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142 Capítulo 142 – What if I said I was just too young
Notas iniciais
O segundo dia delas na California trazia um tormento inevitável para Quinn, ela sabia que não conseguiria escapar sabe-se la do que Rachel estava tramando, e apesar de ter passado a noite em claro pensando em várias maneiras de burlar o plano da namorada a loira sentia-se incapaz, nada concreto ou conexo passava em sua mente. E apesar de ter acordado varias vezes ao longo da noite e percebido sua garota acordada e perturbada, Rachel optou por não falar, apenas aninhava-se mais ao corpo dela e tentava voltar a dormir para não perder a coragem que havia demorado tanto para conseguir encontrar.
O despertador da morena tocou e ela rapidamente o desligou na intenção de trazer o mínimo de irritação para Quinn, passou a distribuir beijos calmos e carinhosos pelo rosto da loira que a abraçou mais forte e correspondeu com um leve sorriso. Ambas sabiam o peso daquele dias e temiam da mesma forma a maneira que ele poderia acabar. Levantaram e tomaram um longo banho juntas, Quinn trocou poucas palavras com a namorada atribuindo sua falta de humor em relação ao sono e a morena pacientemente manteve-se ao seu lado, caminhando de mãos dadas até a casa dos Lopez para o café da manhã.
Foram as ultimas a chegar e rapidamente se acomodaram a mesa que estava sendo desocupada pelos amigos que já haviam se alimentado, o clima estava pesado pois todos sabiam o que aguardava aquele dia, então Kurt se apressou em pegar Lana e inventar alguma brincadeira em que ele pulava agachado no quintal com a pequena em suas costas, Blaine levou os pratos e copos usados para a cozinha e decidiu lavá-los, Brittany apenas abraçou forte Quinn antes de ir para os fundos da casa preocupada com sua filha se machucar ou, o mais provável, machucar Kurt com aquela brincadeira. Amelia estava sentada em uma das pontas e Santana na outra, Rachel e Quinn sentaram uma ao lado da outra e de frente pra Noah. O estomago da loira embrulhava ainda mais só de pensar em comer alguma coisa.
– Isso tudo é um circo – Quinn resmungou servindo um pouco de suco em seu copo
– É maracujá querida – Amelia comentou
– Ótimo – respondeu irônica
– Meu amor .. – Rachel tentou – Tente comer ao menos umas torradas
– Não estou com fome, obrigada
Noah mantinha-se calado e braços cruzados encarando a grosseria de sua melhor amiga, suspirou forte e encarou Santana esperando alguma reação da latina.
– Esse clima está ridículo – Santana apoiou as mãos na mesa – Pode ser um circo Q, mas tem um ponto e acho realmente válido
– Se você diz – a loira deu de ombros comendo uma torrada, apesar de aparente ignorar a sugestão de Rachel, ela não deixou de segui-la
– Quinn, já chega – Amelia falou alto encarando a garota – Você tem todo o direito de estar ferida e magoada, mas agir com essa falsa indiferença tira sua razão
– Então eu deveria estar me matando de chorar? – respondeu no mesmo tom – Eu agradeço a intenção Rachel – encarou a namorada – Eu realmente agradeço, mas eu não sei reagir de outra forma ok? Eu ainda estou aqui e vou fazer o que você quiser que eu faça
– Amor – suspirou segurando a mão da namorada forçando-se a falar com a voz calma – Obrigada
– Então vamos? – Noah pediu se levantando
Elas concordaram em silencio e Amelia deu um forte abraço em Rachel antes que ela saísse pela porta, puxando Quinn de lado e a segurando pelos ombros encarando seus olhos verdes que já ameaçavam lacrimejar.
– Eu não tive duvidas que ela te amava quando visitei vocês, mas Quinn, veja o que essa garota está fazendo por você. Isso é muito maior do que parece, você pode não ver agora, mas quando tudo isso terminar em algumas horas você vai perceber. – suspirou – Então acho melhor você não tratá-la mal certo?
A loira apenas acenou com a cabeça concordando antes de receber um abraço na mesma intensidade daquela que foi sua figura materna desde sempre, o sangue não significava muito quando o coração escolhia.
Noah abriu a porta do carro de sua mãe que ele havia pegado emprestado naquela manhã, Santana foi na frente deixando as duas juntas atrás, Rachel estava mais retraída por sentir a loira arisca, porém Quinn segurou sua mão e acariciou delicadamente ao sentar-se ao seu lado, abrindo um leve sorriso que pareceu confortar o coração da namorada. Ela não havia perguntado mas imaginava o destino, tendo a confirmação conforme o carro percorria o caminho. O moreno estacionou nas primeiras vagas do cemitério e suspirou fundo, ao desligar o carro deitou o rosto no volante e fechou os olhos fazendo com que as três voltassem sua atenção para ele.
