Notas iniciais
Minha primeira história.
Espero que gostem.
Boa leitura.

Eu cansei.

Desde que a guerra havia acabado, todos agiam como se a qualquer minuto eu fosse cair na real de que Sasuke estava bem ali e pularia no colo dele. Lógico que eu não faria isso.

Havia me cansado de ama-lo por anos e nunca ser correspondida. Esperei por uma semana desde o final da guerra, quando tudo começou a dar certo, para ele vir falar comigo, pelo menos para saber como eu estava. Mas ele não veio, e eu não correria mais atrás.

Todos os meus amigos, principalmente Ino e Naruto, e até Kakashi-sensei, faziam de tudo para que eu e Sasuke conversássemos ou ao menos ficássemos um tempo sozinhos.

Fazíamos missões pequenas, já que a vila precisava de muitos reparos, e eles sempre me deixavam numa dupla com ele. Muitas vezes pedi para trocar e ficar com Kakashi-sensei ou Naruto, o que os deixava meio chocados.

No entanto, eu estava ciente de meus atos e não ia ser mais idiota.

Minha antiga 'rival', Karin, trabalhava comigo no hospital e passou a me respeitar muito. Ela veio conversar comigo e dizer que desistia de Sasuke e que finalmente achara seu amor em Suigetsu.

Eu lhe dei meus parabéns, desejando que tudo desse certo para a ruiva. E contei que também havia desistido do Uchiha. Ela ficou chocada, achava que nós iriamos ter finalmente um relacionamento, quando a guerra tivesse um fim. Todos pensavam isso na verdade.

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Estava vendo alguns pacientes, quando Naruto chegou e avisou que nossa nova missão era ajudar em uma pequena reforma no abrigo para crianças. Lógico que quando chegamos eles tentaram me colocar novamente com o Uchiha.

— Mas por que não, Sakura-chan?! – Naruto me perguntou quando eu recusei ficar com Sasuke.

— Apenas não quero Naruto!

— Sakura, eu concordo com Naruto. Você e Sasuke deviam ficar com as coisas mais simples por dentro do abrigo, enquanto eu e Naruto ficamos com a parte mais pesada, por fora. Afinal, Sasuke não está totalmente recuperado. – Kakashi-sensei falou me deixando com raiva.

— Nesse caso, porque então, já que eu tenho muita força, você não entra com o Sasuke e eu ajudo o Naruto?

— Você vai saber lidar melhor com as crianças do abrigo, melhor do que eu. Yamato e Sai vão chegar daqui a pouco, Sai vai se juntar a vocês lá dentro, não se preocupe. – Ele dizia em tom calmo, claramente não querendo arrumar confusão comigo.

Mas eu estava brava. Ora essa, eu não era obrigada a aguentar o Uchiha e a cara fechada dele. Pelo menos quando Sai chegasse eu poderia conversar com ele.

Andei ao lado de Sasuke sem ao menos mostrar que notava sua presença. Ele sempre fizera isso comigo, então não teria mal fazer o mesmo com ele.

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P.O.V.: Sasuke.

Sakura estava muito brava ao meu lado. Eu não entendia aquela raiva toda só por ficar de dupla comigo. Ela andava estranha desde que a guerra havia acabado.

Ela visitava Naruto e a mim, enquanto estávamos no hospital, dando atenção igual para nós dois. Refez nossos braços e estava muito feliz. Mas passada aquela primeira semana ela ficou distante.

Estava diferente. Eu esperava alguma tentativa de aproximação, mas não aconteceu nenhuma. Ela me tratava como qualquer um. Na verdade pior que qualquer um, afinal eu a vi conversar mais animadamente com Kiba, Shino e Chouji, quando os viu na rua, do que comigo quando estamos de dupla em missão.

Muito firmemente ela tentara ser dupla de Naruto e ficar longe mim. Coisa que eu notei que ela andava fazendo muito em nossas missões.

Decidi que tentaria descobrir o porquê daquele ato tão... Anti Sasuke. Esperei até que Kakashi e Naruto não estivessem mais por perto.

— Como você está, Sakura?

— Bem. – Ela disse curta e grossa.

