele castelo, em tudo que fiz, nas consequências que teve para esse bebê. Eu estou perdida e sozinha. — Ela disse enquanto sua voz quebrava e suas lágrimas finalmente se libertavam.

—Regina, você tem a mim. Você tem Henry, Roland, você tem esse bebê. Não quero que pense que está sozinha, nunca mais. — Ele a puxou para seus braços, sentindo seu pequeno corpo tremer. -Eu estou preocupado também. E com medo pra caralho. Se algo acontecer com você ou com esse bebê, eu não sei que será de mim... Mas, não importa o que aconteça, você precisa saber que não está sozinha.

—Você não entende, Robin, como você poderia? Se algo acontecer, vai ser por minha causa. E eu nunca vou deixar que qualquer pessoa machuque você por erros meus. Eu pagarei por eles e farei isso sozinha. Eu sei que você está aqui, assim como sei que, um dia, você não vai poder estar mais. Eu estou sozinha, Robin. É o preço de tudo que causei. — Ela enterrou a cabeça no pescoço quente de Robin, incapaz de olhar em seus olhos.

—O que quer dizer?

—Já se foram dois meses, Robin. Dois meses desde que matei dezenas de pessoas e abandonei o reino sem dar nenhuma explicação. Eu já estive no poder por tempo o suficiente para saber como essas coisas funcionam... Dois meses desde que Branca de Neve se casou com Charming e vem sido considerada a nova rainha da Floresta Encantada. Ela está somente adiando.

—Adiando o que, Regina? — Ele a forçou para o encarar, com um semblante preocupado e os olhos levemente avermelhados. Regina limpou seu rosto com as costas da mão e mordeu seu lábio com força.

—Meu julgamento, Robin. Você sabe que, eventualmente, isso vai acontecer, não é? E eu não vou poder fugir. — Regina fungou o nariz, olhando para baixo porque o olhar dele era demais para ela suportar. — Ela deve estar querendo me dar algum tempo, mas eu sei o que o vai acontecer. O povo irá pressioná-la até que a única escolha dela seja vir atrás de mim. Provavelmente irão querer minha cabeça em uma estaca.

—Regina, eu não vou deixar que isso aconteça com você. E eu não me importo se é decisão da Branca de Neve, do povo, eu realmente não ligo. Mas eu garanto que nenhum deles serão capazes de te machucar.

—É maior que nós, Robin. -Ela sorriu para suas palavras e tocou seu rosto, passando as unhas pela barba loira que ela tanto gostava. -Eu não me importo mais. Eu não sei, eu só... Eu só quero que esse bebê nasça em segurança. E depois, contando que vocês estejam seguros... O que espera que eu faça, Robin? Eu não posso agir daquela maneira... Eu quero, mas não posso. Não posso porque isso seria ainda pior. Eu não posso ser aquela antiga Regina que quase matou o amor de sua vida em uma fogueira. Simplesmente não. — Ela mal conseguia o enxergar por trás da cortina de lágrimas que inundaram seus olhos, o choro sacudiu seu corpo e Robin a puxou novamente, em uma tentativa falha de consolo.

—Você não precisa agir daquela maneira, meu amor. Mas você não pode desistir, porque isso me mataria.

Robin sabia que tudo aquilo cairia sobre suas cabeças cedo ou tarde. Ele segurou o corpo de Regina o mais próximo que conseguia, sabendo que, por um lado, ela estava muito certa.

Mas ele não iria perdê-la.

—Eu não vou te perder. — Ele reproduziu o que estava pensando em um sussurro.-E não vou deixar que você desista de si mesma. Eu sei que isso é assustador, mas eu estou do seu lado, ok? Você não está sozinha e eu prometo, nada irá te acontecer.

Ela aconchegou seu corpo no dele, sem conseguir parar de tremer. Regina não conseguia enxergar uma forma de se livrar do seu destino, pelo menos não de maneira honesta. Ela pensou nas palavras que seu pai dissera a alguns minutos antes “O que não fazemos por amor...” e suspirou. Esse sentimento era capaz de foder com qualquer um. Ela estava tentando ser uma pessoa melhor, principalmente, pelas pessoas que ela amava. E por seu bebê, que ela ainda nem conhecia, mas já era a pessoa mais importante de sua vida.

Robin suspirou, escondendo seu rosto no pescoço de Regina, com o cheiro dos cabelos castanhos dominando suas narinas. Ele não suportaria que ela entregasse sua vida sem ao menos tentar viver. Ele não era idiota, é claro que ele a entendia, assim como tinha consciência de toda a sua situação. Mas nada era tão simples. E ele estava disposto a ir pelo caminho difícil se fosse preciso.

Suas chamas, antes tão crescentes, estavam caminhando diretamente em direção ao vácuo, onde nunca poderiam existir. Ele não permitiria.

—Você surgiu em minha vida devastadora como fogo... E, na verdade, você realmente me queimou. É engraçado porque, não parece existir maneira melhor de te definir. Eu olho pra você e vejo... Você simplesmente brilha, Regina. Você é incrível e verdadeira, nenhum erro que você tenha cometido pode apagar sua essência.

Robin segurou o rosto de Regina entre suas mãos, admirando seus olhos escuros e a forma como sua boca se abria lentamente a medida em que ele falava.

— E você é uma chama, que me ilumina e me aquece. E de jeito nenhum, eu vou deixar essa chama se apagar, Regina. E mesmo quando você pensar que nada mais resta e que a última centelha dessa chama tenha se apagado, eu estarei lá. I'll be your fire keeper.

Notas finais
Eu TINHA que colocar em inglês, pra não perder o sentido, me perdoem ajdsadhhjad I'LL BE YOUR FUCKING FIRE KEEPER CARALEO
Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.