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42 Capítulo 15 – Season 2
Notas iniciais
Hanna
Zac se moveu ao meu lado e eu me sentei percebendo que estava completamente nua e puxei as cobertas cobrindo meu corpo, depois olhei para a porta me encolhendo um pouco. Então forçaram um pouco e ela se abriu com um rangido.
Então o tempo pareceu congelar e um rubor subiu por meu rosto. Era meu pai. Parado na soleira da porta, seus olhos varreram o quarto rapidamente, mas então se fixaram em nós e levou apenas dois segundos até ele perceber o que estava acontecendo. Seus olhos queimaram com tanta raiva que me encolhi mais nas cobertas.
― Levante-se.
Rugiu ele, mas seus dentes estavam tão cerrados que era difícil de entender. Seus punhos estavam cerrados do lado do corpo, seu peito subia e descia muito rápido e eu podia ver que a explosão estava prestes a chegar. Me levantei puxando a coberta e me enrolando nela, enquanto Zac enfiava as calças pelas pernas o mais rápido possível.
― Saia daqui imediatamente Hanna.
Falou meu pai e eu estremeci, seu tom estava profundamente aborrecido e decepcionado, e eu me sentia cada vez pior por estar nessa situação, quase nua, envolta com os lençóis que provavelmente ainda tinham a marca da perda da minha virgindade. E um flagra desse, justo do meu pai, não era definitivamente como eu queria passar a manhã seguinte.
Minhas roupas estavam jogadas pelo chão e eu olhei em volta sem ter idéia de como fazer isso. Sair enrolada num lençol? Me vestir na frente deles?
― Agora Hanna!
Meu pai praticamente berrou para mim e eu olhei para ele me sentindo ainda pior, mas ele não estava me olhando. Ele encarava Zac, fixamente sem piscar. E então eu vi em seus olhos algo que eu jamais tinha visto antes. Uma fúria assassina e mortal. Seus olhos pareciam prometer dor e sangue a qualquer um a quem estive direcionado. E eu gostaria de pensar que ele não faria nada. Mas eu sabia que faria.
Então instintivamente fui para frente de Zac e os olhos dele caíram para mim.
― Eu disse para você sair daqui Hanna.
Falou meu pai de novo e eu neguei com a cabeça. Eu sabia que ele não me machucaria, mas mesmo assim seu olhar me amedrontava. Porque ele machucaria Zac sem sequer pensar duas vezes. E mesmo não tocando um dedo em mim, isso me arrasaria.
― Não vou deixar você descontar no Zac, nós dois decidimos fazer isso pai.
Falei erguendo a cabeça para ele, então ele se aproximou rápido demais e segurou meus ombros.
― Eu não quero sequer pensar no que vocês decidiram fazer, mas com certeza esse garoto não vai pensar nisso por muito tempo também.
Falou ele cara a cara comigo e então Zac saiu detrás de mim e empurrou seus braços, meu pai deu um passo para trás como se tivesse sido pego de surpresa, e então os ombros de Zac cobriram minha visão.
― Você quer machucar a mim, não a ela. Deixe-a fora disso.
A voz de Zac soou dura e imponente.
― Acha mesmo que eu vou machucar minha filha moleque?
Berrou meu pai e eu sai detrás de Zac vindo para o seu lado.
― Acho que você sabe muito bem como machucar pessoas.
Então meu pai olhou para mim piscando rapidamente com a surpresa diminuindo um pouco a raiva.
― O quê?
Eu apertei meus braços em volta de mim, sentindo-me cansada e estressada demais para pensar.
― Você é meu pai e está aqui. Mas e o pai dele? O pai dele que você matou assim como muitos outros lobos?
Senti Zac respirar profundamente ao meu lado e os olhos do meu pai se voltaram para ele. Nunca tínhamos falado sobre isso, mas eu me lembrava daqueles garotos gritando para nós o que ele tinha feito. Que ele tinha matado o pai de Zac. E muito embora eu o amasse, e enxergasse seu lado bom. Ouvir a raiva no tom daqueles garotos me fez ver que ele tinha também um lado mal. Um lado que machucou e matou muitas pessoas.
― Isso não é verdade pai?
Perguntei sentindo lágrimas nublarem minha visão. Porque na verdade é isso que fazem as famílias. Elas se amam e ignoram seus defeitos, porque mesmo sabendo que existem, as coisas boas são mais importantes. E quando eu pensava no cara que me contava incontáveis histórias para dormir podia ter um lado tão mal assim me sugava as energias, como se eu estivesse sentindo algo que não deveria.
― Eu fiz muitas coisas terríveis Hanna, e eu não posso mudar nenhuma delas.
Falou ele por fim e senti uma lágrima escorrer por meu rosto.
― Então você não pode nos julgar por nós amarmos pai. Você abandonaria a tia Care porque alguém disso isso a você?
― Eu só quero te proteger, e vou te proteger sempre, independente de contra o quê.
― Você não precisa me proteger dele!
― Eu preciso te mostrar que isso não é o melhor para você!