— Como vão seus pais? – Perguntei tentando novamente.

— Também vão bem. – Ela parecia muito concentrada, em não conversar comigo de modo amigável.

— Fiz algo pra você não querer ficar de comigo durante a missão?

— Não.

— Então, por que não queria a mim como dupla?

— Apenas não queria. Agora pare de falar e concentre-se em colocar esse papel de parede corretamente.

Ok. Não que eu não houvesse percebido antes, mas, tinha algo muito errado acontecendo. Ou talvez... Ela só tivesse acordado de mau humor. É... Deve ser isso.

Trabalhamos por quase quinze minutos quando o branquelo que deveria me substituir chegou.

— Yo Feiosa-chan, Sasuke-kun! – Esperei pelo soco que Sakura daria nele.

— Yo Sai-kun! – Ela disse dando um leve cascudo na cabeça dele.

Como assim!? Ele a chamou de Feiosa e ela nem ficou irritada. Quando eu cheguei ao ponto de encontro e a chamei de 'Sakura-chan' ela simplesmente me respondeu um balanço de cabeça!

Estava declarado que o problema era totalmente comigo! E eu nem sabia o que havia feito de tão grave! Iria tirar isso a limpo com ela depois.

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P.O.V.: Sakura:

Fiquei muito aliviada quando Sai chegou e aliviou o clima que havia no ambiente. Eu não precisava respondê-lo daquela maneira, mas eu estava irritada e ele era culpado daquilo.

Depois de várias horas naquele lugar, nós finalmente conseguimos terminar. Nos reunimos e deixamos para Kakashi-Sensei e capitão Yamato, o trabalho de levar um relatório a Hokage.

— Então gente, vamos no Ichiraku!! – Naruto nos chamava animado.

— Oh não, Naruto. Obrigada, mas quero ir pra casa descansar. – respondi sincera.

A única coisa que desejava no momento, era chegar em casa, tomar um banho relaxante, comer um pouco e ir dormir.

— Ah, vamos lá, Sakura-chan! Pelos velhos tempos do Time 7! – Ele insistia persistente como sempre.

— Ok, Naruto. Agora pare de escândalo. – Cedi me rendendo. Sabia que quando se tratava dele, só daria mais trabalho discordar.

Eu estava torcendo para que o Uchiha dispensasse o convite, e apenas Sai, Naruto e eu jantássemos juntos. Mas incrivelmente, ele apenas seguiu junto de nós. Argh! Eu não estava aguentando mais aquele comportamento estranho e sociável que ele estava tendo. Tão súbito... Tão antinatural, que nem parecia o Sasuke.

Comemos ao som das piadas e risadas escandalosas de Naruto. Não que fosse ruim, mas parecia que ele realmente não notava o clima meio tenso. Sai comia quieto, sorrindo vez ou outra e soltando alguns comentários sobre o que Naruto dizia.

Rachamos a conta no final. Estava tudo tranquilo. Tranquilo demais.

— Ei, Teme! Acompanhe a Sakura-chan até a casa dela! É feio deixar uma dama andar desacompanhada a noite. – Eu sabia que o Naruto tentaria algo, já esperava por isso.

— Não sou nenhuma incapacitada, Naruto! Posso muito bem ir pra casa sozinha. – Falei já começando a ficar brava.

— Ora, Sakura, o Dobe do Naruto está certo. E não vai ser mal nenhum eu te acompanhar. – Se meu olhar matasse, não existiriam mais Uchihas no mundo shinobi.

— Boa noite Teme! Sakura-chan! – Naruto se despedia. Aquele baka sorria como se tivesse feito a melhor coisa do dia.

Sasuke Uchiha estava pedindo para ser ferido gravemente. E se ele fizesse algo, ele seria.

Caminhávamos lado a lado sem trocar uma só palavra. O tempo parecia estar se adequando ao meu humor, pois podiam se ouvir trovões a todo instante.

Estávamos quase chegando em minha casa, quando ele me parou:

— Ok, Sakura. O que está acontecendo com você? Você está muito estranha.

— Não está acontecendo nada, Uchiha. E não é como se você se importasse também. – Respondi seca, voltando a andar.

