Finally.
1 Único - por enquanto..
Notas iniciais
As mãos trêmulas denunciavam seu nervosismo, o olhar intenso que o maior lançava em sua direção era intimidador e a fazia sentir-se vulnerável, nua, completamente indefesa.
– Gabriel... – sua voz falhou fazendo-a se amaldiçoar por sua completa falta de jeito – Eu nem sei por onde começar.
– Eu também não. – o maior soltou um suspiro pesado – Eu pensei que seria mais fácil. Pensei que quando te visse conseguiria dizer tudo o que tenho pra dizer...
– Mas...? – a menor mordiscou o lábio inferior tentando controlar sua aflição.
– Mas agora... – engoliu em seco – Olhando pra você... Ana, eu não sei o que dizer. – respirou fundo admitindo.
– Por que você nunca me deu um sinal? – ela perguntou de repente, o olhar de Ana para Gabriel era um misto de cobrança com súplica.
– Eu dei... – o maior começou.
– Não Gabriel, não deu! – a menor o interrompeu rapidamente – Ou se deu... Foi de um jeito bem torto... – ela riu sem humor.
– Eu sei. Eu sou torto. – Gabriel abriu um sorriso melancólico. Seus olhos estavam fixos nos de Ana, mas ele parecia estar olhando para o nada.
– Eu gostei muito de você, Gabriel. – Ana abriu um sorriso nostálgico relembrando os poucos momentos em que se sentiu correspondida.
– E agora? – o maior se aproximou em um movimento impensado ficando perto demais da menor.
– E agora o que? – a menor evitava o contato visual, Gabriel estava perigosamente perto.
– O que sente em relação a mim? – havia um brilho diferente no olhar do garoto, algo entre esperança e medo.
– Eu não sei... Eu tenho namorado e você tem namorada. Eu gosto dele, sempre gostei e... Sua namorada parece te fazer bem e... Gabriel, nós tivemos o nosso tempo, se não aconteceu... Talvez seja porque não era pra acontecer. Tivemos tantos momentos e em vários deles eu cogitei a ideia de te falar tudo o que eu sentia, mas você não era um cara fácil, era arrogante e eu tinha medo de como você reagiria, talvez risse de mim... – Ana vomitava as palavras sem se preocupar com coerência ou lógica, apenas jogava no colo de Gabriel todo o sentimento reprimido, amarrado e amordaçado que tentou esconder até de si mesma – Eu pensei que... – os lábios do maior se chocaram com os da menor com certa violência, as mãos frias de Gabriel seguravam gentilmente a nuca de Ana que paralisou no momento em que sentiu seu espaço pessoal ser invadido.
– Eu nunca riria de você... – ele murmurou afastando seu rosto do rosto da menor lentamente temendo sua reação.
– Por que fez isso? – Ana ergueu as mãos devagar firmando-as nos pulsos de Gabriel afastando-as de sua nuca.
– Eu precisava disso. – seus dedos deslizavam pelas mãos de Ana e quando sentiu que não havia resistência alguma da parte dela, entrelaçou seus dedos aos da garota.
– Eu não sei o que dizer. – a menor admitiu.
– Nem eu. – dessa vez o maior se aproximou com calma, o olhar estava fixo nos olhos da menor, ele esperou por algum tipo de sinal, foi quando ela fechou os olhos dando-lhe a permissão que precisava. Por alguns segundos ficou a admirar as feições que nunca pôde apreciar direito; os cílios longos, o rosto perfeitamente emoldurado pelo cabelo levemente ondulado, a pele clara em contraste com o cabelo escuro, os lábios cheios e rosados que tanto lhe instigavam... Ela estava ali, entregue a ele.
Os lábios de Gabriel tocaram os de Ana com tanta leveza que ela mal pôde sentir, mas foi o suficiente para fazê-la ter a sensação de uma corrente elétrica passando por todo seu corpo. O beijo fora calmo, suas bocas se encaixavam perfeitamente e deslizavam uma por sobre a outra em perfeita sincronia.
– Ana... – Gabriel começou, mas logo foi calado pelo dedo curto da garota a sua frente.
– Não agora. – Ana murmurou deslizando o dedo sobre os lábios do maior, logo passando para o rosto e lhe acariciando a pele coberta por uma charmosa barba mal feita.
Mais nenhuma palavra foi dita.
Gabriel estava com ambas as mãos firmes na cintura de Ana e conforme o beijo se intensificava, suas mãos passavam pelas costas até ter a cintura da menor completamente envolta em seus braços. Ele a apertava em si tentando se aproximar mais, aproximar seus corpos e pode sentir a evolução do beijo inicialmente inseguro para um totalmente consciente e intenso. Era melhor do que ambos haviam imaginado, era como se todo o medo e orgulho tivessem evaporado e finalmente estavam agindo com sinceridade um com o outro.
Ana entrelaçava os dedos no cabelo curto de Gabriel puxando-o com certa força, as mãos do maior agora passeavam pelo corpo da menor sem pudor e ambos começavam a ficar ofegantes.
– Eu... – a garota respirava com dificuldade – Preciso ir.
– Já? – ele soltou um suspiro pesada afastando o cabelo da menor e colocando uma mecha teimosa atrás da orelha dela.
– Não... – ela mordeu o lábio com certa força, irritada por não conseguir se afastar e com um movimento impensado, literalmente pulou no braços do maior que a segurou automaticamente dando início a mais um beijo repleto de sentimentos não mais reprimidos.
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