Falou ele gesticulando a nossa volta.
― É isso que você quer? Um casebre caindo aos pedaços? É isso que você acha que merece?
― Eu podia estar num palácio pai, sem ele eu não estaria feliz!
Os dedos de Zac envolveram os meus e os apertaram me dando força.
― Ela é sua filha, mas eu a amo e vou protegê-la com a minha vida se for preciso.
Falou Zac e meu pai deu um passo para trás como se tudo aquilo fosse mais do que ele poderia lidar.
― Ela foi uma ponta de luz na escuridão da minha vida, e eu não vou permitir que nada a machuque, nem mesmo você.
Concluiu ele e Zac o encarou sem pestanejar. Meu pai respirou fundo e finalmente olhou para mim.
― Vamos para casa Hanna.
Eu apertei um pouco os dedos de Zac e sorri de lado. Depois olhei para trás tentando localizar minhas roupas.
― Preciso me vestir.
Falei de cabeça baixa e os dois saíram do aposento.
A calmaria parecia estar chegando aos poucos. Zac estava bem, meus irmãos e minha família estavam seguros e eu não precisaria mais fugir para ver Zac como se fosse algo errado e sujo. Eu sabia que não seria tão fácil assim, já que eu nunca tive um namorado e tinha dois pais bem ciumentos. Mas eu deixaria claro que não desistiria dele.
Vesti a roupa e sai o mais rápido que pude. Eles estavam de costas para mim, não se olhavam ou falavam. Apenas encaravam o horizonte a sua frente.
― Estou pronta.
Falei timidamente, parei entre os dois e Zac se inclinou para me beijar, então os dentes do meu pai estalaram audivelmente, era melhor não forçar muito por enquanto, então Zac segurou minha mão de leve depois soltou e nós começamos a caminhar.
― Obrigada.
Falei a meu pai depois de alguns minutos de uma caminhada silenciosa.
― Pelo quê?
Perguntou ele olhando para frente, parecia perdido em pensamentos.
― Por não machucá-lo.
Respondi e o abracei pela cintura, ele relutou um pouco mais passou o braço pelos meus ombros.
― Não é muito fácil encarar que minha filhinha virou uma mulher, mas acho que mais morte e dor também não são as respostas certas.
― Com certeza.
Concordei lembrando de Davina e meu coração se contraiu com a lembrança de seu rosto querido caído no chão e fria como gelo. Me encolhi mais nos braços do meu pai. E ele pareceu estar pensando o mesmo que eu, pois apertou mais seus braços em volta de mim.
― Kol não quer que façamos funeral nem nada assim. Disse que não era aqui que ela queria ser consagrada.
― E o que vamos fazer?
― Ele partiu. Hoje de manhã bem cedo depois de cremar o corpo sozinho. Disse que espalharia suas cinzas por todos os lugares que ela gostava.
Um soluço fez meus ombros estremecerem e continuamos a andar. Sempre parecia que tinha um lado ruim quando acontecia algo bom. Porque a felicidade nunca podia ser completa?
Caroline
― Eles são lindos!
Dizia Elena quando brincava com James em seu colo, ele era o mais agitado e tentava agarrar seu dedo, enquanto Bonnie embalava Ethan devagar. Ele era mais calmo e seus olhos expressavam tanta coisa que era surpreendente para um bebê.
― São sim...
Falei toda orgulhosa, babando por meus bebês que estavam protegidos e seguros. Embora isso tenha nos custado a vida de alguém que amávamos. O pesar anuviava um pouco a felicidade, mas ficar perto dos meus filhos sempre me ajudava a esquecer um pouco.
― Como alguém pode ser tão mal a ponto de querer tirar a vida de um bebê?
Comentou Elena e eu sequer quis pensar sobre isso. Já tinha passado, mas eu conseguia sentir perfeitamente o pavor e a preocupação por eles. E então me dei conta que sempre sentiria aquilo. Mesmo que não achássemos que havia risco, meu coração sempre me faria pensar neles e me preocupar com suas vidas. Eu sempre acordaria no meio da noite ao menor movimento de seus corpinhos durante o sono.
― Nunca mais nos deixe de fora Care.
As palavras de Bonnie me despertaram dos pensamentos e ela me encarava com seus olhos castanhos e queridos, cheios de determinação e amor.
― Sinto muito, só estava tentando proteger vocês.
Falei olhando para elas e me aproximando.
― Não nos proteja, se não mataremos você.
Resmungou Elena e as abracei com meus dois pequeninos entre nós.
― Tudo bem, e agora que tenho dois filhos para criar, quero me manter bem viva.
Disse então nós três rimos. Eu me senti feliz, porque sentia muita falta disso. Minhas amigas ali comigo, era simples e fácil. Mesmo que tenhamos mudado, mesmo que nossas vidas tivessem dado um giro de 360 graus, ainda nos conectávamos e isso era perfeito.
Ouvi a porta da frente bater e Hanna passar direto para o quarto, eu dei um passo para segui-la. Ela não estava em casa de manhã e Klaus tinha ido procurá-la enquanto eu alimentava os gêmeos. Ele surgiu na porta mas parou quando viu Bonnie e Elena.
