Finding Each Other
14 The Queen kicks in
Notas iniciais
Peço desculpe pela demora, mas é Carnaval e tal e ng leva a mal =P
Espero que gostem do capítulo, a coisa agora vai azedar um pouquinho, mas tem de ser por agora.
Boa leitura =)
A hora avançada da noite já se fazia sentir pela fraca luz que entrava pela janela daquela casa. O casal Charming estava reunido na casa da Madre Superiora, mais propriamente com a sabedoria da Fada Azul, procurando um jeito de regressar à Terra dos Contos de Fada. A mulher que no passado se apresentava possuidora de um corpo de dimensões reduzidas, cerca de seis polegadas apenas, sentava-se agora à mesa com o Casal Real, aparentando a estrutura de um ser humano de proporções normais.
- De certeza que não tem alguma ideia, alguma pista que possa indicar algo? – David perguntava de forma insistente à Fada.
- Antes de qualquer coisa, a Maldição das Trevas foi criação exclusiva e única de Rumpelstiltskin, sendo que eu não possuo o conhecimento necessário sobre ela para vos poder ajudar. – a mulher, agora desapropriada das suas típicas asas de libélula, explicava para os dois a razão de não poder ajudar no regresso à Terra Encantada. Aliás, se ela soubesse de um meio para isso, com certeza ela própria não estaria naquele mundo sem magia, tao impróprio para a sua natureza.
Snow estava farta de dar voltas à cabeça para conseguir descobrir o que poderia levá-los a todos de volta, mas estava sendo difícil encontrar uma solução apropriada. Abrir um portal não era o mais difícil, até porque já haviam conseguido antes, e até mesmo a própria Fada Azul dizia-lhes que conseguiria com algum pó de Fada através do refinamento dos diamantes feito pelos Anões. O problema não era esse e sim outro, ou mais especificamente, dois problemas maiores:
- Arranjar um portal grande o suficiente para transportar todos os habitantes de Storybrooke; - Restituir toda a fauna e flora e toda a riqueza que constituía originalmente a Terra dos Contos de Fada do jeito que era pré-maldição.- Quer dizer que o único capaz de ter alguma solução é o próprio Rumpelstiltskin? – Snow perguntara, desiludida. A Madre Superiora abanou relutante a cabeça, antes de responder.
- Penso que por esta altura nem mesmo ele deve conhecer todos os contornos da sua maldição. Afinal de contas, Emma de certo modo iniciou a quebra da maldição, e nem por isso regressámos. Talvez isso tenha fugido do controlo de Rumpelstiltskin. – a mulher dava a sua opinião sobre o assunto, não muito certa se seria verdade, mas no momento, teria de confessar que não lhe surgia mais nada. O casal, postado diante dela, suspirava vencido.
- Não queria ter de fazer isso, mas talvez devêssemos voltar a tentar falar com ele. – era a voz de David, que numa última tentativa, tentava achar uma solução. Snow, ao seu lado, questionou.
- Rumpelstiltskin? Acha mesmo que ele está interessado em regressar? A única coisa que fez foi devolver a magia a Storybrooke, e todos sabemos, ao que parece, que o tal filho dele perdido está nesta terra algures. — A Fada intrometeu-se:
- São demasiadas perguntas sem resposta. Eu vou continuar procurando uma brecha na maldição, qualquer coisa que eu ache que possibilite a nossa volta, eu prometo. Agora, não se desesperem. Falem com Rumpelstiltskin na mesma, pode ser que através da sua conversa, mesmo vaga e incerta, dê para perceber algo. – Os dois acenaram afirmativamente para a Fada Azul, e levantando-se, trocaram os eventuais cumprimentos de despedida e saíram. O dia estava encerrado para qualquer tentativa, por mais remota que fosse, de encontrar nova teoria para o tal almejado regresso à Terra Encantada.
*** *** *** ***
Para Emma, aquela noite se assemelhava a uma eternidade sem fim, de escuridão e incerteza. Não havia conseguido ainda pregar olho. Não depois daquela mudança súbita de comportamento de Regina, e ao que parece, tudo por causa do tal pesadelo. Tentou abstrair-se dos pensamentos e medos que lhe assombravam a mente. Não, havia sido um pesadelo sem importância, a morena mesmo dissera. Estava se preocupando à toa, amanhã ela estaria mais bem-disposta e voltaria a ser a mesma Regina Mills doce e divertida do dia anterior. Virou-se para o outro lado e acomodou-se ao travesseiro. Que pena que não era o corpo quente e macio da morena que estava ali, ao seu lado. A verdade é que depois de ter Regina da forma que teve, e com isso não se estava referindo à noite de sexo que tiveram e sim a algo ainda mais verdadeiro, real e profundo, era impossível conseguir suportar a ausência da morena em seus braços. A loira tornou a voltar-se, desta vez, mudando de posição, permanecendo de barriga para cima, encarando a penumbra do quarto. Não dava mais, tinha de se levantar. Decidiu espreitar o filho no quarto ao lado.
