Finding Each Other
5 With no return
Notas iniciais
Anyway, incluí trechos da música "Rosa Sangue" dos Amor Electro, uma banda portuguesa que adoro. Quem quiser ouvir está à vontade: http://www.vagalume.com.br/amor-electro/rosa-sangue.html
De resto, quero agradecer a todos vcs pelos comentários de incentivo e sugestões e ideias que me têm dado, só me dão ainda mais vontade de continuar escrevendo. E sem vos roubar mais tempo apenas desejo uma boa letura e que este capítulo continue vos agradando. =D
Regina não se moveu do mesmo lugar que estava até ouvir o som da porta da mansão bater num estrondo forte, vindo do piso de baixo. A morena olhou para baixo, tentando visualizar a sua própria figura, enrolada em lençóis de seda perfumados com uma mistura do aroma a alfazema e … Regina fechou os olhos agoniada. Um cheiro intenso a sexo invadiu as narinas da mulher de tez morena. Os lençóis estavam impregnados com o odor do ato de loucura e prazer que ela e Emma Swan tinham praticado naquela cama, em que agora apenas Regina se encontrava, de novo sozinha.
A cabeça da morena estava latejando de dor. Sentia um líquido ainda quente e húmido melado na parte de dentro das coxas. Afastou o lençol que rodeava o seu corpo e que também aparentava estar molhado, e levou a mão direita aonde estava depositado o vestígio do que fora algo que nunca havia experienciado na vida. Teria urinado no lençol? Pensava chocada. Ou ejaculado? Ou aquilo ainda era a presença do excesso de lubrificação que o seu sexo segregara durante as preliminares? Ao pensar nisso, as lembranças dos beijos e das carícias de Emma regressaram à cabeça de Regina como uma flecha, e esta teve de abanar a cabeça com brusquidão para retirar aquelas ideias do pensamento.
Regina não pode continuar ali, estava ficando mal disposta. Levantou-se e deixando os lençóis para trás dirigiu-se para o banheiro, tinha de tomar um banho, e rápido. Entrou apressada, precisava de lavar a presença daquela mulher do seu corpo, da sua alma… e depressa.
- Não acredito nisto. – a realização do que tinha acabado de acontecer naquela noite continuou a ser reforçada pelas roupas penduradas da loira na porta de correr da banheira. – Era só o que me faltava. – Regina falava sozinha. Pegou naquelas roupas molhadas: umas calças jeans justas pretas, uma camisola de lã de gola alta cinza e o casaco preto comprido que a loira usara antes de pegar emprestadas as roupas de Regina. E a morena nua, segurando aquelas roupas nas mãos só tornava aquela situação ainda mais despropositada.
Ninguém te vai parar, perguntar...
Fazer saber... Porquê?
Vais ter de te oferecer,
E entender, o que fará viver?
Embora parecesse contraditório, Regina sentia que agora com suas memórias recuperadas, em vez de ter encontrado as respostas que procurava, só tinha achado mais perguntas e questionamentos para esclarecer. Atirou as roupas que segurava com raiva para o chão e entrou na banheira sem olhar uma última vez para elas. Abriu a torneira do chuveiro procurando achar uma temperatura amena para a água. A água escorria livremente por todo o seu corpo nu e fechando os olhos, a morena tentou apagar as memórias mais recentes do seu pensamento. Tinha de esquecer o que acontecera com a Sheriff, a Salvadora … que irónico não era mesmo? A Salvadora a fez lembrar de tudo aquilo que ela queria esquecer. Em contrapartida, acrescentou novas memórias a todas as outras que ela jamais conseguiria deixar de lembrar. Não. Maldita Emma Swan! Regina abriu os olhos com raiva, colocou um pouco de gel de banho na esponja que usava para se ensaboar e esfregou. E esfregou mais e mais. E com mais força, esfregou. Todo o seu corpo molhado Regina esfregou, como se fosse por fazer isso que iria mudar alguma coisa. Reparou que a única coisa que acontecia era que, para além de algumas marcas deixadas na pele da morena pela loira, se juntava uma vermelhidão provocada pelo esfregar da esponja no seu corpo.
Vê, não basta ir, voar, seguir,
O cerco ao fim,
Aperta, trai, morde, engana a sorte, cai,
Não lembra de ti...
