Find Me
143 Capítulo 143 – All of that is gone
Notas iniciais
Noah seguiu de perto o carro dos Fabray pelo caminho que já conhecia e ao ver Russel estacionar na garagem, parou seu carro na entrada e virou pra trás encarando Quinn e Rachel com uma espressão preocupada no rosto.
– Vocês sabem que não precisam fazer isso
– Noah – Santana chamou o amigo mas ele continou as encarando
– Sim – Quinn respondeu e beijou o rosto do amigo – Dessa vez eu preciso
– Estarei aqui em menos de dois minutos assim que me ligar, ok? – ele reforçou
– Ok, obrigada de verdade
Noah saiu do carro e abriu a porta para que Quinn e Rachel saíssem, acompanhando com o olhar até que elas entrassem pela porta da frente dos Fabray onde Judy as esperava sorrindo. Assim que entrou a loira sentiu um arrepiou percorrer sua coluna, a casa de seus pais pouco havia mudado, alguns detalhes na decoração estavam mais modernos e as paredes de outras cores, a escada para os quartos permanecia a mesma, a sala de jantar tinha novos moveis e a cozinha parecia ter passado por uma boa reforma. Judy ainda tinha uma senhora trabalhando em sua casa que Quinn não conhecia, mas a loira percebeu que a mesa já estava arrumada contando com quatro lugares, sua mãe ainda lhe conhecia em algum lugar fundo dentro de si.
– Ainda faltam vinte minutos para o almoço ficar pronto – a loira mais velha falou animada as encaminhando para a sala de estar – Será o seu assado favorito Quinn
– Na verdade Rachel é vegana – a loira recebeu um beliscão da namorada porem ignorou – Teria alguma outra opção?
– Oh – Judy surpreendeu-se – Temos uma boa salada sendo preparada, mas posso fazer com que providenciem algo mais
– De forma alguma – Rachel rapidamente respondeu – A salada é mais que o suficiente
Russel havia preparado um copo de wisky com bastante gelo para si enquanto preparava outro de gim com tônica para a esposa, deixando dois copos vazios ao lado esperando para ver o que poderia servir para a filha e a nora. Mas antes que pudesse perguntar percebeu Quinn encarando as escadas com algumas lagrimas presas nos olhos, Rachel atenta da mesma forma evitou tocá-a em frente aos Fabray, mas manteve-se ao seu lado esperando alguma palavra ou movimento.
– Eu posso? – Quinn perguntou apontando pra cima
– As coisas mudaram nos cômodos de cima – o homem suspirou e se aproximou da filha – Posso te acompanhar
– Obrigada – acenou com a cabeça e segurou a mão da namorada – Vamos Rachel
A morena novamente foi pega de surpresa porém de forma alguma se recusaria a ir, Russel subiu na frente enquanto as duas acompanhavam seus passos até o topo da escada, Judy que havia preferido esperar ajudando na cozinha mudou de ideia, subiu rapidamente andando atrás da nora pelo corredor. O homem apontou a porta no fim do corredor e indicou que seu quarto com a esposa ainda continuava la, apontou o quarto de hospedes ao lado de um banheiro comum do lado esquerdo. Suspirou ao virar-se para o lado direito encarando as duas portas lado a lado onde costumavam ser os quartos de suas filhas. Ele abriu primeiro o que era de Frannie e abriu espaço para que Quinn entrasse primeiro com Rachel ao seu lado, os Fabray entraram logo atrás.
