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114 Capítulo 114 – Psychological warfare
Notas iniciais
– O que você faz aqui? – Judy perguntou olhando diretamente para a morena, pois foi a primeira a perceber sua presença
– Ela mora aqui – Quinn respondeu rispidamente e percebeu Rachel cessar seus passos e tremer levemente encarando os dois sentados no sofá
– Bom dia senhor e senhora Fabray – a morena falou com a voz tremula
Quinn encarou a namorada sem acreditar em sua atitude, a morena estava demonstrando coragem e força, tremendo diante do “perigo iminente” que eram seus sogros e até encarando a própria Quinn que se sentia uma bomba relógio. Inegavelmente Rachel era a melhor pessoa que poderia ter conhecido e tê-la em sua vida não poderia ser nada menos que uma benção para lhe transformar em alguém cada vez melhor. Rachel era o amor de sua vida, era sua luz, sua paz e por ela tudo valia a pena.
Russel trocou um olhar significativo com Judy e após olhar para Rachel por alguns segundos encarou Quinn. A tensão no ar era palpável e nenhum deles conseguia prever o que viria a seguir.
– Bom dia .. – o homem voltou a encarar a pequena
– Rachel Berry – respondeu rapidamente entendendo
– Senhorita Berry, então aparentemente você é a moça que minha esposa diz estar namorando minha filha?
– Rachel por favor vá pra dentro – Quinn se aproximou da namorada – Por favor
– Não tem problema Quinn – a morena respondeu falhando na tentativa de parecer segura
– Sim, é ela – Judy respondeu as encarando
– O assunto de vocês é comigo, não com ela – Quinn se postou na frente da morena e os encarou transbordando raiva pelos olhos verdes
– É realmente a atriz que pensei – Judy se voltou para o marido
– Não me façam expulsar vocês da minha casa a força – Quinn ergueu a voz – Vocês já terminaram o que tinham pra falar pra mim?
– O que você tem nessa cabeça em estar namorando uma mulher Quinn Fabray? É por acaso algum tipo de moda da mídia que você resolveu se enfiar? – Russel se levantou encarando as duas
– Escuta aqui – a loira deu um passo a frente porém foi contida de continuar ao sentir o braço de Rachel a segurando – O senhor não fale coisas sem saber, minha vida não é da sua conta
– É da minha conta o sobrenome Fabray envolvido em algo assim – esbravejou – Você é minha filha, deveria estar assumindo uma grande editora de renome e aumentar nossas posses. Você deveria ao menos honrar esse nome que carrega nas costas, pois você sabe que conseguiu um emprego apenas por ele
– Claro, o senhor tem razão – a loira riu ironicamente – Ser uma Fabray é quase como ter passe livre em qualquer lugar
– Não deboche do seu pai – Judy se levantou e parou ao lado do marido – Você sabe muito bem que isso é verdade mocinha
– Apenas finjam que eu sou de outra linhagem Fabray ok? – suspirou – Se perguntarem se temos alguma ligação neguem, porque eu sinceramente ajo dessa maneira. Sejam os Fabray da Irlanda e eu serei uma Fabray da Alemanha
– Ora cale a boca Quinn – Russel deu um passo a frente ainda mais irritado – Pare de agir como uma garotinha mimada, que aliás você foi pois sempre lhe demos tudo. Cresça e se torne uma mulher de verdade, pare de correr atrás de aventuras e diversões sem sentido
– Eu vou pedir para que o senhor cale a boca Russel – a loira gritou ficando vermelha de raiva – Você tem 30 segundos para sair da minha casa e nunca mais aparecer na minha vida
– Você está seriamente namorada essa moça? – Judy interrompeu antes que o marido pudesse responder
– Sim, eu estou – respondeu com raiva
– E o que você quer com isso? – a mãe perguntou com desespero na voz
– Ser feliz – Quinn gritou encarando a mãe
– Seja feliz da maneira normal Quinn – Judy elevou a voz – Não nos faça tomar atitudes mais drásticas, estamos lhe dando a oportunidade de resolver toda essa besteira na conversa
– E que atitudes drásticas vocês podem tomar? – a loira debochou novamente – Me bater? Porque expulsar de casa e destruir minha vida vocês não podem mais
– Mas posso fazer com que amanhã a mídia saiba tudo de vocês – Russel falou com uma expressão vitoriosa ao ver a expressão de pânico da filha – Agora se calou para ouvir Quinn?
