Finding Love
12 Interpersonal Relations
Notas iniciais
Meu celular tocava incessantemente, mas eu não ia atender. Não tinha vontade de atender. No visor aparecia o nome Lux, Kiro, Romeo, Yu, Strify, mas nada de Shin. O único nome que eu queria que se importasse comigo. Os minutos foram se passando, sem eu ter certeza de quanto tempo tinha se passado realmente. Talvez fossem apenas alguns minutos, ou quem sabe, algumas horas. Eu queria ficar sozinha, tentar me encolher na minha escuridão e quem sabe, ser apagada do planeta.
- Sabrina!! – ouvi de longe alguém me chamando. A voz era masculina, mas era suave, como se acariciasse minha cabeça. Me parecia familiar...
- Sabrina!! – ouvi novamente, a mesma voz mais perto. Desta vez, a reconheci de imediato. Shin. Encolhi-me ainda mais em meu canto, não querendo que ele finalmente chegasse até mim e me encontrasse nesse estado deprimente. As lágrimas que com muito custo tinha conseguido parar, se reiniciaram com mais intensidade.
- Sabrina... – ouvi uma ultima vez, meio hesitante. Braços quentes rodearam meu corpo.
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- PoV Shin –
Já fazia uns 20 minutos que Sabrina não aparecia. Já estava começando a ficar aflito. Que diabos estava acontecendo naquele maldito banheiro??
- Liese – ouvi o rapaz moreno falar. Virei a cabeça rapidamente, encontrando a tal de Anneliese com marcas de lágrimas nos olhos. Mas... Onde estava a minha menina??
- Miguel, Theo, me levem para longe daqui! – ela ordenou, os puxando pelo braço. A raiva consumiu meu ser quando vi Miguel sorrir malicioso. Onde estava a minha pequena??
- EI GAROTA!! ONDE ESTÁ SABRINA?!?!? – Lux berrou inutilmente, pois a essa hora eles já estavam longe.
Mal esperamos 5 minutos e entramos em pânico. Lux e os rapazes ligavam incansavelmente para o celular dela, mas ela não atendia. Separamos-nos. Cada um foi vasculhar um banheiro. Não me importei de sair arrombando as portas dos banheiros femininos, a procura dela. Perdi a conta de quantos foram, mas não parei, continuando a chamar por seu nome.
Foi em um deles, que ouvi um chiado estranho, parecido com o de um soluço. Só podia ser ela. Tinha que ser ela.
- Sabrina!! – a chamei, me aproximando. O chiado parou, mas não ouve resposta – Sabrina!! – novamente, nada. Abri a porta o mais calmamente que meu estado permitia e a encontrei. Ela estava meio descabelada, encolhida no canto mais estreito do banheiro. Agarrava as pernas e seu corpo tremia pelos agora bem definidos soluços.
- Sabrina... – a chamei desta vez suavemente, chegando mais perto. Meu peito estava doendo ao vê-la daquela forma. Sua dor era a minha. Agora eu sabia disso. Eu estava perdidamente apaixonado pela menina mais linda, carinhosa, engraçada e problemática que podia existir. Minhas pernas se moveram sem que eu percebesse. Ajoelhei ao seu lado e rodeei aquele pequeno corpo com meus braços. Queria protegê-la. Iria protegê-la. Não deixaria aquele maldito chegar nem a 1 km de distância dela.
A pequena pareceu se acalmar, mas ainda chorava copiosamente.
- Olhe pra mim – pedi a ela. Meio relutante, ela olhou para cima. Parei de respirar por um segundo. A bochecha direita de Sabrina estava vermelha. Formas de dedos decoravam a cor. – Quem fez isso a você? – perguntei, tentando conter a raiva em meu tom de voz. Eu sabia quem tinha feito isso a ela, mas queria uma confirmação.
- A-A-Anneliese – ela gaguejou, afundando o rosto em meu peito. Minha camisa já estava toda molhada, mas eu não me importava nem um pouquinho com isso.
Por impulso, levantei o rosto de Sabrina, passando a observar cada mínimo traço de seu belo rosto. Com a mão livre, limpei as lágrimas que tinham cessado, e contornei a marca vermelha com os dedos. Sua respiração estava pesada, assim como a minha. Aproximei-me lentamente, colando minha boca na dela.
Foi como uma explosão. Seu gosto era doce e eu queria mais. Ela parecia meio tímida no inicio, por isso diminui o ritmo, iniciando um beijo calmo, onde eu tentava transpassar todos os meus sentimentos. Ela passou a corresponder, e me senti o homem mais feliz do mundo. Infelizmente, tivemos que nos separar pela falta de ar. Ela encostou sua testa na minha. Foi só então que percebi que minhas mãos tinham descido para sua cintura e que seus braços rodeavam meu pescoço, fazendo um suave carinho em meus cabelos. Acho que ronronei pelo ato, já que ela sorriu divertida, me dando um selinho.
- Por que fez isso? – perguntou de repente hesitante – Está com pena de mim?
Ela só podia estar de brincadeira comigo!! Ela tinha interpretado tudo errado!
