Finding Each Other
16 Because you will always be The Evil Queen
Notas iniciais
Capítulo meio tenso e tal, mas espero agradar. Eu prometo final feliz, viu?
Vamos lá, não me matem ok?
Boa leitura! =)
David havia ido buscar reforços ao centro da cidade, mas principalmente, procurar a ajuda da Fada Azul. Snow e Emma continuavam à porta da mansão tentando descobrir uma forma de atravessar a barreira, infelizmente sem sucesso.
- Procure se acalmar Emma. David deve estar chegando com ajuda. De certeza que a Fada Azul irá conseguir desfazer a barreira. – a morena tentava tranquilizar a loira que não havia meio de parar de rondar a casa e bater em todas as janelas e portas que encontrava. Snow tinha de admitir que não estava em condições de fazer mais nada, a não ser tentar focar-se no real problema daquela situação. Só que o verdadeiro problema daquela situação fazia-lhe recordar de forma imediata da “situação” entre a sua filha e … Regina. Que nome ela podia dar aquilo? Por momentos pensara ter interpretado mal a ausência de resposta de Emma, mas logo se dava conta que tinha entendido tudo até bem demais, ao ver o desespero da loira em tentar salvar Regina. Era demasiado duro quando o silêncio falava mais do que as palavras, pois esse, o silêncio, era incontestável. E por isso, era a verdade. Emma estava apaixonada pela vilã da sua história. Snow abanava a cabeça, não sabia se para negar o que não dava para ser negado ou para ver se conseguia concentrar-se noutra coisa. — Emma. – a morena falara mais uma vez, não conseguindo, desta vez, deixar de tocar naquele assunto. – Você tem a certeza disso? – a loira fitou de forma confusa a mãe, demonstrando não entender a pergunta. Snow suspirou e antes que pudesse se repreender, já as palavras saiam da sua boca com a velocidade de uma flecha. – Regina não a enfeitiçou com magia, pois não?
- Claro que não! – Emma respondeu quase ofendida. Ela levou a mão à têmpora e esfregou, não estava com vontade de ter aquela conversa, não enquanto não soubesse que Regina estava a salvo. – Mary Margaret, por favor. Nós falamos sobre isso depois. – a morena apenas assentiu com um pequeno sorriso, quase como se desejasse se desculpar pelo momento inconveniente que escolhera para abordar aquele assunto.
- Snow! – a voz de David, ainda longe, chamou a atenção das duas mulheres. Assim que elas voltaram-se para encará-lo, puderam ver que ele não vinha sozinho. A Fadal Azul, seguida dos Anões, de Archie, Ruby e de alguns outros habitantes vinham ao encontro delas.
- Você consegue fazer eu entrar na mansão? – Emma, sem nem se dar ao trabalho de cumprimentar a Fada, correu para ela em busca de ajuda.
- Vou tentar, deixe-me ver se consigo quebrar a barreira. – e dito isso, a mulher aproximou-se da porta disposta a tentar quebrar o feitiço. Mas antes dela conseguir fazer alguma coisa, o que aconteceu a seguir deixou todos espantados sem saberem ao certo o que acontecera.
- Foi você que abriu a porta? – a loira perguntara à Madre Superiora que aparentava estar tão surpresa quanto ela. A Fada negou com a cabeça, não, não fora ela. Todos ali olharam uns para os outros, sem saber se deviam entrar ou não. Emma interviu, mais uma vez, dirigindo-se para a porta. – Eu vou entrar. Fiquem aí.
- Não Emma, é perigoso! – David alcançou a filha pelo braço, impedindo-a de avançar mais. – Entraremos juntos. ‘Azul, venha connosco, a sua magia pode ser necessária. – e virando-se para os restantes elementos da cena, acrescentou. – Vocês fiquem aqui por enquanto. Não vale a pena correr riscos desnecessários. – e tornou a virar-se para Emma, Snow e para a Fada Azul que avançou com eles para dentro da mansão, aparentemente demasiado silenciosa.
- Henry!! – Emma, assim que entrou viu o menino no alto, no teto, paralisado. Magia. Parecia quase uma lagarta num casulo invisível de tão imóvel. O menino esbugalhou os olhos, parecia ser a única coisa capaz de mexer naqueles preparos. – Depressa, solte-o! – a loira gritou para a mulher Fada. A Fada Azul levou rapidamente a mão à pequena bolsa que trazia consigo e tirou de lá algo parecido com areia ou terra. Emma calculou que deveria ser o pó de Fada. De seguida, a mulher levou o pó até perto da boca e soprou em direção a Henry. O menino foi envolvido por um brilho intenso que o moveu lentamente em direção ao chão.
