Notas iniciais
Primeiramente, a fanfict se passa em primeira pessoa, com a narração do Garry.
Segundamente [?], a história se passa após o final 'Fendas na Memória' - que, por acaso, é meu final preferido de Ib.
Terceiramente [?]², isso era para ser uma fanfict original, mas devido a um surto de criatividade, acabei decidindo escrever isso no tema de Ib.
Espero que gostem, pessoal.

Já haviam se passado cinco anos desde que aquilo aconteceu.

Meu avô veio a falecer seis ou sete anos atrás, não me lembro muito bem — ultimamente, minha memória não anda sendo boa como deveria -, e então, meus pais decidiram me levar para conhecer sua Galeria, na capital do país onde moro. Alguns o chamam de Guertena, é um belo nome, concordo. Mas até hoje não vim a saber se era assim que realmente se chamava.

Desde o dia dessa visita na galeria, suas obras e esculturas viveram gravadas em minha mente. Foi assim que tive o desejo de me tornar um pintor... Era a única forma de aliviar aqueles pensamentos; Fazendo eles não serem apenas frutos de minha imaginação, e sim, recriações das obras de meu avô... Cada quadro, cada escultura, tudo o que me recordo fora pintado nas paredes de meu quarto.

Cada um com seu devido nome, em seu devido lugar, menos um. Uma garota loira, com os cabelos que batem até as costas. Usava um vestido verde, meias delicadas... E os olhos... Oh, os olhos! Eram azuis, mas não aquele azul do céu ou do mar; Era diferente, um tom que parecia único. O pintei com calma, demoraram várias horas, mas valeu a pena. O mais engraçado era que, quando fui procurar o registro desta pintura, nada encontrei. Era como se não estivesse existido de verdade, ou se eu não tivesse a visto. Mas a imaginei, só não sabia seu nome.

Enfim... Desde aquele dia, nunca parei de pensar na Galeria, e me imaginava ao lado dos quadros, com a garota loira. Mas o que mais me intrigava era a presença de uma outra menina; Olhos vermelhos profundos, cabelos castanhos, na mesma altura que a loira... Eu não a conhecia. Não sabia se era um quadro ou não, se era uma criação minha... Apenas sabia que ela estava em meus pensamentos, sempre esteve.

- Garry, o porteiro do prédio te chamou, disse que gostaria de lhe entregar uma coisa — Era a voz de minha irmã, que ainda morava comigo. Minha mãe faleceu a alguns meses, estou sozinho com ela e um gato que 'herdei' de meu avô, o batizamos novamente, dando seu nome como uma homenagem a ele.

- Oh, sim... Estou indo — me virei para ela e sorri de canto. Era três anos mais velha do que eu, vivemos juntos praticamente a vida toda... Era muito difícil me separar dela, e quando isso acontecia, não me sentia muito bem. Por isso, fazia de tudo para ficar em casa o maior tempo possível.

Ela sorriu de volta. Coloquei uma jaqueta — o último presente que ganhei de minha mãe antes dela falecer — e parti em direção ao corredor. Não me surpreendia pedirem pessoalmente para que eu buscasse alguma encomenda, principalmente quando o porteiro era novo; De certa, seria alguma peça de roupa nova, acabam estranhando o fato de eu ter tanto interesse em moda. Era um pouco desconfortável, mas não tão ruim.

Morava no segundo andar, em um prédio que elevadores ainda eram opcionais. Gostava de subir e descer escadas, mesmo que curtas, me davam uma sensação de conforto que não sei explicar, apenas gosto. Ao chegar na portaria, me aproximei da bancada.

- Senhor... — procurei em seu crachá um nome que pudesse me auxiliar para conversar com o porteiro, mas não pude enxergar. Suspirei e voltei a olhar em seus olhos. — Me chamou?

- Oh, sim — Tirou de debaixo da mesa uma pequena caixinha, junto de um envelope que me parecia ser uma carta — Eu me distrai, senhor. Não vi quem mandou o pacote, apenas sei que deve ter entregado pessoalmente... Mas existe um pequeno bilhete, estava escrito "Para Garry", olhei os registros dos moradores, e, bom... Imaginei que fosse para você.

