Fire In Your Eyes
3 A Year Without Rain
Notas iniciais
Liesel.
– Demi, acorda! – Abri os olhos com dificuldade – Você passou a noite aqui?
– É o que parece não é mesmo, Mason? – Senti uma leve dor no pescoço, provavelmente causada pela posição desconfortável em que dormi – Vou para casa. – Saí batendo a porta. Meu humor não era dos melhores durante a manhã. Subi na moto e acelerei até em casa onde tomei um banho relaxante e dormiria o dia inteiro se não tivesse recebido uma ligação de um número estranho.
Call On.
– Aqui é a Demi, o que você quer?
– Sou eu Selena, desculpa te interromper é que eu estava pensando se não podíamos trabalhar na música esta noite.
– Selena, me desculpa por te falado assim com você, é que não acordei muito bem hoje. Pode me encontrar no mesmo lugar de ontem, às 10h00min?
– Às 10h00min? Tudo bem, te encontro lá.
A gentileza com que Selena me tratava não fazia jus à sua aparência, a maquiagem pesada e a jaqueta de couro uniam-se ao cabelo despenteado formando o que parecia ser uma espécie de escudo, apenas uma fachada arrogante.
Pouco antes das nove parti em direção ao trailer, as luvas facilitavam as manobras arriscadas que eu insistia em tentar no caminho. Apesar da temperatura baixa apenas uma regata preta era suficiente para mim, minhas calças de couro cumpriam o resto do serviço. Tive alguns imprevistos como um caminhão me trancando frente a frente com outro durante a ultrapassagem, nada diferente do que já havia passado algumas vezes.
Estava ensaiando algumas notas no teclado quando ouvi um barulho de freios desesperados e de algo que não pude distinguir. Saí para ver o estrago e desesperei-me com uma Selena caída no chão e incapaz de levantar-se.
– Selena! – Corri para ajudá-la.
– Demi, que bom que você está aqui – Disse com dificuldade.
– O que aconteceu? – Levantei sua face.
– Digamos que minha moto não gosta de ficar em uma roda só. – Tentou um sorriso, mas foi impedida pela dor dos ferimentos.
– O que você estava pensando? – Repreendi-a enquanto ajudava-a a entrar. – Espere aqui, vou estacionar sua moto.
– Demi, você é tão legal comigo. – Sorria enquanto eu fazia um curativo em seu braço – Por quê?
– É meio constrangedor. – Sorri de lado.
– Tudo bem não vou forçar-te a falar, não estou em condições para isso.
– Tem certeza que não quer que eu te leve ao hospital?
– Tenho a cabeça dura, isso não foi nada – Gabou-se com uma batida na cabeça – Ai! – Resmungou
– Vem boba, vamos trabalhar na música. – Sentei-a novamente ao meu lado
– Acho que você deveria me mostrar até onde já fez. – Disse me entregando a guitarra.
Dedilhei alguns acordes enquanto cantava a melodia chorosa, ela fechou os olhos até a ultima nota soar.
– Não sei, acho que essa música não é para a Encore, é muito... – Fui interrompida
– A música é sua e não da banda, então não se repreenda. – Subiu o tom.
– Você acha que é uma boa música?
– Ela fala sobre o que você sente, é uma linda música; não vou interferir, tem que ser totalmente sua. – Concordei
– Ei, você também deve ter ótimas canções!
– Acho que não – Estava ficou completamente vermelha.
– Vamos lá, toque uma!
– Só porque eu não consigo dizer não para você – pôs-se diante do teclado – Essa se chama A Year Without Rain. – Sua voz era grave e a melodia apaixonada, ela me encarava fixamente a cada nota, eu apenas suspirava. Comecei a imaginar como seria se Selena tivesse escrito ela para mim.
– Sua voz é realmente linda. – A fiz corar ainda mais.
– Não tanto quanto a sua. – Era a minha vez de corar
Selena recebeu um torpedo e despediu-se, sem dar explicação alguma. Novamente se mostrava nervosa antes de sair, ela acabara de se machucar me preocupava a idéia de uma garota nervosa pilotando uma moto, principalmente quando era a garota dos meus sonhos.
Meu iPhone insistia em tirar-me de meus pensamentos , o toque específico de Mason o denunciava. A noticia que recebi era assustadoramente fantástica, vencer a competição de talentos e ter shows patrocinados em todo o país era o sonho de qualquer banda.
Duas semanas foram suficientes para acertar todos os detalhes da turnê, Mase conseguiu um ônibus luxuoso com dois quartos, um pros garotos e o outro dividiria com a minha baixista. Teríamos o primeiro show em New Jersey no sábado à noite e partiríamos em algumas horas,teria que buscar Selena em sua casa.