- Emma! – Henry, assim que aterrou em chão firme, correu para abraçar a loira. Os avós do menino correram também para abraçá-lo, juntamente com Emma. – Cora está aqui! Nós temos de pará-la, rápido! – o menino se desenvencilhava dos braços que o rodeavam e fez tenção de seguir para o piso de cima. Emma agarrou-o, rápida, o puxando para si.
- Você não vai a lado nenhum. Deixe Cora comigo. – a loira levou o menino que reclamava, contra a vontade, para fora da casa.
- Mas Emma, eu quero ajudar… a minha mãe está em perigo. – o garoto debatia-se contra a loira, tentando voltar para dentro da mansão. Emma agarrou no menino com firmeza e baixou-se diante dele, ficando ao seu nível.
- Eu prometo que nada de mal vai acontecer com ela. Mas agora você precisa ficar em segurança. – Emma levantou-se e praticamente arrastou o filho pelo braço, chegando perto do pequeno grupo de pessoas que estava lá fora. – Ruby, leva Henry para um lugar seguro, por favor. – e dirigiu-se para a mulher-loba que logo acatou o seu pedido, agarrando no garoto pela mão e correndo com ele pela rua fora, para longe.
- Agora … — a loira virara-se novamente para os Charmings. – Eu vou subir. — o casal assentiu, seguindo logo atrás da filha.
- Espera Emma! Talvez eu possa ajudar. – Archie avançava até à entrada da porta, mantendo um olhar determinado na face. – Eu quero continuar a ajudar Regina. – aquilo, Emma tinha de admitir, mesmo na situação de urgência em que estavam, a tocou. Regina havia provado, não só para ela naquela cidade, que mudara. A loira fez sinal para que tanto a Fada Azul como Archie os seguissem, mas só eles. Não podia permitir que mais gente fosse colocada em perigo.
O grupo escolhido pela Salvadora; os Charmings, Fada Azul e Archie, seguiram logo atrás de Emma, prontos para enfrentar o perigo iminente que provavelmente se condessaria na figura de Cora, a Rainha de Copas.
A mão da loira deslizava a uma velocidade avassaladora pelo corrimão das escadas, enquanto os seus pés percorriam cada degrau sem nem ousar olhar para trás. Antes de conseguir chegar ao cimo da escadaria, uma figura, algo familiar, mas simultaneamente estranha e desconhecida, a parara antes de colocar o pé no último degrau.
- Onde vai com tanta pressa? Emma – o sorriso que brotava dos lábios vermelhos sangue daquela figura era perturbador, mas não mais que o seu olhar brilhante, inundado em escuridão. – Swan. – ela pronunciou o apelido como se estivesse deliciando um bom vinho que acabara de degustar em sua língua.
Emma ficou paralisada, não por via de magia, mas porque a imagem daquela mulher à sua frente não parecia real. Parecia uma pintura, uma caricatura viva e irreal, que a loira um dia já vira em um livro que dava pelo nome de Once Upon a Time. Ela estava diante da Evil Queen.
Regina Mills exibia, com o destaque do seu busto farto e saltitante colado ao corpete, delineadamente curvilíneo e realçado pelo corte daquelas roupas, a indumentária de uma Rainha. Uma Rainha, negra. Emma abriu a boca para falar, mas nenhuma palavra saiu.
- Que foi, querida? A gata comeu sua língua? – Regina esboçava um sorriso sedutor e cheio de manhas. Aquelas eram as mesmas manhas antigas do seu alter-ego, aquela parte de si que aparentemente sobrevoava agora pela cabeça de todos, naquela casa. Snow, dessa vez, foi a primeira a reagir, e tocou o braço da filha, trazendo-a de volta à realidade.
