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31 Capítulo 4 - Season 2
Notas iniciais
POV’S Caroline
Eu abraçava Hanna tentando aquecê-la, mas sua pele estava gelada e ela chorava muito. Eu podia entender o que ela estava sentindo. Olhei para o corpo inerte do garoto ao nosso lado. Sentindo o desespero serpentear em mim. Isso não podia estar acontecendo, não deveria estar acontecendo.
Minha pobre Hanna. Ela era tão jovem... Tão jovem quanto eu quando me transformei, e eu me lembrava melhor que ninguém do desespero e dor que tomaram conta de mim quando descobri que estava me tornando um monstro.
― Como eu pude fazer isso tia Care?
Perguntou ela entre os soluços e a abracei ainda mais forte.
― Não foi culpa sua querida...
Murmurei tentando confortá-la. Mas eu sabia que não adiantaria. Ela não sabia direito sobre a sua própria natureza. Nunca contamos a ela com medo de que se ela descobrisse seria bem pior. Mas ela tinha o gene dos lobisomens, a raiva e a violência faziam parte de quem ela era.
Sua cabeça se levantou de repente.
― Você ouviu isso?
Ela me perguntou num sussurro, eu prestei atenção aos sons do que o vento trazia. Eles estavam chegando.
Antes que eu pensasse mais sobre isso Kol e Klaus surgiram das sombras e nos cercaram procurando a ameaça. Só então se dando conta do cadáver no chão.
Hanna se soltou dos meus braços e se agarrou a Klaus enterrando a cabeça em seu peito e chorando ainda mias. Klaus ergueu os olhos para mim interrogativamente. Ele não tinha entendido. E eu não sabia como dizer. Não sabia o que dizer. De repente um frio tomou conta de mim e eu me abracei olhando para baixo. Aquilo estava mesmo acontecendo. Nossa Hanna tinha matado alguém. E a culpa era minha. Eu a deixei sozinha. Klaus me confiou sua filha e eu não fui capaz de protegê-la.
― Eu o matei papai! Eu matei uma pessoa!
Klaus abraçou Hanna ainda mais forte e olhou o cadáver do garoto mais uma vez, depois olhou para Kol.
― Livre-se do corpo Kol. Alguém viu o que aconteceu?
Essa pergunta era dirigida a mim mais ele não me olhava nos olhos.
― Não.
Consegui dizer com um fio de voz. Primeiro porque se Klaus soubesse que Nathan estivera aqui ele iria querer matá-lo. E o outro garoto que veio me procurar não parecia assustado, e um garoto vendo outro morrer provavelmente ficaria apavorado.
― Vamos para casa.
Disse Klaus e seguimos para o carro enquanto Kol arrastava o corpo do garoto floresta adentro.
Hanna entrou no banco de trás comigo e eu passei o braço por seus ombros.
― O que ta acontecendo comigo?
Perguntou ela bem baixinho, sua voz estava mais que assustada.
― Porque eu consigo ouvir essas coisas? Porque eu estou sentindo essas coisas?
― Calma Hanna, em casa conversamos querida.
Murmurei acariciando seus cabelos.
O clima no carro estava mais que pesado, Klaus não me olhava nos olhos, e isso deixava uma sensação fria no meu estomago. Eu estava assustada por Hanna, por tudo que ela iria passar agora. Mas também estava assustada por mim. Por meu relacionamento com Klaus. E esse distanciamento não estava ajudando em nada.
Quando chegamos em casa Elijah e Hayley estavam a nossa espera, até Rebekah e Marcel estavam aqui. Todos soltaram um suspiro de alívio quando viram que Hanna estava bem, mas ao verem a expressão de Klaus e as lágrimas de Hanna todos nos cercaram imediatamente. Um silêncio opressor invadiu a sala, todos queriam saber o que houve, mas ninguém tinha coragem para perguntar.
Até que Hayley veio até nós e puxou Hanna dos meus braços. Ela e Klaus trocaram um olhar expressivo e um entendimento se formou. Ela sabia. Todos pareciam saber.
