Finally found you

34 Capítulo 7 – Season 2


Notas iniciais
Gente eu nem tenho mais cara para me desculpar com vcs. Então vou apenas dizer que sinto muito, mas é que eu tive umas reviravoltas na faculdade e eu estou fazendo dois cursos, o resultado é que meu tempo livre ta passando de escasso para inexistente, mas quero continuar a escrever, então tenha paciência comigo. Bjs.

POV’S Hanna

Meu corpo inteiro estava queimando. Eu tenho certeza que se alguém me visse eu provavelmente estaria soltando fumaça como um desenho animado maluco. Os tremores iam se acalmando um pouco e a dor ia se dissipando. Então peguei meu short e enfiei pelas pernas, depois peguei a camiseta e a vesti.

― Pronta?

Perguntou Zac com a impaciência na voz que já me era familiar.

― Sim.

Falei e me levantei, ele se aproximou de mim e me olhou, e vestia preto. Zac sempre vestia preto, naquele visual gótico e meio depressivo, sobre o qual não conversávamos mais, pois não adiantava, ele resmungava sobre vestir o que quiser e eu continuava sem entender.

― Pelo menos hoje teve um lado positivo. ― Falou Zac.

Aquilo me fez sorrir. Afinal já estávamos a mais de dois meses nisso, e eu estava tentando aprender a controlar a transformação, que não era nada fácil. A primeira vez eu travei com a dor insuportável e deu bastante trabalho para eu me acalmar e me transformar de volta. Então toda vitória, por menor que fosse era sempre muito bem vinda.

― Eu sei. A transformação foi bem mais rápida hoje e doeu bem menos que o de costume.

Ele riu com escárnio e me olhou.

― Não, o lado positivo é que você não chorou.

― Idiota.

Bufei e sai andando. Ele veio atrás de mim, e eu já ia mandar ele sumir mas meu estomago roncou e eu coloquei a mão no estomago.

― Nossa, essas transformações me deixam tão famintas que eu poderia devorar até mesmo você.

Comentei e ele me olhou de lado.

― Sua intenção foi fazer disso uma piada?

― Esquece, você não entende mesmo.

Ela continuou ao meu lado sem dizer nada por um tempo.

― E como anda essa parte? A parte do sangue quer dizer.

Respirei fundo, nós não falávamos muito sobre isso, era uma parte da minha natureza mas também era algo que Zac nunca entenderia.

― Mais ou menos. Minha mãe está me ajudando com isso, mas é um pouco complicado. Acho que ela teme que se eu... matar alguém eu vá surtar ou algo do tipo. E aprender a se controlar com bolsas de sangue não me parece muito confiável.

― Você sabe que eu acho isso nojento não sabe?

Revirei os olhos.

― Não sei por que eu ainda falo com você.

― Espera. Eu realmente não entendo, mas talvez para controlar a sede você deva fazer o mesmo que faz para controlar os instintos e reflexos de lobo. Respire fundo e deixe fluir, sinta, para que você consiga controlar.

― Talvez. E a coisa sobre devorar você foi uma brincadeira, você é provavelmente a última pessoa que eu gostaria de devorar.

― Eu não confio muito em híbridos, então não pretendo por isso a prova.

Eu parei no lugar e cruzei os braços. Eu estava tentando muito me dar bem com ele, e não era nem um pouco justo ele agir assim.

― Porque você é tão babaca? Você mal me conhece e já acha que eu sou uma assassina sem coração? Os híbridos não são monstros.

Eu estava realmente furiosa, outro efeito colateral sobre ser híbrida, só que não estava nem um pouco a fim de controlar isso agora. Ele encarava um ponto acima da minha cabeça.

― O último híbrido que eu conheci antes de você matou toda a minha alcateia, e meu pai estava entre eles. O que sobrou das famílias desses lobos teve que se esconder na floresta como animais para não morrerem também. Então, eu sei como um híbrido pode ser cruel quando deseja Hanna, e sempre que eu penso que meu pai morreu antes mesmo de me ver crescer, é a um híbrido que eu culpo.

Descruzei os braços vendo pela primeira vez a tristeza em seus olhos e tentei imaginar como devia ser crescer assim. Mas não consegui, minha vida tinha sido boa e meus pais, aliás, mais pais do que qualquer um teria, sempre estiveram ali para me amar e cuidar de mim. Eu detestei vê-lo triste, parecia tão... errado.

― Eu sinto muito.

