Final Destination 4: Case 180
13 Capítulo 13
Notas iniciais
Depois de tudo, não tenho nada a dizer.
Vocês todos sabem que o Vini da fic não sou eu.
Pois é, ele tá aqui do meu lado e me contou essa história em uma noite. Eu sou apenas um repórter esquecido no underground do horror geek.
Enfim, aqui vamos nós.
Pouso o notebook no banco do meu carro e abro a porta. Caio de joelhos no gramado do hospício e vomito.
A chuva está caindo e eu vomito muito.
Lanço um olhar ao redor e percebo que estou ainda totalmente sozinho.
Agora existem muitas informações para eu tentar repassar para minha mente.
E eu sei que se eu forçar todas as informações de uma vez, eu vou acabar explodindo.
Limpo a boca com a costa da mão e recuo até me apoiar de costas na lataria do carro. E ao fazê-lo, tenho um flashback de quando me arrastaram desmaiado até a parede do quarto de Emery. Poça de sangue.
Merda.
O que a câmera de Rafa nunca filmou e o que Carol nunca irá saber, foi que eu fiquei preocupado com a ligação dela minutos antes. Ela me perguntara o que eu estava fazendo e eu disse que estava ocupado.
E então ela disse que iria assistir um filme com Will e desligou.
Foi aí que eu tinha me dado conta de que Carol nunca fazia ligações assim e eu senti que algo estava muito mais do que errado. Eu fui até o prédio e me encontrei com André na entrada. Ele me contou que Will tinha ligado e dito onde estava. André achou que Will estava muito estranho e decidiu ver o que estava acontecendo.
Entramos no prédio e subimos as escadas correndo, mesmo sem saber o que estava acontecendo.
A porta estava entreaberta e entramos. O que eu vi foram seringas e dois corpos. Will estava caído no interior da estrutura retangular da mesinha de vidro, as mãos e o rosto ensanguentados devido aos cortes causados pelos cacos. Carol estava capotada no sofá, de ponta-cabeça para o outro lado, os olhos muito abertos encarando o nada na claridade que entrava no apartamento pela janela. A pele muito pálida. O cabelo esbarrando no chão.
Para a polícia foi suicídio. Mas agora, eu sei que foi apenas um acidente, e isso é suficiente para mim.
Pelo menos para mim.
Inclino-me para frente novamente. Vomitar.
- Jesus! — ouço uma voz feminina quase sussurrando a alguns metros de distância. Ergo os olhos do chão até ver uma funcionária do hospício me encarando – você está horrível de novo e tem algo nojento na sua barba.
- Eu... eu não sou Jesus – eu digo com meu maior ar de pessoa sã e fungo o nariz. - E isso é vômito.
***
Três da tarde.
Pelo menos é o que meu relógio indica. O sol está brilhando e a chuva parou.
Do pico gelado é possível obter uma vista maravilhosa, mesmo quando se está sozinho.
Pois não importa o quanto sua vida esteja uma merda desgraçada, você vai se sentir vivo e livre no pico gelado.
Carol e Will tiveram um acidente. Eles injetaram a droga na ordem errada. Erro humano, acerto da morte. Simples e surreal. Apenas isso. Nem heróis e nem perdedores, apenas humanos.
Eu sei que existem pessoas que discordam disso. Eu sei que existem pessoas que vão dizer que isso é apenas uma história boba que eu inventei para escapar da triste realidade de suicídios adolescentes.
É bom estar aqui no pico novamente. Traz um estranho gosto do passado.
Falando em gosto, a propósito, minha camada de gelo se desfez com vômito. Eu chorei pouco de manhã e foi o suficiente. EU estava cansado. EU vivi tudo de novo.
E metade da minha dor não precisou ser expelida em choro, pois foi arrasada pelas sensações que eu tive ao descobrir o final do DVD #4.
Que belo twist.
***
Levanto-me tranquilamente enquanto observo um avião riscando o céu brilhante de São Paulo. Isso tudo está me deixando muito mais calmo a cada segundo que passa. Suspiro e ando em direção à ponta do abismo.
Mesmo com o sol, é facilmente perceptível a mudança do ar. Próximo ao abismo, ele é mais leve e mais acolhedor. Quase como estivesse me convidando a me embrenhar nele.
E eu vou.
Estico os braços no abismo e ergo o case que André me entregou e levanto a tampa. Observo os inúmeros cacos dos DVD’s que eu estraçalhei num acesso de fúria enquanto dirigia de volta pra casa com minha mãe me seguindo atrás, furiosa. Sei que existe uma cópia dos DVD’s em algum lugar, mas não estou totalmente preocupado.
Na verdade, eles é que vão se embrenhar no abismo..
Eu giro o pulso e viro a caixa de ponta-cabeça. Os pedacinhos se soltam na gravidade em câmera lenta, quase que deslizando, fatiando através do ar leve. Eles brilham ao serem refletidos no sol. Eles dão réstia no meu olho, eu solto o case completo no abismo e recuo observando a pequena chuva de memórias.
- Merda.
Sempre um palavrão. Como Carol dizia: um palavrão para cada frase. É necessário? Incorrigível.
“Palavrões expressam inúmeros sentimentos” – é o que Will diria. Então ele iria cheirar um livro. Incorrigível.
Volto até meu carro com o calor queimando minhas costas.
Não estou triste. E como Carol dizia: se te faz feliz, não pode ser tão ruim.
Fecho a porta e observo o notebook no banco ao meu lado. Desvio o olhar e encaro o horizonte.
Acho que o tempo nunca esteve do lado dela. E nunca mais vai estar.
Ainda posso ver o abismo da cidade a alguns metros. E eu não consigo finalizar essa linha de raciocínio e nem filosofar sobre o abismo, pois pensei demais no último dia.
Eu sei que estou vivo e é hora de seguir em frente, sozinho.
Ligo o motor do carro. Estou finalmente pronto.
E eu estou indo embora.
Pra casa.
Notas finais
Muito obrigado a quem deixou reviews (estão no meu testamento) e quem apenas leu.
Muito obrigado a quem topou ter o nome nessa fic e leu. Vocês são demais.
Obrigado a quem tem o nome nessa fic e está simplesmente cagando e andando. Vocês também são meus amigos e eu não julgo (haha), vocês também são demais.
Eu gostaria de reviews. Recomendações seriam foda. Enfim, vocês é que me deixam assim, over the top.
Obrigado obrigado e obrigado.
Versões revisadas e com adições surgiram em breve. Se algum de vocês é maníaco por versões alternativas como eu, stay tuned.
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