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84 Capítulo 84 – Spoken fears can come true
Notas iniciais
– Eu não sei ao certo como começar essa conversa – Marley encarava as mãos trêmulas
– Não estou entendendo – Quinn a olhou confusa – Pensei que você apenas quisesse conversar
– E-eu não me expressei bem – suspirou – Na verdade preciso te contar uma coisa um pouco séria Quinn
– O que aconteceu Marley? Apenas diga de uma vez – a loira respondeu impaciente, se assustando com o nervosismo da garota
– Por favor tente entender os motivos ok? – ela ergueu os olhos azuis para encarar Quinn, o medo por trás deles era cortante
– O que diabos aconteceu?
– Eu tenho algumas despesas extras com a faculdade, e apesar de receber um bom salário, não consigo guardar uma quantia para emergências – sua voz estava fraca e instável
– Você está precisando de alguma coisa Marley? Me diga, você sabe que eu posso ajudar – a loira perguntou preocupada
– Não Quinn – a morena apertou os olhos e uma expressão de dor se formou em seu rosto – Na verdade eu estive precisando, minha mãe esteve muito doente e precisou se submeter a alguns procedimentos e passou algumas semanas internada
– Eu sinto muito. Eu realmente não sabia Marley
– Eu não havia mencionado, não havia nenhuma forma de você saber
– Mas agora está tudo bem?
– Sim, está – suspirou novamente – Mas quando esses gastos apareceram eu me vi perdida e sem saída. Acontece que eu recebi uma proposta que me ajudaria muito e no desespero acabei aceitando
– Marley, por favor, onde você quer chegar com isso? – perguntou desconfiada
– Sue de alguma forma descobriu que eu estava passando por isso, passando necessidade, e me ofereceu uma quantia realmente generosa que me ajudou a cobrir os gastos e os medicamentos extras que precisei comprar para minha mãe – ela quase vacilou ao encarar os olhos verdes – Em troca de um trabalho extra
– Sim?
– Você sabe como ela pode ser persuasiva e insistente quando tem algo em mente. Sue estava suspeitando de você, de Rachel. Algum colega de espetáculo dela entrou em contato com Sue algumas vezes, e após isso ela passou a suspeitar que vocês pudessem estar em um relacionamento
– Você pode por favor ir direto ao ponto Marley? – enquanto ouvia as palavras da garota, o pânico presente em sua voz, algumas teorias se formavam na mente da loira, e conhecendo a mente inescrupulosa de sua ex chefe, ela sabia que não podia esperar nada muito bom
– Ela quis que eu te seguisse de perto, relatasse algo suspeito – algumas lagrimas desciam pelo rosto da menina – Eu não tive escolha Quinn, eu não via outra alternativa, eu relutei muito em aceitar, mas minha situação estava insustentável ..
– E o que exatamente você fez? – a raiva transbordava em sua voz
– Eu tirei as fotos, confirmei seu relacionamento com a Rachel quando você me confiou, mesmo que discretamente, que existia algo entre vocês – seu choro se tornou mais forte – Entreguei tudo para Sue como ela havia me instruído.
Quinn a encarou por alguns segundos, a expressão fria em seu rosto contradizia a raiva que subia por seu corpo, Marley era sua secretaria a anos, ela confiava grande parte da sua vida para aquela garota.
– Haviam saídas mais dignas para o seu problema – a loira a encarava sem mudar a expressão – Você poderia ter me dito as intenções da Sue. Se você me dissesse apenas o problema de sua mãe desde o começo eu certamente te ajudaria, não apenas financeiramente, mas de todas as maneiras que eu pudesse
– Quinn ..
– Eu te ajudaria porra Marley – a loira gritou se levantando – Você sabe que eu ajudaria
– E-eu n-ão .. não tive escolh-a – ela já soluçava entre as lagrimas
– Você teve, ah sim, você teve! – continuou a gritar – Eu sempre me dispus a estar ao seu lado e lhe ajudar. Você me traiu! Me apunhalou pelas costas garota
– Não Quinn, não foi isso! – pedia desesperada – Por favor, entenda, por favor
– Você me entregou de bandeja – esbravejou – Eu poderia ter te ajudado com o dinheiro que você precisava
– Não poderia Quinn – chorava desesperada – Foi muito, muito. Eu precisava aceitar
– Eu daria um jeito Marley!
