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72 Capítulo 72 – It burned while I cried
Notas iniciais
– Rachel, é a terceira vez que você sai do tom em cena – Kurt acenou irritado para a amiga sobre o palco
– Desculpe Kurt – ela suspirou pesadamente – Preciso apenas de uma pausa. Continuem sem mim
Rachel ignorou os chamados atrás de si, sem ao menos identificar as vozes que repetiam seu nome, caminhou em passos rápidos até seu camarim e bateu a porta, se jogando em seu sofá e levando as mãos ao rosto. Seu dia estava sendo insuportavelmente sufocante, ela não conseguia se concentrar e tudo parecia estar dando errado, uma noite mal dormida cheia de pensamentos bagunçados, tomada pela raiva, a pequena estava definitivamente em seu pior dia.
Ouviu algumas batidas na porta e não se surpreendeu ao ver Brittany entrar com um pequeno sorriso entre os lábios, ela caminhou e se sentou ao seu lado, encarando o perfil da morena.
– Kurt agora está distraído passando a cena 3, fique tranquila Rach
– Obrigada – suspirou com a voz baixa
– Eu estava pensando, também estou um pouco distraída hoje, o que está te deixando assim?
– Na verdade não estou tendo um bom dia Britt – resmungou
– É um daqueles dias em que você pensa que não deveria ter saído da cama?
– Exatamente
– Quando a San diz ter dias assim eu a encho de beijos e carinhos, isso sempre acaba fazendo com que ela se levante ainda mais animada que o normal. E nos dias em que nem isso funciona, eu conto alguma história pra ela, ou faço alguma chantagem – a loira riu de leve – De um jeito ou de outro sempre acaba dando certo
Rachel sorriu carinhosa para a amiga, porém não conseguiu responder nada. Como ela queria poder resolver as coisas com Quinn daquela maneira. Os problemas entre elas sempre acabavam se tornando algo maior do que realmente eram pela falta de comunicação e pelo orgulho, porém Rachel sabia que acabou cedendo em várias situações, dessa vez ela não aceitaria tudo tão fácil, não passaria por cima de seu orgulho, pois ele era o de menos, o pior sentimento era o de ter sido usada e enganada pela pessoa que pensou ser seu porto seguro.
– Suponho que as coisas não estejam tão bem com a Quinn
– Não muito – a morena respondeu vaga
– Percebi que você não quer conversar, mas se quiser pode falar comigo. Sei que o Kurt não entende tão bem um relacionamento entre garotas, e as vezes acho que você e a Quinn tem uma certa dificuldade em entender também, então eu e a San tentamos ajudar. Até porque sei que a San está agora com a Quinn
– E como você sabe? Elas não deveriam estar trabalhando Britt? – perguntou desanimada
– A Quinn não apareceu na editora hoje, então a secretaria dela ligou para a San perguntando dela, e como não sabíamos de nada, ela suspeitou que alguma coisa estava errada e foi atrás dela
– Certo
– As coisas vão se acertar Rach – a loira deu um beijo na testa da amiga – Apenas fique bem, tente não sofrer mais do que a situação exige
– Obrigada Britt
Brittany abriu um sorriso carinhoso e acenou saindo e deixando a morena novamente sozinha em seu camarim. Rachel fechou os olhos e respirou fundo tentando processar e encaixar na situação as ultimas palavras da dançarina, ela conseguia ser sábia nos momentos necessários, na verdade ela conseguia ser sempre sábia, apenas não era tão valorizada quanto deveria. A pequena então pensou em Quinn, por sorte a loira não estava sozinha, já que Rachel poderia imaginar que ela se encontrava em um estado pior que o seu, pois ela ouviu o choro incessante da namorada ao longo da madrugada. O peito de Rachel apertou novamente ao pensar no sofrimento de Quinn, essa situação teria que ser resolvida de alguma maneira, ela teria que tentar tirar esse peso enorme que se apossou de seu coração e tentar entender racionalmente as atitudes e intenções de Quinn, apesar de parecer uma missão impossível, ela tentaria. Talvez hoje ainda seja muito recente, mas ela estava disposta a pensar melhor sobre o assunto, pelo bem delas.
