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123 Capítulo 123 – Wasting my energy
Notas iniciais
As mãos de Quinn tremiam muito, apesar de sua pose inabalável, Rachel sabia de toda a fragilidade do momento, e apesar da loira insistir várias vezes, a morena assumiu o volante do carro que elas haviam alugado assim que chegaram em Berkeley. A primeira parada foi o escritório do advogado dos Fabray, um homem velho com uma longa barba que Quinn lembrava de ter a mesma aparência desde os seus 9 anos de idade. Assinou os papeis e ouviu as declarações legais do advogado, mas enquanto gurdava a pasta de documentos na bolsa o homem se dirigiu a ela, ignorando completamente a presença de Rachel.
– A senhorita tem noção da proporção das consequências dessa sua ação mocinha?
– Me desculpe? – a loira o encarou surpresa
– Se voltando contra seu pai dessa maneira, senhorita Fabray – ele suspirou – A senhorita não está pensando racionalmente, muito menos agindo de uma forma coerente
– Senhor Donsley ..
– Seus pais sempre foram tão bons para você, íntegros e ótimas personalidades para a cidade. A senhorita sabe que não seria uma atitude coerente sujar a imagem deles na cidade, no estado. Não se deixe influenciar por quem quer que seja e..
O homem continuou falando e Quinn trocou um rápido olhar com a namorada que a esperava parada na porta com a mesma incredulidade estampada em seu rosto, percebendo naquela troca silenciosa que a loira estava prestes a explodir.
– Me escute o senhor – manteve sua voz extremamente fria – Eu o conheço toda a minha vida
– Exato criança ..
– E desde sempre eu posso garantir que sei dos seus negócios sujos, não apenas com meu pai, mas com metade dos empresários da região – ele a encarou assustado, o que fez com que ela sorrise ameaçadora – É, apesar de ainda ser apenas uma criança, eu jogo como gente grande
– Não seja abusada garota, aposto que não é tão astuta quanto aparenta ser
– Experimente me dizer mais uma palavra sequer Doutor Donsley, veremos se sou capaz de cumprir com todas as minhas ousadias
Quinn fechou a bolsa e a jogou sobre o ombro, lançando um ultimo olhar vitorioso na direção do homem que parecia desconcertado, não sorriu, apenas manteve o contato visual tempo suficiente para se fazer convincente. Andou em direção a morena e entrelaçou sua mão na dela, fazendo com que Rachel percebesse seus músculos tensos denunciando seu verdadeiro estado de espírito. Por muitas vezes essa calma fria de Quinn conseguia ser ainda mais assustadora do que os momentos em que ela realmente explodia.
Ao entrarem no carro a loira apertou os dedos ao redor da alsa da bolsa e sentiu os olhos da namorada sobre si, fechou seus olhos por alguns segundos e os abriu para encara-la.
– Meu amor – hesitou – Tem certeza que quer fazer isso?
– Eu preciso
– Perguntei se você quer fazer isso
– Não sei Rach – suspirou cansada – Eu apenas preciso
– Me ensine o caminho
A loira assentiu e começou a guiar a namorada pelas ruas da cidade, passando os olhos pelos novoc comércios e reconhecendo alguns antigos que continuavam da mesma maneira, era uma grande nostalgia para ela estar de volta a Berkeley, o lugar onde crescera não era mais sua casa, não era mais seu porto seguro e muito menos seu lugar preferido no mundo. Talvez tivesse e pudesse ter sido se não fossem pelos acontecimentos e pelas atitudes que sempre teve que suportar de sua família, mas aquele não era o melhor momento para remoer saudades de algo que não havia realmente existido.