- Emma, pode ser Cora … não se deixe iludir. – a loira encarou por breves segundos a mãe, que com aquelas palavras lhe devolviam o sangue que parecia ter sumido do seu rosto de tão pálido que estava. Aquela não era Regina, não! Regina não olharia para ela como se a quisesse trespassar com o olhar fulminante, pois não? Ela tinha de reagir, agora. Tornou a dirigir o olhar para a figura insanamente louca e tristemente bela daquela mulher à sua frente. O decote do vestido fazia sobressair os mesmos seios que ela já tomara em suas mãos, e a silhueta incrivelmente sexy e irresistível com que aquelas vestimentas negras lhe adornavam o corpo esguio, ajudavam a encobrir todo o discernimento que alguma vez a loira pensara possuir. E como se não bastasse, ainda havia a maquiagem pesada que rodeava os olhos profundos da mulher fazendo-a parecer muito mais intimidante do que alguma vez a Madam Mayor de Storybrooke havia aparentado ser. Abanou-se mentalmente e encarou a mulher toda de negro à sua frente.
- Você não é Regina! Mostre-se como realmente é, sua bruxa! – Emma segurava o olhar quase aniquilador da morena no seu. Estava certa que era tudo uma ilusão criada por Cora. – Eu não caio mais no seu jogo … Cora. – ela cuspiu a última palavra com desprezo.
- Lamento desiludí-la querida. – Cora mostrava-se pela primeira vez diante daquelas pessoas, em Storybrooke, aparecendo por trás do ombro da filha. Regina. Emma engasgou com toda a certeza e com toda a determinação que tinha. Era Regina … a Evil Queen, ali, agora, real.
- Miss Swan, agora que a sua ficha finalmente caiu, não vamos perder mais tempo. Pois não? – Regina aproximou-se perigosamente de Emma, fazendo esta recuar e quase tropeçar e cair em cima do casal Charming, nos degraus da escada.
- Regina, o que está acontecendo com você? Não é isso que você quer. Pare agora enquanto pode, antes que seja tarde. – a voz de Archie, soando de um lance de escadas mais abaixo, desviara a atenção de Regina, antes concentrada em Emma. – Eu te continuarei ajudando se me deixar. – o psiquiatra acrescentou, encarando corajosamente, tentando não tremer, o olhar da Rainha. Regina levantou uma mão em direção ao homem e no mesmo instante ele foi arremassado contra a porta, ficando inconsciente.
– Me ajudar? – Regina perguntara de forma retórica e trocista. — Você realmente foi sempre muito útil, inseto. – e com isso, fez com que os seus olhos, agora negros, regressassem aos de Emma, que assistira à cena, céptica e perturbada. – Agora chega desse circo. A primeira atração circense, o inseto falante, já saiu do palco que nunca deveria o ter pisado sequer. Agora, a Fadinha esvoaçante com o seu pó mágico e tilitante. – os olhos de Regina tornaram a mudar de direção, desta vez, detendo-se na Fada Azul, enquanto um riso debochado de ironia marcava-lhe as feições.
A Fada Azul levantou a mão carregada do pó que buscara novamente na bolsa e soprou forte e rápido contra a inimiga. Foi em vão, pois Regina abriu uma das mãos e por magia absorveu todo o brilho dos grãos do pó que corriam em sua direção e os fez desvanecer, sem nenhum tipo de consequência para ela. E riu-se de forma tresloucada e divertida. Tudo parecia um jogo para ela. Há muito tempo que não sentia o poder latejar nas suas veias daquela forma, à distância de um estalar de dedos, ela poderia ter tudo aquilo que queria. Eram todos tão patéticos, agora ainda mais, naquela terra incompleta, onde a magia recém trazida era incerta e ineficaz na mão dos pobres e coitados heróis da história. E ela, pelo contrário, tudo podia e tudo teria. Com outro movimento da mão, ela conseguiu elevar a figura da Madre Superiora até ao teto.
- Regina pare, por favor! – Snow gritava para a pessoa que há anos atrás tinha sido candidata ao papel da sua mãe. Mas apenas se havia tornado numa madrasta má. – Não deixe que Cora faça isso com você! Não de novo. Lembre-se de Daniel! – a morena de cabelo curto nem tempo teve de se arrepender das suas palavras, pois havia sido jogada escadas abaixo, apenas amparada pela mão do marido, que conseguira evitar que ela caísse feio.
- Cale a boca! Você é a última pessoa que pode falar dele, ouviu? – rosnou em direção a Snow. Charming não aguentou mais, o seu sangue ferveu e ele, apertando o revólver que tinha no cinto das calças, jogou-se contra a figura de Regina, passando Emma para trás de si. Foi tudo tão rápido que Emma nem tempo teve para reagir. Apenas observou aterrorizada enquanto os seus pais eram arremassados escada abaixo. O revólver que pendia na mão de David voando no sentido contrário, e uma bolha de um cinzento feito nevoeiro que cobria a zona que rodeava apenas o cimo das escadas fez-se aparecer. A zona que rodeava apenas três pessoas: Cora, Regina e Emma.
