Notas iniciais
Hey people, como estão? Cap novo, boa leitura. Bjinhos.

Passei a mão pelos cachinhos louros de Hanna e ela bocejou formando um lindo “O” com os lábios. Eu sorri para ela, e me sentei. Já estava na hora dela dormir e eu a coloquei no berço, a cadeira de balanço ficava ao lado de maneira que eu podia ver perfeitamente ela balançar os braços e sorrir, mostrando suas lindas covinhas.

Eu estava apaixonada por Hanna, fazia menos de duas horas que Hayley tinha saído e nesse meio tempo nos já brincamos, conversamos (na verdade eu conversei enquanto ela tentava morder o ursinho), trocamos de roupa... Eu quase não notei que o tempo estava passando.

Mas aqui estávamos nós, ela estava pronta para dormir, então eu resolvi contar uma história, sempre vi as pessoas fazendo isso nos filmes então quis testar para ver se dá certo.

― Era uma vez, uma linda princesa que vivia numa pequena cidade junto com seus amigos...

Dei uma pausa antes de continuar, mas uma voz me interrompeu.

― Então um grande e malvado vilão foi até a pequena cidade com a missão de roubar o coração da princesa.

Me virei e vi Klaus apoiado no batente da porta com os braços cruzados na frente do peito e sorrindo de lado para nós. Dei uma piscadinha para ele e me virei de novo para Hanna.

― Mas a princesa era esperta demais para o vilão roubar seu coração, então ele teve que se esforçar muito para isso.

Notei ele se aproximar e abraçar meus ombros, me senti tão confortável com aquele gesto, que era ao mesmo tempo casual e íntimo, e isso só me fez amá-lo ainda mais.

― Então o vilão teve que fazer várias coisas, incluindo massacrar e silenciar pessoas, tudo para conseguir cumprir sua missão.

Me virei para ele e empurrei seu peito de leve.

― Isso é uma história infantil! Você não pode dizer coisas como “massacrar”.

― Ah vamos lá Caroline, ela é minha filha, aposto que ela entendeu, e olha só, está até sorrindo!

Hanna sorria divertida para nós, provavelmente se divertindo com os adultos bobos que estávamos sendo agora. Eu me levantei da cadeira e ele me abraçou pela cintura. Apoiei minhas costas em meu peito e suspirei, feliz por estar ali.

― Então para evitar que o vilão falhasse em sua tão sonhada missão, a princesa entregou a ele seu coração e eles viveram felizes para sempre.

Me virei para ele e o beijei, ele apoiou a palma da mão em meu rosto e me beijou de volta lentamente. Depois de algum tempo nos separamos e olhei para o berço, Hanna parecia já estar adormecida.

― Você sabe que uma boa história tem que ter mais emoção não é?

― É uma história de ninar, queremos que ela tenha lindos sonhos, não pesadelos!

― Bom... Imagino que você também deva saber que ela não entendeu nada do que dissemos não é?

― Obrigada por estragar o momento Klaus...

Tentei me afastar, mas ele me puxou de volta, ele sentou na cadeira e eu sentei em seu colo, apoiando a cabeça em seu peito. Ficamos em silencio por alguns minutos, e minha cabeça começou a dar mil voltas, sobre nós, Hanna, Hayley, o casamento...

― Você já pensou em como seria se nos fossemos humanos?

― Não é muito difícil imaginar, eu teria morrido a mil anos e você provavelmente estaria em Mystic Falls namorando o quarterback.

― Não assim, quero dizer... Se fossemos um casal normal, e pudéssemos ter... tudo que um casal normal tem.

Ele ergueu meu rosto com o dedo e me encarou com a sobrancelha erguida como se não fizesse idéia do que eu poderia estar falando.

― Poderíamos ter uma casa, trabalho... Filhos.

Eu disse a última palavra tão baixo que qualquer outra pessoa não ouviria, mas ele era um vampiro e tinha ouvido perfeitamente bem.

Eu me encolhi um pouco enquanto ele processava o que eu tinha dito. Eu não queria me sentir assim, não queria parecer tão frágil e insegura, mas acontece que eu vi como ele olhava para Hanna, e sei o que eu mesma sentia por aquele lindo bebê dormindo ao nosso lado, e isso era um laço que jamais poderíamos ter.

― Você está perguntando isso por causa da Hanna? Ou porque eu te pedi em casamento?

― Não é isso Klaus, é que você e Hayley...

Ele pós o dedo sobre meus lábios me calando.

― Para começar não existe “eu e Hayley”, o que aconteceu foi uma noite com muito álcool, desejo e só isso. E acabou no segundo em que go...