Então eles levaram Hanna para cima. Eu fiquei parada no meio da sala sem saber o que fazer ou dizer. Nenhum dos Mikaelson me olhava.
Eu não estava ouvindo o que eles falavam la em cima. Parecia tão errado me intrometer nesse momento. Eu me sentia excluída, mas do que nunca eu não me sentia parte deles.
Com o passar dos anos eu sentia que me encaixava cada vez mais a eles. Estávamos juntos e nos defendíamos, e hoje é a primeira vez em anos que eu me sentia irremediavelmente sozinha.
Subi para o meu quarto sem falar com ninguém. Hayley e Klaus estavam no quarto com Hanna e os demais me lançavam olhares de acusação e até um pouco de raiva. Tomei um banho e tirei aquelas roupas adolescentes. Vestindo um jeans e uma camiseta preta. Estava tarde e provavelmente iríamos dormir em breve, mas eu estava tão agitada e estranha que não tinha certeza nem mesmo disso.
Pareceu que se passaram horas, mas finalmente Klaus entrou no quarto. Sua expressão estava carregada e ele estava com os dentes trincandos. Eu podia ver emoções furiosas brilharem em seus olhos.
― Como ela está?
Perguntei me levantando.
― Tentando digerir tudo. Nunca tínhamos falado sobre isso com ela e eu nunca pensei que precisaríamos explicar sob essas circunstancia.
Ele caminhou até a janela e olhou a noite. O peso da culpa pesou em meus ombros tão forte que tive que apertar os lábios para não chorar. Caminhei até ele e toquei seu braço. Ele se retraiu e se afastou do meu toque.
Senti como se uma adaga perfurasse meu coração, coloquei a mão no peito sentindo um abismo enorme se abrir entre nós.
― Eu sinto muito. Nunca quis que isso acontecesse.
Ele não se virou e uma lágrima quente escorreu por meu rosto. Então me virei e sai do quarto. Queria ver Hanna, saber como ela estava. Encontrei Hayley saindo do seu quarto. Ela parou quando me viu.
― Hayley eu sinto muito, eu sei como você se sente mais...
― Não Caroline! ― Ela me interrompeu e eu vi o ódio brilhar em seus olhos. ― Você não sabe como eu me sinto, porque a Hanna é minha filha. E isso é algo que você não sabe e nunca vai saber.
Depois disso ela me deu as costas e saiu pelo corredor. Eu sentia garras afiadas comprimirem meu peito. Pela Hanna. Por mim. Por tudo que estava acontecendo. Hanna não era minha filha. Não tínhamos laços sanguíneos nenhum. E eu sabia que era isso que se passava na cabeça de todos agora. Que eu a abandonei. Mas eu amava Hanna como se fosse minha filha.
Bati na porta do seu quarto e entrei, com medo de ver a mesma raiva em seus olhos que tinha visto nos de Hayley. Mas não tinha raiva. Ela levantou da cama quando me viu e veio para os meus braços. Hanna confiava em mim. E eu sentia isso. Mas também sentia que não merecia. Encaminhei-a de volta para a cama e nos sentamos.
― Como você está querida?
Perguntei segurando seu rosto.
― Eu não sei. Nunca pensei que eu fosse... Isso. Igual ao meu pai.
― Fica calma Hanna. Com o tempo você vai conseguir controlar tudo isso, você vai ver.
Tentei fazê-la se sentir melhor. Apesar de eu mesma não me sentir assim.
― E como eu vou fazer tia, com a escola, Nathan... Com tudo?
― Vamos dar um jeito.
Falei e nos abraçamos. Mas eu não podia ajudá-la mais. Até porque talvez eu nem mesmo estivesse aqui.
A casa dos Mikaelson parecia fria e estranha. Eu não fazia parte deles. E agora eles precisavam de tempo para lidar com tudo isso. Eu não podia ficar aqui.
Me afastei de Hannah e segurei seu rosto.
― Olha, eu acho que não vou estar aqui... por um tempo. Mas eu quero que você saiba que pode contar comigo.
