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40 Capitulo 40 – It’s dark inside


Notas iniciais
Sugestão de musica - Will Champlin – Demons

Rachel a seguiu em silencio, percebeu a loira se sentar no centro de sua cama e se sentou de frente pra ela, segurou suas mãos e abriu um pequeno sorriso a incentivando a falar. Quinn suspirou novamente antes de começar.

– Eu acho que você já percebeu que algumas vezes eu tenho certa dificuldade em me abrir, não faço isso com frequência, na verdade, em relação ao que vou contar, eu nunca contei a ninguém, não acho necessário

Rachel concordou com um aceno de cabeça e esperou que a loira continuasse, não queria interrompe-la naquele momento.

– Eu não tenho contato com meus pais – ela afirmou com a voz pesada – Mas isso na verdade não me afeta tanto mais. O que aconteceu hoje cedo quando você me disse que tinham algumas ligações perdidas da minha mãe no meu celular, foi que eu sinceramente me surpreendi, já faz mais de um ano que não tenho nenhum tipo de contato com nenhum Fabray, o pouco que sei sobre eles é quando a mãe de Santana conta, mas só me importo em saber se estão vivos e bem. Na verdade acredito que se algum deles chegar a morrer eu não serei muito bem vinda em qualquer tipo de reunião familiar

– Quinn .. – Rachel falou com a voz baixa e começou a acariciar um dos braços da loira, ela estava sem palavras, e ver o estado em que a loira estava entrando, estava começando a devasta-la da mesma forma

– Não sinta! – a loira respondeu antes que ela pudesse terminar a frase – Por favor, não sinta. Está tudo bem.

Rachel acenou com a cabeça e continuou encarando os olhos verdes, que estavam em alguns tons mais claros devido ao choro que ameaçava cair novamente.

– Na verdade, o problema é o seguinte, eu tinha uma irmã, Frannie ..

~ Flashback Quinn ~
– Vocês estão completamente bêbados! – Quinn exclamava levemente exaltada, encarando seu namorado e sua irmã – Francamente Frannie, você nos traz a uma festa de faculdade para ficar nesse estado, e deixa-lo do mesmo jeito

– Relaxe baby – o rapaz dizia com a voz enrolada – Sabe que não estou bêbado

– Você está completamente bêbado Noah, e não encoste em mim nesse estado, não estou com paciência

– Você deveria ter bebido também irmãzinha, pelo menos não agiria igual ao nosso pai, velho e chato – a loira mais velha começou uma gargalhada exagerada

– Ora, cale a boca

Quinn puxou a irmã de um lado e o namorado do outro, segurando os pulsos dos dois e caminhando até o estacionamento, ao encontrar o carro, arrancou as chaves do bolso de Noah e o atirou no banco do passageiro, ignorando totalmente os protestos do moreno que afirmava estar em perfeitas condições para dirigir. Fez o mesmo com sua irmã, a colocando no banco de trás e a ignorando da mesma maneira. A Fabray mais nova se sentou em frente ao volante e respirou fundo, aquela seria a primeira vez que pegaria o carro, uma semana após conseguir sua licença, o fato de estar em um lugar desconhecido e estar bastante escuro pela hora da madrugada que se encontravam, fazia com que sua confiança ficasse um pouco abalada, mas ela era Quinn Fabray afinal, certamente tiraria aqueles obstáculos de letra.

Quinn deu partida no carro e começou a dirigir procurando pela saída, sua irmã reclamava veemente no banco traseiro, dizendo que ela não seria capaz de tira-los de la, enquanto seu namorado encarava a janela do passageiro com uma expressão vazia no rosto. O clima estava estranho dentro do carro, porem quando conseguiu encontrar a saída do campo em que estavam, a loira mais nova se virou para xingar a irmã, desviando a atenção da estrada por alguns segundos. Assim que voltou seus olhos pra frente, percebeu que estava prestes a atropelar algum animal que havia saído do mato, e em um rápido reflexo desviou o carro saindo da pista e voltando rapidamente. Ela engoliu em seco, mas se sentiu aliviada ao checar pelo retrovisor que o animal continuava vivo e que havia se saído bem em sua primeira situação de risco.