– Eu posso ter errado sim, muito em não te contar Quinn – ela ergueu os olhos encontrando a fúria nos olhos verdes – Mas você sabe como é estar desesperada, agir por impulso, no desespero Quinn
– Como é que é? – sua irritação transbordava em sua voz
– Você sabe Quinn
– Não venha comparar minha situação com a Rachel dessa maneira
– Agora as coisas estão melhores não estão? – Marley implorava – Há males que vem para o bem
Quinn respirou fundo, usou de toda sua força de vontade para se segurar e não gritar todas as ofensas que passavam em sua mente, se sentia traída. Porem ela sabia muito bem o que é agir pelo desespero, que é uma boa quantia de dinheiro oferecida embaixo do seu nariz nos momentos de maior necessidade, era uma atitude absolutamente detestável, mas algo esperado de qualquer ser humano falho e suscetível a erros. Ela então apenas virou as costas e saiu do apartamento batendo a porta, deixando Marley pra trás, deixando aquela noticia pra trás.
Desceu o elevador com as mãos tremendo e tentando controlar a raiva que se tentava dominar seu corpo, Quinn apenas queria recobrar seu equilíbrio e as das boas notícias para Rachel, as coisas haviam saído melhor que o esperado na entrevista e ela arrumaria um jeito de comemorarem. Mas quando dizem que algo não pode ficar pior, vem o destino e zomba abertamente da sua cara com as piores possibilidades possíveis. A noticia de Marley a havia abalado bastante, mas Quinn estava disposta a lidar com isso depois, o que ela mais queria era encontrar Rachel e passar um tempo em paz com ela, recuperando o equilíbrio que aos poucos se reestabelecia entre elas.
Assim que chegou em frente a sua porta, Quinn a abriu com um leve sorriso no rosto que morreu rapidamente diante da cena detestável que presenciou no sofá de sua sala.
– Rach-el – as ultimas sílabas morreram em sua boca
Quinn se deparou com a cena que rasgou seu coração em mínimos pedaços, era como se seu peito estivesse rasgado e pegando fogo, ardia, doía, lacerava por dentro. Rachel estava sentada no sofá ao lado de Finn, suas pequenas mãos no peito do rapaz demonstravam a clara resistência diante da situação, mas isso passou completamente despercebido pelos olhos verdes que faiscavam em um tom escuro e cinzento. Finn a beijava, Quinn não poderia descrever a profundidade do beijo, mas ele tinha a sua pequena garota entre os braços e passava sua boca descontrolada sobre os lábios de sua namorada, ele a beijava, ambos de olhos fechados, ele a beijava.
A mente de Quinn pareceu demorar alguns segundos a ter algum tipo de reação, parecia um pesadelo, a pior cena de uma novela dramática, sua insegurança tomou uma forma feroz dentro de si, e ao ouvirem o sussurro da voz da loira separaram-se, Rachel se desvencilhando dos longos braços do rapaz, que apenas olhou um pouco constrangido para a loira, sem ter a menor ideia da gravidade do que acontecia.
– Olá Quinn – Finn saudou erguendo uma das mãos, na tentativa de ser simpático e quebrar o clima
A loira encarou Rachel incrédula no momento em que o homem proferiu aquelas palavras, já que a morena estava em pé e ofegante, com medo de dar algum passo em direção a Quinn e piorar a situação. Quinn fechou os olhos por poucos segundos e manteve sua calma inacreditavelmente fria, não encarou Rachel e voltou seus olhos para Finn.
– Boa noite – forçou um sorriso que se assemelhou a uma careta – Com licença, vou deixá-los a sós
Caminhou em passos vacilantes até seu quarto, ela precisava manter a calma, principalmente ao perceber a mesa de jantar arrumada e um buquê que não reconheceu sobre o balcão da cozinha. Ela iria se manter centrada, assim que fechou e trancou a porta se encostou na madeira e encarou o teto, permitindo que as primeiras lágrimas descessem por seu rosto, queimavam como fogo, era uma dor inexplicável e os piores pensamentos passaram a se misturar em sua mente. Até que seu auto controle não foi mais o suficiente.