― Como assim não vai estar aqui? Meu pai brigou com você é isso?
― Não é nada disso Hanna, mas você precisa da sua família agora e...
― Mas você é minha família também!
Ela estava assustada e eu sabia que minhas palavras não estavam ajudando. Mas eu não via outra saída.
― Vocês precisam de um tempo Hanna, e eu estar aqui não vai ajudar em nada. Além disso vai ser só por um tempo.
― Não tia Care! Você não pode ir! Você é a única dessa casa que me entende, além disso não foi sua culpa, eles tem que saber disso! Eu pedi para você me deixar sozinha!
― Mas eu não deveria ter deixado Hanna.
― Mas deixou e é por isso que eu preciso de você. Toda minha família me protege, mas você é a única que deixa eu cuidar de mim mesma. Por favor tia Care!
Uma lágrima escorreu por seu rosto, e eu odiei vê-la ali.
― Eu sinto muito Hanna, mas eu não posso ficar.
Ela não disse mais nada e eu beijei sua cabeça.
Depois sai do seu quarto. Quando eu desci as escadas todos estavam reunidos na sala, mas nenhum deles me olhau, ou disseram algo. Apenas me deixaram ir.
Quando o ar da noite bateu em meu rosto eu precisei abraçar meu peito para suportar a dor lacerante que me invadiu. Eu não sabia o que fazer, nem para onde ir. Não havia lugar onde eu poderia ir. Estava deixando minha casa para trás.
Comecei a caminhar pela cidade sem prestar muita atenção por onde, ou quem passava por mim. Acabei parando numa praça e sentei-me num banco olhando as pessoas passarem. New Orleans não dormia. Havia pessoas por todo lado, música e dança... mas nada disso fazia com que eu me sentisse melhor.
Era tão estranho me sentir sozinha. Desde que me tornei vampira eu sempre sabia que eu tinha pessoas com quem conter e para onde ir se eu precisasse. Mas agora não. Eu não tinha ninguém. Não tinha minha família, e jamais teria. Isso foi arrancado de mim quando me transformei. Eu amava Klaus, e sempre amaria, mas nosso relacionamento estava marcado pelas coisas que nunca teríamos. Coisas que eu não poderia dar a ele, nem ter. Era muito mais fácil no começo. Mas o peso do tempo parecia esmagador agora, e todas as coisas que eu não tinha pareceram me arrastar para baixo e pesarem tanto minhas pernas que eu mal conseguia me mover.
― Oi! Boa noite!
Uma mulher parou na minha frente, com um cesta enorme cheias de flores artificiais feitas a mão. Ela era pálida e tinha longos cabelos negros. Parecia um pouco mais velha do que. Ela tirou uma flor da cesta e me entregou.
― Para dar sorte.
Falou-me ela e eu peguei a flor, pretendendo jogá-la fora assim que pudesse.
Nossos dedos se tocarem quando peguei a flor, e um sorriso se espalhou por seu rosto.
― Minha nossa! Serão gêmeos! Que lindo!
Encarei-a sem entender. Minha cabeça estava confusa e eu sequer tive vontade de pensar no que ela estava falando.
― O que isso quer dizer?
― Eu tenho um dom. Eu posso descobrir se um bebê será menino ou menina com apenas um toque.
Ela se sentou ao meu lado e eu revirei os olhos. Uma charlatã barata? O destino não ia mesmo com a minha cara.
― Sério?
Falei em tom de deboche, mas ela parecia muito animada.
― Claro que é sério!
― Acontece que eu não estou grávida.
Ela nem piscou quando eu disse isso.
― Mas isso não faz diferença, quando você for ter um bebê, eles serão gêmeos! Não é ótimo?
Ela esperava que eu me empolgasse com a noticia, mas se ela soubesse o quão ruim estava sendo minha noite ela com certeza daria o fora daqui.
― Olha só eu não quero ser grossa com você, mas isso não vai dar certo comigo. Eu não posso ter filhos, então se você puder ir adivinhar para outra pessoa seria ótimo.