- Agora, esses dois idiotas, os palhaços desse circo sem fim, ficam fora do palco de vez. – a voz de Regina era pura acidez de tão corrosiva. – Como já devia ter acontecido há muito tempo. E agora … — ela virava-se para eles, que estavam fora da bolha que ela criara, e sorria com malícia. – Agora, querem espectáculo maior do que assistir ao fim de toda a esperança? – e ela voltou o olhar duro e gélido para Emma. – À queda da Salvadora? – e sorriu para Emma, de uma forma que a loira nunca havia se lembrado dela ter feito antes.
Fora da bolha cinzenta, logo os Charmings perceberam se tratar de outra barreira, mas esta com a particularidade de provocar uma descarga de energia negativa cada vez que os seus limites fossem tocados. E cada vez que eles tentavam transpô-la apenas eram arremassados para longe. Estavam de mãos e pés atados. E desta vez, teriam de se limitar a ver a filha tão amada por eles, e tão desejada por todos, enfrentar sozinha, o pior mal de toda a Terra Encantada. A dobrar.
- Regina … — não mais que um sussurro soou vindo da garganta de Emma. A loira abanava a cabeça, como se aquilo pudesse ser tudo imaginação sua, e ela fosse voltar ao maravilhoso dia anterior de novo. Mas não, era real. Os seus olhos encheram-se de dor ao encarar o olhar distante e desconhecido de Regina. Quem era aquela mulher? Sentia-se tão louca de repente como Henry uma vez lhe confessara que Regina o fizera sentir. Como se aquela realidade fosse mentira e verdade ao mesmo tempo. Voltou o seu olhar para Cora, que continuava na sombra de Regina, como se fosse uma extensão dela. A mulher mais velha tinha um olhar sombrio, mas conseguia-se perceber a alegria na sua loucura. Ela permanecia calada e atenta, mas era como se estivesse apenas controlando a situação, pronta para intervir se esta fugisse do controlo. A loira voltou o olhar para Regina, procurando, se permitindo ver algo mais. A verdadeira Regina tinha de estar algures dentro daquela farsa, daquela fachada dura e aparentemente intransponível. Era isso, ela voltara a usar a capa protetora que a impedia de voltar a sentir. “É tudo aparência, Emma, concentra-te!”, a loira pensava consigo mesma e ordenava-se para que agisse conforme os seus sentimentos. Não era assim tão difícil. Imagens começaram a transbordar-lhe a mente, mas não eram simples imagens, eram lembranças. Eram verdades.
“ Porquê estás fazendo isto? – a morena perguntou, com todo o vestígio de batom desaparecido da sua boca molhada e vencida. A loira ofereceu o sorriso mais límpido e maravilhoso com que alguma vez Regina havia tido a felicidade de ser brindada."
"Porque eu te encontrei. – Emma falou, com a mesma emoção que transbordava dos seus olhos. – E porque eu já não tenho mais medo.”
Regina fora a responsável por Emma ter-se encontrado a ela mesma, por ter-se dado essa possibilidade. E ela deixara de ter medo. Aquela situação parecia ter acontecido noutra vida, mas apenas tinha acontecido no dia anterior. Os sentimentos não mudam num dia, e as palavras e as certezas dela própria também não mudariam. Amava Regina com todas as forças. Não importava o quanto ela fosse atingida pelo veneno da morena, ela iria sempre tentar… porque afinal…Gold estava certo ao dizer:
“Tu és o produto do amor verdadeiro. E isso, minha cara, o Amor, é a magia mais poderosa de todas.”
Traria a amada de volta para os seus braços, e juntas, elas iriam ter o seu Final Feliz.
- Regina, minha querida. – a voz de Cora despertara Emma da sua resolução de pensamentos. — Não acha que é hora de fazer essa mulher pagar pelo que lhe fez?- Regina piscou, diante da ordem, camuflada de pergunta, que a mãe ao seu lado lhe fizera.
- Sim mãe. É hora. – e os seus olhos estreitaram-se e defrontaram os de Emma, à sua frente. A loira olhava agora para ela num misto de contemplação, desafio e… o que era aquilo? Parecia algo semelhante a adoração. Regina não reconheceu.
