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14 Capítulo 14
Notas iniciais
Uma mulher loira estava por entre as pernas de Hayley e lhe murmurava palavras de incentivo, Rebekah estava sentada ao seu lado e segurava sua mão.
― Vamos lá lobinha, faça minha sobrinha nascer.
Fiquei parada na porta sem saber direito o que deveria fazer, Klaus parecia desconcertado também mas caminhou até a cama e sentou do outro lado dela.
― Pensou que eu perderia a festa, não?
Ele fazia força para parecer despreocupado, mas estava na cara que estava muito ansioso e preocupado.
Hayley olhou para ele e forçou um sorriso.
― Se você puder sentir a dor por mim, aí sim será uma festa.
Hayley trincou os dentes nessa hora e seu corpo estremeceu.
― Já posso vê-la Hayley, só mais um pouco!
Uma camada de suor cobriu seu rosto e todos prendemos a respiração enquanto ela arqueava as costas e com uma última contração, ouvimos um choro ecoar pelo quarto, o silêncio foi absoluto depois disso. Até que Elijah se aproximou deles e fizeram os primeiros cuidados com o bebê e Hayley, depois a mulher loira a entregou a mãe e todos ficaram ao redor delas na cama. Hayley chorava silenciosamente de alegria, e Klaus tentava conter as várias emoções que passavam por ele, mas ele estava muito feliz ao ver a filha.
― Ela é linda, puxou a tia com certeza!
Eles riram baixinho e Elijah a olhou como se fosse a coisa mais linda do mundo para ele, Klaus se inclinou para elas e acariciou a cabeça do bebê.
― Ela têm seus olhos sabia?
Hayley encostou a testa na dele e ambos olhavam para aquela pequena vida que tinham trazido para o mundo.
― E qual vai ser o nome dela?
Rebekah perguntou.
― Eu pensei em alguma coisa com H e N...
― Quer chamar nossa filha de HN?
Klaus soou incrédulo, mas ele estava tão feliz que não conseguia soar bravo.
― Não, algum nome que tenha H de Hayley e N de Niklaus.
Pude ver os olhos de Klaus se encherem de lágrimas nesse momento.
― Hannah.
Hayley sorriu com o nome e deu um beijo na cabeça do bebê.
― Ouviu isso Hannah? Fiquei chocada de seu pai ter tido uma idéia tão boa.
Eles sorriram todos de uma vez e pareciam tão envolvidos com aquele momento que uma guerra poderia estourar e eles nem notariam.
― Hannah Mikaelson.
Klaus sussurrou e uma lágrima escorreu por seu rosto. Dei um passo para trás, e quando me dei conta já estava na porta da frente sentindo o ar frio da noite bater em meu rosto.
Eu estava feliz por ele, feliz por todos eles, mas não conseguia deixar de me sentir uma intrusa, aquele momento parecia tão íntimo e familiar entre eles, que eu sentia que era terrivelmente errado estar lá, e participar, então simplesmente sai caminhando sem prestar atenção para onde estava indo nem por onde passava, só queria me livrar daquele sensação que comprimia meu peito, a sensação que eu estava tirando algo de Klaus.
Me dei conta de que enquanto ele foi atrás de mim em Mystic Falls a filha dele estava nascendo, e que por pouco ele não perdeu isso. E me dei conta também que aquela felicidade que ele estava tendo agora, eu jamais poderia lhe dar, jamais poderia lhe dar um filho, eu estava presa e limitada pela própria natureza da minha espécie.
Esbarrei com força em alguém, olhei para cima e vi Marcel.
― Hey Caroline, tudo bem? Esta tudo bem com...
― Esta sim Marcel o b...
Ele me lançou um olhar de urgência e eu me calei na mesma hora. Depois ele balançou a cabeça.
― Fico feliz que tudo esteja bem, mas devemos guardar nossos assuntos para nós.
Eu percebi pelo seu tom de voz que alguém poderia ouvir nossa conversa, e de novo me dei conta de algo bem grave estava acontecendo aqui, mas eu estava de fora de tudo, e não me agradava em nada ser a última a saber.
― Vêm, vamos beber alguma coisa.
Ele me guiou até um local que varias mesas estavam dispostas na calçada, e uma pequena banda tocava Jazz. Davina estava lá e acenou quando me viu, fui até ela e a abracei, tinha sentido muitas saudades dela.
― Que surpresa, não sabia que você estava voltando.
― Para falar a verdade, nem eu, mas aqui estou.