Rachel a traiu, Rachel a estava traindo, o com o ex, no meio da sala do apartamento que elas dividiam, no sofá que já se amaram inúmeras vezes.
E enfim Quinn deixou que seu auto controle se esvaísse completamente. Caminhou em círculos pelo quarto segurando os cabelos entre os dedos, os puxando para que a dor física se fizesse mais forte do que a dor emocional, não adiantou. A loira pegou o abajur ao lado de sua cama e o arremessou contra o guarda roupas e o objeto se espatifou em pedaços, assim como seu interior, porém não foi o suficiente para aliviar o grito que estava engasgado no meio de sua garganta. Quinn caminhou mais alguns passos dentro do quarto, completamente desorientada, pisando nos cacos, com a sorte de ainda estar usando seus saltos, jogou alguns livros no chão gritando com fúria, e ainda assim aquele nó insuportável parecia apertar ainda mais o seu peito. O choro já não contido parecia tirar-lhe o fôlego, era muita dor. Quinn parou em frente ao espelho e encarou seu reflexo, chorando desesperada com a respiração desregulada e soluçando, a maquiagem totalmente borrada e o rosto vermelho de raiva, os olhos pareciam desfocados, era como se algo estivesse fora do lugar em sua mente, já não havia nenhum tipo de controle nas suas atitudes. Quinn fechou os punhos sentindo um grito sôfrego e abafado cortando sua garganta e arremessou as duas mãos fechadas contra o espelho, o espatifando em pedaços, sem ao menos sentir os cacos entrando em sua pele e os rastros de sangue deixados em seu corpo e no chão.
A loira começou a ouvir alguns gritos do lado de fora de seu quarto e no fundo de sua consciência os identificou como sendo de Rachel, aparentemente Santana e Brittany também estavam presentes, e como se não fosse nenhuma surpresa, poucos minutos depois a voz grave de Noah se fez presente. Ótimo, não havia sequer uma maneira de fugir daquele apartamento sufocante, com as pessoas mais próximas de si dispostas a despejas palavras e pedidos de calma, e sinceramente era tudo o que ela não queria naquele momento. Quinn tinha duas opções, pular a janela e tentar escalar os cinco andares restantes do prédio até o chão sem que sofresse nenhum acidente, ou passar o mais rápido possível pelos amigos os ignorando e se esquivando de qualquer tentativa de ajuda que pudesse oferecer.
Quinn destrancou a porta de seu quarto e percebeu o silencio do outro lado, ótimo, todas as atenções estavam voltadas para si. Saiu do quarto e encontrou os quatro pares de olhos voltados para si, respirou fundo e não encarou Rachel, apesar de ouvir o choro alto e sofrido da namorada, e ao perceber a aproximação de Noah e Santana se esquivou dos amigos e caminhou até a porta.
– Me deixem em paz, todos vocês – praticamente cuspiu as palavras com a voz ríspida e carregada de raiva e bateu a porta atrás de si
– Quinn, não, Quinn por favor, amor por favor Quinn
Rachel correu em direção a porta, porém em um único movimento rápido Santana a tomou entre os braços, impedindo que ela saísse do apartamento atrás da namorada. Ela se debatia nos braços da latina, implorando para que pudesse segui-la e explicar o que havia acontecido, a morena insistia que não passava de um mal entendido e que precisava explicar isso de qualquer forma para Quinn. Noah, porém, sem ser segurado por nenhuma delas, seguiu rapidamente atrás de Quinn, e não se surpreendeu ao ver o elevador já no andar da garagem e se apressou em pegar o outro, rezando mentalmente para que chegasse a tempo. Infelizmente assim que abriu a porta no subsolo do prédio viu o Honda Fit preto saindo cantando os pneus em alta velocidade.
O moreno ligou rapidamente para o celular de Brittany.
– Quinn saiu de carro, completamente alterada, a perdi
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