Frannie não fez nenhum comentário sobre o ocorrido e Noah apenas trocou um olhar de incentivo com a loira mais nova, assegurando que estaria ali pra ela e que confiava em sua capacidade. Quinn mostrou mais confiança se permitindo andar a uma velocidade mais alta, mesmo quando começou a chover torrencialmente. Porem o pior ainda estava por vir, a visão estava dificultada devido a intensidade da chuva, e a loira não percebeu quando um caminhão derrapou pela pista contraria vindo em direção ao seu carro. E tudo aconteceu rápido demais.

O carro capotou incontáveis vezes seguidas pela pista molhada, amassando toda a lataria de maneira assustadora, e quando Quinn abriu os olhos, sentia todas as partes de seu corpo arderem em uma dor absurda, em poucos segundos ela tomou consciência do que havia acontecido e olhou para os lados procurando os outros dois que estava com ela naquele momento. Puck estava ao seu lado, tentando se desvencilhar do cinto de segurança que o prendia, ela olhou pra trás em busca de sua irmã e teve uma das piores imagens de sua vida, Frannie estava com o rosto ensanguentado, uma fratura exposta no ombro e visivelmente presa em algumas ferragens do carro.

Quinn desesperadamente ignorou as dores agudas em seu corpo e saiu do carro apressada, percebeu que o motorista do caminhão estava caído ao lado do veiculo mas estava consciente e aparentemente ligando para pedir socorro. Ela olhou para o carro e levou as mãos entre os cabelos, tentando encontrar algum pensamento racional que a ajudasse a tirar sua irmã dali.

– NOAH NOAH – seu grito era desesperado e em poucos segundos ela viu o namorado saindo pela mesma porta que ela havia conseguido sair

– Está tudo bem princesa? Você está bem? Me diz – Ele a abraçou desesperado, passando as mãos pelo rosto da loira, tentando encontrar algum sinal de que havia alguma coisa fora do lugar

– Estou! A Frannie, está presa – Quinn chorava desesperada entre os braços do namorado – Estou com medo, ela parece desacordada, me ajuda Noah!

– Frannie – ele gritou desesperado se abaixando ao lado do carro – Frannie, você está ouvindo?

– Q-uinn .. Onde? – a mais velha grunhiu fracamente

– Estou aqui – Quinn respondeu chorando ainda mais – Frannie, por favor, abra os olhos

– Q-uinn – Frannie tentou novamente, mas sua voz saiu um pouco mais fraca

– Me ajuda aqui Noah – Quinn implorou desesperada enquanto tentava de alguma forma abrir a porta traseira para livrar a irmã

Puck pediu que ela se afastasse, ignorando as pontadas que sentia em sua cabeça, ele apenas pediu para que a namorada a mantivesse acordada, enquanto ele a tiraria dali. Ele então segurou a porta e buscando forças em todas as partes de seu corpo, puxava o ferro completamente torto do carro, lentamente a porta começou a ceder e a se abrir. O moreno caiu pra trás em um baque surdo quando a porta saiu em suas mãos, sentiu seu ombro sair do lugar e urrou de dor. Quinn se desesperou. Correu até ele, e antes que pudesse dizer alguma palavra para qualquer um dos dois, as luzes e os sons das ambulâncias invadiram o espaço, alguns paramédicos correram acompanhados de vários bombeiros até o local onde o carro estava, e começaram a trabalhar rapidamente. Outra equipe de paramédicos correu para fazer o atendimento de Quinn e Puck que estavam abraçados olhando tudo o que se passava com Frannie. Rapidamente levaram a Fabray mais velha para uma das ambulâncias e Quinn foi impedida por Noah, a pedido de um dos paramédicos, de correr até ela. Os dois foram encaminhados para outra ambulância juntos, e só nesse momento que a loira foi capaz de prestar atenção no estado em que se namorado se encontrava, ele tinha o rosto com vários cortes, um deles sobre a sobrancelha ainda continha visivelmente alguns cacos de vidro e sangrava, deixando seu lado direito inteiro banhado de sangue, ele já estava com o braço imobilizado, e tentava esconder uma careta de dor ao perceber que a loira o examinava atentamente.

Em poucos minutos chegaram ao hospital e cada um foi direcionado a um atendimento privado, rapidamente os curativos haviam sido feitos em Quinn, todos os cortes limpos e fechados, o mesmo aconteceu com Noah, inclusive o braço do rapaz estava imobilizado. Minutos intermináveis se passaram até que os dois puderam se encontrar novamente, Quinn afundou seu rosto no peito do namorado e sentiu seu corpo ser envolvido fortemente por um dos braços do mesmo.