Regina Mills estava completamente transtornada, aquilo não podia ter acontecido. Encostou a cabeça à parede e chorou.
É só o amor desfeito,
Rosa sangue ao peito,
Lágrima que deito,
Sem voltar atrás!
Do lado de fora da mansão Mills, dentro de um fusca amarelo, estava Emma Swan. A loira tinha a cabeça enterrada no volante do automóvel e não encontrava forças para fazer nada, nem sequer para ligar o carro e sair dali. A mulher levantou a cabeça e encostou-a desta vez ao recosto do banco atrás de si, enquanto uma lágrima silenciosa escorria pela sua face.
Porque doía tanto aquilo? Como é que uma coisa que não se compreende podia doer daquela maneira?
Cresce e contamina
Tolhe a luz à vida,
Que afinal ensina, quebra,
Dobra a dor e entrega amor sincero.
Emma revivia na sua mente o que tinha acabado de acontecer longos minutos antes. A sua boca na de Regina. A pele salgada da morena na sua boca quente e molhada. As mãos de Regina no seu corpo ardente de paixão. Os seus dedos dentro … — Pára Emma!! – a loira gritou consigo mesma em voz alta. Será que metade de uma noite mudaria tudo? Recriminava-se mentalmente. Emma não compreendia como é que tinha deixado aquilo acontecer, nunca havia pensado na Mayor de forma sexual para ter caído tão fácil nos braços da outra mulher. Algo estranho tinha acontecido, não tinha dúvidas, agora o quê e o porquê, ela não saberia responder.
Honra tanto esmero, cala o desespero,
É simples, tudo o que é da vida herdou sentido,
Tem-te se for tido, sabe ser vivido,
Fala-te ao ouvido e nasces tu...
A pele do corpo da Mayor já estava começando a ficar enrodilhada pelo tempo que estava debaixo de água. Todo o vestígio daquela noite havia desaparecido do seu corpo. A água tinha lavado todo o melaço dos beijos e das línguas, todo o suor de prazer, todo o líquido erótico e sexual e todas as lágrimas largadas por aquele corpo cansado, debaixo do chuveiro. Regina desligou a água e saiu da banheira, pegou uma toalha seca e enxugou-se vagarosamente.
Ninguém te vai parar, perguntar...
Fazer saber... Porquê?
Por isso vê, não basta ir, voar, seguir,
O cerco ao fim,
Aperta, trai, morde, engana a sorte, cai,
Não lembra de ti...
Enrolou a toalha à volta do peito e olhando para as roupas de Emma estendidas no chão agarrou-as e levou-as consigo para o quarto.
Através do vidro do carro, Emma levou o seu olhar para a janela do quarto da Mayor. Mordeu o lábio receosa do que podia estar passando pela cabeça da outra mulher. Como é que elas iriam se comportar dali adiante na presença uma da outra? A loira tinha de colocar aquelas … aquelas, “coisas”, que estava sentindo dentro de uma caixa, bem funda. O vulto da morena parecia se aproximar da janela que Emma estava observando.
Regina, já vestida com uma saia preta estilo executiva e blusa vermelha, abriu a janela do quarto com as roupas da outra na mão. E sem perder nem um só segundo jogou-as pela janela fora com força. Emma, lá fora, sentiu o seu coração quebrar mais um pouco.
É só o amor desfeito,
Rosa sangue ao peito,
Lágrima que deito,
Sem voltar atrás!
Cresce e contamina
Tolhe a luz à vida,
Que afinal ensina, quebra,
Dobra a dor e entrega amor sincero.
Regina só então viu que o carro da loira ainda estava estacionado na sua porta. As roupas largadas ao sabor do vento voaram para longe da janela e da mansão. Perdidas.
Regina dirigiu o olhar para a forma da outra mulher dentro do carro.
Honra tanto esmero, cala o desespero,
É simples, tudo o que é da vida herdou sentido,
Tem-te se for tido, sabe ser vivido,
Fala-te ao ouvido e nasces tu..
Cruzou os braços, endureceu a postura e tentou fazer com que o tudo fosse reduzido novamente ao nada. Era mais fácil assim. Com um último olhar para a morena, Emma arrancou com o carro. E a única coisa sensata a fazer seria partir e esquecer. E a Regina, apenas restava ver o carro desaparecer do seu angulo de visão. Sem voltar atrás.
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