O quarto praticamente havia sido transformado em uma biblioteca, haviam duas grandes estantes completas com livros e duas partes com CDs que Quinn reconheceu ter alguns dos seus entre eles. Uma outra parte da estante era totalmente dedicada a todas as publicações em revistas da loira, desde as que fez algumas notas, até quando assumiu sua própria, toda a carreira de Quinn estava ali guardada, talvez de forma mais significativa e organizada do que ela mesma era capaz de organizar. Foi inevitável chorar e Rachel passou um dos braços em sua cintura se mantendo perto enquanto os olhos verdes vasculhavam todo o local. Uma estante cheia de fotos de Frannie em várias fases de sua vida, algumas delas com seus pais e algumas com Quinn e próxima a janela estava uma escrivaninha praticamente vazia, apenas com alguns enfeites que pertenciam claramente ao quarto da irmã daquela época. E então Quinn se aproximou da estante passando as pontas dos dedos pelas edições de suas revistas e passando os olhos nos mais variados títulos de livros reconhecendo alguns que sua irmã havia insistido que lesse, a nostalgia invadia-lhe com força, porém não havia mais o peso da culpa.
– Reformamos a casa a uns três anos querida – Judy quebrou o silencio
– Foi o tempo necessário para que – Russel limpou a garganta encarando a filha – Você sabe, conseguíssemos mudar as coisas de lugar por aqui
– Sete anos – a loira concluiu caminhando pelo quarto e dando mais uma olhada nas fotos antes de voltar até a porta, tendo Rachel sempre alguns passos atrás de si
Saiu do quarto seguida dos pais e Judy hesitou antes de abrir a porta do quarto que lhe pertencia e não foi nenhuma surpresa para a loira encontrá-lo totalmente vazio, branco, apenas com o armário de antes, uma cama que não era sua e estantes com mais alguns retratos da família. A loira mais velha se apressou em abrir o armário e revelar três caixas com os pertences que Quinn havia deixado pra trás, as puxou pra fora e revelou os troféus e medalhas, algumas poucas roupas, o resto de seus CDs e alguns enfeites e fotos que a loira tinha espalhados pelo quarto. Novamente o choro lhe atacou e Quinn se abaixou diante da caixa olhando seus objetos mais de perto, surpreendeu-se com algumas bandeiras de Yale e fotos suas nos destaques acadêmicos publicados.
– Quando você entrou em Yale tivemos a certeza de que não voltaria, então apenas guardamos as suas coisas importantes – seu pai falou com a voz fraca
– Dois anos – Quinn concluiu se levantando e sentindo a mão de sua mãe em seu braço
– Se houver alguma coisa que você queira levar, tem todo o direito querida
– Não, obrigada mãe – suspirou finalmente controlando o choro – Obrigada por me deixarem entrar
– Essa casa é sua também – Judy se adiantou
– Acho que o almoço deve estar pronto – Quinn riu irônica do comentario da mãe e se adiantou em sair rapidamente do quarto
Sentaram-se a mesa, Russel em uma ponta e Judy em outra, Quinn de frente para Rachel, a morena estava especialmente quieta e apreensiva apenas se mostrando presente ao lado da namorada. A morena serviu-se da bela salada prometida por Judy e sorriu ao ver que a sogra havia providenciado rapidamente alguns grãos que combinavam perfeitadamente com a salada refinada, Russel serviu vinho para a filha e a nora levando as bebidas que havia preparado para si e sua esposa para a mesa. A refeição passou-se toda em silencio, os olhos de Quinn estavam tão inchados que o tom de verde se assemelhava ao cinza, a morena prestava atenção na namorada a todo tempo e sentiu-se satisfeita ao vê-la repetindo o prato. Assim Judy conseguiu uma brecha para quebrar o silencio, tentando agir normalmente com o fato de Rachel ser sua nora contou algumas história de Quinn e seus gostos para alimentos, contando que a primeira vez que ela havia experimentado esse assado passou semanas pedindo que se alimentassem apenas disso e nada mais, nem o arroz e nem os legumes importavam mais, Quinn riu com a lembrança e com a leveza que o assunto trouxe até a mesa e encarou os olhos da namorada que transbordavam amor como sempre.