Tudo aconteceu muito rápido, a mãe de Noah e seus pais chegaram como jatos no hospital, correram até eles e suspiraram aliviados ao perceber que nada de grave havia acontecido, porem a noticia de que Frannie passava por uma cirurgia complicada os abalou totalmente. Mesmo com a insistência de sua mãe, Noah não saiu do lado da namorada, e os dois Puckermans permaneceram no hospital até que um dos médicos que estava na sala de cirurgia saiu em busca dos Fabray para dar a terrível noticia. Ela não resistiu. E o mundo pareceu se abrir sob os pés de Quinn, sua irmã estava morta. Frannie, sua irmã mais velha, morta, e por sua culpa.

Aquilo atingiu a família de uma maneira devastadora, Judy caiu sentada e não segurou um choro compulsivo que tomou conta de seu corpo, já Russel fechou totalmente sua expressão, ele aparentava descrença, seu olhar estava totalmente perdido, as ultimas palavras do medico rodavam em sua mente e o assombravam assustadoramente.

O que de mais terrível poderia acontecer? Após o funeral, que se passou em um dos locais mais luxuosos da cidade, toda a família se lamentava de como havia sido uma morte precoce, a vida da brilhante Francine Fabray havia sido lhe tomada violentamente, e ela mal teve a chance de lutar e de viver tudo o que lhe esperava pela frente. A culpa que atingia todas as células de Quinn se tornou ainda maior, quando de fato tudo o que pensava foi verbalizado por seu pai.

– Você a matou, sua inútil! – Russel esbravejou na saída do cemitério, na frente de todos – Você deveria ter vergonha de si mesma

Quinn se encolheu e sentiu seu namorado se posicionar protetoramente ao seu lado, ele envolveu seu ombro com um dos braços e deixou um beijo demorado entre os cabelos loiros.

– Russel .. – Judy tentou inutilmente segurar as palavras do marido

– Você que deveria ter morrido nesse acidente, você e esse marginal que chama de namorado. Sua irmã era brilhante, inteligente, bonita, popular, rainha do baile, tinha um namorado promissor, todo um futuro pela frente, ela seria uma grande empresária ao lado dele, nos traria orgulho de verdade. Ela não era inútil igual você, que não passa de uma vagabundazinha que sua mãe insiste em proteger – Quinn se encolheu ainda mais, todos encaravam incrédulos o discurso carregado de ódio que Russel fazia – Eu tenho vergonha de você Quinn, vergonha, sabe o que é isso?

– Já chega Russel – Noah se postou entre Quinn e o pai, o encarando assustadoramente

– Cale-se seu moleque incompetente, você é ainda pior que ela. Quinn sempre teve inveja da irmã, por isso armou para mata-la

– Eu jamais faria isso, eu amava a minha irmã – a loira gritou desesperada em meio as lagrimas

– Então por que só ela morreu? Por que você está viva? Para me dar mais desgosto ainda?

– Cale a boa Russel – Santana saiu do meio da multidão, se desvencilhou de alguns braços que a seguravam e se posicionou ao lado de Noah, na frente de Quinn – Cale essa boca imunda seu porco desalmado

– Quem diabos você pensa que é para me enfrentar dessa maneira sua latina subdesenvolvida? Não me dirija a palavra. Vê os amigos que você arrumou Quinn? Da pior espécie

– Eu vou arrebentar a sua cara – a latina gritou avançando sobre o homem, porem novamente dois pares de braços avançaram para segura-la

– Eu tenho pena de você Quinn – Russel continuou – Não será ninguém, e não terá nada de bom na vida. Aliás, nem minha filha mais você é, não quero ser obrigado a olhar para essa sua cara coberta de vergonha todos os dias da minha vida. Eu acabo de enterrar a minha única filha.

Todas as pessoas ao redor sibilavam silenciosamente, Russel havia perdido a cabeça, estava cego e tomado por um ódio sobrenatural. Quando Quinn avançou alguns passos em direção ao pai e fez menção de que protestaria as palavras dele, o mesmo ergueu uma das mãos em direção a ela, tomado pela raiva, partindo para lhe dar uma tapa na cara. Porem Noah foi mais rápido. O rapaz avançou sobre o homem e o derrubou no chão com um soco certeiro no meio do rosto de Russel, que caiu esvaindo sangue pelo nariz.