A luz enfraquecida do candeeiro postado ao lado do menino iluminava-lhe levemente o rosto. Henry dormia serenamente, com uma expressão leve e tranquila. Aparentava estar tendo um sonho bom, ou então, apenas aquela era a expressão de felicidade e contentamento do garoto, vivenciando de forma inconsciente o dia de brincadeiras que tivera. Emma aproximou-se do rosto do menino e depositou sobre a sua testa um beijo muito ao de leve, quase como um sopro fraco de tão despercebido que foi. Sorriu de forma genuína quando viu o garoto, com um fletir inconsciente da testa, virar-se para o outro lado da cama. A loira deu uma última olhada no quarto assegurando-se que estava tudo em seu devido lugar, e apagando a luz do candeeiro da cómoda, saiu do quarto.
Prestes a regressar ao seu quarto, mudou de ideias assim que chegou na porta. Decidiu espreitar a morena, antes de voltar a tentar adormecer novamente. A escuridão que inundava o quarto de Regina era imensa. Pelo que parecia, a mulher havia puxado para baixo todos os estores das janelas, fazendo com que não se visse um palmo à frente do nariz. A loira mesmo assim, tentando não tropeçar, aproximou-se da cama onde a mulher estava deitada. Com precaução acendeu um dos candeeiros que havia no quarto para poder observar o rosto da morena. A beldade de cabelos escuros e olhos chocolate, repousava com a cabeça levemente fora do travesseiro. Ao contrário do filho de ambas, a sua expressão não demonstrava sinais de paz ou tranquilidade, pelo contrário, parecia contorcido numa expressão de agonia. Emma sentiu o seu coração pular dentro do peito. Seria outro pesadelo?
*** *** *** ***
Cora parecia perdida num transe profundo. Para quem não soubesse, parecia que a mulher estava hipnotizada, sentada numa cadeira, com a postura hirta e tensa. Se alguém pudesse olhar de perto a expressão do rosto da mulher, com certeza ficaria perplexo de choque e receio: um olhar louco e brilhante tomava conta dos olhos dela e um sorriso maquiavélico e tenebroso assombrava-lhe as feições, duras e frias.
Uma vez ou outra, murmurava palavras desconectadas da realidade presencial da sala, onde estava instalada.
- Amor … fraqueza. — … não …. ama – ela não acredita – ninguém te ama como eu – roubar – seu filho.
O olhar demoníaco de Cora estreitara-se e num tom mais assustador finalizou o seu transe com as simples palavras. – O que você realmente quer Regina?
*** *** *** ***
- NÃO! – a morena acordara gritando, suando, chorando e se contorcendo de forma impulsiva. – MEU FILHO!
Emma tentava conter a morena com a ajuda dos seus braços. Regina olhava para a loira com um olhar assustado e amedrontando. A Sheriff tentava acalmar a mulher, dizendo palavras que transmitissem segurança e afagando-lhe o rosto com amor.
- Regina, tenha calma, foi só um pesadelo. Shhhh, está tudo bem. – e embalou-a em suas braços como se estivesse tentando colocar uma criança para dormir. Aos poucos a morena se acalmava.
- Emma. – Regina se desembaraçou do abraço da loira e encarou-a de maneira séria. – Me prometa que não irá tirar o meu filho de mim. – A loira arregalou os olhos de forma surpresa e confusa. O que estava acontecendo para esse absurdo agora? Ela arqueou a sobrancelha e balançou levemente a cabeça antes de responder.
- Tirar Henry de você? Claro que não, porquê isso agora? – a morena desviou o olhar do da loira, cabisbaixa. Emma tentou com a mão, levantar o queixo de Regina para a mulher olhar para ela, mas nesse momento, foram interrompidas.
- O que aconteceu? Ouvi gritos. – era a voz sonolenta e preocupada de Henry vinda da porta. Emma voltara-se para o filho fazendo-lhe sinal com a mão para se aproximar.
