Fire
1 Prólogo
Então minha alma, que ainda corria,
Virou-se para rever a passagem
Da qual nenhum humano jamais saiu.
Dante Alighieri, Inferno, Canto I.
Livre-arbítrio. A capacidade de termos escolha própria e decidirmos nosso próprio destino. Não temos isso. Nenhum de nós tem. Somos marionetes. Todos nós. Somos a fazenda de formigas de uma criança maldosa com uma lupa. Cada pensamento, cada atitude, cada mínimo movimento que fazemos já é previsto. É esperado.
Muitos de nós invejamos a humanidade. Invejamos o simples fato de eles poderem escolher. Um ser humano pode fazer o que quiser. Pode ser quem ele quiser.
Talvez seja por isso que nós lutamos tanto pela humanidade, passando cada precioso segundo corrompendo as emoções humanas e influenciando em seu livre-arbítrio.
Tudo é um jogo. Um enorme jogo de xadrez onde até mesmo anjos e demônios viraram peças. O orgulho e egoísmo, de ambas as partes, está ganhando. E é irônico, mas ambos se tornam inúteis quando o medo assume. Ou talvez sejam aliados. Lutando em prol de um sentimento universal: a autoproteção.
Então eu fugi, temendo ser a primeira peça sacrificada.
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