Ficamos conversando e eu bebia tantos drinks que já tinha perdido as contas a um bom tempo. Minha natureza de vampira permitia que eu tivesse uma tolerância bem maior a bebida, mas mesmo assim eu já podia sentir os efeitos do álcool no meu sistema.
Um cara se aproximou de Marcel e sussurrou algo em seu ouvido, Davina olhou para ele irritada e cruzou os braços.
― Será que eles não podem da uma folga Marcel? Que droga, já estou cansada disso.
― É preciso D. Para sua segurança, e além do mais eles estão espalhados por aí, quase não podemos velos.
― Eu posso nos proteger Marcel, não precisamos que eles fiquem em nosso calcanhar.
― Proteger vocês de que? ― Não pude controlar a pergunta que veio a minha cabeça.
Marcel fez um sinal negativo para Davina e depois olhou para mim.
― Aqui não é lugar para falarmos sobre isso.
O celular dele tocou nessa hora e ele sorriu quando viu o nome.
― Hey amigo, parabéns...
Em outras circunstâncias eu poderia ouvir facilmente o que eles estavam falando, mas com tantas camadas de álcool no meu cérebro eu mal podia ouvir a música ao nosso redor.
― Não precisa tudo isso, ela está bem aqui na minha frente, aproveitando o concerto de Jazz.
Percebi então que era Klaus, ele tinha notado que eu sumi e estava me procurando.
― Vou ao banheiro.
Murmurei para Davina e me levantei, precisava lavar o rosto e provavelmente um pouco de sangue para poder estar mais sóbria quando ele chegasse.
Entrei no banheiro e lavei o rosto, meu equilíbrio estava bastante precário e eu me censurei mentalmente por me permitir ficar naquela situação, sai de lá pouco depois, e assim que pus os pés para fora senti um estalo no meu sapato e meu pé se virou num ângulo nada natural, tentei me equilibrar mas eu podia ver que não daria certo. Então senti braços fortes envolverem minha cintura e me colocarem de pé. Olhei para ver quem era esperando ser Marcel, mas eu não o conhecia. Ele era alto, um metro e oitenta talvez, cabelos muito pretos e olhos azuis bem claros.
― Cuidado, essas ruas não são muito seguras para alguém tão bonita andar sozinha.
Dei um sorriso sem humor.
― Eu não sou uma garotinha indefesa, confie em mim.
Ele não largou minha cintura, e eu o encarei. Precisava de um pouco de sangue, e por mais que eu detestasse beber sangue direito da veia, eu não tinha muitas opções no momento, então o empurrei contra a parede do banheiro, devagar para não chamar atenção e também por eu estava um pouco fraca, a rua estava escura, então se alguém visse pensaria que era um casal de namorados.
Mordi seu pescoço e suguei seu sangue com força, o gosto era intoxicante, suguei com ainda mais força e ao invés de me empurrar ou gritar, ele me puxou para mais perto e abraçou minha cintura, gemendo baixinho, mas não era de dor, era de prazer. Eu demorei um pouco para registrar o que estava acontecendo até que prestei atenção no gosto do sangue, era bem mais forte e mais frio que sangue humano, me livrei dos braços dele com violência e dei vários passos para trás.
― Você é um vampiro!
Eu praticamente berrei essa acusação, com certeza não era uma boa idéia dizer isso tão alto, mas eu não estava nem aí, o sangue dele fez um efeito imediato em mim, eu estava ouvindo tudo claramente agora, e aos poucos o efeito do álcool ia se dissipando.
― Sou, e você também é.
― Porque você me deixou morder você? Ficou maluco?
― Quando uma loira bonita te empurra contra uma parede, coisas bem divertidas acontecem, então eu dei rolar, e meu nome é John.
― Ótimo John, agora esquece que eu existo.
Dei as costas para ele e comecei a andar limpando a boca.
― Espere Caroline.
Congelei quando ele disse meu nome, como ele sabia? Virei devagar e ele me olhava sorrindo.
― Ouvi Marcel te chamar assim.
― Você conhece Marcel?
― Eu trabalho com Marcel.
Ele deu alguns passos na minha direção e eu recuei. Ele sorriu ainda mais e me puxou pelo braço.
― Podemos continuar agora?
Ele colou os lábios nos meus tão rápido que eu mal pude piscar, ouvi um rosnado bem alto e ele foi arrancado de perto de mim quase tão rápido quanto antes, vi Klaus se colocar na minha frente e jogá-lo no chão, John olhou para ele se preparando para atacar, mas duas coisas o paralisaram, primeiro o reconhecimento, ele sabia quem Klaus era, e segundo o medo, ele se levantou e foi recuando devagar, sua expressão estava apavorada.
