Fire In Your Eyes
8 The One.
Notas iniciais
Despertei com os gritos e os movimentos bruscos que Selena fazia enquanto rolava pela cama, estava tendo um pesadelo e gritava muito alto.
– Selly, acorda! – Ela acordou em choque e me abraçou enquanto chorava.
– De... De... Demi, Demi. – Soluçava ofegante.
– Calma Selly, está tudo bem, foi só um sonho. – Acariciava seu cabelo – Shhh...
– Era o Dylan e ele, ele... – Chorava cada vez mais.
– Ssshh... Não precisa falar sobre isso; você só comeu um pouco demais antes de dormir.
–Que horas são. – Ela ainda estava trêmula.
– Quase seis da tarde, por quê?
– Vamos embora, não quero ficar nem mais um minuto aqui. – Me apertava forte, assenti com a cabeça. – Faça o check-out enquanto eu arrumo as malas.
– Já estou descendo. – Coloquei um casaco e desci para pagar pelos dias de hospedagem e serviço. Preenchi uma papelada interminável, tempo suficiente para que minha baixista descesse com as poucas malas.
–Vá para o estacionamento, aqui estão as chaves. – Estendi a mão e ela recuou. – Ok. Espere um pouco só preciso pegar um ultimo recibo.
– Aqui está Senhorita Lovato, muito obrigada! – Recebi um sorriso típico de adeus. Tomei as malas de Selena e levei-as até o carro.
Tomamos a estrada rumo à Dallas, éramos apenas nós duas, retornar à minha antiga cidade parecia ótimo, ainda mais ao lado dela. Por um instante tudo pareceu uma loucura, abandonar a Encore no auge pareceu uma loucura; aquele instante desapareceu quando a voz suave de Selena encheu meus ouvidos.
– Agora somos só nós duas! Mais que amigas! – Comemorava.
– Plus que des amis!
– Você fala francês?
– E italiano, alemão e um pouco de espanhol, chica! – Gabei-me. – Estou ansiosa para te mostrar minha antiga casa! – Suspirei – O que você acha de encurtarmos essa viagem e pegarmos um avião para Dallas em Salt Lake?
– Temos dinheiro? – Franziu o cenho.
– Fiz uma ligação e encontrei um cara interessado nesse carro, podemos vendê-lo e comprar as passagens. – Não tirei os olhos da estrada.
– Por mim tudo bem – Deu de ombros.
Jake era um cara legal, o conheci há pouco tempo quando comprei minha primeira moto, era um colecionador e adorava adquirir novos modelos automotivos.
– Demi, que belo carro você tem aí. – Pousou a mão no queixo. – E a garota faz parte do pacote? – Piscou para Selena ainda no carro.
– Não, mas se fizer isso novamente eu completo seu pacote com um belo olho roxo. – Grudei o dedo em seu rosto levantando seu queixo até onde era possível.
– Tudo bem, tudo bem! – Levantou as mãos em sinal de rendição. – Vim aqui comprar esse carro.
– Vamos aos negócios!
– Posso te dar três agora e o resto... – Cortei-o.
– Três está bom, só preciso do suficiente para suas passagens para o Texas. – O garoto sacou o dinheiro do bolso e contou nota por nota, estava ali três mil em notas de cem.
– Bom negociar com você. – Acenei para que Selena saísse do carro e retirasse as malas.
O sol anunciava um novo dia quando pousamos no Texas, vários momentos vieram à mente, lembranças de uma infância difícil, lembranças que deveriam ter ficado no passado.
– Demi. – Estalou os dedos à minha face. – Aonde vamos agora?
– Oh, me desculpe. – Levei alguns segundos para localizar-me no espaço tempo. – Bom, meu amigo Travis já deveria estar aqui.
– E como ele se parece? – Selena estava totalmente confusa.
– Se parece com aquele garoto alto e ruivo acenando para nós. – Soltei uma risada ao ver o rapaz desengonçado caminhando ao meu encontro.
– Demi! – Travis me abraçou levantando-me do chão – Como senti sua falta! – Me abraçou novamente girando-me até encarar minha Selly com uma cara de poucos amigos. – E você deve ser Selena! – Estendeu a mão, mas recebeu um sorriso de lado. – Sou Travis. – Sorriu envergonhado.
– Então, ruivo – Segui caminhando para fora do aeroporto – Você teve tempo de fazer o que te pedi?
– Mas é claro. Fique aqui, eu já volto. – Correu enquanto Selly fingia uma distração olhando as pessoas.
– Selly – Passei os braços envolta de sua cintura. – O que você tem?
– Nada, eu estou bem. – Tentou parecer fria.
– É o Travis não é? – Senti seus músculos ficarem tensos.
– Ele é sempre assim? – Me olhou incrédula.
– Assim como?
– Você sabe. – Fez uma careta – Grudado em você. – Não evitei, a gargalhada foi involuntária.
– Não me diga que está com ciúmes do Travis. –Segurei o riso.
– Não é isso. – Gaguejava. – É que... Bem... Não gosto de pessoas grudentas.
– Tá bom, eu te solto. – Tirei meus braços de seu corpo fazendo com que ela me puxasse imediatamente de volta.
– De você eu gosto. – Me deu um selinho.
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