-Não! Não! Não! Nunca que te beijaria por sentir pena!! Eu te beijei, pois... – não tardei em explicar, mas as ultimas palavras não saíram de minha boca.
- Pois... – ela quis saber, me olhando diretamente nos olhos, com uma carinha curiosa.
- Pois... – suspirei. Não era hora de fraquejar Shin!! Força!! – Pois eu estou apaixonado por você. – finalizei.
No inicio, havia confusão. Depois, compreensão, seguindo de compreensão e então, felicidade. Ela pulou em mim, depositando beijinhos por toda extensão de meu rosto. A segurei, depositando desta vez um beijo mais intenso em sua boca. Tinha certeza que estava irradiando alegria, meu espírito parecia o sol, brilhando.
- Eu amo você Shin – ela sussurrou quando nos separamos.
- Agora vamos. Todos estão preocupados com você. – a levantei, entrelaçando nossas mãos. Ela sorriu e fomos ao encontro do pessoal. Liguei para eles e pedi para que nos encontrássemos na praça de alimentação, onde tudo tinha começado.
Ao chegarmos lá, apenas Kiro e Lux esperavam, com caras preocupadas e repreendas. Essa ultima mudou ao verem a marca na bochecha da agora definitivamente minhapequena. Kiro amaldiçoou até a 100ª geração da garota e Lux começou a bolar planos que incluíam desde enforcamento até perseguição e espancamento. Com outros que aos poucos chegaram, não foi muito diferente. Nós dois ficamos quietos até Strify, muito discreto reparar em nossas mãos (que ainda estavam entrelaçadas) e gritar:
- AAAAAHHHH!!!! VOCÊS ESTÃO JUN TOS????
- Sim – respondi simplesmente.
Agora que a baderna aumentou. As pouquíssimas pessoas que estavam na praça de alimentação nos olhavam como se fossemos loucos, e de certa forma, éramos.
Pegamos as compras do pessoal (que não tinham saído do lugar) e fui obrigado a levar tudo, junto de Yu e Romeo. Depois de deixar as meninas em casa e de muito esforço para separar-me de minha garota, fui para casa.
Assim que cheguei, cai na minha cama e tive um excesso de risos. Eu tinha conseguido!! Sabrina era minha e de mais ninguém!! Mas foi aí que um pensamento passou pela minha cabeça. Eu não tinha pedido Sabrina em namoro, nem dado nada que demonstrasse que eu era dela e que ela era minha!! Eu era muito BURRO!! Eu teria que resolver isso rapidamente. Peguei meu celular e liguei para alguém bem especialista.
- Kiwi? E aí, como vai?
- Ora, ora, ora! Então os mortos voltaram do tumulo!! Em que posso te ajudar seu desgraçado? – ri do outro lado da linha, pensando em como ele não tinha mudado nada.
- Preciso de um favor. Desta vez vale pela aquela tarde em Monique.
- Grandes tempos aqueles!! Pode falar meu chapa.
- Como você trabalha na lojinha ideal, preciso que separe uma coisa pra mim.
- Você não estaria falando do...
- Desse mesmo Kiwi. – o interrompi, já sabendo do que ele falava.
- Então, finalmente Marcel Gothow se amarrou em uma mina??
- Isso mesmo. Estou perdidamente apaixonado por Sabrina.
- Esse é o nome dela?? Gostei. Pode me apresenta-la??
- Não. – falei sério, pensando em como Kiwi seria perto de uma menina como a minha.
- Poxa cara. Não custa nada.
- Não vou submetê-la a sua pessoa.
- Assim você me magoa.
- Certo Kiwi. Passarei aí amanhã a tarde.
- Certo cara. Até amanhã.
- Mal posso esperar – falei sarcástico, ainda conseguindo ouvir a gargalhada dele do outro, que depois desligou.
Liguei a televisão, deixando em um canal qualquer e indo para a cozinha, preparar alguma coisa para eu comer. Fiquei assistindo um filme dramático até meu celular tocar. Meu coração disparou ao ver que era Sabrina. Atendi.
- Ahh, Oi Shin!! – ela falou, parecendo meio perdida.
- Oi pequena. Aconteceu alguma coisa? – minha preocupação aflorou, no momento em que pensei que Miguel pudesse ter feito algo a ela.
- Não é nada disso!! – Sabrina explicou, deixando-me mais calmo – Eu só liguei para dizer que estou com saudades.
Era só isso?? Um ato tão fofo vindo dela!! O sorriso que já estava em meu rosto sem permissão se alargou ainda mais.
- Eu também estou com saudades. – respondi, sendo sincero. Era minha hora de agir – Hei, pequena, gostaria de ir ao cinema comigo??
Ouve um silêncio do outro lado da linha. Ela não iria aceitar??
- Sim Shin!! Eu adoraria ir ao cinema com você.
Meu coração falhou uma batida em alivio.
- Isso é ótimo!! Amanhã esteja pronta no portão da sua escola. Vou te pegar.
- Tudo bem. Tchau Shin, eu amo você.
- Também amo você pequena. Tchau. – acho que fiquei 5 minutos escutando o tu-tu-tu do telefone, ainda pensando em como eu era sortudo. As coisas estavam dando certo. Mal podia esperar pelo amanhã.
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