Notas iniciais
Elogios e criticas são bem-vindos!

Corria. Simplesmente corria. Para fugir. Fugir de uma imagem, algo que não deveria ter visto. Atravessou o bairro, a cidade, a floresta, até encontrar o lago. Não tinha mais para onde correr. Se ajoelhou e respirou fundo, como se não tivesse respirado até aquele momento. Estava em choque. Pôs a cabeça entre as mãos. Tremia e gemia. Ou melhor, soltava estranhos grunhidos, algo entre grito e choro. Difícil de explicar. Não sabia o que fazer, o que sentir, como reagir. A imagem ainda estava lá.

Sakura olhou para frente e para o alto. Viu a lua no céu e seu brilho refletido na água do lago. Silêncio.

XXX

Sasuke e Naruto caminhavam pela vila tranquilamente. Ou quase. Aos olhos do povo de Konoha, Sasuke era um traidor altamente perigoso. Por isso, tinha os selos que limitavam seu Sharingan. E Naruto, o, agora, herói de Konoha, tinha que vigiar seus passos de perto. Essa era a punição por trair seu país.

Olhares reprovadores, buchichos, fofocas, eram como espinhos que entravam pelo ouvido e feriam o coração. Mas havia aceitado seu destino. Sabia que aquilo iria acontecer. Fato previsível. Como todo bom Uchiha, sabia onde estava pisando, o que iam pensar dele. Não se importava com o que os outros pensavam. Nunca se importou. Se sacrificou para salvar o lugar que amava, assim como seu irmão.

Naruto, por sua vez, pensava em como o mundo dava voltas: o seu amigo e rival, que era tido como o ninja mais perfeito, amado e cultuado pelas pessoas, agora era o ser mais odiado e desprezado de todos. Já a sua história era inversa, de odiado virou herói. Mas, lhe doía profundamente não poder “salvar” seu amigo naquela situação.

“É preciso manter as aparências” – a voz do Ancião ecoava em sua mente – “o povo não sabe o que é melhor para ele. Se revelarmos que Sasuke na verdade era um espião, trará complicações para todos.”

Naruto entendia. Não se pode revelar a identidade de um espião ou agente duplo, isso é fato. Mesmo assim, isso era muito injusto.

Ao chegarem na Vila Uchiha, entraram na casa que era moradia de ambos. Colocaram as compras na mesa e Sasuke solta um longo e pesado suspiro. Naruto olha para este, e tenta falar algo, mas não consegue. Chega a abrir a boca, mas nada sai. Nada, absolutamente nada, o consolaria agora.

XXX

Num canto qualquer da cidade, Sai termina seu quadro, dá uma ultima olhada, e sorri. Enquanto retira o excesso de tinta das mãos com um pano, vai em direção à janela, e casualmente olha para baixo. E vê uma certa rosada correndo, como se tivesse fugindo de algo terrível.

“Quando um amigo tem um problema, não o deixe inibido perguntando se tem algo que você possa fazer. Pense em algo apropriado e faça.” – Edgard Watson Howe.

Sai decidiu fazer.

Notas finais
Espero que tenham gostado!