Final Boy
1 Uma ferida se abre
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—Eu nem acredito que fui convencido a vir em uma festa como essa. –No banco carona de um carro, resmungava um garoto enquanto o amigo manobrava para estacionar-.
—Ah vai ser divertido, não tire conclusões precipitadas. –O amigo olhava pro lado procurando vaga-.
—Um bando de "playboyzinhos" e "pattys" se drogando ilicitamente a noite toda. –Sorriu-.
—Fez bem em dizer em por ilícito na sua frase porque você também se droga. –Sorriu de volta-.
—Eu sei, mas estou de acordo com as leis, não dirijo bêbado , não fumo em ambiente fechado, só causo mal a mim mesmo.
Parker Reichert, o garoto que reclamava da festa e Dylan Matthews o garoto que dirigia são colegas de quarto. Se tornaram amigos desde que entraram na universidade. Inicialmente, quando se conheceram, não acharam que dariam-se tão bem por terem personalidades bem diferentes. Parker, o garoto do banco carona era um pouco introspectivo, enquanto o amigo Dylan fazia mais o tipo festeiro. Exceto o tamanho que era igual –cerca de 1,70 cm- , em aparência os dois também se distinguiam bastante. Parker tinha um tom de pele cor de jambo e cabelos castanhos aparados. Apesar de não ser descendente de oriental, seus olhos eram um pouco puxados, de tom acinzentado. Um olhar que ninguém sabia dizer se era enigmático ou apático. Dylan tinha um tom de pele bem claro, cabelo castanhos e liso com franja, alguns fios eram loiros de luzes. Seus olhos eram azuis e vívidos. O garoto era totalmente padrão europeu. Na questão do físico, Parker era um pouco mais forte que Dylan, mas nada muito substancial. Parker usava uma roupa bem genérica do tipo achada em lojas de departamento: calça jeans, tênis e uma blusa neutra; Dylan, por outro lado, usava roupas de grife, ele combinava o blazer vinho e calça com uma camisa polo escura para contrabalancear as cores vívidas com o neutro, assim como os sapatos sociais eram escuros para seguir a mesma regra.
—Vamos lá? –Chamou Dylan-.
—Estou sentindo que vou precisar de muito álcool. –Suspirou Parker-.
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A festa estava agitada. Som alto, bebida e comida a vontade, pessoas bonitas, ambiente jovial, bem típico de uma festa universitária. Dançando de forma contida, segurando uma long neck de cerveja na mão, Parker observava Dylan dançar e se divertia com o amigo desinibido, ora ou outra ele o puxava, fazia Parker deslizar as mãos pela sua cintura, fazendo-os parecer que até eram um casal.
—Sério, eu realmente te amo! –Dylan Cochichou no ouvido de Parker-.
—Até que você também não é nada mau –Riu –Também te amo, mas é a última vez esse ano que vai ouvir isso. –Parker Sorriu-.
—Já é um avanço! -Dylan Parou de dançar. – Vou ao banheiro, fica ai!
A fila do banheiro estava grande e como Dylan estava com a bexiga a ponto de estourar, decidiu sair da mansão e ir até uma moita para aliviar-se.
Enquanto isso, Parker aguardava e olhando para o relógio, percebeu que já fazia 10 minutos que Dylan tinha saído. Teve um mau pressentimento e decidiu procurar.
Após um tempo sem sucesso de encontra-lo, decidiu ir para um lugar silencioso do lado de fora para contacta-lo pelo celular, que começou a chamar até cair na caixa postal. Continuou ligando e a medida que o celular tocava e ninguém atendia começou a desesperar, sabia que tinha algo de errado e a cada minuto que passava, sentia um aperto no peito. Então imaginou que poderia ter ido pegar algo no carro e correu até o estacionamento tentando ligar mais uma vez para ele e parou quando ouviu o celular do amigo tocando, decidindo seguir o som do aparelho. Quando alcançou o som, viu que o celular estava jogado no chão perto da moita onde Dylan tinha parado para urinar. Parker tentou traçar uma rota imaginária por onde o amigo poderia ter ido e entrou no jardim da mansão.
Mais a frente distante de tudo, encontrou-o jogado no chão com mãos e braços amarrados, boca amordaçada e olhos vendados. Em cima dele havia uma homem com uma faca que para Parker aparentava ser um punhal e atrás da cabeça de Dylan, um outro marcava a sua testa com um símbolo extraído do próprio sangue do garoto. Ambos estavam mascarados.
—Ei! –Gritou Parker-.
Imediatamente Parker pegou uma pedra de tamanho considerável e jogou na cabeça de forma certeira no homem que portava o punhal, atordoando-o. O outro foi na sua direção e quando se aproximou, Parker sacou do bolso uma arma de eletrochoque feito exclusivamente para defesa pessoal, acertando-o no pescoço. Correu até o amigo e usou novamente sua arma no mascarado que tinha acertado com a pedra pra diminuir os riscos de ser surpreendido. Usou a adaga do inimigo cortou rapidamente o que prendiam Dylan, tirou a venda dos olhos e o que o amordaçava.
—Parker... –Dylan Parecia tonto e confuso, provavelmente por causa da pancada na cabeça-.
—Dylan, vai ficar tudo bem... –Parker Levantou-o e envolveu o braço dele em seu pescoço para dar apoio. –Você pode andar?
Ele balançou a cabeça de forma positiva.
