Finding Love
2 Uma Velha Amiga
Notas iniciais
char a lanchonete estava sendo mais difícil do que Natsu imaginou, considerado que só tinha um nome como referência — Happy.
— Se eu encontrar essa maldita lanchonete, a primeira coisa que vou fazer é uma lista com nomes mais criativos. — Resmungou enquanto andava.
Imaginava se tudo seria mais fácil se não tivesse um péssimo senso de orientação. Em sua casa em Era, onde viveu desde que consegue se lembrar, só sabia o caminho da cozinha até seu quarto. Já fazia bastante tempo que estava andando pelas ruas de Magnólia, e para dificultar um pouco mais, todas eram idênticas. Cansado de ficar rodando e rodando pelas ruas sem saber aonde estava, acabou perguntando para uma garota baixinha de cabelos azuis a localização da tal lanchonete.
— Ei. Você sabe onde fica a lanchonete Happy? — Perguntou cutucando a azulada. Que ficou olhando para ele por alguns segundos antes de responder, ela parecia um pouco desligada.
— Oh? Happy? Ah sim, a lanchonete. — Respondeu, mais parecendo que estava falando sozinha. — Estou indo para lá encontrar uma amiga na verdade... E aceito companhia.
— Ótimo! — Exclamou animado. — E obrigado mesmo, se não fosse por você eu passaria o dia todo andando por essas ruas. — Comentou rindo.
— De nada. — Respondeu friamente mesmo expressando um sorriso.
Ao reparar na aparência da garota de baixa estatura, percebeu que ela estava um pouco pálida, tinha longas olheiras atrás de seus óculos vermelhos e seu cabelo — que estava preso em um apressado coque — parecia um pouco bagunçado. Parecia que ela havia passado uma, ou duas noites em claro. Queria perguntar se estava tudo bem, mas não pareceu "certo" perguntar isso para alguém que acabou de conhecer.
Natsu apenas seguia a azulada pelas ruas, se surpreendendo ás vezes na maneira que ela andava com tanta de certeza de onde estava indo, sem hesitar nenhuma vez. O único som que escutava era de seus próprios passos e conversas aleatórias de pessoas que passavam, o silêncio que se dava entre Natsu e a garota era incomodante.
— Herm... Então... — Tentava pensar em qualquer coisa para puxar assunto. — Qual seu nome mesmo? —
— Uh? — Questionou sem parar de andar.
— O seu nome. — Natsu teve de apressar seus passos para ficar ao lado da garota.
— Ah, Levy, Levy McGarden. — Respondeu. — Desculpa, estou com um pouco de sono. Fiquei acordada por dois dias inteiro para conseguir ler um livro. — Esclareceu após dar um longo e contagiante bocejo.
— Eu sou Natsu Dragneel. — Se apresentou em meio a um bocejo. — Ah, entendo. Eu já passei por isso mas normalmente foi por fazer maratona de alguma série. Deve ser um livro bem interessante para ser melhor que uma noite de sono.
— Um não, três. — O corrigiu. — E são sim. Mas infelizmente tenho que devolve-los para minha amiga. — Comentou em um tom desanimado.
Natsu ficou surpreso, normalmente ele demorava uma semana para ler um livro de duzentas páginas mesmo acordado todas as noites.
— Você é novo por aqui? — Ela perguntou.
— Uhum. É tão perceptível assim? — Perguntou coçando a própria nuca um pouco sem graça.
— Bem... Você passou por mim umas três vezes antes de me perguntar onde é a Happy... —
O rosado sabia que estava perdido, mas com toda certeza não imaginava tão perdido assim.
No ritmo em que estavam, assim que Natsu se deu conta já estavam em frente a uma lanchonete bem movimentada que tinha o desenho de um rosto de um gato azul ao lado da palavra Happy escrita na mesma cor. Procurou entre as mesas circulares que estavam do lado de fora por um rosto conhecido e o achou. Ao ver Lucy acenando para ele e seu sorriso — que não havia mudado nada — seu coração acelerou. Talvez os sentimentos que pensou que havia superado, viessem a tona ou era apenas saudade de sua antiga melhor amiga. Preferia acreditar na segunda opção.
— Já encontrou sua amiga? — Perguntou para Levy.
— Sim. Eu só quero entregar esses livros e ir dormir. — Respondeu quase em um lamento antes de se ir andando na direção de uma das mesas.
Natsu só reparou que Levy rumou em direção a Lucy quando foi fazer o mesmo. De início se desapontou, esperava se encontrar com Lucy sozinho. Não que a presença de Levy seja indesejada, apenas desejava conversar com a loira na época em que eram grandes amigos.
— Natsu! Quanto tempo! — A loira exclamou sorridente ao mesmo tempo que se levantava para abraçar o antigo amigo.
