Notas iniciais
Olá. Novo capítulo. Boa Leitura. Have fun!

Fiquei algumas horas vagando pelos meus lugares preferidos de Londres, mas nada conseguia me distrair por muito tempo, pelo menos, foi tempo suficiente pra que eu não ficasse sem fazer nada enquanto esperava o voo de volta pra Dublin.

Às 14h eu já estava desembarcando do avião, e às 14:40h chegando em casa, ainda desolada, não mais tão revoltada, porém sem reação, com olhar perdido, aparentemente calma, mas com a cabeça à mil por hora, totalmente inconformada com tudo.

Chequei meu celular, e haviam infinitas mensagens, dentre os remetentes: Aurora, Cissa, Phil, Diana e até Friedrich. O que será que meu irmão queria? Seria minha mãe capaz de contar pra ele que fui à Londres e falar também o motivo da viagem? Ou, do jeito que ela adora manipular coisas, fatos e pessoas, falaria só o que a conviesse? Não duvido mais nada dela.

“Oi, querida, como vai você? Uma amiga diz ter visto você na cidade hoje um pouco abatida, mas achei um pouco improvável. Está tudo ok?” – 12:27h

“Oi, Fred. Estou bem sim e você? Permaneço em Dublin, mas estou morrendo de saudade. Espero ver você breve. Um beijo. Te amo!” – 14:53h

Não menti, apenas omiti fatos desnecessários. Espero que minha mãe não vá correndo pra ele inventar suas historinhas. Falando em mãe, ela também mandou mensagem. Mensagens, várias delas.

“Elena, onde você está?”— 10:30h

“Filha, atende o celular, vamos conversar.” — 10:32h

“Onde você está? Me responde.”— 11:05h

“Por favor, fale comigo, querida.”— 11:47h

“Apenas atenda minhas ligações, preciso saber como você está.”— 11:53h

“Elena, filha, fale comigo, por favor. Eu te amo.”— 12:20h

“Se você não se comunicar comigo serei obrigada a ir atrás de você.”— 13:48h

“Temos muito o que conversar, me responda.” — 13:51h

E por aí, muitas outras mensagens de desespero, que aliás, não chegam nem perto de me convencerem a ter pena de Diana. Só alimento desprezo e raiva por ela. Não quero contato nenhum por um bom tempo, não tenho estômago pra ouvi-la falar, ou sequer enxerga-la no momento. É o que dizem, “tempo é tudo”, e é minha única esperança pra que eu possa voltar a ter contato com essa mulher. O tempo.

As mensagens de Phil pareciam bastante preocupadas também. Caracas, não falo com ele desde terça-feira pela manhã, e ainda por cima, nem nos falamos direito naquele momento. Nosso último momento de real interação foi aquela noite intensa e insana de sexo. Tanto que, lembrar disso até me distrai. Estou morrendo de saudades dele, à essa hora ele deve estar na faculdade, porém, nada me impede de ir espera-lo na sua casa pra fazer uma surpresa. Tomei o cuidado de anotar a rua e o número do condomínio naquela manhã que saí bem descansada e saciada de lá.

Tomei um banho pra tentar – falho – relaxar o corpo e a mente, deixei um bilhete no espelho do banheiro (foi nesse lugar porque tenho certeza que vai ser visto), e fui caminhando até a casa de Phil. Como não tinha a chave, ou sequer permissão pra subir pro apartamento dele, sentei num banco estrategicamente posicionado sob uma árvore na calçada em frente ao grande e luxuoso prédio e esperei até a sua chegada. Apenas esqueci de um detalhe, Phil vai de carro pra faculdade, logo, entrou direto pra garagem, e nem notou minha presença ali.

Esperei mais alguns minutos e entrei, então, na recepção, e o porteiro estava conversando com um homem qualquer.

— Com licença, boa tarde. O senhor pode avisar ao Philip Jones que tem alguém esperando por ele na recepção?

— Sim, senhorita. Um instante. – ele pegou um telefone, discou alguns números e aguardou – Sr. Jones, há uma moça querendo falar com você na recepção. Ah... Sim... Ok...

A expressão dele não estava das melhores, talvez Phil não quisesse receber ninguém.

— Diga a ele que é Elena Eisenhauer.

— O nome da senhorita é Elena Eisenhauer, Sr. Jones. Sim. Ok... – Colocou o fone no gancho — Pode subir, senhorita.

— Obrigada!

O simples fato de Phil ter mudado de ideia sobre receber visitas ao saber que era eu quem queria vê-lo me animou ainda mais. Eu estava morrendo de saudades dele. Sem exageros. Tudo o que eu queria era vê-lo, conversar, receber algum carinho, e quem sabe o que mais...

Quando o elevador se abriu no andar dele, e entrei no seu corredor, já pude notar a porta se abrindo e pude finalmente ver Philip Jones. Assim que nossos olhares se encontraram, uma corrente elétrica se acendeu, o sorriso involuntário foi inevitável, apressei o passo para poder estar nos braços deles o quanto antes. E o momento por mim, poderia durar por toda a eternidade. Seus braços firmes e fortes pareciam poder me proteger e me amparar de qualquer coisa, eu com certeza, poderia ficar ali pra sempre.