Falei exasperada. Mas nem isso fez com que ela se tocasse.
― Mas isso não é problema para mim. E eu posso te ajudar.
Então ela pegou a cesta de flores que ela tinha colocado no chão e pegou uma outra flor. Mas essa era verdadeira. Uma enorme e linda rosa branca. Ela me entregou e eu a peguei, parte para fazê-la ir embora, parte porque ela era muito bonita.
― Deixei isso no quarto quando vocês fizerem amor, e você conceberá um lindo bebê. Ou melhor, dois.
Ela riu e piscou para mim. Bom, ser grossa não ia funcionar. Então teria que ser outra técnica.
― Obrigada! Vou deixar sim, espero que dê certo.
Forcei um sorriso e me levantei, ela fez o mesmo.
― Eu preciso ir agora. Ele está me esperando.
Mostrei a rosa para ela.
― Tchau. Não esqueça de deixar a rosa no quarto!
Falou ela enquanto eu saia de lá o mais rápido possível. Fui para o primeiro hotel que encontrei. Subi para o quarto sentindo minha mente exausta. Era uma das desvantagens da imortalidade, enquanto meu corpo estava perfeitamente bem minha cabeça estava uma droga.
Entrei no quarto jogando minha bolsa em cima da cama e jogando a rosa na lixeira do quarto.
Porque as pessoas gostavam tanto de tocar no ponto mais frágil das pessoas? Aquela charlatã barata estava a caça de mulheres desesperadas para aplicar um belo golpe. Aposto que se eu ficasse mais cinco minutos com ela, ela tentaria me vender um pacote completo com banhos fertilizantes e chás.
Revirei os olhos e fui até a janela olhar o jardim. Tudo que aconteceu hoje voltou para mim como um soco e a dor voltou a meu peito com tudo.
De repente um uivo cruzou a noite, o som era triste e furioso e fez os pelos da minha nuca se arrepiarem.
Então um movimento atraiu meus olhos no jardim. Um imenso lobo prateado estava parado na escuridão olhando para mim com seus grandes olhos verdes.
No mesmo instante eu soube que era ele. Era Klaus.
― Eu sinto muito.
Sussurrei de novo e o lobo uivou de novo, a dor era perceptível em seu lamento. Então ele sumiu na escuridão. Me deixando aos prantos. Sua dor era a minha. E estávamos tão longe um do outro que o futuro era uma imensa incógnita.
Em outro lugar de New Orleans...
A bruxa observou enquanto ela se levantava e ia embora segurando seu poderoso feitiço nas mãos. Então ela foi embora também. Era quase invisível pelas ruas. A escuridão parecia se desprender de sua pele. Ela jogou a cesta de flores no chão e está sumiu na mesma hora, deixando apenas cinzas em seu lugar.
Assim que chegou a seu esconderijo seu servo veio lhe saudar.
― Correu tudo bem Milady?
― Perfeitamente bem.
A bruxa sorria incontrolavelmente.
― Minha vingança está mais perto do que nunca.
― Tem certeza que ela vai manter o feitiço por perto?
― Talvez não por muito tempo. Mas é somente isso que eu preciso. Ele vai atrás dela. Um macho alfa não deixa sua fêmea sozinha por muito tempo. Você deveria estudar mais os animais Leon.
― Sua palavra é tudo que eu preciso Milady.
Respondeu o servo se curvando.
Ela ergueu um dedo um tocou a pele do seu rosto.
― É adorável ter você aqui sabia?
Falou a bruxa e caminhou pelo aposento. Agitada demais para ficar parada.
― E a sua parte, como anda?
― Tudo bem minha senhora. Quase todas as bruxas estão do nosso lado.
― Isso é muito importante. Porque assim que eles descobrirem, eles vão buscar bruxas de toda parte. Mas aí vai ser tarde demais.
A bruxa deu uma gargalhada agourenta que se espalhou pelo aposento como uma nuvem de maldade. O ódio em seus olhos era visível, e a maldade dos seus planos consumia cada pequeno espaço a sua volta.
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