- Não é nada garoto. Só sua mãe que teve um pesadelo. Fique aqui um pouco com ela enquanto eu vou buscar um copo de água, pode ser? – a loira sorriu de forma tranquilizadora para o filho, enquanto a morena tentava se acalmar. Assim que Henry se aproximou delas, Emma virou-se para Regina, e retirando-lhe uma mecha de cabelos que lhe cobria os olhos, falou de forma meiga. — Eu já volto, está bem? – a morena assentiu com a cabeça, agora mais calma.
Emma achou que seria uma boa ideia deixar um pouco mãe e filho sozinhos, podia ser que assim Regina tirasse da cabeça aquela ideia disparatada da loira tirar-lhe o filho.
- O que você sonhou mãe? – o menino perguntara à morena, assim que Emma saiu. Regina sorriu de forma fraca, mas sincera, e mais uma vez evitou dar a devida importância aqueles sonhos.
- Não foi nada Henry. Coisas do passado, sem a menor razão para se preocupar. – o garoto sorriu de volta para a mãe e agarrou-lhe na mão, apertando-a. Regina olhou para aquele gesto e por alguns segundos o seu coração voltou a encher-se de luz. Tinha de abandonar aqueles pensamentos, aquelas inseguranças sem sentido. Aquilo era apenas o seu insconsciente traumatizado com os traumas recalcados do passado, que não era capaz de aceitar que a felicidade também podia ser real para ela.
*** *** *** ***
Cora sorria e ria-se e gargalhava, não se conseguia conter com aquela cena que observava através de um dos espelhos. As sementes estavam plantadas, ela agora só precisava de tempo para regá-las para deixá-las criar raiz e crescer. Mas entretanto, tinha um outro assunto a tratar. Afinal de contas, ela era uma mulher de palavra.
*** *** *** ***
Killian “Hook” Jones estava na proa do seu návio, mantido ainda invisível para os demais olhos, pelo feitiço de Cora. Enquanto pensava num plano para ferir o coração de Rumpelstiltskin onde ele mais doía, Belle, observava o seu reflexo no gancho que acabava de polir.
- Olá Hook. – a voz de Cora retirou-lhe da teia de pensamentos em que estava inserido. Voltou-se para a mulher e sorriu de forma galanteadora e indecente.
- Cora. – aproximou-se da mulher. – Pensei que a nossa parceria estava encerrada. Deu-se conta que afinal sempre precisa do frouxo do pirata? – cuspiou as últimas palavras com ódio. Cora sorriu mansamente para ele, e encurtou mais o espaço entre eles.
- Oh sim Capitão, eu preciso. – isso só fez o sorriso de Hook aumentar ainda mais. Pobre coitado, ingénuo e ignorante. Cora aproximou os seus lábios dos dele, cerca de milímetros os separando um do outro. – Adeus Hook. – o pirata num ápice desfez-se do semblante de escárnio e altivez com que estava, só para segundos depois transformá-lo em dor. A mão de Cora entrara em seu peito e apertava o seu coração entre os dedos. – Foi um prazer conhecê-lo. – e dito isso, a mulher esmagou o coração do pirata sem mesmo ter o trabalho de o retirar do peito. No mesmo instante tudo o que a rodeava, o barco e todo o rasto efémero da presença de Hook desapareceram numa nuvem de fumo. Tudo menos o gancho. A mulher, agora na margem do rio, pegou no gancho e sorriu. – Que belo souvenir de Storybrooke.