Então ele finalmente me olhou nos olhos e tinha tristeza e melancolia, de um jeito que eu nunca tinha visto antes nele.

― Não sinta. Não foi sua culpa.

― Zac, eu sei que deve ser terrí...

― Você devia tomar um banho. ― Ele disse e voltou a caminhar ― Tem terra no seu rosto e folhas no seu cabelo. Tem um rio bem perto daqui e você pode mudar essa aparência de quem entrou numa briga com um graveto.

Ele riu da piada sem graça e eu o segui. Ele não queria falar sobre isso, eu sempre achei que conversa era a melhor solução, mas ultimamente eu finalmente percebi que não era bem assim. E se ele não estava pronto para falar, a coisa certa a fazer era dar tempo.

Assim que chegamos ao rio eu finalmente me dei conta que seria uma péssima ideia. Porque minhas opções eram bem restritas: Primeira: Eu tomar banho de roupas, mas a água faria ela grudar em meu corpo e eu vestia aquela camiseta sem nada por dentro. Segunda: que nem era mesmo uma opção, tomar banho sem roupas.

― Eu não vou tomar banho com você aqui.

― Porque não?

Perguntou ele confuso.

― Eu sou uma garota gênio.

Ele ainda parecia um pouco confuso, mas finalmente entendeu e começou a rir.

― Ahh, bom, sobre isso, embora eu realmente tenha tentado, não é como se eu nunca tivesse visto uma coisa ou outra aqui e ali, e não tem nada demais por aí, então...

Trinquei os dentes.

― Eu já disse que você é um completo babaca?

― Já. ― Ele riu ainda mais ― Vou te ajudar com isso.

Num segundo suas mãos estavam em minhas costas, e no outro eu cai de cara no rio.

Eu me debati um pouco mas finalmente voltei a superfície cuspindo água para todo lado.

― Zackary você é o maior idiota de todos os tempos!

Gritei para ele que pulou no rio também. Depois mergulhou e começou a puxar minhas pernas. Eu definitivamente não queria rir, mas aquilo até que foi divertido afinal, a água estava uma delícia, e o dia de hoje foi o melhor dos últimos dois meses então eu não pude resistir.

― Hanna?

Então eu parei de rir na mesma hora. Era minha mãe, eu congelei por dentro procurando Zac. Mas ele não estava lá. Eu podia sentir uma de suas mãos ainda segurando minha perna. Merda.

― Oi, tudo bem?

― Tudo filha, eu ouvi você gritar.

― Ahh... isso. Foi só uma brincadeira.

― Tem certeza que tá tudo bem. Você nunca gostou muito de rios...

Ela riu e eu rezei para aquela conversa terminar logo.

― Estava calor e eu estava aqui perto...

― Tudo bem então. Você já está saindo? Posso te esperar se quiser.

― Não! ― Ela se assustou um pouco quando eu disse isso tão alto. ― Quer dizer, eu vou ficar um pouco mais.

― Tudo bem. Vou estar na casa dos Kim.

― Ok.

Então ela foi embora, eu esperei ela sair de vista para ter certeza e então Zac se levantou, seu rosto estava vermelho e ele respirava bem rápido.

― Você está bem?

― Estou. Mas é melhor você ir, essa passou bem perto.

Ele saiu do rio e me ajudou a sair também. E só agora eu notei que ele estava sem camisa. Seu peito era musculoso e bem definido e uma enorme tatuagem de um lobo cobria suas costelas no lado esquerdo. Era tão rico em detalhes e bem feito que o movimento de sua respiração fazia parecer que o peito do lobo também estava respirando.

― Um lobo?

Ele revirou os olhos.

― Deveria ser um morcego?

Eu tive que rir com isso.

― Suas tentativas de piadas geralmente não dão certo.

― Que seja.

Seu jeito arrogante já me era tão familiar que me arrancou outro sorriso. Zac era um idiota, mas ele estava me ajudando com tudo isso mesmo sem gostar de mim, então eu o abracei.

― Obrigada.

Falei a ele, que congelou por um tempo mas finalmente me abraçou de volta.

― Por nada. Você não é... como os outros híbridos afinal.

― Eu finalmente arranquei um elogio de você não?

Falei ainda nos braços dele, era estranhamente reconfortante estar tão perto dele e eu não tinha ideia do por que.

― Isso não foi um elogio. Você está com frio?

― Um pouco...

Fiquei um pouco sem graça com isso, não era muito natural ele se preocupar comigo.