― Klaus, eu não sei o...
― Cale-se. Ou o primeiro membro que vou arrancar do seu corpo vai ser sua boca.
― Por favor eu...
― Eu vou fazer você sangrar, depois vou esperar você se curar, e vou fazer de novo e de novo...
A vos de Klaus estava carregada de ódio, cada palavra soava como um prego no caixão dele.
― Klaus, espere...
Klaus nem olhou para mim, continuava a cercar John devagar, como uma cobra prestes a dar o bote.
Marcel apareceu nessa hora, viu a cena e olhou para Klaus depois para mim.
― O que está acontecendo aqui?
Marcel ficou no meio deles e eu quase pude ver as presas de Klaus despontando.
― Saia da minha frente Marcel.
― O que foi que ele fez?
― O suficiente.
― Klaus ele é um dos nossos, o transformei a pouco tempo.
― Não me interessa. Eu vou matá-lo.
― Marcel por favor, eu pensei que ela fosse... que eu podia...
A voz de John estava desesperada, mais depois do que houve com Tyler, pensei que se eu tentasse defende-lo só seria pior.
― Ele não sabia que ela é sua namorada. Eu o transformei depois que ela foi embora, e era de outro cidade, então o que quer que ele tenha feito...
― Não me interessa o que ele pensou, ela é minha!
― Não podemos nos dar o luxo, de perder ninguém Klaus, você sabe melhor que ninguém nossa situação.
Klaus olhou para John, depois para Marcel e respirou fundo.
― Se eu sequer imaginar que você chegou perto dela de novo, vou arrancar seu fígado pela sua garganta.
John acenou freneticamente depois desapareceu. Só então Klaus se virou para mim, pegou meu braço e saiu me puxando.
Eu me debati com ele e puxei meu braço de volta.
― Me solta!
― Vamos para casa Caroline, agora.
Ele tentou me puxar de novo, mas eu me esquivei.
― Para de agir como um homem das cavernas, eu não tenho que ir para lugar nenhum.
Ele me olhou com raiva, se virou e foi embora.
Marcel se aproximou de mim e colocou a mão em meu ombro, a raiva já tinha passado e eu me sentia uma idiota por tudo que houve, mas quando ele agia assim, eu reagia instintivamente.
― Quer uma carona?
Marcel perguntou e eu acenei com a cabeça. Depois ele me levou para a mansão e eu entrei. A casa estava silenciosa, eu subi para meu quarto e tomei banho, depois desci para ver se conseguia sangue para beber. Quando passei pelo quarto de Hayley, a porta estava entreaberta, e eu entrei. Ela estava de pé ao lado do berço e sorriu para mim quando me viu.
Fui até lá olhei a pequena Hannah dormindo. Parecia um anjo, as bochechas rosadas e os cabelos loiro mel como os de Klaus, era um bebê lindo.
― Ela é linda Hayley.
― Obrigada.
Sua voz estava toda orgulhosa, e eu podia entender.
― Você não devia estar descansando? Afinal de contas você teve um bebê hoje!
― Eu sou uma lobisomem esqueceu? Me curo rápido.
― Desculpe por ter sumido hoje, eu só queria dar um tempo a vocês, para a família.
Ela segurou minha mão e apertou de leve.
― Você é da família também Caroline.
Senti um nó na garganta ao ouvir aquilo, acenei para ela e sai de lá de volta para o quarto, só queria dormir.
Klaus estava sentando na cama olhando para a frente quando eu cheguei, ele me olhou sem demonstrar emoção nenhuma.
Mas eu estava em frangalhos, tantas coisas passaram por minha cabeça hoje, de tantas formas que chegava a doer, como se fossem informações demais para uma só cabeça. Me atirei em seus braços e abracei seu pescoço com força. Ele hesitou um pouco, mas acabou por me abraçar de volta.
― Caroline...
― Me desculpa, eu sinto muito.
― Sente muito pelo que exatamente?
― Por ter deixado você aqui e saído, por ter bebido demais e estado no lugar errado e na hora errada...
Ele pois o dedo em meus lábios e me calou.
― Eu entendo, mas isso não adianta, eu mais do que ninguém sei que não podemos mudar o que houve e sim o que vamos fazer, e tudo que eu quero que você faça é estar comigo, ser minha mulher, minha amante, minha rainha.
― Eu serei.
