Notas iniciais

A partir de agora, meu querido amigo e parceiro Tyras colaborará com este fanfic, pra ver fazemos algo bem legal aí pra vcs

A Gaia do passado. Um mundo empolgante e aterrorizante, onde o desenvolvimento das atuais nações ainda estava no início. Airships eram um sonho distante, visto que o maior objetivo dos homens ainda era o mar, e não o céu. Vilarejos, e até mesmo civilizações de maior porte, e que não mais podem ser vistas, também compõem sua formação e, por trás das cortinas, uma guerra interplanetária que já durava milênios caminhava para um de seus momentos mais decisivos.

Madain Sari consolidava-se cada vez mais como uma pequena nação ao oeste do Outer Continent. O convívio harmonioso com os Eidolons garantiu ao seu povo o dom de deter seus poderes em prol da proteção do mundo contra quaisquer invasores. Mas nem sempre esse poder era administrado com responsabilidade e sabedoria, o que sempre resultava em conflitos internos.

A cidade tinha um formato quadricular, cercada por uma grande muralha rochosa. A única maneira de penetrá-la, além da entrada principal, era pelo porto, conectado à civilização por meio de uma pequena caverna subterrânea. No centro, localizava-se o templo do líder, a maior de todas as construções, ligado ao Eidolon Wall por meio de uma grande ponte de pedra. Naquele dia, em seu interior, Gohn, atual líder, discutia calorosamente com um de seus principais seguidores.

— Zera, você enlouqueceu!? Criar um Eidolon...como foi capaz de propor semelhante absurdo?

O homem de cabelos escuros e compridos à sua frente tinha olhos com um inexpressivo tom de mel, além de exibir constantemente um sorriso de canto de boca.

— Não há nada de absurdo nisso, a menos, claro, que esteja de acordo que o inimigo venha, faço um arraso dos bons por aqui e a gente vire comida de peixe.

— Falhamos com Alexander, o que o faz pensar que poderíamos conter o poder de uma criatura superior a ele?

— Ah, falhamos? Ou será que você mandou que inúteis incompetentes o fizessem porque não queria arriscar seus preciosos Summoners de elite?? — protestou, em tom de ironia

— Basta! Retire-se agora mesmo, e se eu souber que cometeu alguma imprudência, terá de pagar caro por isso.

Zera deu de ombros e saiu cantarolando qualquer coisa em voz baixa. Todos sabiam que era um homem cruel, perigoso e inconsequente, que gostava de agir de acordo com o que considerasse plausível, mesmo que todos ao seu redor afirmassem ser a maior das loucuras. Como também tinham muito medo de se aproximar dele por conta disso, Gohn era o único que o enfrentava sem recuar.

Assim que Zera se retirou, um ser materializou-se e caminhou para junto do líder.Tinha o corpo igual ao de um cavalo, embora fosse menor e sua pele parecesse feita de escamas e uma cauda peluda como a de uma raposa, além de pelagem volumosa nas patas, queixo e no pescoço.

— Oh, Kirin...temo que a Era das Trevas tenha caído sobre nosso povo. Estão todos alarmados com esse conflito e apelando para soluções imprudentes e arriscadas.

— Creio que cada um deva arcar com a própria responsabilidade. Mas, sendo o líder, você tem o dever de não permitir que se desviem, ainda que, para uns e outros, isso seja lutar contra sua própria natureza... — disse o Eidolon

Gohn não respondeu, apenas deu um grande suspiro enquanto acariciava gentilmente a pele de Kirin.

— Suas ameaças não representam nada para mim, seu grande tolo— disse Zera para si mesmo, quando já estava fora do templo— Muito menos essa patética guerra entre planetas...

Naquele mesmo dia, recebera dois de seus asseclas, que lhe traziam um pequeno baú:

— Aqui está o que o senhor pediu.

— Excelente! — exclamou Zera, abrindo-o e encontrando inúmeras joias coloridas— Esse brilho...essa vitalidade...serão uma oferenda realmente digna. E quanto ao paradeiro dos três fragmentos?

— Um foi realmente levado por aquele intruso.Os outros foram destinados a duas cidades de pequeno porte, no continente ao sul. — disse o outro homem

— Partiremos para lá, com discrição, amanhã— decidiu Zera, que havia se deitado sobre a cama, admirando as pedras uma a uma— Biggs e Wedge, vocês irão comigo.

— Sim, senhor— responderam prontamente

— E então mãe, como estou? — perguntou o jovem de olhos verdes e cabelos lisos e negros, de onde surgia um chifre que, inclinando-se cada vez mais, caiu no chão—Oops...

— Está vendo!? — disse a mulher que, antes nervosa, agora protestava com muito mais vigor— Já pensou se ele caísse por lá também?

Um pouco desorientado, o garoto, que deveria ter no máximo uns dezoito anos, pegou o chifre falso e sentou-se novamente em frente ao espelho.

— Só um pequeno contratempo.

— Evan, por favor, esqueça essa ideia. Não vê que pode estar arriscando sua própria vida!?

— Não exagere, mãe. Os Summoners são hostis, mas nem tanto.