*** *** *** ***
O resto da noite avançou conforme o ritmo normal, pelo menos, o possível para a noite de pesadelos que acompanharam o inconsciente de Regina. Emma durmira sentada, numa cadeira colocada diante da cama onde a morena descansava. Devido a isso, todo o seu corpo doía. E ela que pensara, no início da noite, que teria uma noite tão mais diferente daquela e que o seu corpo iria doer por outras razões. Amaldiçou-se mentalmente por aquele pensamento. Não era hora de pensar em safadeza. Regina não estava bem, e esses pesadelos, precisamente agora, não eram mero acaso. Cora estava na cidade, e a loira não era burra, e com certeza não se ia deixar iludir mais uma vez. Tinha quase a certeza que esses pesadelos eram obra sua, e agora mais do que nunca, teria de pensar no que fazer para proteger a amada. Não ia virar as costas a Regina, não dessa vez. Aproveitou a noite para pensar, enquanto via, com o coração em pedaços, a morena se movimentar num sono perturbado e intranquilo. Felizmente, quando os primeiros raios de sol começaram a surgir, a expressão de Regina se amenizou e retomou algumas das suas feições mais serenas. A loira aproveitou para tornar a baixar os estores, tentando impedir que agora fosse a claridade do nascer do dia a impedir o sono da mulher. Embora lhe custasse sair daquela casa e deixar a mulher, não podia passar o dia ali. Teria de procurar ajuda, e só conseguia pensar em Mr.Gold naquela hora. Ele era poderoso, “e manhoso”, pensara no momento seguinte. Mas era inevitável. Ele teria de ajudá-la, quer fosse por bem, quer fosse por mal. Não pretendia demorar, apenas algumas horas, faria o homem explicar-lhe como usar a magia dela ou o “Diabo a Quatro”, mas não o ia largar se ele não lhe dissesse como acabar com Cora. Podia deixar Henry com Regina durante algum tempo para que ela não ficasse completamente sozinha, e ir à loja de antiguidades ao encontro de Gold. Mas talvez fosse melhor avisar os Charmings antes … “O que é que eu faço?”, Emma estava em conflito. Esse pensamento fez a sua cabeça encher-se com as possíveis imagens reproduzidas de uma situação entre ela e os seus … pais … super constrangedora. Só agora lhe atingia a consciência do que seria contar para o casal, seus pais – Snow White e Prince Charming – que ela, a filha perdida deles, estava apaixonada pela Evil Queen lá do mundo deles – Terra dos Contos de Fada. Só a ideia disso dava-lhe uma enorme vontade de rir. E de gritar de forma agonizante, lentamente. Oh, aquilo ia ser lindo! No entanto, olhando para trás para tudo que acontecera nos últimos tempos na sua vida, essa ideia já não lhe parecia inteiramente absurda. Além disso, a parte de amar Regina, sim, porque Evil Queen só se fosse lá na Terrinha Encantada dos príncipes, era o menos absurdo para ela. O pior mesmo era ela própria ter-se de armar em cavaleiro, ou melhor, em Salvadora e lutar contra um dragão … “Acho que isso já foi né?”, a loira abanou a cabeça desnorteada. Agora não era um dragão, era uma besta sem coração, sua futura sogra … Oh Deus, como era tudo tão ridiculamente absurdo. Mas era real. “Habitue-se Emma!”, a loira travava um monólogo incessantemente cansativo dentro dela.
Tinha de se concentrar e ser racional; deixaria Henry com Regina por algumas horas, depois iria ter com Mr.Gold e de forma cordial em primeiro lugar obter uma respota. Se o homem não colaborasse … bem, se ele não colaborasse ela simplesmente daria-lhe um soco na cara. Aproveitaria para informar Mary Margaret e David acerca da suspeita dela sobre os pesadelos de Regina. Não valeria a pena telefonar, não. Isso poderia criar demasiada agitação e alarme, por enquanto infundado. Por agora, nada real havia acontecido, pelo menos não real o bastante que fosse preocupar o casal Charming. Estava certa que eles não estariam muito interessados nisso, não tanto como ela. Eles não conheciam Regina como ela. Foi com esse pensamento em mente que arranjou forças para se levantar, depositar um beijo carinhoso sobre a testa da morena, e sair do quarto discretamente.
*** *** *** ***
- Novamente fazendo insinuações sobre minhas atitudes? Tão encantador! – Gold respondia a Charming, recorrendo ao sarcasmo cheio de ironia.
Snow e Charming, mais uma vez tinham ido ao encontro de Rumple, agora na loja de antiguidades, para descobrirem … bem, as palavras certas para o que eles tinham ido lá fazer era mesmo, “encher o saco” dele com mais perguntas que ninguém naquela terra sem magia tinha a mínima ideia da resposta. E como o bom diplomata que Mr.Gold era, ele mostrava-se diante do casal, contido e paciente, simultaneamente achando engraçado e idiota a ignorância deles nesse jogo que nem uma regra conseguiam descobrir, quanto mais jogar.
- Rumpelstiltskin, de uma vez por todas. Diga-nos a verdade sobre isso. – era a voz de Snow que desta vez interferira na conversa. – Há ou não há uma maneira de voltarmos à Terra Encantada? Todos juntos. – Mr.Gold sorriu para a morena com ar misterioso, como já era seu costume. Snow tinha de admitir que aquilo começava a ser irritante.