Phil nos puxou pra dentro da casa, fechando a porta, me afastando de si, e olhando nos meus olhos.

— Ei, o que aconteceu? – seu olhar me reconfortava, era tudo o que eu queria. Eu precisava dele.

— Podemos falar disso depois? – ele acenou concordando, e foi a confirmação que eu precisava. Avancei na sua boca, minhas mãos circulavam seu pescoço, meus dedos apertavam seu cabelo e eu era inebriada por aquele cheiro anestesiante.

Peguei o colarinho do blazer que ele usava e puxei em direções opostas, fazendo com que ele caísse, pendendo pelos braços. Fui abrindo os botões da camisa bem lentamente. Por mais que eu quisesse aquele homem com urgência, aquele momento intimo não precisava ser quebrado.

Fomos nos despindo, ainda perante a porta, e por ali ficamos, transando no chão, que mesmo frio, não era capaz de acabar ou amenizar o calor que pairava entre nós.

♥

Depois do momento de intimidade entre nós eu me sentia exausta, de tudo. O dia havia sido cansativo, estou desde cedo em função com minha mãe, e acho que não seria má ideia ficar o resto da noite aqui com Phil. Porém, não posso correr o risco de me atrasar pra faculdade pela segunda vez, considerando também que havia faltado hoje. Também não posso esquecer das minhas colegas de apartamento, para as quais devo explicações sobre tudo.

Estava começando a anoitecer, e eu e Phil estávamos na cama, trocando amabilidades, depois de eu ter contado toda a situação que estou passando, sem restrições. Sei que posso ter sido muito precipitada em abrir minha vida pra ele, pois mal nos conhecemos, e não se deve sair se expondo assim pra alguém cujo se faz sexo com certa frequência, todavia, foi muito bom ter lhe contado tudo, como se eu tivesse tirado um fardo das minhas costas. Creio que tenha sido bom também, pois ele me defendeu, acho a atitude da minha mãe deplorável, e se disponibilizou pra ajudar com o que eu precisasse. Ele é um anjo. Meu anjo.

— Preciso ir pra casa, Phil.

— Ah, não, Elena. Está cedo, fica mais – ele disse, me puxando num abraço contra seu peito, o que me fez repensar sobre ficar ali com ele.

— É que preciso conversar com as meninas, dar satisfações, não as vejo desde ontem à noite. – falei, e relutante me desprendi de seus braços e sentei na borda da cama.

— Me deixa te levar em casa, pelo menos. Está frio, e é perigoso uma mulher como você sozinha pelas ruas à essa hora.

— O que você está pretendendo insinuar dizendo “uma mulher como você”? – perguntei num tom leve, assim como tudo que nos diz respeito.

Ele riu, e levantou-se da cama, ignorando-me, partindo em direção ao seu closet, completamente nu. Que homem!

♥

— Obrigada pela gentileza, nos falamos amanhã! – dei um beijo rápido em sua boca e tentei abrir a porta do carro, tentativa falha. Que sensação de deja vú.

— É assim que você se despede de mim? Que decepcionante. – Phil usou seu olhar mais safado, só pra me provocar.

— Espero que seus vidros sejam escuros o suficiente pra não levarmos uma multa por atendado ao pudor. – ao terminar de falar isso, saí do meu banco e montei sobre ele. Seu carro é incrivelmente espaçoso, portanto não tivemos nenhum problema de aperto.

Tanto ele quanto eu estávamos com muita vontade e inspiração pra ousadias naquele dia, e só não começamos a transar no banco da frente do carro dele porque ainda nos sobrava um pouquinho de bom senso. E talvez, porque em dado momento me curvei pra trás e acabei acionando a buzina, o que acabou quebrando um pouco o clima.

— Acho que é melhor eu subir agora – falei ofegante, saindo do colo dele, e tentando desamassar minha roupa.

— Adoro suas despedidas – damos mais um beijo rápido – até amanhã. Fique bem!

Desci do carro e subi rapidamente pro meu apartamento. Assim que entrei, fechei a porta e me virei, enxerguei duas lindas mulheres com expressões um tanto curiosas bem a minha frente.

— ELENA EISENHAUER, EXPLICA O QUE VOCÊ FAZIA DENTRO DO CARRO DO PROFESSOR JONES? – Cecília gritou isso estridentemente, e um nó logo se formou na minha garganta. O que eu diria pra elas e seria plausível?

— Estamos esperando uma resposta, mulher – agora foi a vez de Aurora me cobrar.

— Ele me deu uma carona, oras. Qual o problema nisso?

Optei por falar coisas brancas, que não fossem nem mentiras, mas também que não entregassem nossa relação estritamente secreta.

— E por que você demorou tanto tempo dentro do carro? – indagou Cecília de novo, ela parecia irritada. Ahhh, verdade, ela estava achando que Philip dava mole pra ela.

— Eu estava só agradecendo. E por que vocês estavam espionando? – tentei tirar o foco da conversa de mim.