— Nem tanto? — espantou-se a mulher— Já esqueceu o que aconteceu ao seu irmão?

— Aquilo foi um acidente.Você mesmo vivia me dizendo isso— disse o garoto

— Mas foi por causa...

— Mãe. Uma coisa não tem nada a ver com a outra. Então, não tente me impedir, ok?

Sua mãe ainda parecia indignada e enraivecida com a situação.

— Não entendo por que Althea escolheu um garoto como você, com tantos homens mais experientes.

— Althea não me escolheu, tampouco me obrigou a nada. Faço isso voluntariamente. E outra, não sou mais nenhum garotinho, já passou da hora de fazer alguma coisa útil.

A mulher resolveu se calar. Por mais que discordasse do filho, temia que uma proibição o levasse a cometer outra loucura.

Depois de finalmente conseguir recolocar o chifre de forma segura, se levantou.

— O barco que vai me levar parte em uma hora. Acho que já vou ficar esperando no porto.

Despediu-se de sua mãe com um abraço e, vestindo um capuz, o falso Summoner deixou a casa.

— Cuide-se, filho.

Evan era um jovem pouco conhecido em Thasima por ser muito fechado, introvertido e não gostar de sair de casa, e as poucas vezes que se ouvia falar dele, era devido às ocasiões em que havia tentado suicídio, o que começou depois da morte do irmão. Sua mãe, Marcie, temia que, no fundo, estivesse usando aquela missão como pretexto para qualquer atitude desesperada.

— ERA ATUAL —

Em seu palácio, no deserto, Kuja lia tranquilamente um livro quando pareceu se dar conta de todo o ocorrido bem longe dali:

— OeilGate...e o Herdeiro. Se aquele velho tolo estivesse vivo, teria um ataque cardíaco. Mas se o Zidane foi parar no passado...talvez isso até seja possível, não é mesmo? Hahahahahaha, se voltar com vida, terá histórias interessantes para contar.

Caminhou lentamente até a sacada, pondo a mão no queixo e dizendo a si mesmo, enigmaticamente:

— Mas não me entra na cabeça a teoria de haver um Eidolon com poderes superiores aos dos titãs...não um Eidolon...

O Hilda Garde aterrissou logo à frente dos desfiladeiros, de onde teriam de caminhar para chegar à erma localização de Oeilvert. Ainda recusando permanecer na nave, Raphael acompanhou Cid e Fratley até lá.

— Não entendo o que pode estar acontecendo comigo... — disse o mercenário

Cid, que estava perturbado ao vê-lo daquela forma, decidiu seguir com sua promessa de não mais lhe ocultar os fatos.

— Raphael...quero que saiba de uma coisa.

— ...

— Isso que você está sentindo...é idêntico aos sintomas da doença que a sua mãe contraiu.

Raphael não esboçou nenhum tipo de surpresa, mas ficou um bom tempo da caminhada com a cabeça baixa, pensativo.

— Então...ficarei assim até morrer.

— Não diga uma coisa dessas!! Não vai lhe acontecer nada! Eu não permitirei! Definitivamente as coisas não serão, para você, como foram para a sua mãe. — afirmou Cid

Entretanto, o rapaz manteve um sorriso falso pelo resto da caminhada.

— Já chegamos— disse Fratley, logo após a última curva

— Mas o que será aquilo...? — perguntou Cid, referindo-se ao OeilGate

No topo de Oeilvert, a preocupação era tanta que ninguém notou quando Belphein ressurgiu abaixo do portal, com um estranho brilho no olhar.

— Enfim... —sussurrou, flutuando devagar até o outro lado do OeilGate— Os longos séculos de espera terminaram.

— Eles foram sugados pelo portal!? O que faremos agora?

— ...temos de segui-los. Não só pelo Zidane, mas se Lark também foi, ainda existe a ameaça de ele despertar Chaos. — advertiu-os Freya

— Então já sabiam?

Steiner respondeu à pergunta de Garnet com um gesto.

— Esse miserável sempre precisa fazer burradas desse tipo... —queixava-se Amarant, ainda fazendo força para respirar

Foi só então que a jovem rainha notou seu cansaço, bem como o de Eiko, que também respirava com um pouco de dificuldade no colo de Freya.

— O que houve com vocês?

— Não sabemos. Eles começaram a passar mal, de repente...

— Comigo não precisam se preocupar; a pirralha e Garnet podem voltar pra Lindblum, e a gente vai atrás deles. — disse Amarant

— Não, eu também irei! — retrucou Garnet, prontamente, como se já aguardasse por esse tipo de comentário

— Majestade, por favor...todo mundo esteve preocupadíssimo com você nos últimos dias, não posso permitir que se arrisque novamente e...

— Steiner— interrompeu-o— Eu amo o Zidane, e também estou preocupada com Lark, que, apesar de tudo, é meu irmão...e a única família que me resta. Eu preciso impedi-lo de cometer esse erro, do contrário, muitas outras pessoas sofrerão as consequências.

— ...está bem, mas peço para que me deixe acompanhá-la!

— Certo, Steiner

\" Então nós também vamos para o passado...o passado...\" pensava o Black Mage, mas foi interrompido por vozes que vinham de mais abaixo.