– É realmente difícil estar aqui, eu mal posso imaginar o que você está sentindo Quinn, me dói não ser capaz de fazer nada
– Você já está fazendo – a latina manteve-se forte e acariciou o braço do amigo
Desceram do carro e Quinn mal podia andar, sua pressão provavelmente havia baixado já que suas mãos estavam extremamente geladas e seu corpo tremia encontrando uma dificuldade absurda em dar os primeiros passos. Ela rapidamente agarrou-se em Rachel, enganchando seu braço no da namorada buscando sustentação. Santana entrou na frente e Noah atrás delas, não haviam voltado la nos últimos dez anos mas pareciam conhecer o caminho como se houvessem estado la no dia anterior. A surpresa maior veio a uma quadra antes do destino deles fazendo a latina parar abrutamente de andar, Russel e Judy Fabray estavam parados sob a sombra de alguma arvore claramente os esperando. Quinn olhou para Rachel e a morena parecia igualmente espantada. O casal caminhou até os jovens ao perceber que não dariam mais nenhum passo.
– A senhorita Berry nos informou que viriam Quinn – Russel falou firme
– Sei – a loira respondeu por reflexo
– Mas não achei necessária a presença dos senhores – Rachel falou – Com todo respeito
– Nós achamos – ele respondeu
– Na realidade é o mínimo que podemos fazer para tentarmos nos redimir por tudo que aconteceu filha – Judy falou com a voz tremula
– Tudo bem? – Rachel perguntou olhando diretamente a namorada e desviando sua atenção dos pais
– Sim – apertou ainda mais a mão no braço da morena – Vamos
As duas passaram na frente seguidas de Santana que se manteve do outro lado de Quinn, Judy rapidamente foi atrás, porem Russel sentiu a mão de Noah segurar seu braço e se virou para encarar o rapaz que mantinha a expressão fechada.
– Por acaso essa cena toda foi sincera?
– Não lhe devo explicações garoto – ao sentir que o aperto em seu braço não afrouxava Russel continuou – Judy realmente acha que nossa presença aqui possa ser de alguma forma benéfica
– Saiba que se necessário não hesitarei em acertar o senhor novamente
– Até faria isso com prazer não é?
– Sem duvidas
– Você já mostrou seu ponto
Os dois se encararam por mais alguns segundos e Russel abaixou a cabeça apressando os passos para alcançar a esposa.
Quinn soltou-se de Rachel ao chegar em frente ao tumulo da irmã, novamente viu-se como a jovem de 17 anos perdida e assustada, porem por poucos minutos. Dessa vez o choro atingiu-lhe copiosamente que mal conseguia sustentar-se em pé, Judy deu um passo a frente na intenção de abraçar a filha porém a loira se jogou nos braços de Rachel, sentindo Santana abraçar-lhe por trás e Noah passar os braços ao redor delas, ambos também choravam, e a violência do choro de Quinn era tanta que cortava o coração da morena, que se viu incapaz de conter as próprias lagrimas, mas manteve-se firme como uma ancora, Quinn deveria chorar tudo que carregava em seu coração, deveria finalmente se perdoar.
Os soluços altos de Russel despertaram a atenção de Rachel que olhou para o lado e viu os sogros igualmente abraçados e chorando, chorando pela filha morta e pela filha viva, chorando a dor de terem perdido tantos anos com o único tesouro realmente precioso e valioso que tinham em sua vida, chorando por não conhecerem Quinn como deveriam, todos os arrependimentos invadiram os Fabray de tal forma que sentiam-se sufocados. Já previam que seria um difícil reencontro, porém pareceu-lhes ainda mais angustiante do que as expectativas, ao perceberem o olhar de Rachel sobre si acenaram com a cabeça em um agradecimento silencioso, de certa forma ela lhes trazia sua filha de volta.
O tempo que passaram abraçados pareceu uma eternidade, Quinn mal tinha fôlego para chorar quanto mais para se sustentar em pé, se não fossem os braços de Rachel em sua cintura, os de Santana em seus ombros e a presença de Noah ela não teria suportado. Porém o choro chegou ao fim, as lagrimas esgotaram a ponto de seu corpo sentir-se desidratado e finalmente passou a sentir alguma leveza em seus ombros, respirou fundo e aos poucos soltou-se dos braços que a mantiveram forte. Quinn se abaixou e tocou o chão exatamente no lugar que lembrava que o corpo de sua irmã estaria, olhou para os pais, olhou os amigos e Rachel e voltou a encarar o chão.
– Me desculpe Frannie – suspirou – Obrigada por ser minha irmã
Ela se levantou e não conteve a mãe dessa vez, deixou que Judy a abraçasse e retribuiu, em seguida abraçando o pai mais rapidamente enquanto os dois ainda choravam. Se afastou deles e deu uma ultima olhada no tumulo antes de segurar a mão de Rachel e chamar Noah e Santana com um olhar e um aceno de cabeça, certificando de que haviam terminado qualquer coisa que foram fazer, ela sabia que tanto eles quanto Rachel haviam feito orações naquele momento.
– Quinnie? – Judy chamou fazendo com que parassem de andar e a encarassem – Você e Rachel gostariam de almoçar em casa?
A loira olhou fundo os olhos da mãe pra se certificar de que era uma oferta realmente valida, a expressão apreensiva no rosto de seu pai ao lado dela a fez considerar a proposta, ela então encarou Rachel que rapidamente entendeu seu apelo.
– Se for verdadeiramente da sua vontade meu amor, nós certamente iremos
– Apenas um almoço – Judy insistiu – Você pode buscá-las em casa depois Noah, ou podemos levá-las onde quiserem
– Eu as busco, assim que quiserem – encarou a loira – É só me ligar
– Então tudo bem – Quinn sentiu a mão da latina apertando a sua em aprovação – Nós iremos
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