Eu não precisava perguntar para saber que algo o estava agitando demais, era como ver o mar revolto em seus olhos verdes, então ele deu um pequeno sorriso para as meninas e saiu.
― Vocês podem ficar um pouco com eles?
Perguntei por sobre os ombros, elas acenaram para mim e eu fui atrás de Klaus. Ele tinha ido para o nosso quarto e parou diante da janela observando o campo a nossa volta. Me aproximei dele e toquei suas costas.
― Tudo bem?
Ele se virou bruscamente e sem me dar tempo para piscar agarrou meu rosto com as mãos e me beijou bruscamente e violentamente até, enterrando a língua em minha boca e tomando cada espacinho livre, senti a parede em minhas costas e ele me apertava tanto em seu peito como se não conseguisse me sentir direito.
― Klaus...
Falei num suspiro rouco quando ele finalmente parou para respirar, seu peito me pressionava na parede e um rugido grave se formou em seu peito. Mas seus olhos ainda estavam nebulosos e confusos. Então eu espalmei as mãos em seu peito e o afastei um pouco.
― O que aconteceu?
Perguntei a ele que tentou me beijar de novo, mas eu segurei seu rosto.
― Ela é só uma garota, não conheceu nada além dessa cidade. E se eu não conseguir protegê-la?
Ele olhava para mim, mas era como se não me visse. Seus olhos estavam muito longe.
― Eu já matei muitas garotas da idade dela. Eu as perseguia e caçava, sem me importar que mal tinham começado a viver. E se eu deixá-la livre e não estiver lá quando ela precisar de mim?
Suas palavras meio incoerentes iam fazendo um pouco de sentindo a medida que ele falava.
Hanna.
― Ela está crescendo, e vai saber se cuidar sozinha. Mas só se dermos essa chance a ela.
Ele enterrou a cabeça em meu ombro.
― Eu a cobria antes de dormir todas as noites, e acabei de encontrá-la deitada nua com um garoto. Eu não sei como lidar com isso.
Fechei os olhos e apertei seu corpo com os braços. A maioria dos caras sabe como é lidar com isso, entende que as coisas vão ser assim um dia com suas filhas. Mas Klaus foi adolescente a mais de mil anos, e mesmo vendo Hanna crescer ele não tinha se preparado para isso. Ver Hanna com um garoto era como finalmente admitir que ela dividiria seu coração com outras pessoas.
― Ela é jovem Klaus, e é uma boa garota. Não precisa ficar remoendo isso. Tenho certeza que ele também é um bom garoto.
Conclui e então ele ergueu um pouco a cabeça para olhar meus olhos.
― Ele estava na mansão lutando do nosso lado. Eu pensei que fosse um lobo tolo qualquer, e nem sequer pensei duas vezes sobre ele morrer lutando. Eu matei o pai dele e sequer sei quem ele era ou como aconteceu. Eu sou o monstro nessa história, e é a ele que ela vai escolher.
Sua voz soou amarga e eu toquei seu rosto enquanto ele fechava os olhos.
― Você é o pai dela, e sempre vai ser. Não importa quantos namorados ela tenha Klaus.
Ele abriu os olhos de repente e eu vi desolação e dor.
― Ela sabe que eu o matei, não só ele, como muitos outros. Quanto tempo vai demorar até ela me odiar?
― Ela não vai te odiar. Eu sei sobre as coisas que você fez, e estou aqui e amo você. Porque sei que você é um homem bom, para nós e também para os outros.
Ele começou a negar com a cabeça mas eu segurei seu rosto e o fiz me olhar.
― O que está acontecendo com Hanna é natural, não podemos bater de frente, e sim apoiá-la. Assim ela vai saber que estamos aqui e não precisará esconder coisas de nós.
Ele ficou em silêncio depois me abraçou pela cintura concordando e respirando profundamente.
― Eu amo você.
Disse ele e eu me apertei ainda mais em seus braços.
― Eu também amo você Klaus.
Respondi e ficamos ali abraçados por um bom tempo. Só respirando o cheiro um do outro e sentindo conforto nos braços um do outro.
Então ouvimos um choro no andar de baixo e nós dois rimos. Nossos pequenos alarmes já soavam e se demorássemos um minuto sequer eles fariam um barulho que poderia ser ouvido a quilômetros. Quando estavam com fome eles só se acalmavam e permitiam que alguém os alimentasse se fosse eu ou Klaus, mais ninguém.
― Acho que só poderemos continuar mais tarde...
Falou ele com um sorriso sedutor enquanto saiamos do quarto.
O sorriso dos dois era estonteante, amor como um casal, amor por seus filhos. Um segundo a mais que tivessem ficado no quarto e teriam visto, pela janela, no limiar entre a floresta e o jardim. Um grande lobo negro, com o pelo desgrenhando e cheio de gravetos e terra. Em plena luz do dia, com as presas arreganhadas e o olhar mortal para a casa.
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