― Por quê? ― Perguntei erguendo o rosto.

― Porque eu consigo sentir seus peitos através da camiseta molhada.

E num segundo ele passou de cuidadosa para grosseiro e nojento. Me soltei de seus braços e cruzei os braços na frente do peito e saí pisando duro.

― Idiota!

Gritei para ele por cima do ombro.

― Eu estava errado Hanna, tem sim alguma coisa de mais aí!

Eu praticamente rugi de raiva e ele gargalhou atrás de mim. Mas, por mais estranho que possa parecer eu me sentia feliz.

POV’S Caroline

Eu me sentia bem. Apenas ouvia o som do coração dele bater enquanto descansava a cabeça em seu peito. Ele acariciava meus cabelos, eu sabia que estava acordado assim como eu, mas não dizia nada. Eu sabia que precisávamos conversar, mas não sabia como fazer aquilo nesse momento, e no fundo eu temia que esse momento perfeito acabasse e tudo desmoronasse de novo.

― Volte para casa.

Falou ele por fim, sua voz rouca ressoou por seu peito e eu fechei os olhos um pouco, depois levantei a cabeça e encarei seus olhos.

― É sua casa Klaus, não minha.

― Não faça isso Caroline.

― Eu não tenho opção Klaus, é a verdade. Mesmo que eu tenha lutado muito para não ver, agora é impossível.

― Então é isso? Você está simplesmente desistindo de nós? Como se todo o tempo que passamos juntos simplesmente sumisse?

Ele se levantou e eu fiz o mesmo. Seus dedos corriam pelos cabelos em sinal de impaciência e seus dentes cerrados me diziam o quão aborrecido ele estava.

― Eu não estou desistindo, mas não posso mais ficar lá Klaus, a mansão dos Mikaelson não é meu lar. Eu quero um lugar nosso, onde eu não precise sair por ter feito ou falado algo de errado.

― Eu não posso deixar minha casa agora Caroline, a Hanna precisa de mim.

Fui até ele e segurei suas mãos. Eu não queria dividir sua família agora, e jamais pensei que ele os deixaria. Mas já estava na hora de ter algo nosso. A mansão para ele era o lugar que ele podia voltar com o passar dos séculos, um lugar onde ele podia se sentir seguro do pai, todos eles. Mas eu era uma hóspede lá.

Demorou bastante para eu perceber isso.

― Eu nunca te pediria isso Klaus. Mas eu também preciso de um pouco de espaço. O que aconteceu com a Hanna foi minha responsabilidade também, eu descobri que não está tudo bem viver na sua sem de fato fazer parte da família Klaus. Eu os amo, e amo a Hanna como se fosse minha própria filha, só que ela não é minha filha, e é isso que todos vão lembrar acima de tudo.

― Então o que você está me pedindo exatamente?

― Vamos ter um lugar nosso. Nossa casa, no nosso ritmo. Eu sei que você precisa pensar sobre isso, mas é importante para mim.

Ele entrelaçou os dedos nos meus. Aquilo era uma decisão e tanto. Mas precisávamos toma-la uma hora ou outra.

― Eu quero ter uma casa nossa, mas a minha família sempre fara parte de mim.

― Eu sei disso.

Ele puxou meu rosto e me beijou. Eu acariciei seus cabelos puxando seu rosto mais para perto e me aninhei feliz em seus braços.

Nos dois meses seguintes eu passei o tempo inteiro procurando casas para nós, e encontrei uma perfeita. Ela era próxima a mansão, e tinha um jardim mal cuidado e morrendo, do jeito que prometi ficar perfeito algum dia se eu cuidasse bem dele. Além disso, a casa era basicamente assim. Precisando de várias reformas e mais parecendo algumas paredes velhas sobre um telhado horrível. Era a oportunidade perfeita de dar cara nova e vida nova há algo que estava desmoronando. E isso era uma comparação e tanto a como estava nossa relação antes disso tudo.

Parecíamos estar estagnados e nos separando a cada dia. Mas desde que compramos a casa estávamos mais unidos que nunca. Planejando os cômodos e reformas. O ateliê do Klaus, meu closet... E é claro um quarto para a Hanna. Ela ficou mais do que empolgada quando soube da casa nova e isso foi um alívio, eu tive medo que ela sentisse que eu queria me afastar, mas como sempre ela entendeu e me deu total apoio. Até a Hanna sentia o clima péssimo que ficou entre mim e a Hayley. Elijah e Rebeca tentavam ser neutros, mas não era muito fácil já que se tratava da sobrinha deles.

