Notas iniciais
Boa Leitura! Capitulo curtinho, pq to meio ocupada

Assim que pisei em solo firme na Irlanda me perguntei, por que eu nunca vim para cá antes? Eu sabia a resposta, mas preferi não pensar na minha mãe e curtir minha viagem. Nesse mês que antecedeu a viagem o clima foi bem tenso. Quando fomos eu e Diana almoçar na casa de Friedrich e Charlie para contar a novidade, minha mãe fez um escândalo daqueles, pra fazer com que seu amado filho a ajudasse a tirar essa ideia da minha cabeça. Mas, Friedrich sempre me apoiou em tudo, e ele sabia o quanto isso seria importante pra mim.

Logo, nada do que minha mãe disse, tanto pra mim, quanto pra Friedrich e Charlie fez mudar meus planos, inclusive, só me fez ter mais certeza do quanto eu estava focada em seguir meus sonhos com rumo a Dublin.

E mesmo com toda a tensão entre mim e mamãe, o tempo passou rápido, e lá estava eu na capital da Irlanda. Dublin é uma cidade linda, incrível, impressionante. Não há palavras capazes de expressar o esplendor desse lugar.

Como a viagem de avião de Londres à Dublin levou cerca de 1 hora e 20 minutos, antes das 11h da manhã, eu já estava muito bem acomodada no apart hotel que eu dividiria com minhas amigas e colegas de faculdade Cecília e Aurora.

Era um domingo agradável, temperatura em torno de 24ºC, então saímos para almoçar num restaurante bem próximo ao Rio Liffey. Estávamos as três totalmente extasiadas. Teríamos seis meses pra curtir aquela cidade, conhecer pessoas, lugares, conviver e aprender com uma cultura diferente.

Pra mim então, era a melhor coisa que poderia ter me acontecido. Eu precisava daquele tempo só pra mim, da liberdade, autonomia, do simples fato de não precisar dar satisfações sobre qualquer movimento que eu pretenda fazer. Essa sensação é renovadora e esperançosa.

— Então meninas, quais são os planos pro nosso primeiro dia aqui? – perguntou Aurora, assim que o garçom do restaurante acabara de sair com nossos pedidos.

Cecília estava em outro mundo, perdida em olhares, com um sorriso de satisfação no rosto, olhando para os quadros e cortinas daquele restaurante com um ambiente totalmente renascentista, cheio de obras de Leonardo Da Vinci, Michelangelo, Caravaggio e Albrecht Dürer.

— Pensei em aproveitar o dia pra arrumar nosso apart, dar uma volta na região pra começarmos a nos habituar. – respondi animada – e além do mais, amanhã já vamos conhecer o campus, o professor de instrumentação e tudo mais. Temos que estar descansadas.

— E o que você acha, Cissa? – Aurora direcionou-se pra Cecília, que ainda divagava, e percorria os olhos pelo ambiente – Cissa? – ela aumentou o tom da voz

— Oi? O que foi? – ela respondeu em sobressalto, saindo de seu transe – me perdoem, eu estava admirando esse restaurante, essa cidade, essa nova experiência. Meninas, eu estou muito feliz por estar aqui com vocês. – o sorriso dela aumentou ainda mais, os olhos brilhavam e ela estava inquieta na cadeira.

— Pois saibam que eu também estou apaixonada pela Irlanda. Me pergunto a cada minuto porque eu nunca tinha vindo aqui antes. É tudo tão maravilhoso. Mal posso acreditar que teremos seis meses pra curtir o lugar.

— Nem me fale, Elena, cada vez só melhora. Na verdade, eu gostaria de viver aqui pra sempre – disse Aurora – Bem, talvez não para sempre, pois eu amo Londres, mas gostaria de ficar aqui por uns anos.

— Imagine se você encontra um amor pelas ruas de Dublin. Vocês se apaixonam, casam, têm filhos e vivem felizes para sempre. – brincou Cecília.

— Que senso de humor maravilhoso, Cissa. Mas não quero pensar em relacionamentos no momento. Não tem muito tempo que eu e Albert decidimos romper nosso noivado. Ainda é muito cedo pra partir pra outro caso sério.

Aurora e Albert namoravam desde o ensino médio, tudo indicava que eles seriam aqueles casais que completariam bodas de ouro, e jamais perderiam o sentimento um pelo outro. Mas quem irá dizer que existe razão nas coisas feitas pelo coração? Parece que o amor entre os dois simplesmente foi pelo ralo, e eles terminaram o relacionamento de anos, estavam noivos há uns dez meses.

— E quanto a você, Elena? Não vai procurar um bom partido irlandês pra agradar sua mãe? – Cecília e suas piadas infames. Ela sabe o quanto o controle que minha mãe exerce sobre mim me irrita, mas continua levanto isso na brincadeira.

Eu tive apenas um namorado em toda minha vida, foi aos 19 anos, com o consentimento da minha mãe. O conhecemos em um evento de caridade, e ela botou na cabeça que nós teríamos que namorar. Pra tristeza geral da nação, a mãe de Robert também era maluca, e nós meio que namoramos pra agradar as madames. Durou pouco, cinco meses, e nós não tínhamos nada a mais que compaixão um pelo outro, pelas coisas que éramos submetidos por nossas mães. Mantivemos amizade até hoje, ele é um cara legal, mas não alguém que eu sonhe em casar e ser feliz pro resto da vida. E sim, ainda quero casar, e acredito que amores verdadeiros existam, e que são capazes de durarem pra sempre.

A questão é que o mundo é grande demais, e a chance de encontrarmos o amor da nossa vida logo de primeira é quase nula. Mesmo assim eu ainda não desisti de encontrar a pessoa que vai deixar meus dias mais felizes. Quem sabe essa pessoa não esteja aqui na Irlanda esperando pra me conhecer nos próximos meses... Quem sabe?!

— Vamos dar tempo ao tempo, querida. Quem sabe eu ainda encontre um descendente da família real, minha mãe ia ficar realizada – brinquei, sempre levo piadas na esportiva, pois não vale a pena me esquentar por tão pouca coisa. Ainda mais com Cecília, que não perde a chance de largar piadas a cada instante.

O almoço estava maravilhoso. A culinária irlandesa já me conquistou. Tudo aqui está me conquistando. Estou apaixonada.

♥

À tarde, fizemos o combinado, terminamos nossas instalações no apart hotel que tínhamos alugado e demos uma voltinha no bairro, conhecemos alguns parques, cafés, lojas, pontos turísticos, e os tão famosos pubs de Dublin.

Não podíamos ficar muito tempo, mas tomamos algumas doses de tequila apenas pra relaxar, e enfim, retornamos ao nosso lar temporário a fim de dormirmos pra estarmos preparadas pro primeiro dia de uma nova experiência.

Nosso apart era um amor, sala e cozinha conjugadas, divididas apenas por um balcão, três quartos e um banheiro. Era relativamente pequeno, mas como seríamos só nós três, temporariamente, acredito que não seria o fim do mundo. Claro que pra quem viveu a vida toda em uma mansão enorme, cheia de empregados, e com tudo nas mãos, seria uma readaptação. Mas eu estava totalmente aberta a novidades, a uma nova vida de universitária.

Notas finais
até a próxima.