Já na sobremesa o clima era outro, Quinn conseguiu soltar-se mais e falar sobre a editora e sobre algumas boas entrevistas que havia conseguido em sua nova revista, apesar de pouco demonstrar Russel estava orgulhoso, Judy contava que sempre acompanharam suas publicações, a conversa estava leve e Rachel apenas observava trocando alguns sorrisos e concordando com o que diziam, por mais que a tratassem com respeito ela mantinha-se o mais discreta possível, respondendo apenas o que lhe perguntavam e vez ou outra elogiando as matérias de Quinn e a fama que a namorada possuía em Nova Iorque. Surpreendentemente Judy comentou que poderiam se reunir eventualmente com os Berry, as duas apenas acenaram com a cabeça para não ignorar completamente o comentário.
Rachel ligou para Noah a pedido da namorada e realmente em menos de dois minutos o rapaz estava com o carro estacionado na entrada da casa dos Fabray parado de braços cruzados do lado de fora do veiculo as esperando.
Quinn abraçou rapidamente o pai e demorou um pouco mais nos braços da mãe.
– Obrigada por terem vindo, foi realmente importante – Judy falou com a voz chorosa
– Obrigada pelo convite senhor e senhora Fabray – Rachel agradeceu educada mantendo-se um passo atrás da namorada
– Rachel o que você fez por Quinn hoje tem um valor incalculável e inestimável – Russel encarou a nora com a voz serena – Eu e Judy jamais seremos capazes de lhe agradecer por isso e principalmente por toda dedicação e amor que você sente por ela
– Somos incapazes de julgar depois do dia de hoje – Judy completou – Não é fácil sabe? – suspirou constrangida – Mas nós seremos eternamente gratos
– Quinn – o homem segurou a filha pelos ombros – É ridiculamente tarde para pedir perdão, mas é apenas o que me resta, apenas me perdoe. Nos perdoe
– Essa casa é sua minha filha – Judy voltou a falar com as lagrimas descendo pelos olhos – Você e Rachel serão sempre bem vindas
– Obrigada senhores Fabray – a morena respondeu rápidamente
– E por favor, algumas vezes nos mande noticia filha – a loira mais velha pediu – Por e-mail, ou apenas uma mensagem, e um telefonema não seria má ideia
– E bem – Russel sorriu de leve – Mande algumas fotos do seu cachorro, ele é adorável
– Obrigada por nos receberem e pelo almoço, principalmente eu agradeço a educação e o respeito que tiveram comigo e principalmente com Rachel – suspirou com a voz trêmula – Darei noticias, e vocês terão noticias dela também, pois meu futuro é ao lado de Rachel, isso não será mudado
As batidas no coração da morena tomaram proporções próximas a um ataque cardíaco, ela observou a namorada trocar um rápido abraço novamente com os pais e se surpreendeu com Russel estendendo a mão em sua direção e Judy repetindo sua ação, ela rapidamente as apertou e acenou com a cabeça agradecendo mais uma vez.
Sairam da casa dos Fabray e Quinn passou um dos braços sobre os ombros da namorada, caminhando até Noah e abraçando forte o amigo antes de abrir a porta de trás e se acomodar ao lado de Rachel que entrou em seguida. Santana estava no banco da frente e apertou a mão da amiga lhe sorrindo passando confiança e carinho.
Encerrava-se ali na casa dos Fabray toda a dor e toda a mágoa. Rachel não saiu nenhum segundo do lado da namorada e isso foi essencial para que suas cicatrizes definiticamente se fechassem, agora não passavam de marcas claras que se tornariam apenas lembranças suportáveis. Toda a dor, todo o peso e culpa haviam se dissolvido dentro de Quinn, os olhos inchados e o cansaço físico e emocional eram apenas consequência de um ciclo que finalmente se encerrava.
Quinn encarou a namorada e beijou-lhe no banco de trás do carro, sem se importar com os amigos na frente, beijou com todo seu amor enquanto acariciava-lhe a nuca. Era um beijo de segurança e certeza, um beijo de agradecimento e principalmente o mais puro dos beijos de amor.
Fale com o autor