Prometi a ele, porque sentia dentro de mim que era o que eu mais queria, ser totalmente dele.
Ele me levou para o meio da cama e depois me enrolou, suas mãos acariciavam meus cabelos de formar lenta e relaxante.
― Sua filha é linda.
Murmurei para ele, senti que ele sorriu e depois beijou minha testa.
― É sim, parece muito comigo.
― Convencido.
Nos dois rimos, mas o sono já estava me vencendo, e me entreguei ao descanso proporcionado por ele.
Pov’s Klaus
Algo estava errado. Eu caminhava pelas ruas de New Orleans, sabia que tinha um destino, mas não conseguia lembrar qual era. Tudo que eu podia me lembrar era que algo estava errado na cidade, as ruas estavam completamente vazias, todos os lugares que costumavam ser cheios de vida e arte, agora pareciam ser um pedaço vazio de asfalto. O silêncio era sufocante, senti uma angustia crescente no peito, mas continuei a caminhar.
Continuei a caminhar até que a vi. Parei subitamente, com a respiração acelerada. Ela veio caminhado vagarosamente em minha direção, até parar a alguns centímetros de distancia de mim.
― Esther.
Sussurrei mesmo sem querer, seu nome tinha um gosto amargo na minha boca.
― Niklaus. Como vai?
― Ótimo. Você no entanto parece que tem bem pouco o que fazer aí do outro lado, se ainda gosta de bisbilhotar minha vida.
Ela deu aquele sorriso falso e carregado de veneno para mim.
― Eu ando bem ocupada, não se preocupe. Soube que sua filha nasceu.
Um arrepio passou por meu corpo, e rangi os dentes.
― Isso não é da sua conta.
― Claro que é, eu criei monstros, e vocês estão criados mais monstros a cada dia.
― Ela é só um bebê!
― Por enquanto, mas logo logo vai parecer tanto com você, muito mais do que já parece.
― Fique longe da minha filha Esther.
― Durante mil anos meu propósito foi destruir vocês, e mesmo que eu tenha morrido de novo, isso não mudou.
― Somos diferentes agora, temos muitos mais razões para lutar pela vida, muito mais razões para querer viver.
― A vampira que dormi com você? Ela é sua razão? Ela é um monstro tanto quanto você.
Minha raiva estava chegando no limite, eu podia sentir isso.
― Ela não é um monstro.
― Ela é sim. E quer saber de uma coisa?
Ela se aproximou ainda mais de mim.
― Ela vai ser a primeira coisa que vou tirar de você, antes de tirar sua vida.
Aquelas palavras foram o ápice, enterrei minha mão em seu peito e senti seu coração pulsar contra minha palma, os olhos dela se arregalaram e sua respiração ficou presa na garganta.
― Não se eu te matar primeiro.
Puxei seu coração para fora de uma só vez e ela emitiu um gemido. Depois sua imagem tremeluziu e eu olhei para seu coração ensangüentado em minha mão.
― Klaus...
A vos de Caroline me atingiu como um raio, eu olhei para frente, e não era mais Esther, era Caroline. Ela levou a mão ao peito vazio e se engasgou com seu próprio sangue, depois me olhou com desespero e medo.
― Klaus...
Agarrei seus braços e tentei mantê-la de pé.
― Caroline! Por favor, não!
Ela tombou em meus braços sem vida, vi sua pele se acinzentar e dissecar como uma folha seca. Eu mal podia sentir meu coração bater, tal era a dor de sentir seu corpo sem vida em meus braços.
― Não!
Berrei entre o tormento de dor, medo e angustia que me afligia e me sufocava de tal forma que eu mal notava quem eu era, nem nada além de sua perda.
― Não!
Gritei de novo e meu corpo tremeu violentamente, minha respiração vinha em lufadas curtas e desesperadas, meu corpo estava coberto por um suor frio como a morte. Olhei em volta e vi meu quarto encoberto pela penumbra da noite.
― Klaus?
A mão de Caroline tocou meu braço e me virei atônito para ela, ela estava viva, estávamos no nosso quarto.
Abracei-a com tanta força que mal podíamos respirar, o alívio se espalhou pelo meu corpo como uma onda.
― Foi só um sonho, vai ficar tudo bem.
Ele murmurava para mim e acariciava meus cabelos, aos poucos minha respiração se acalmou e meu coração voltou a bater normalmente. Mas no fundo do meu coração, eu sabia que não tinha sido só um sonho, e por mais terrível que pudesse parecer, sabia que não ia ficar tudo bem.
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