Segurando Dylan pelo braço e cintura, Parker corria tentando forçar o amigo a acompanhar seu ritmo ao mesmo tempo que ligava no celular para pedir ajuda.
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No hospital, Parker aguardava sentado, enquanto Dylan fazia uma tomografia e outros exames para conferir se não houve fratura grave na cabeça. Após a adrenalina ter passado começou a tremer e sentir muito medo. Medo por sua vida, pelo do amigo, era uma situação muito estranha. As pessoas o chamavam de neurótico por andar armado com uma arma de eletrochoque, até começou a acreditar nisso, porém a partir desse momento decidiu que nunca mais ligaria para a opinião alheia;
—Você está bem?!
Surgiu um homem abordando Parker na sala de espera. Ele era era um rapaz ruivo de olhos verdes, tinha 1,78 de altura, corpo magro, longilíneo e definido. Estava com um capacete na mão e completamente trajado de preto. Calça jeans rasgadas no joelho, camisa justa evidenciando o peitoral definido, botas coturnos.
Parker se levantou e sentiu-se aliviado.
—Sim. –Parker sorriu e após alguns segundos saiu algumas lágrimas que tratou de enxugar imediatamente-.
Brand deu-lhe um abraço rápido e em seguida olhou-o.
—Quer fumar um cigarro e me contar a história toda? –Brand observava-o-.
Parker balançou a cabeça respondendo positivamente.
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—E você fez isso sozinho? –Na frente do hospital, questionou Brand, enquanto dividia um cigarro com Parker -.
—Sim. –Parker olhava para frente-.
—Parker... –Fez uma pausa. –Você ta me escondendo alguma coisa?
—Como assim? –Parker dirigiu o olhar para Brand-.
—Como um civil consegue fazer isso? –Questionou Brand mais uma vez-.
—Não sei... Eu apenas fiz. –Deu uma pausa – Eu não fiz nenhum movimento especial, eu só joguei uma pedra e usei meu “stun gun” (arma de eletrochoque). –Parker justificou-.
—Acho que você tem um dom natural, notei que você consegue usar qualquer coisa do seu ambiente e improvisar. Você já ouviu que há pessoas que tem habilidades natas? –Brand perguntou-.
—Mas todo mundo tem aptidão para alguma coisa. –Confuso, Parker deu essa resposta-.
—Eu nunca treinei acrobacias, nem fiz ginástica olímpica, estou treinando artes marciais há apenas uns 3 anos, mas sempre soube como fazer, não sei como, mas soube. –Explicou Brand-.
—Isso é surreal. –Parker Impressionou-se. –Mas no meu caso não acho que seja isso. Eu lembrei de outro detalhe, os homens que tentaram matar o Dylan pareciam nazistas. O símbolo feito com sangue, era um nazista. –Parker deu um trago no cigarro-.
—Filhos da puta... –Brand rangeu os dentes-.
—É bem possível que seja alguém da Universidade...Eu vou investigar! –Falou Parker-.
—De jeito nenhum! –Brand agarrou-o pelo braço-.
—Você pensa que me dá ordens... –Parker sorriu-.
—Sabe que eu acho que no fundo você gosta... De um homem agressivo, que te domine e te faça gritar implorando por mais! –Brand segurou-o pela cintura e puxou pra perto-.
—Vulgar... –disse segurando seu rosto-.
Brand beijou-o com selinhos alternando com olhadas intensas.
—Namora comigo! –Brand surpreendeu Parker-.
—Você é anti-climax mesmo. –Sorriu retribuindo o carinho. –Ainda temos 10 minutos, a gente pode aproveitar esse momento fazendo... –sussurrou baixinho-.
Brand sorriu de forma safada.
—Você me surpreende sempre. Por trás desse garoto que se mostra tão controlado, tendo essas atitudes impulsivas. Eu vou te dar a moral, Parker, você é meu e de mais ninguém! –Brand deu mais uma apertada no garoto puxando-o para si-.
—Que seja... –Parker riu. –
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Dentro do carro de Dylan, os dois começaram a trocar beijos intensos. Brand estava deitado no banco carona de trás com Parker por cima dele. O ruivo enfiou por trás a mão na calça do moreno estimulando-o. Debrulhado em prazer, desesperadamente Parker abriu o zíper da calça de Brand.
Para os dois, dez minutos foram mais que suficientes.
Após o ato sexual consumado, sentado no banco dianteiro da parte carona, fumando um cigarro, Parker olhava para a janela de forma vaga e distraída.
—O que foi? –Perguntou Brand-.
—Nada... –Respondeu de forma seca. Brand inclinou-se para beijá-lo, mas Parker o impediu virando o rosto. –Já conseguiu o que queria por hoje. –Sorriu -.
—O que eu queria...? –Ficou confuso. –Por que você fica assim toda vez que fazemos sexo?
—Assim como? –Olhou-o-.
—Esquisitão...
—Impressão sua... Vamos, já passou do tempo que o médico estabeleceu. –Saiu do carro-.
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—Fico aliviado que você não teve nada grave. –Disse Parker ao ver Dylan estava bem, apenas com um curativo na cabeça-.
Passado o susto, os três saíram do hospital. No carro, no banco traseiro, estava Parker e Dylan. Parker deitava a cabeça de Dylan sobre seu ombro, Brand dirigia.
—Vamos ficar uns dias no apartamento do Brand, ta bom? Amanhã eu pego seu carro. –Parker comunicou ao colega-.
Dylan apenas balançava a cabeça como uma criança assustada, apenas querendo proteção e um afago.
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