― Eu realmente não preciso ouvir isso.

― Acabou Caroline, eu tenho uma filha com ela, mas isso nunca vai significar nada mais entre nós, o que eu tive com Hayley nunca chegará nem perto do que eu tenho com você.

― Mas será que isso vai bastar? Você nunca pensou sobre isso Klaus, mas agora você sabe que pode ter filhos, filhos que eu não posso te dar.

― Nem um milhão de filhos iriam me fazer deixar de te amar Caroline. Hanna é minha única filha, e você é a única mulher que amo e sempre vou amar.

Meus olhos se encheram de lágrimas com essas palavras, e eu me inclinei para frente colando nossos lábios. Sua boca era tão macia e tinha o gosto mais delicioso do mundo. O gosto de Klaus. Nos afastamos depois de alguns minutos.

― Você está com dúvidas sobre o casamento?

― Não! Claro que não! O casamento é a única certeza que eu tenho.

Minha negativa rápida e enfática pareceu acalmá-lo e ele sorriu, depois colou uma mecha de cabelo atrás da minha orelha.

― Eu sei que não deve ser fácil, afinal de contas você só tem dezoito anos, mas eu posso esperar quando você estiver pronta, pode ser daqui a um mês, daqui um ano ou dez. Eu quero te dar tudo que você sonhou, podemos nos casar aqui mesmo, e daqui a 5 anos termos uma cerimônia na praia em Cancun, e daqui a 10 anos uma cerimônia mais intima em Veneza, que tal? Essa é a beleza da imortalidade, posso te dar tudo que você quiser.

― Você faria isso por mim?

― Eu faria qualquer coisa por você.

― Então... Você acha que eu consigo preparar tudo em duas semanas?

Seus olhos se arregalaram um pouco, depois abriu um sorriso deslumbrante para mim.

― Você é Caroline Forbes, é claro que consegue!

Ele beijou meu rosto e eu encostei a testa na dele. Klaus podia ser tão inflexível as vezes... Mas em horas como agora ele me mostrava o quão importante nos éramos um para o outro e o quanto nosso amor podia ser a força que precisamos para enfrentar qualquer coisa. E agora nos casaríamos, em duas semanas... O MEU DEUS! Duas semanas?

Me levantei de seu colo num pulo. Ele se levantou junto e me encarou.

― O que foi?

― Eu só tenho duas semanas! Temos que ver os convites, as flores, o Buffet e...

Eu já estava a beira de um ataque de histeria. Era meu casamento, e tinha que ser totalmente perfeito, comecei a andar de um lado para o outro tentando resolver como iria ficar a decoração, branco? De uma cor mais forte?

Klaus me interrompeu no meio dos meus passos e colocou a mãos dos lados do meu rosto, depois me encarou, seus lábios formavam um pequeno sorriso.

― Caroline se acalme, nós somos vampiros, você faz as melhores festas que eu já vi, nós nos amamos, e vai dar tudo certo, está bem?

Respirei fundo e meu cérebro diminui um pouco o ritmo frenético que estava.

― Está bem, nós podemos fazer isso.

Ele sorriu e me abraçou, eu abracei seus ombros e ficamos ali parados só aproveitando o calor um do outro.

Depois de um tempo ele me soltou e me puxou para o corredor.

― Onde vamos? ― Perguntei a ele.

― Hanna está dormindo, e tenho certeza que assim que o sol nasceu você vai mergulhar de cabeça nos preparativos, então vou aproveitar o máximo de você enquanto eu posso.

Um arrepio de antecipação e desejo percorreu meu corpo inteiro. O desejo que eu sentia por ele era arrebatador e intenso, parecia me dominar de dentro para fora de um jeito que eu mal conseguia pensar em alguma coisa a não ser em estar com ele, em ser dele.

Antes mesmo de chegarmos ao quarto já estávamos nos braços um do outro, ele começou a arrancar minhas roupas e bateu a porta do quarto com o pé. E pelo resto da noite, nos entregamos ao amor e ao prazer de estarmos juntos, sem preocupações ou dúvidas, só nos dois bastávamos para sermos completos.

***

POV’S Kol

Quantos os primeiros raios do sol começaram a brilhar no céu eu finalmente voltei para casa. Não que eu realmente quisesse isso, mas estava me sentindo exausto e saciado. Meu corpo não estava de fato cansando, mas minha cabeça pesava quase uma tonelada, e eu tinha bebido tanto sangue que minha cabeça estava dando voltas e meu corpo parecia quase adormecido.