Decidiu então que seu dia terminaria mais cedo, sem dar muitas explicações a Kurt, deixando-o visivelmente irritado, voltou pra casa no meio tarde. Apesar de sua improdutividade, ela havia usado um pouco do tempo para pensar em toda a situação, porem nada era capaz de clarear sua mente. Assim que entrou no apartamento deu de cara com Quinn, a loira estava sentada no sofá mexendo em alguns papeis com uma aparência exausta, mas ainda assim linda, usando uma calça jeans clara e uma camiseta larga de alguma banda, Quinn conseguia ser sempre naturalmente linda.
Rachel suspirou pesadamente e atraiu a atenção da loira para si, Quinn abriu um sorriso vacilante e se levantou dando alguns passos em direção a morena
– Rach, eu ..
A pequena desviou o olhar das esmeraldas que pareciam apagadas nas orbes de Quinn e caminhou apressadamente para seu quarto, esforçando-se ao máximo para se manter forte e ignorar sua namorada completamente, ouvir qualquer desculpa que ela tivesse para dar só iria deixar seu dia ainda pior. Quinn atirou-se no sofá desanimada, empurrando os papeis para o centro da mesa, ignorando a importância dos mesmos, afundando seu rosto entre as mãos enquanto mantinha os braços apoiados nas pernas, completamente desanimada e desestimulada a fazer qualquer movimento que não fosse se afundar em sua completa tristeza, ter Rachel a ignorando daquela maneira trazia-lhe uma dor cortante, em uma escala de zero a dez, ela arriscava pensar que atingia no mínimo nove a ausência presente da morena.
Em um impulso de coragem, a loira se levantou e caminhou até a porta do quarto da namorada, bateu algumas vezes chamando por ela, e como esperado, não obteve resposta. Quinn suspirou desanimada, tentando conter as lagrimas teimosas que já se formavam nos cantos de seus olhos, encostou-se na porta e deixou que seu corpo deslizasse até o chão, até que estivesse sentada de frente para a porta, que parecia uma barreira fria, a materialização da distancia imposta entre elas, encostou sua testa na porta e fechou os olhos com força, respirando fundo antes de começar a soltar as palavras.
– Rach, amor .. espero que você esteja escutando – suspirou – Eu posso imaginar o que você está sentindo minha linda, saiba que eu me sinto igualmente mal, me sinto terrível por ter causado tudo isso, eu apenas queria ser capaz de voltar no tempo, ou talvez encontrar uma solução para resolver isso o mais rápido possível, porque em um dia que estamos dessa maneira eu sinto como se meu coração tivesse sido arrancado do meu peito, eu simplesmente não consigo ter forças para imaginar se ficarmos vários dias vivendo nesse abismo
A loira respirou fundo, parando alguns segundos apenas para enxugar o rosto molhado e recuperar o fôlego para continuar seu discurso.
– Me desculpe Rach, por favor, pelo menos fale comigo, me xingue, brigue comigo, me bata. Por favor faça alguma coisa contra mim, pois esse silencio é insuportável – era algo impossível controlar o choro naquele momento – Eu mal posso me lembrar da maneira que você deixou meu quarto ontem. Me sinto um monstro.
Rachel ouvia atentamente as palavras sussurradas por Quinn do outro lado da porta, seu coração se despedaçava com o tom sôfrego impregnado em sua voz, suas lagrimas caíam incontrolavelmente, porem ela se esforçava para não emitir nenhum som, nada que pudesse soar como uma resposta a Quinn. E tudo que a loira fez foi continuar.
– Eu te amo tanto, mais do que sou capaz de medir, e isso assusta Rach. Não sei como agir, não sei como pensar. Eu que aprendi a ser sozinha, não consigo mais me ver sem você. É muito clichê dizer que você é parte de mim? – a loira soltou um riso nasal perdida em suas confissões – Na verdade é sim, mas parte de mim é pouco perto do que você se tornou, acho mais válido dizer que você sou eu inteira. Eu provavelmente continuaria existindo sem você, mas sinceramente eu não vejo utilidade em mim a não ser estar ao seu lado
A morena deixou um soluço baixo escapar entre seus lábios, era tudo profundo demais para que ela suportasse quieta, sufocar os gritos do seu coração para que ela fosse la fora e agarrasse Quinn com todas as suas forças estava sendo algo realmente difícil de se fazer.
– Vou te deixar em paz meu amor – a loira inconscientemente acariciava a madeira inerte da porta do quarto da namorada – Fique bem, se precisar de mim estarei no meu quarto. Eu te amo Rachel.
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