– Como ousa rapaz? – Russel urrava de dor caído no meio fio da calçada, enquanto Judy corria para socorrer o marido

– Nunca mais dirija a palavra a Quinn, nunca mais ouse olhar pra ela – Noah gritava a plenos pulmões – Você é um verme da pior espécie Russel

Quinn chorava desesperada, a dor que ainda se fazia presente em seu corpo não era nada comparada a dor que sentia em seu peito naquele momento, todas as palavras que seu pai dissera lhe assombravam terrivelmente, ela se sentia daquela maneira, uma inútil, uma vergonha, mas ser humilhada em frente a toda a família, ouvindo palavras hostis e acusações sem fundamentos do homem que deveria ser o seu porto seguro, isso parecia mata-la por dentro aos poucos.

Quinn nunca mais pisou em sua casa, nunca mais olhou para seu pai. Naquele fatídico dia foi levada para a casa de Noah, e alguns dias depois, ainda sem saber que métodos Santana usou para conseguir, a parte de seus pertences que ainda não havia sido atingida pela furia de seu pai, apareceu na casa de seu namorado, que passou a ser sua casa por alguns meses. O relacionamento dos dois desgastou, porem apesar de separados, Noah nunca se afastou da loira, sempre foi seu fiel melhor amigo, ao lado de Santana. Com a separação, Quinn foi morar na casa da latina, foi recebida com festa pelos pais da melhor amiga, se sentia mais confortável naquela casa, e ficou até la até conseguir sua bolsa de estudos em Yale, fruto de seu histórico impecável e seus méritos extracurriculares. Desde então, ela voltou apenas algumas vezes para sua cidade, apenas para visitar os Lopez, e nesse tempo, cruzou com sua mãe na rua duas vezes, porem não deixou que um assunto surgisse entre elas. A magoa pela omissão completa da mãe era ainda maior do que a que ela sentia pelo pai, Judy foi incapaz de mover um dedo em prol dela, a deixou ser massacrada cruelmente.

Faziam aproximadamente cinco anos desde a ultima visita naquela cidade. Porem as lembranças ainda a assombravam.

~ Flashback off ~

– Eu ainda tenho pesadelos terríveis com o acidente – Quinn soluçava ao terminar de contar, já estava com a cabeça deitada no colo da namorada – Tenho pesadelos ainda piores com tudo o que aconteceu no funeral – Rachel não conseguia segurar as lagrimas após aquela história

– Meu amor – a pequena acariciava os fios loiros, tentando passar algum conforto para a namorada – Está tudo bem, eu estou aqui agora com você, isso tudo já passou

– Rach – ela falou entre um soluço – Minha irmã, ela costumava ler esse livro pra mim quando eu era pequena, eu acho que aprendi a ler o lendo. Sempre foi minha história favorita, e ela sabia disso, por isso sempre o lia pra mim. E desde que tudo isso aconteceu, eu nunca mais o li, mas continua sendo o meu favorito.

– Me desculpe Quinn, se eu soubesse eu jamais o teria comprado – a morena respondeu agoniada – Eu só queria te dar algo significativo

– Isso sem duvidas é o mais significativo possível baby, muito obrigada, eu acho que precisava dele pra superar alguns dos fantasmas, obrigada Rach, por tudo.

Rachel a abraçou ainda mais forte, se desculpando algumas vezes, e assim que a loira conseguiu cessar o choro, ela tomou um calmante que sempre tinha em sua gaveta para momentos assim. A morena não contestou, apenas se deitou atrás da namorada, em uma conchinha, tentando mante-la protegida entre seus braços, tentando passar toda a segurança que sabia que ela precisava.

Notas finais
"Don’t get too close It’s dark inside It’s where my demons hide" Acho que todos temos ou iremos ter esses "demônios" que nos assombram internamente, a dor de ninguém é maior que a de outro alguém, cada um sofre dentro de suas dimensões. E o que pode parecer pouco para alguns, é tudo para outros. Filosofei. Mas é mais ou menos o que esse capítulo passa. Devemos aprender a conviver com isso, usar das dores para nos tornarmos mais fortes e sempre nos apegarmos a algo superior. Nos amar acima de tudo! Filosofei de novo. Espero que gostem do capítulo e que ele tenha atingido todas as expectativas. E obrigada pelos votos de melhoras, melhorei hahaha o/ Beijos e até o próximo. tt - @mahhleal