- Não posso dizer que seja impossível é claro. Mas eu não tenho nas minhas mãos as ferramentas para isso, outra pessoa as terá, tenho a certeza. Agora, com muita pena minha, eu não vos poderei mais ajudar. Terão de procurar respostas em outro lugar. – e com isso, o negociador sorriu de forma educada e esperou que o casal se retirasse, como se seria de esperar. Mas os dois apenas ficaram com cara de palermas sem saber que responder, diante do vácuo das respostas que assombravam a boca de Gold cada vez que ele falava. Charming aproximou-se de forma ameaçadora do homem, atrás do balcão.
- Você e seus enigmas! Não ajuda porque não é do seu interesse! – David já bastante irritado postou as mãos sobre o balcão encarando o homem com raiva.
- Ora ora, vai partir para a agressão? – Gold respondeu já sem muita paciência. – Eu só vou dizer isto uma vez, e espero não ter de repetir. – Rumple, de semblante fechado sem nunca perder a pose, dirigiu o olhar fulminante e desafiador a Charming. – Saiam da minha loja agora. Por favor. – disse as últimas palavras de forma letal. Snow ao ver que não iria conseguir mais nada dali apenas puxou o marido pelo braço para fazê-lo desistir daquela disputa que não daria a lugar nenhum. Os dois caminharam, finalmente, para a saída da loja.
*** *** *** ***
- Não se preocupe Emma, eu tomo conta da minha mãe. – Henry sorria muito seguro de si e demonstrando toda a sua vontade de participar nas batalhas do Bem contra o Mal. Emma apenas sorria e balançava a cabeça em forma de assentimento. Sabia bem que pelo seu filho, ele estaria cavalgando num cavalo branco, combatendo ogres, salvando princesas em apuros e derrotando bruxas más. Igualzinho ao seu livro que iniciara toda aquela situação. Se tudo fosse assim tão simples. A loira sabia que não era e tinha de fazer Henry perceber, tinha de ter a certeza que o garoto sabia que isto era importante e que não era igual à história de que o Bem vence sempre. Pois, na realidade do mundo real, podia não ser obrigatoriamente assim.
- Eu sei garoto. Mas preste atenção: não abra a porta a ninguém enquanto eu não voltar, fique sempre com esse celular na mão.- a loira colocara um celular na mão do filho para ter a certeza que ele sabia o que fazer se fosse preciso. – Prima logo a tecla um em caso de emergência, eu programei ele para chamar o meu número com essa tecla de atalho. – o menino ouvia atento e calado a explicação. – Eu sei que você é esperto Henry, e é provável que nada aconteça porque eu não vou demorar nada, mas se acontecer … — a loira estava ajoelhada diante do menino, ficando com os olhos ao nível dele. – se algo acontecer e você não consiga fazer nada, por favor não se arme em herói, ouviu bem? – aquela parte era importante, e ela tinha de se certificar que o garoto iria fazer o que ela mandara. Henry assentiu com a cabeça mostrando que estava ouvindo e entendendo. – Você sai logo, imediatamente para a rua e grita! – o garoto mais uma vez mostrou que concordava com um aceno de cabeça e um ar sério. A loira sorriu e levantou-se. – Agora, deixe a sua mãe descansar que ela não dormiu muito bem essa noite. Eu volto depressa.
- Pode deixar. Eu dou conta do recado. Mas o que eu digo para ela quando ela acordar? – Henry lembrara-se de repende desse pormenor.
- Acho que nem vai dar tempo dela acordar, mas se isso acontecer, diga para ela que eu fui no Granny’s buscar algo para o café da manhã. – o menino mais uma vez assentiu. A loira, com um braço puxou o menino para si e deixou-lhe um beijo rápido na cabeça, antes de sair.
*** *** *** ***
Emma dirigia rápido o fusca amarelo, estava travando uma batalha contra o próprio tempo. Sentia que Cora estava perto, a sua maldade pairando sobre toda a cidade. Chegou rápido ao pé da loja e parou o carro, mas não sem antes avistar Mary Margaret e David, ao que parecia, saíndo de lá.
- David! Mary Margareth! – a loira gritou chamando a atenção do casal.
- Emma! – Snow correu ao seu encontro, abraçando a filha. A loira depressa se desfez do abraço, não era tempo para isso.
- Vocês falaram com Gold? Ele vos disse algo sobre Cora? – David e Snow olharam confusos para ela, notava-se demasiada urgência na voz da filha.
-Mas aconteceu alguma coisa? – a morena perguntava aflita. O marido, ao lado dela, intrometera-se.