Empurrei a porta de qualquer jeito e subi para o meu quarto. Depois de uma noite tão agitada o silencio aqui parecia até deslocado. Arranquei minhas roupas e entrei embaixo do chuveiro, não me preocupei em deixá-las inteiras, afinal estavam tão sujas de sangue que seriam necessários litros de alvejante para fazer alguma diferença.

Enquanto a água morna escorria por meu corpo eu finalmente voltei a pensar em Davina. Ela parecia tão surreal agora, quase como um anjo em meio a confusão de sangue e excitação em que eu me encontrava desde que voltei a vida. Não era exatamente minha culpa eu estar tão excitado agora, mas eu tinha ficado morto por um bom tempo, e a falta de sexo é uma droga do outro lado. Só que eu me sentia estranhamente pervertido pensando nela ali, embaixo do chuveiro, com o pau duro e me lembrando do grande fora que ela tinha me dado.

Terminei o banho rápido e vesti uma boxer bem apertada na esperança de que estando bem apertado e imóvel, eu não me sentisse tão incomodado com isso.

Me joguei na cama e puxei as cobertas, não que eu estivesse com frio, mas era um gesto quase automático, como passar as mãos nos cabelos.

Davina era uma grande dúvida. Eu não entendia o que significa tudo que eu sentia por ela. Nem entendia exatamente o porque, ela era muito jovem, tinha uma beleza quase pura, mas eu não conseguia tirar ela da cabeça. Era como uma música que você não quer gostar, mas se vê lembrando e até cantando ela as vezes.

Ver meus dois irmãos e minha irmã amarrados até o pescoço com seus amores não ajudava em nada, era tanto romance naquela casa que provavelmente estava afetando meus neurônios, já seriamos danificados por estar morto, quer dizer morto de verdade, por todo aquele tempo.

Eu disse a ela que deveria ficar longe de mim, mas agora, depois de uma noite tentando me satisfazer com sangue e sem conseguir, eu me via desejando poder estar com ela, poder dizer que eu quero abraçá-la, vela sorrindo... Seu lindo rosto estava em meus pensamentos quando o sono me venceu e eu dormi.

***

Alguns minutos depois ouvi palmas bem perto do meu rosto e as cortinas se abrindo.

― Vamos lá Kol! Acorde, temos muito que fazer!

Puxei o travesseiro para cobrir a cabeça e tentei voltar a dormir, mas ela puxou o travesseiro e as cobertas.

― Caroline o que você quer aqui?

― Já está na hora de acordar! Nós temos um casamento para preparar!

Me sentei na cama e olhei para ela com os olhos quase fechados.

― Nós? Como assim nós?

Ela parou bem na minha frente e cruzou os braços na frente do peito, sua expressão era determina, como se não fosse aceitar um não como resposta.

― Rebekah está cuidando de Hanna, Hayley e Elijah ainda não voltaram, Klaus já saiu para se acertar com os lobos de bruxas, então só sobrou você para me ajudar.

― Não tem a menor chance de eu ajudar você.

Falei para ela já me arrastando para o banheiro.

― Nem se eu disser que você e Davina vão ser padrinhos juntos?

Parei na porta do banheiro. A simples menção do nome dela me acordou instantaneamente e eu me virei para Caroline.

― E porque você acha que isso faz diferença para mim?

Caroline ergueu uma sobrancelha para mim e deu um sorriso sarcástico. E acho que as pessoas poderiam ver a empolgação que eu senti se agitar em mim a quilômetros de distancia.

― Sério? ― Ela me perguntou ainda com a sobrancelha erguida.

― Ok ― respondi erguendo os braços em sinal de rendição ― Caso eu aceitasse ajudar, o que exatamente eu teria que fazer?

― Isso!

Ela estava quase quicando no lugar de empolgação, e para dizer algo a favor dela, essa loira realmente sabia como fazer as pessoas comerem na palma da sua mão.

Uma hora e meia depois, e com uma grande lista na mão eu finalmente sai da mansão. Antes que Caroline tivesse a chance de me mandar fazer mais alguma coisa.

Fui a um café, o mais próximo possível de casa, disposto a tomar a maior dose de cafeína que eu conseguisse achar. Parei num pequeno restaurante e pedi um expresso duplo, enquanto eu aguardava olhei em volta para as pessoas sentadas. Mais da metade deles eram seres sobrenaturais. Três vampiros, duas bruxas e um baixinho sentando sozinho num canto era com certeza um lobisomem. Eu não sabia bem se as pessoas não percebiam aquilo, ou se simplesmente fingiam não notar. Acho que no fundo elas sabiam, mas como já dizia o ditado, se você não pode com seu inimigo...

