Finitto

1 O começo e o fim de tudo


Notas iniciais
Ah eh, eu ainda num sei se deverei continuar essa história... só o tmepo irá dizer!

Há tempos os anjos haviam abandonado aquela cidade.

O corpo de Saki caminhava quase automaticamente. Ela ria. Ria um riso doce e tranquilo, mas os olhos estavam vazios. Quem olhasse em para aquelas janelas da alma veria que dentro daquele corpo não havia alma nenhuma.

Saki só tinha um desejo: chegar à casa do Kuro. Esse era seu melhor amigo desde sempre. Desde que se entendia por gente Kuro estava lá a ajudando em tudo, desde suas primeiras aventuras e descobertas, o primeiro beijo e por pouco não tinha sido também o parceiro da primeira vez.

Como é de se esperar nessas histórias, Kuro era apaixonado por Saki que buscava se afastar de sua rotina, rotina que incluía o amigo. Ela gostava dele, sabia que podia contar com ele para tudo e para sempre, mas tinha que sair daquele lugar. Era sufocante estar onde estava.

Você já arrancou as asas de um desses besourinhos de chuva? Desses que as asas soltam facinho facinho. A gente faz isso sem perceber, segura o bichinho pelo seu meior trunfo de liberdade e lhe rasga, lhe dilacera, sem importar com a dor que sente ou a dor de inceto que possa sentir. Então você o vê apenas como uma minhoca feia e desengonçada, que não sabe andar e tampouco pode voar. Você o encurrala, amedronta, esmaga parte de seu corpo com uma caneta enquanto ele solta seu 'sangue de inseto' e perde alguns órgãos, agoniza na tortura enquanto tenta inutilmente correr para longe de um gigante opressor e impiedoso. E então você o mata. Essa é a hora mais feliz.

Saki se sentia assim, um bichinho de chuva no joguete cruel do destino. Algo maior a oprimia, algo indescritível que a devorava por dentro. Devia ser o mau. Ou pior que o mau, talvez fosse o nada.

Aquele grande nada, dia após dia. Aquele vazio que não era preenchido com comida, bebida, entorpecentes ou sexo. Ela só precisava de um abraço. Só precisava de afeto.

Kuro poderia fazer isso por ela, abraçá-la e cheirar-lhe os cabelos. Dizer que ela era bonita.

Saki sorria aquele sorriso morto enquanto caminhava, mas agora lágrimas leves e brilhantes lhe escorriam pela face gelada pelo vento de inverno. Ela precisava tirar de dentro dela o seu cerebro.

Ela chegou a casa de Kuro. A porta estava aberta, mas nenhum som vinha de dentro. A luz da sala acesa, chaleira no fogo com água pro chá. Nada de Kuro, nada de seu abraço e seu afeto.

Ela ficou realmente feliz, se sentiu aninhada ao cheiro do amigo tão próximo, tão aconchegante. Estava começando já a se sentir melhor, resolveu até sair á varanda do quarto do 17º andar onde morava o amigo para respirar ar puro e fresco, olhar pro céu estrelado.

Olhar pra cima, nem percebeu Kuro chegando, apenas inspirou o cheiro dele que ia se intensificando enquanto ele divisava um vulto na varanda pela cortina transparente que esvoaçava.

Ele passou pela cortina e notou Saki, não falou nada e levou suas mãos aos cabelos cor de fogo da amiga amada. Os cabelos não cehgaram as suas mãos, tampouco os olhos de Saki.

Ela caiu. Tudo acabado. Finitto.

Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.