Assim que o carro estacionou na imponente casa branca Quinn sentiu seus joelhos falharem miseravelmente. Encarou a construção de dentro do veiculo e os pensamentos voltaram a lhe invadir. Anos atrás ela brincava naquele jardim com Santana, com Frannie, porém anos atrás ela carregava o mundo nas costas naquele jardim, naquela casa. A loira soltou o cinto e fez menção de sair do carro, apenas parando quando percebeu que Rachel não fazia os mesmos movimentos. A encarou com uma enorme interrogação estampada em seus olhos.
– Vamos?
– Eu não posso ir Quinn
– Como não pode ir? – perguntou incrédula
– Eu não sou bem vinda nessa casa
– O que te faz pensar que eu sou Rach?
– Eu sei – balançou a cabeça e suspirou – Tente entender Quinn
– Está um pouco difícil para ser sincera
– Meu amor – a morena segurou o rosto da namorada entre as mãos e a encarou fundo nos olhos – Eu só tornaria as coisas mais difíceis
– Não pra mim
– Também para você
– Eu continuo sem entender
– A situação já está péssima entre vocês, você está indo para confrontá-los e finalmente enterrar alguns fantasmas
– E .. ?
– E me esfregar na cara deles não te traria mais vitoria
– Você não é um troféu, é a minha garota
– Eu sei disso meu amor – respondeu suavemente ainda acariciando o rosto da loira – E vou continuar sendo, dentro ou fora daquela casa
– Então .. por que você não pode entrar?
– É algo que deve ser resolvido entre vocês, e apenas vocês Quinn. Eu estarei bem aqui do lado de fora, eu posso esperar fora do carro, e ao menor sinal eu entro pelas janelas quebrando tudo – sorriu ao ver um pequeno sorriso se formar nos labios da namorada
– Isso sim seria uma grande entrada
– Você consegue me entender?
– Pra ser sincera Rach, apenas parcialmente
– Você precisa ter esse momento com eles
– Você sabe que as chances de perder uma boa briga la dentro são grandes não é? – sorriu de leve – Pelo menos 90% de chance de que haverá uma das grandes
– Não fale assim – deslizou as pontas dos dedos pelo rosto da loira – Ainda existe os outros 10%
Quinn acenou com a cabeça e deixou um selinho demorado entre os labios da namorada.
– Eu não estou confortável em fazer isso
– Realmente é um pouco impossível estar
– Parece ainda mais difícil sem você comigo
– Mas eu estou com você amor, eu estou aqui, sempre, em todas as situações eu vou estar ao seu lado te apoiando
– Não irá entrar la comigo
– Apenas não estarei de corpo presente, você sabe disso
– A qualquer sinal de que as coisas saíram do controle você entra?
– Sem duvidas meu amor?
– Mesmo em caso de alguns moveis sendo arremeçados? – segurou o riso
– Não faça piada com algo assim – a morena deu um tapa de leve na namorada, rindo em seguida – Isso não ira acontecer
– Eu não tenho tanta certeza
– Quinn, não torne as coisas ainda mais difíceis
– Tudo bem – fechou os olhos e deixou um beijo na mão da morena – Eu estou indo então
– Força!
Quinn fez menção de sair do carro novamente porém foi surpreendida pelas mãos da pequena segurando em seu pescoço e a puxando para um beijo intenso e desesperado que durou por vários minutos assim que a loira começou a corresponder na mesma intensidade, terminando apenas pela necessidade do ar.
– Estou seriamente considerando mandar tudo isso para o espaço e correr para o hotel para curtir você – Quinn sussurrou com um sorriso de lado
– Não seja tão extremamente safada e não estrague o momento – a morena riu e deixou mais alguns selinhos contra os lábios da namorada – Eu te amo
– Eu te amo muito Rachel Berry. Eu te amo por quem você é, e eu te amo por quem sou estando ao seu lado
E respirando fundo em um impulso de coragem a loira saiu do carro e deu alguns passos vacilantes até chegar na porta da casa de seus pais, dando alguns toques e encarando a madeira branca, sentindo seu corpo tremer internamente conforme ouvia os passos ficando mais próximos do outro lado.
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