—
Lucy! — Retribuiu o apertado e longo abraço, sentindo mais uma vez seu coração acelerar.. — Senti saudades... —
— Eu também... — Falou ainda presa nos braços de Natsu.
Levy normalmente se incomodaria por estar sendo um pouco excluída, porém aparentemente o sono é mais incomodante.
— Então... Bom te conhecer Natsu. — Sorri para o rosado. — E Lucy, você me deve uma noite de sono. Tenho que ir agora, ter a necessidade de dormir é um saco. — Disse antes de sair cantarolando alguma coisa parecida com "será que estou atrapalhando o casalzinho aí".
— Tchau pra você também! — Lucy gritou para a melhor amiga.
— Digo o mesmo! — Exclama o rosado.
Natsu se sentou junto a Lucy logo depois. Os dois ficaram se encarando, sem saber sobre o que falariam primeiro, eram tantas coisas diferentes que cada um queria saber sobre o outro... O rosado tinha imaginado o momento cheio de perguntas, mas agora estava frente a frente era um pouco diferente.
— Como estavam as coisas lá em Era? — A loira arriscou puxar assunto.
— Depois que você partiu? Bem, no começo foi meio solitário sabe, aliás você sumiu do nada se despedindo somente com um "tchau". Eu senti saudades. — Respondeu a pergunta em um tom melancólico.
— Eu sei, eu sei. Mas pra mim também foi rápido, não é fácil acordar em um dia e seus pais lhe contarem que você vai se mudar, sabe. — Lucy tentou se explicar.
— Okay, só não vamos falar sobre isso. —
— Ah, e eu também senti falta de você, aliás, você era o meu melhor amigo. — A loira sorriu.
— Nha, já faz tanto tempo, você provavelmente deve ter vários amigos riquinhos agora. — Natsu brincou.
— Realmente. Quem não quer ser amigo de uma garota linda e inteligente? — Jogou os cabelos para trás antes de dar uma gargalhada.
— Você não tem futuro nenhum como atriz, Lucy Heartfillia. — Comentou, também rindo. Isso era o que mais gostava na loira, ela tinha tudo para ser uma patricinha mas era uma garota normal.
— Eu fiz aula de teatro por duas semanas, tá! —
— Aham, e com certeza era a melhor. — Riu. — Vamos ficar na mesma sala na Fairy Tail? —
— Na verdade... Não, eu estou um ano na sua frente. Eu comecei um ano antes. — Esclareceu.
— Você é um completo robô. — O rosado disse emburrando a cara.
— Obrigada. Você vai ficar em dos apartamentos do colégio né? — Lucy perguntou.
— Sim, e é horrível ter alguém com quem dividir o apartamento. — Comentou em um tom sério.
— Pelo que eu me lembro, você gostava de conhecer pessoas novas. — A loira arqueou uma de suas sobrancelhas.
— Eu gosto, mas aí eu seria forçado a ser uma pessoa organizada. — Lamenta sorrindo, também conseguindo arrancar um da garota.
— E você nunca foi organizado. — A loira olhou para o céu. — O dia estava tão bonito, agora parece que vai chover... —
— E você sempre aleatória. — Riu novamente acompanhado o olhar da amiga para o que antes estava aberto. — Realmente. É melhor eu ir andando... — Diz enquanto se levanta. Gostava de dias chuvosos quanto estava enrolado em um cobertor, e não quando se molhava.
— Eu também vou. — Assim como Natsu, se levanta. — Te vejo por aí, Natsu. — Se despede sorrindo.
— Até! — Também se despede da melhor amiga.
Infelizmente o rosado não conseguiu ser mais rápido do que a chuva, mas pelo menos desta vez sabia o caminho. Provavelmente não ficaria muito bem se ficasse muito tempo naquela chuva, já que não tinha nada para se cobrir e sempre foi muito sensível quando o assunto era resfriados. Imaginou com quem iria dividir o apartamento, se seria alguma pessoa legal ou alguém insuportável. Era bem difícil achar alguém que Natsu não gostasse, então o mesmo imaginou que não seria nenhum problema ter companhia.
Demorou um pouco mais do que o rosado pretendia para chegar no apartamento e a chuva não parou, o que fez sua aparência ser idêntica a de alguém que havia pulado em um lago. A parte boa é que ele só teria de subir três andares para finalmente poder tomar um banho. Optou por subir pelas escadas mesmo, não estava muito afim de esperar o elevador.
Ao chegar no terceiro andar seguiu pelo extenso corredor branco até chegar em uma porta da mesma cor. Natsu não tinha nenhuma chave, aliás, não era necessário. Havia um tipo de painel ao lado da porta para digitar uma senha. Agradeceu mentalmente por ter anotado a senha no celular, nunca havia sido muito bom de memória, considerando que até hoje não havia decorado o número do seu próprio celular. Digitou a sequência de números que se parecia com uma data — 230806 — e adentrou dentro de seu novo lar.
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