– Vocês não podem nada – sua voz não soou tão segura quanto gostaria
– Assim que sua mãe saiu daqui em choque, devo admitir que com razão, e me procurou, tomamos as melhores providencias – ele falava com prazer na voz – Sue me forneceu algumas fotos e contou algumas histórias
– Além de passar o contato de alguns jornalistas que adorariam expor toda essa história insana de vocês, aumentando um pouco os fatos – Judy completou – Seria algo negativo para a carreira de uma pessoa pública, não é Rachel?
Quinn não se moveu, olhava do pai para a mãe, reconhecendo nele o monstro do passado, porém descobrindo nela alguém ainda pior. Eles poderiam estar blefando e apenas destruindo seu psicológico, agindo com chantagens como sempre agiram, mas era algo grande demais para arriscar deixar nas mãos deles para que usassem contra elas. Já Rachel, apesar de intimidada e aterrorizada como a namorada, deu um passo a frente e os encarou.
– Divirtam-se agitando a mídia e aproveitando os 15 minutos de fama que os senhores terão, façam o que quiserem – caminhou até a porta e a abriu – Agora saíam da minha casa antes que eu chame a polícia
– O que faz você pensar que a polícia ficaria do seu lado garota? Você é uma perdida – Russel respondeu gritando
– As leis senhor Fabray, tenho certeza absoluta que estão ao meu lado. Os senhores tem 30 segundos para sair por essa porta
Quinn suspirou pesadamente e caminhou até o lado de Rachel, segurando a cintura da namorada e erguendo o queixo para encarar os pais com igualdade. Eles saíram contrariados e pararam no corredor prontos para rebaterem.
– E nunca mais voltem – Quinn completou batendo a porta
Rachel se jogou entre os braços da loira e suspirou forte ao senti-la retribuir o abraço com intensidade, a respiração de Quinn estava agitada e seu corpo tremia entre os pequenos braços.
– Eles não podem fazer nada meu amor – a morena sussurrou baixinho
– Eles irão fazer – afirmou
– Estaremos juntas
– Eu te amo – Quinn sussurrou baixinho e deixou um beijo demorado na testa da namorada
Inconvenientemente o celular da pequena tocou ao longe, a loira a incentivou para que atendesse e assim ela o fez correndo até seu quarto e deixando Quinn sozinha no meio da sala com a cabeça trabalhando incessantemente. Seus pais pareciam aproveitar com maestria os momentos que tinham para bagunçar seu psicológico. A loira sentiu-se descontrolada, levou as mãos entre os cabelos e fechou os olhos respirando fundo, a dor voltava com força, o olhar de reprovação e as ameaças frias das duas pessoas que lhe colocaram no mundo, as duas pessoas que deveriam estar ao seu lado lhe guiando assim como seus sogros faziam com sua namorada. Ela tentou por anos ignorar a existência dos pais, e por muitas vezes conseguia, mas ainda assim existia o sentimento por serem eles, uma dor e uma vontade de que as coisas pudessem ser diferentes.
Quinn abriu os olhos, pegou a fruteira que estava no meio da mesa de jantar e irracionalmente a arremessou em direção a cozinha, dando forma a sua raiva que pareceu crescer com o ato. Deu alguns passos e alcançou os pratos que estavam no escorredor, gritando de raiva e os arremessando contra a parede fazendo um estrondo ainda maior. O choro antes preso na garganta saía em lagrimas grossas.
Rachel ao ouvir os primeiros barulhos de cacos desligou o telefone sem ao menos se explicar e correu até a namorada, se assustando com a cena que via e tentando se aproximar da loira sem se machucar. Quinn estava arisca e parecia fora de si.
– Amor, pare com isso – pediu com a voz trêmula tentando se aproximar enquanto a via jogando o pacote de farinha contra a geladeira
– Me deixe Rachel! – falou em meio a soluços – Apenas me deixe sentir raiva
A morena assentiu sem saber como reagir, a raiva realmente precisava ser sentida, e era melhor que tudo fosse colocado pra fora daquela maneira. Quinn finalmente cansou de descontar fisicamente o que sentia e caiu de joelhos no meio da cozinha chorando a ponto de quase perder o fôlego. Foi então que Rachel conseguiu se aproximar totalmente se jogando no chão em frente a namorada e a abraçando forte como se suas vidas dependessem daquele contato. A loira deitou a cabeça no peito da morena e chorou, chorou até perder o fôlego, até que suas lagrimas secassem, mas determinada que aquele fosse o ultimo choro que lhe tiraria o controle e a sanidade daquela maneira.
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