— Não nos faça de idiota, Elena. Por acaso é preciso montar no colo das pessoas pra agradecer uma carona? – PUTA QUE ME PARIU, elas viram mais do que eu imaginava. Isso não podia ter acontecido, mas do jeito que só tem dado merda na minha vida, isso nem me surpreendeu tanto assim.

— Ok, ok. A gente está saindo. – finalmente assumi, já vi que não adiantaria tentar mentir. E além do mais, confio nelas, sei que não contarão para ninguém.

— Sua safada. Isso não é proibido?

— Sim, Aurora. Por que você acha que não tinha contado pra vocês?

— Eu não acredito. Por que você não me tirou as esperanças antes? Jurei que ele estava me dando mole, Elena.

— Por favor, meninas. Estou num momento fodido da vida, deixem eu me divertir um pouco. – sorri, falsamente – o dia foi difícil hoje, Philip foi o meio que encontrei pra descarregar as más energias.

— E a propósito, como foi com a sua mãe? – com essa pergunta de Aurora, fomos em direção ao sofá.

— Horrível. – me afundei no acento fofo do sofá – um encontro para esquecer. Não quero vê-la tão cedo. Estou péssima com tudo isso.

— E ela confirmou suas suspeitas ou desconversou? – Cissa sentou-se ao meu lado, e me puxou pra si, acariciando meu cabelo. Ufa, ela não está de fato braba comigo pelo Philip.

— No começo se fez de total desentendida, mas quando não houve saída, ela se viu na obrigação de admitir. Foi simplesmente desgastante. Eu ainda tinha esperanças de ser apenas um equívoco, mas infelizmente tudo se confirmou. Não sei o que fazer agora.

— Sinto muito, querida. Adoraria que pudéssemos assistir um filme juntas e conversar toda a madrugada, mas... – Aurora sorriu maravilhada, e lembrei de Albert.

— Mas, o que, menina?

— Eu e Albert, acho que reatamos. Acabei nem te contando do nosso jantar na terça-feira devido aos acontecimentos. Nós... – Cissa interrompeu Aurora.

— ELES FODERAM, A NOITE TODA. TODO MUNDO TRANSA NESSA CASA, MENOS EU. – Cecília é uma bela dramática.

— Mulher, você é a que mais sai pra transar de nós três, pare com esse drama, e deixe a gente aproveitar também. E deixe eu contar pra Elena, antes que Albert chegue pra me pegar.

— Isso, conta. Preciso me distrair.

— Então, nós jantamos, à luz de velas, muito romântico, depois ele me chamou pro seu quarto, pois queria, ouça bem, “conversar com mais privacidade”. E lá ele falou que estava morrendo de saudade de mim, do meu toque. Albert me seduziu completamente. E enfim transamos. Você nem imagina a vontade que eu tava daquilo. A gente se completa, Elena. Acho que vamos voltar a namorar. Mas ele está me deixando no escuro, não tenho certeza de nada. – mesmo feliz, ela parecia um pouco angustiada com essa história. No seu lugar eu também estaria, é uma situação complicada.

— Vai dar tudo certo. Saiba que, apesar dos apesares, estarei aqui pra qualquer coisa que precisar.

— Eu sei, eu amo vocês. – e o celular dela vibrou. – ele chegou. Me desejem sorte.

— Vai com tudo, mulher!! Eu e Elena vamos conversar sobre o caso secreto dela, não é mesmo, senhorita?! – Cissa me encarou mortalmente.

— Divirtam-se, meninas! – e saiu aos saltitos em direção ao seu homem.

Cecília fez uma verdadeira inquisição. Perguntou o que devia e o que não devia. Quis saber desde pequenas coisas à detalhes das relações mais íntimas. A primeira impressão, de que ela estava chateada, logo foi-se embora. Porque ela pareceu realmente feliz pelo meu recente relacionamento. Disse que era o que eu precisava nesse momento difícil. Umas fodas sem compromisso pra relaxar.

Não quis entrar em detalhes, mas talvez essas fodas não sejam tão sem compromisso assim. Sinto que nossa relação está cada vez mais íntima, estamos cada vez mais cúmplices, por vezes sinto como se o conhecesse há anos, como se já tivéssemos vivido tantas coisas juntas. Isso quase me faz esquecer que só nos conhecemos há três semanas, e que, pra completar, nossas primeiras interações não foram nada amigáveis.

O que, consequentemente me leva a pensar o quanto as primeiras impressões são geralmente superficiais e descartáveis. Quantas vezes já nos surpreendemos com alguém ao trocar apenas algumas palavras e nos darmos de conta que a pessoa era completamente diferente do que imaginávamos? E quantas outras vezes já deixamos de conversar pelo fato de que uma primeira interação não ter sido um exemplo de papo descontraído e amigável? Pois é, talvez esse mundo nada amistoso e que se estranha e briga por qualquer coisa esteja assim apenas por falta de prática de pequenas ações cotidianas. O ser humano é falho e complica as coisas fáceis.

Notas finais
Até a próxima. Pretendo postar um novo capítulo ainda amanha. Vamos ver como está minha inspiração. Beijo no coração.
Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.