- Nós viemos ver com Gold se havia alguma forma de regressarmos à Terra Encantada. – aquela resposta surpreendera Emma. Com coisas mais urgentes para pensar e eles tinham ido ver isso com Gold? Ela depressa abanou a cabeça.
- Não aconteceu nada, mas vai acontecer. Eu preciso falar com ele. – a loira deixou os pais de lado e dirigiu-se para a entrada da loja sem nem esperar por eles. Os dois entreolharam-se cúmplices e seguiram-na, novamente para dentro da loja.
A campainha sobre a porta da loja fez-se mais uma vez soar e a figura de Gold apareceu postada de forma direita e reta ao balcão.
- Não me diga agora que a família perfeita foi buscar mais um dos membros para me azucrinar. – Mr.Gold já estava farto daquelas intromissões um tanto ou quanto desagradáveis. – Isto agora vai se tornar um hábito é? – o homem acrescentou, aborrecido.
- Gold, eu preciso saber como acabar com Cora. – não havia tempo para pedidos de desculpa ou delicadezas, a loira tinha de voltar à mansão o mais rápido possível. O homem se surpreendou com a direção que desta vez a conversa levava.
- Miss Swan, como eu vou saber isso? – Emma estava sem paciência e sem tempo.
- Chega! Diz-me, tu sabes que ela não conseguiu tirar-me o coração, e eu sei que tu sabes mais do que mostras! – a loira estava quase gritando num misto de medo, aflição e desespero. – Qual o ponto fraco? Diz-me o que fazer, agora! – ela ordenou de forma repreensiva. Os Charmings estavam um pouco mais atrás dela, Snow tocara-lhe no braço e tentava chamá-la à razão, mas Emma fez sinal para ser deixada.
- Mas Miss Swan, eu já lhe disse, não se recorda? – a loira respondeu com um arquear de sobrancelha e uma cara de vazio que só fez o homem continuar. – Tu és o produto do amor verdadeiro. E isso, minha cara, o Amor, é a magia mais poderosa de todas.
Snow olhou para Charming de forma confusa, chocada, surpresa e com uma perplexidade extrema que não conseguiu dizer uma só palavra. Charming voltou-se para a filha, fazendo da perplexidade da mulher, palavras suas.
- O que ele quer dizer com isso Emma? – a loira não encontrava resposta, até porque em primeiro lugar nem ela própria estava certa de compreender toda a abrangência e profundidade das palavras de Rumpelstiltskin. Ela apenas pensava, em silêncio, e em conflito.
*** *** *** ***
A campainha da mansão tocara naquele preciso minuto. Henry sabia que não devia abrir a porta a ninguém, mas precisava se assegurar sobre quem era. Afinal, Emma dissera que não iria demorar.
- Henry sou eu!! Abra a porta por favor. – era a voz de Emma, sempre tinha conseguido despachar-se. O menino abriu a porta rapidamente e pode confirmar que era a sua mãe. Sorriu para ela e deixou-a entrar.
- Onde está Regina? – a loira perguntara assim que colocou o pé dentro de casa. O garoto preparava-se para responder, mas algo não estava certo, essa primeira pergunta vinda da mãe. Tão súbita e urgente e logo assim, antes de dizer mais nada? Apertou o celular que tinha na mão, com receio.
- Ela está onde você a deixou, é claro. – o menino respondeu, tentando apalpar o terreno. A mulher de mechas loiras sorriu para ele, mas algo ainda mais estranho se sentia naquele sorriso. Aquele não era o sorriso de Emma. – Cora! – o garoto gritou na cara da mulher. Assim que a mulher percebeu que fora descoberta, ela voltou a adquirir a aparência dela, mais velha, morena de olhar gélido e mortal, e com as roupas usadas na Terra Encantada. Num impulso tremendo, Henry apertou a tecla um do celular como Emma lhe explicara, mas não teve tempo de fazer mais nada. Antes que conseguisse perceber se a chamada tinha surtido efeito, já o celular tinha voado da sua mão, sendo arremassado para as mãos da bruxa e virado pó.
- Agora menino tolo. Cale a boca. – e com um movimento da mão dela, a boca de Henry parecia ter sido cozida com agulha e linha, pois ele não a conseguia sequer abrir, quanto mais emitir algum som. Ela riu de forma escancarada, enquanto elevava o corpo do garoto pelos ares, até ao teto. Henry debatia-se, mas sem conseguir se soltar, até que fora inútil, pois todo o seu corpo estava amarrado por forças invisíveis contra o teto da entrada da casa, e ele sem se conseguir mexer.
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