— Se eu não me importasse, não teria me dado ao trabalho nem de notar o seu comportamento. Agora, me explica o que houve.— Ele falou enquanto apertava o meu pulso.

— Tudo bem, se você quer a verdade, você a terá. Eu simplesmente cansei do seu comportamento comigo! Bem simples. Desde que eu era criança, Sasuke, eu corro atrás de você! Desde criança eu sempre te amei! E eu nunca desisti desse amor! Tive esperanças de que, depois de anos longe, de todas as lutas e uma guerra, você pudesse, pelo menos me olhar diferente, considerar o meu amor. Mas pelo que aconteceu e acontece, eu tenho certeza que não! Agora que você tem a porcaria da sua resposta, Uchiha, você pode me deixar ir embora, e viver longe de você. Eu prometo, que depois de escutar o quanto eu sou irritante, eu não vou mais te incomodar.

Falei. Não calmamente, até por que pra mim, não seria possível. Já chovia forte a essa altura. Uma chuva fria e cortante, combinando com meu humor e minhas palavras.

Palavras estas, que pareciam ter surtido efeito no Uchiha. Acho que era a primeira vez que o via surpreso e sem palavras. Ele deveria estar feliz, afinal, eu não iria mais atrás dele como a “irritante” de sempre.

Mas eis que de repente, ele sorri. Não cínico, ou sarcástico, debochado. Também não era amargo ou um sorriso sádico. Era um sorriso calmo. Um que eu nunca havia visto. Não era igual ao que ele mostrou no final da guerra, ao lado de Naruto, mostrando o contentamento em acabar com tudo.

Era um sorriso sincero. Não mostrava os dentes e não era largo demais. Com toda a certeza da minha vida, aquele era o sorriso mais lindo que eu já vira.

Enquanto sorria, ainda me segurando pelo pulso, ele me puxou em sua direção. Me fazendo ficar de frente a ele. Com os seus ônix profundos, ele fitou os meus verde-esmeralda.

— Perdão... Por tudo o que te fiz passar. Desde o início. Eu era cego pelo ódio. E me perdoe também, pela impressão de que não considerei seus sentimentos. Não foi apenas por Naruto que eu saí da escuridão. Me sinto um tolo pelos últimos dias. Já fiz muitas coisas de que não me orgulho, travei batalhas, lutei uma guerra, mais ainda não sei como dizer a uma garota o que eu realmente sinto por ela. Não mereço seu amor, mas sou egoísta demais pra deixar você ir pra longe de mim.

Ele me puxou ainda mais. Abraçando-me e beijando minha testa. Agora quem estava estática era eu. Ele considerava meus sentimentos!? Mudara por mim!? Ele... Me correspondia?

Vendo minha confusão, ele alargou um pouco mais o sorriso.

— Eu te amo.

Aquelas foram as três palavras que ele disse antes de me beijar. Eu estava nas nuvens. Sentia tudo e nada ao mesmo tempo. Sentia a chuva, se acalmando aos poucos, novamente, junto com meu humor. As minhas lágrimas de alegria escorrendo, os braços dele na minha cintura, minhas mãos no seu cabelo molhado... Me senti leve, como nunca. Sentia-me inundar de sensações.

Aquele beijo tão esperado, pareceu durar longos minutos. A chuva por fim, reduziu-se a uma garoa fina.

Nos separamos e ele enxugou minhas lágrimas ainda sorrindo. Pegou minha mão e caminhou de mãos dadas comigo até minha casa.

Depois de nos secarmos, ainda ficamos um bom tempo apenas abraçados. Sentindo a presença um do outro. Nos suprindo da falta e matando um pouco da saudades que tivemos em anos. Antes de dormir nos braços dele ainda pude escutar:

— Te amo, minha Sakura. Só minha.

Notas finais
Gostaria de agradecer a Bruna-senpai (Bruna Santos, confiram lá) por todo apoio que tem me dado, por betar e principalmente, pelo incentivo de me fazer postar.
Sem você isso não seria possível.
Então, dedico 'Finalmente dele' à você!! De todo o meu coração!!
Você chegou ao fim do livro. Parabéns!