- É, pelo jeito, sou o único com este nome no prédio — Sorri de forma forçada e segurei a pequena caixinha, junto do envelope. — Agradeço por ter informado, Senhor.

- As ordens.

Retornei a meu apartamento na mesma velocidade que fui até a portaria, confesso que fiquei ansioso para saber o que tinha dentro da caixinha e do envelope. Talvez uma das pulseiras que encomendei, e na carta, uma explicação de por que mandaram separadamente? Não, não fazia sentido. Abri a porta, entrei em casa e fechei a mesma com delicadeza.

- Estou de volta, minha irmã — Gritei, não muito alto, no tom certo para que ela conseguisse me ouvir.

Sentei-me na mesa, bocejando, embora estivesse animado para abrir a caixinha, me sentia cansado. Não dormi bem aquela noite, estava com a sensação que algo aconteceria, mas não tinha certeza se era bom ou ruim. Toquei um laço que estava em volta da caixa e o desatei. Em seguida, a abri calmamente, para não danificar o presente, nem o pequeno objeto. Olhei para dentro, mexendo a cabeça para o lado, fora um tanto curioso.

O presente era uma rosa azul.

Ultimamente era difícil achar rosas azuis, mas podia se encontrar em qualquer lugar, só que a flor era de plástico. Mas aquela, não. Era uma rosa real.Eu podia sentir suas pétalas úmidas e lisas, em um toque doce e calmo... Era bom de se fazer aquilo, e me lembrava algo. Me senti vivo, mas não sabia a razão. A tempos que não conseguia me sentir daquele modo.

Retirei a rosa da caixinha e a coloquei em cima da mesa com todo cuidado, para que nenhuma pétala caísse. Deveria ser algum presente de minha irmã, bastava apenas ler a carta; Estaria algo escrito como "Você é o melhor irmãozinho do mundo, e merece a maior beleza que eu encontrar", ou "Eu te amo, Garry. Esta flor é um encanto, igual a você". Eu já estava acostumado a receber estes presentes dela, deveria ser mais um. Mas, de qualquer modo... Era uma sensação diferente.

Levantei a aba do envelope, fazendo o adesivo de um coração descolar da folha. Tirei a carta de dentro do mesmo, dei um curto sorriso e comecei a ler. Era um texto curto, com o título de "As Lady's"

Você realmente se esqueceu de como elas são verdadeiramente cruéis? Agressivas, más, seguem ordens para nos machucar.

A vermelha parece ser a pior, e a verdadeira. Talvez a primeira dentre elas que nasceu.

A amarela não se demonstra ruim, mas é animada ao ponto de fazer qualquer coisa para continuar com sua brincadeira, incluindo nos machucar.

A verde é calma e esperta, mas não perde uma chance para ajudar suas irmãs, é tão ruim quanto todas elas, é uma das piores ameaças.

E a azul, oh, a azul.

Você já se esqueceu mesmo que foi dela que tive que te salvar, Garry?

Eu não acreditava no que estava lendo.

Me virei para trás, observando minha pintura das quatro Lady's que vi na galeria; Foram inspiradas nos amores passados de meu avô, mas, as comparando do forma que fora descrita no texto, me lembravam perfeitamente o que aconteceu.

Aquelas... Pinturas, sim, elas me machucaram. A mim e à meu avô. Partiram-lhe o coração e tentaram me destruir. As lembranças da Galeria vinham à tona. A Rosa Azul, as Lady's que me perseguiam... Mas, por mais que eu tentasse, era tudo o que eu conseguia pensar... Como se o restante estivesse desfocado, e não fosse possível entender o resto da verdadeira história.

Talvez realmente existisse um motivo para a Galeria de Guertena ser o local onde meus sonhos mais atormentados acontecem.

Notas finais
Espero que tenham gostado, Yeah!
Até a próxima~
Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.