A moto dela estava estacionada na parte lateral da casa, na frente havia um conversível vermelho. Estacionei erroneamente no gramado quando a vi sair com as malas, seguida por um garoto que gritava ofensas, não hesitei e desci furiosa da motocicleta o levando ao chão com apenas um empurrão.
– Não se atreva a falar assim dela nunca mais! – Estava prestes a aplicar um novo golpe.
– E quem você pensa que é? – Falava enquanto levantava bufando. Quando chegou próximo o suficiente apliquei um ultimo golpe em seu abdome o fazendo cambalear e retornar ao chão.
– Demetria! – Selly me abraçava.
– Demi, por favor. – Repreendi-a sorrindo.
Segurei sua mão e partimos na moto. O ônibus não partiria do trailer como de costume, e sim da casa de Jonhy que não era longe de onde estávamos. Partimos antes da meia-noite, estava exausta entrei no quarto que dividiria com Selena e notei que havia apenas uma cama, uma luxuosa cama de casal, dormiríamos juntas durante a viagem, estava começando a gostar daquilo.
Selena entrou calada no quarto sentando-se na cama e tirando suas botas.
– Sabe? Eu não te agradeci, obrigada. – Encarou-me e percebi as lágrimas contidas em seus olhos, sorri de lado.
– Desculpa a pergunta, mas quem era ele?
– Meu ex-namorado – Quase sussurrava.
Deitei do meu lado da cama e senti a de cabelos castanhos aproximar-se e me envolver por trás em um abraço carinhoso.
– Obrigada por me defender. – Sussurrou me fazendo arrepiar.
Naquela noite adormeci envolvida no calor de seus braços, uma sensação que nunca provei antes, quase tão incrível quanto saber que acordaria ao seu lado todas as manhãs. Durante todas as noites seguintes aquilo se transformou em um ritual, Selena me envolvia em seus braços para se sentir protegida.
O primeiro show foi um sucesso, tocar com os garotos nunca foi tão divertido, o público, e ter a garota dos meus sonhos comigo apenas tornava a experiência ainda mais fantástica.
Após todos os concertos saíamos para conhecer a cidade, sempre em grupo. Desta minha baixista me convidou para tomar um sorvete antes de retornar ao ônibus. Aceitei somente por educação, não que eu não quisesse sair com ela, mas eu estava tão cega que poderia comprometer nossa amizade à qualquer momento. Ela segurava minha mão enquanto me guiava pelas ruas.
– Eu adoro Seattle, você não adora essas luzes? – Pressionava minha mão e podia ver seus olhos brilhando.
– Nunca estive aqui antes. Você já?
– Minha antiga banda costumava se apresentar aqui pelo menos uma vez por mês.
– Outra banda? Qual o nome?
– Um projeto antigo sua boba, The Strangers!
– Você tocava com elas? – Fiz uma parada brusca – Eu ainda não acredito que essa banda acabou. Como você pode ter feito isso comigo?
– Elas me chutaram. – Desviou o olhar.
– Por quê?
– Porque eu sou boa demais para elas, é por isso. Eu era tão boa que a banda desmoronou sem mim. – Gabou-se – Mas veja o lado bom, só assim foi possível estar aqui com você hoje. – Piscou para mim
– Vamos logo quero sorvete de chocolate, é meu favorito! – Fiz biquinho.
– Sorvete de limão é muito melhor Demi, acredite! – Continuou resmungando – Não vejo graça em sorvete de chocolate, ainda prefiro o de limão.
– Vem bobinha! – Puxei-a para a primeira sorveteria que vi. Eu tentei pedir de chocolate, mas fui obrigada a tomar de limão regada à uma porção de histórias engraçadas dos shows de Selena.
– Selena Gomez, há quanto tempo, não é mesmo? – Um garoto alto e bonito aproximou-se.
– Dylan? Ah Meu Deus! Onde você se meteu garoto? – Levantou-se para abraçá-lo.
– E aí, vamos dar uma volta para relembrar os velhos tempos? – Limpei a garganta.
– Ah, essa é a Demi. – Sorri de lado.
– Tanto faz. E aí, você vem Selena? – Foi totalmente arrogante. Levantei-me e saí imediatamente.
– O que te faz pensar que você pode falar assim com ela? – Selena empurrou-o e o fez cair sobre a mesa. – Demi, espera!
– Não Selena, volta lá pro seu amiguinho. – Ela segurou meu braço me empurrando contra a parede.
– A única pessoa pra qual eu quero voltar é para você. – Senti sua respiração pesada bater em meu rosto.
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