- Regina, me ouça, por favor. – a loira não ia permitir que Cora destruísse Regina. Regina já se fizera sofrer demais, não podia se afogar novamente nessa noite ventosa de escuridão. – Isto não tem de ser assim. Lembra-se do que lhe falei? – a morena arqueou uma sobrancelha inquisidora.- O seu Final Feliz virá e ele não passa por esta vingança, por esta dor toda … por favor, deixe-me te mostrar … — e a loira reuniu toda a coragem e amor que possuía por aquela mulher amargurada e levou a sua mão ao rosto dela, deixando lá, uma leve carícia. Regina olhou assustada, enquanto aquela mão alisava o seu rosto quente e ofuscado pela adrenalina.
- Já chega!! – Cora ergueu a mão e nesse mesmo instante a mão que Emma tinha estentida para Regina, recebeu um choque. Ela recuou. – Meu bem, minha filha. Não vê o que essa mulher está tentando fazer com você? Está entrando no jogo dela. Ela só quer te vender uma imagem de um Final Feliz que no fundo não existe. – Regina ouvia a mãe enquanto olhava com frieza, mas com uma réstea de dúvida, o rosto da loira. – Pensa que ela vai estar aí para você sempre é? Ela só está fazendo isso porque ela sabe que assim você a vai deixar ficar com o menino.
- Não a ouça Regina! Isso não é verdade, não precisas disso para que Henry queira ficar contigo… Ele te ama! – a loira aproximou-se mais da morena, tinha a necessidade de a tocar, de a fazer entender. Mas foi Regina que recuou desta vez. Estava com a cabeça doendo, não sabia mais em quem acreditar. Pelo olhar da morena dançavam mil emoções diferentes, todas contraditórias, às turras e as desavenças entre elas. Emma duvidara dela, assim como todos os outros e Henry … Henry também só acreditou quando soube que o grilo não estava morto. Quantos dias se passariam até que houvesse uma próxima? Não, ela não podia arriscar. Tinha de admitir para si mesma, a redenção estava fora do alcance para ela. A redenção estava fora do alcance para uma pessoa que já provocara tanta dor aos outros. Ela tinha deixado a sua marca no mundo, neste, e irreversivelmente, no outro. A marca do mal, para sempre. Não havia como voltar para trás.
- Regina, acabe com isso de uma vez! Não vê que enquanto essa mulher estiver viva, você só se vai iludir? — Cora, possante em suas investidas verbais, não parava de martirizar a filha. – Não se esqueça: Você é aquilo que é. E nada pode mudar isso. – a sua mãe tinha razão, para quê tanta hesitação? Ela fixou o olhar em Emma, não dando importância às palavras voláteis e idealizadoras que saiam da boca da loira. Aproximou-se do rosto dela, e olhou para baixo, para o peito aflito que subia e descia descompassadamente. O coração da Salvadora cavalgava, numa corrida contra o tempo, já perdido.
Num movimento rápido, modazmente perspicaz e destrutivo, a mão de Regina perfurou o peito de Emma através da blusa e agarrou-lhe o coração entre os seus dedos.
- Regina. – a loira balbucioou com o olhar aterrorizado. O coração doía-lhe, ainda dentro do peito. Podia sentir os dedos de Regina o apertando, ainda sim, com força moderada. Snow e James deixaram escapar um grito de desespero.
Cora sorriu, verdadeiramente agradada pelos eventos sucedidos. Tão bem planeado. Snow e Charming gritavam em baixo das escadas, horrorizados.
- Não, não … não é possível David, não vai acontecer nada, Regina não vai conseguir retirar-lhe o coração, eu vi … — Snow se debatia nos braços do marido em lágrimas, de medo e dor, mas também com uma réstea de esperança. Cora não havia conseguido arrancar o coração de Emma. Não era o fim. Emma era especial.
- Arranca-o! — Cora ordenava num tom de voz demoníaco, cheio de ódio, mas repleto de júbilo. Era doentio.
Emma arregalou os olhos turvos de água e não conseguia ver nada a não ser os olhos negros de Regina, profundamente cravado nos seus, quando sentiu um puxão vindo de dentro de si.
O seu coração fora arrancado. E ela não percebeu logo, mas a sua boca contorcia-se numa espécie de sorriso singelo, e dormente.
Cry with a smile, my heart is bleeding (…)
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