— Garnet! Eiko!

— É o papai...

— Tio Cid!

— Garnet, minha querida!! Como você está!? Nos matou de preocupação.

Raphael soltou-se de Cid para que ele pudesse abraçar Garnet, que vinha ao seu encontro, mas não pôde deixar de notar o semblante de Amarant.

— Você está...

— Freya, o que houve nesse lugar!? — perguntou Fratley, olhando o rastro de destruição ao seu redor— Onde está Lark? E o que é aquilo no céu?

Mesmo depois que as explicações foram dadas, ainda restavam muitas dúvidas.

— Mas, por que Eiko também? — indagou o regente, que já a segurava em seu colo— E Amarant...não entendo...

— Não acredito que Lark fez isso... — protestou Fratley, incrédulo— Irei atrás deles agora!

— Fratley, não! Já passou por muitos perigos nessa situação, deixe que eu irei com os outros

— Mas Freya...

Fratley ainda tentava convencê-la, mas Steiner interveio, pondo a mão sobre seu ombro.

— Sabemos como se sente, mas também peço para que nos deixe encarregados disso de agora em diante. A rainha também está preocupada com seu irmão, e nós faremos o possível para detê-lo. Peço desculpas aos dois, caso isso soe como uma decisão egoísta ou imprudente, mas assumo total responsabilidade pelas três damas.

Todos o olharam com uma cara que misturava surpresa e dúvida.

— Ahhh, quero dizer, assumo a responsabilidade pelo grupo!

— Capitão...

— De certa forma, nem me surpreendo em saber que essa minha sobrinha já pretende se aventurar de novo... —ponderou Cid, e mudando para um tom de reprovação, prosseguiu— Mas você, mocinha, não vai a lugar algum e...

Foi nessa hora que se deu conta de que não havia mais nada sobre seus braços.

— Eiko!! Cadê você!?

— Papai! Até mais tarde...

Todos olharam para frente e viram a garotinha subindo lentamente em direção ao portal, acenando para todos. Havia flutuado até o outro lado sem que ninguém percebesse.

— Garota! Desça já daí!! — exclamou Cid

— Nós cuidaremos dela, tio. Conhecendo a Eiko, ficaria pior se não a deixássemos ir.

— Acho melhor irmos logo também— disse Vivi

— Eu também irei— disse Raphael

— Mas...

— Não me impeça— disse, e depois aproximou-se mais de seu pai— Quando eu voltar eu...eu posso ter algo para ser dito a você que talvez eu não tenha se me deter agora.

— ...

Cid calou-se, tentando compreender o filho e, ao mesmo tempo, imaginando o que Hilda diria se estivesse ali.

\" Deixe-o ir. Você também tomou muitas decisões importantes sem perguntar nada a ele. \"

— Bom, se já terminaram, vamos logo, sim? — disse Amarant

E assim, aquele grupo deu a volta até as proximidades de onde estava o pequeno altar destruído na luta, e entraram no pilar de luz que os guiaria ao céu, rumo ao passado. De longe, despediam-se de Fratley e Cid com acenos, e todos, pelo menos a maioria, estavam entusiasmados. Mesmo sabendo que tinham uma difícil missão, a ideia de viajar para quinhentos anos atrás era, no mínimo, interessante.

-—Não se solte de mim, majestade! — disse Steiner, com seu braço junto ao dela

— Não se preocupe, Steiner...e não precisa me apertar tanto!

— Cuidem-se vocês todos!!- gritava Cid

— Tomem muito cuidado! — disse Fratley, sabendo que, no fundo, aceitara aquilo por que sabia que não tinha direito de impedir Freya, depois de ter partido tantas vezes contra a vontade dela

Continuaram acenando até que, por fim, eles desapareceram no portal.

— Eiko, Garnet, Raphael...e todos vocês, por favor, tomem muito cuidado...

— ESPEEEEREEEEEEEEEEEEEEM!

— Huh?

Cid e Fratley olharam para trás e depararam-se com Quina, quase esbarrando neles ao passar correndo em alta velocidade e, com um grande salto, entrando no pilar de luz.

— ...de onde ele surgiu?

— ...sei lá...

Enquanto isso, em algum lugar, muito distante dali, em distância e tempo:

— ...argh...onde eu estou?...

Zidane levantou-se lentamente, tentando identificar o que havia ao seu redor. Agitou a cabeça várias vezes, pois achara que a tontura não o deixava enxergar com clareza, e só depois percebeu, de fato, o que acontecia.

— Névoa...

Tentou dar uns passos para a frente, mas esbarrou em alguma coisa. Não parecia ser uma pedra, pois não era um objeto duro. Ao abaixar-se para verificar, descobriu ser na verdade um corpo caído no chão. Seu primeiro intuito foi o de tomar a pessoa nos braços e balançá-la, para ver se despertava, e só depois percebeu de quem se tratava.

— ...Lark?...

***IX***

No próximo capítulo: \"Eu protegerei a rainha custe o que custar...huh?...o que estão fazendo!? Não somos seus inimigos!! \"

Notas finais

Reviews, please