Eu ainda me sentia culpada pelo que houve, mas o que mais eu faria? Hanna era apenas uma garota que precisava ter experiências de uma garota e não ficar trancada numa torre sendo protegida por todo mundo.

Acordei cedo naquele dia e fui para a casa nova, eu continuava ficando no hotel enquanto a reformava terminava. E já estava quase pronta. E ficando cada dia mais linda.

Assim que cheguei lá vi que o silencio reinava. Mas acontece que os pintores deveriam estar aqui.

― Olá?

Falei entrando.

― Alguém por aqui?

Nada. O silêncio reinou na casa. Realmente não se pode confiar nas pessoas. Mas eles não iriam gostar nada de me ver furiosa.

Chutei os papéis pelo chão e subi para o quarto da Hanna e abri uma lata de tinta branca, depois peguei alguns pincéis que estavam nos cantos e comecei a pintar. Não era muito fácil pintar, e provavelmente não estava ficando um trabalho muito bom, mas era algo estranhamente relaxante e gratificante.

― Você não precisa fazer.

Me virei tão rápido que acabei sujando minha blusa de tinta. Eu sorri ao ver Klaus.

― Bom, os pintores não estão aqui, e alguém precisa deixar nossa casa pronta.

Ergui uma sobrancelha para ele que riu e veio até mim.

― Porque eu acho isso tão sua cara?

Ele falou e tomou o pincel da minha mão.

― Mas eu tenho uma ideia bem melhor.

Ele me puxou pela cintura e beijou meu pescoço.

― O que você tem em mente?

Ele subiu os beijos por meu pescoço e eu senti um arrepio subir por minha coluna.

― Fazer sexo no chão do nosso quarto novo.

Ele mordeu o lóbulo da minha orelha e eu senti o desejo arder dentro de mim. Mas outra coisa ardeu ao mesmo tempo, meu estomago revirou dolorosamente eu senti um ácido terrível voltar pela garganta. Eu empurrei o peito de Klaus e me curvei enquanto tudo que tinha em meu estomago voltava.

Quando finalmente acabou eu me sentia vazia e desequilibrada, Klaus segurou meus braços e me ajudou a levantar, minhas pernas pareciam estranhamente moles e minha cabeça girava.

― O que aconteceu? Você está bem?

Perguntou ele me abraçando, mas eu me sentia ao contrário de bem e minha boca estava com um gosto terrível.

― Não.

― Vamos voltar para o hotel.

Ele me pegou no colo e fomos para o hotel. E depois de tomar um banho bem frio e escovar os dentes eu me enrolei nos lençóis e Klaus sentou e acariciou meus cabelos.

― Está se sentindo melhor?

― Um pouco.

Minha garganta estava um pouco irritada, e eu sentia um pouco de fome. Era tão estranho sentir essas coisas. Desde que eu virei vampira essas coisas não me preocupavam mais, e eu me sentia estranhamente vulnerável nessa situação agora.

― Mas o que houve? Eu não entendo.

Ele estava com a testa franzida e a preocupação toldava suas feições.

― Eu também não, mas talvez tenha sido o cheiro da tinta.

― Cheiro da tinta? Você é uma vampira Caroline, vampiros não enjoam por causa de cheiro nenhum.

Eu não respondi, e na verdade não sabia o que responder. Eu não sabia o que podia estar acontecendo, só sabia que não era nem um pouco normal eu estar sentido aquelas coisas.

― Vou pegar um pouco de sangue. Talvez você se sinta melhor.

Ele se levantou e eu me senti estranhamente sozinha com isso, meus olhos se encheram de lágrimas e eu me senti uma idiota, mas também não pude controlar.

Então Klaus parou, com a mão na maçaneta. Só que foi algo estranho, quase como se ele tivesse levado um choque. Ele virou a cabeça devagar, como se estivesse tentando ouvir algo. Logo depois ele se virou para mim e o choque estava estampado em seus olhos.

― Klaus?

Perguntei, a ele que continuava a me encarar como se eu tivesse criado chifres de repente.

― O que foi?

Ele abriu a boca para falar, engoliu em seco e fechou de novo, como se não soubesse o que dizer.

― Tem mais de um coração batendo dentro de você.

De todas as coisas que eu poderia esperar ouvir, aquela com certeza não era uma delas.