A garçonete trouxe meu café, e dei um grande gole, meu corpo quase estremeceu com o gosto de algo que não fosse sangue, mas eu bebi mais e aos poucos o gosto foi melhorando.

Para mim a pior parte de ser vampiro foi ter perdido minha mágica, e em segundo lugar era a sede por sangue. E o pior era que eu não queria e nem tentava controlar, era o tipo de coisa que você faz mesmo sabendo que não deveria gostar tanto e sabendo mais ainda que ia se sentir um lixo depois. E era assim que eu me sentia agora, como se tanto se sangue tivesse deixado algum tipo de ressaca, em que a solução é beber mais para conseguir se sentir melhor. A vida era mesmo uma droga.

― Oi.

Ouvi sua voz tímida e ergui os olhos. Davina estava lá, segurando um copo de café, e com aquele pequeno sorriso que fazia meu coração disparar no peito.

― Oi.

― Posso sentar aqui?

― Claro. ― Respondi rápido demais, ela assentiu e sentou na minha frente.

― Você parece cansando.

― Tive uma noite bem longa... ― Não consegui olhar seus olhos ao dizer isso. ― E assim que consegui dormir Caroline me acordou com uma lista gigante de “preparativos para o casamento”

Davina balançou um papel na minha frente, e eu reconheci imediatamente a caligrafia da minha cunhada loira nele.

― Aposto que a sua não é tão grande quanto a minha. ― Ela franziu a testa e olhou de novo para o papel, como se não soubesse por onde começar.

― Dá para acreditar nisso? Um casamento entre vampiros e ela quer que eu veja que sabores de canapé o Buffet tem disponível!

Falei com irritação, mas Davina me olhou e nós dois caímos na gargalhada.

― Bom... Se fizermos juntos, talvez não demore tanto. ― Ela falou isso de maneira tímida, e eu pisquei várias vezes tentando ter certeza que ela realmente tinha dito que queria passar um tempo comigo.

― Você tem certeza que quer fazer isso com um vampiro?

Ela ficou séria quando eu disse isso, mas seus olhos não deixaram os meus.

― Uma amiga me disse uma vez que temos que acreditar no lado bom das pessoas.

― Essa amiga por acaso se chama Caroline?

― Exatamente!

Ela acenou para mim e levantamos juntos.

― Tenha cuidado com meu lado bom Davina, você pode se apaixonar por ele.

Dei uma piscadinha para ela e saímos da lanchonete.

O resto do dia passou sem que eu sequer me desse conta. Entre bufês, floriculturas e papelarias, eu mal registrei tudo que deveríamos fazer. As cinco da tarde nos tínhamos finalmente conseguido dar conta da lista de Caroline, mas algo me dizia que ela já estava com outra preparada para o dia seguinte.

Acompanhei Davina até sua casa, e parei na porta. Ela se virou para mim e colocou uma mecha de cabelo atrás da orelha.

― Bem, missão cumprida!

― Missão cumprida! Formamos uma bela dupla!

Ergui minha mão para ela e ela bateu sua palma na minha, em um cumprimento. Mas assim que sua pele tocou a minha eu me dei conta da proximidade que estávamos. Seu pequeno corpo estava tão perto que se eu desse só um passo, eu poderia colar meu corpo ao dela.

Ela ergueu os olhos para mim e parecia tão consciente quanto eu da posição em que estávamos.

― Sim, nos formamos uma bela dupla. ― Ela concordou e seus lábios formaram aquele lindo sorriso, que já estava na minha lista de coisas favoritas na vida.

Estiquei a mão e toquei seu rosto. Ela não se assustou, ou se afastou do meu toque, apenas ficou lá e inclinou um pouco o rosto na minha palma. Eu fui me inclinando para ela deixando óbvio o que eu queria, para lhe dar a chance de se afastar se quisesse. Mas ela não o fez, pelo contrário, ela fechou a distancia entre nós e me beijou. Fechei os olhos deixando o momento me envolver, sentindo o calor de sua boca na minha, era tão absurdamente puro e tão devastador que eu me sentia deslocado. Quase como se pudesse levantar do chão.

Muito antes do que eu gostaria ela se afastou.

― Até mais. ― Falou ela e entrou.

― Até mais Davina.

Comecei a caminhar para casa, me sentindo tão feliz que chegava a ser estranho. E o mais incrível de tudo era que por mais que eu tenha passado um dia inteiro sem beber sangue, não era isso que eu estava pensando agora, e sim nos lábios de Davina, que eu ainda podia sentir seu calor sobre os meus.

Notas finais
E então, o que acharam? Comentem, viu? =D PS. O que acham de depois do casamento, termos alguns caps com Hanna já adolescente? :)