Final Alternativo Destino do Tigre
2 Algumas surpresas
Notas iniciais
Já fazia alguns meses que Ren e eu tínhamos nos estabilizado de vez no Oregon. Nossa maior fonte de renda era devido aos negócios de família de Ren, e como eram lucrativos, não havia necessidade de eu arrumar um emprego que me cobrasse muito. Na verdade, a questão de eu querer trabalhar incomodou um pouco Ren, aquele lado defensivo de tigre ainda se fazia presente, e ele sempre sentiu a necessidade de me proteger. Mas conversamos e eu expliquei pra ele que não havia problemas, e que eu realmente queria arranjar o que fazer ao invés de virar uma dona de casa. E então decidi trabalhar com literatura, trabalhava meio período em uma livraria que ficava bem próxima ao parque de exposições, onde conheci meu tigre.
O dono da livraria era um senhor que me fazia lembrar um avô. Estava sempre bem humorado, e adorava conversar sobre as histórias que já tinha escrito quando mais novo. Matthew Davis tinha uma neta que trabalhava apenas no verão, ele sempre dizia que ela estava guardando dinheiro para entrar na faculdade, que ela era a neta mais inteligente que ele tinha. Eu me vi naquela menina. Gostava de ler, de estudar. Ela sempre foi simpática comigo.
Sr. Davis sempre desconfiou de que eu não tinha necessidade do emprego, afinal, eu já tinha pouco mais de 25 anos, e para ele, eu deveria estar trilhando o caminho da minha vida. Mas nunca disse isso para mim, entretanto, eu percebia que ele desconfiava de que eu possuía mais dinheiro do que aparentava.
Oras... Eu trabalhava porque gostava.
No final da tarde, depois de me despedir de Sr. Davis, entrei no meu carro e fui para casa.
Assim que entrei na garagem, notei um carro estacionado na frente de casa, era uma coisa incomum, mas guardei a curiosidade e passei pela porta da frente.
Então escuto duas pessoas conversando, rapidamente reconheci as vozes: Ren e Sunil.
— Olá pessoal. Como estão as coisas na Índia, Sunil? – Encontrei ambos conversando na mesa da cozinha.
— Oi Kelsey, estão bem. Como você está? – Ele me olhou, e levantou para me abraçar. Aceitei o abraço de bom grado.
— Estou bem. – Sunil se sentou de novo, dei um beijo no rosto de Ren e fui tomar um banho.
Dentro do chuveiro eu fiquei pensativa. Era difícil, tanto Nilima, quanto Sunil virem para os Estados Unidos.
O que será que Sunil veio fazer aqui?
Ou Sunil veio fazer uma visita super rápida, ou já estava aqui há um tempo. Assim que saí do quarto, já pronta, ele não estava mais na casa.
— Sunil me deixou encarregado de dizer tchau por ele. – Ren estava sentado no sofá lendo uns papeis, que julguei ser sobre seus negócios já que estavam em hindi. Ele levantou e me puxou pra se sentar com ele. E ali me beijou – Mas o beijo é por minha conta.
Achei graça e devolvi o beijo.
— Então, o que Sunil veio fazer por aqui? Algo super secreto? – perguntei brincando com a barra da camisa.
Ren achou graça da minha pergunta, me olhou e respondeu:
— Sunil decidiu que quer estudar, fazer faculdade aqui. Veio para que eu pudesse ajudá-lo com isso. Mas ainda não tem ideia das matérias que quer estudar. Talvez foque em economia, por conta do trabalho.
— Jura? Isso é incrível! Mas quem vai administrar as coisas com Nilima?
— Não sei bem, mas parece que ele vai conseguir conciliar tudo. Acho que acompanhar, mas por meio de conferências.
A notícia era de se entusiasmar mesmo, mas fiquei pensando em Nilima, pra ela seria um trabalho intenso.
Ren tirou minha atenção dos pensamentos, e começou a beijar meu pescoço. Fui puxada pro seu colo.
***
O dia amanheceu gostoso, era sexta feira. Levantei cedo, tomei um banho rápido e decidi fazer o café da manhã.
O café já estava passado, e eu estava terminando de fazer panquecas de chocolate quando Ren se sentou. Tive a impressão que ele estava rosnando pras minhas costas.
— Por acaso você está rosnando pra mim? – me virei e apontei a espátula pra ele, rindo.
— Estou com fome, e esse cheiro está chegando até o quarto. – ele fez cara de choro.
— Que abuso, hein Sr.Rajaram? – respondi e entreguei a ele um prato com um monte enorme de panquecas quentinhas. E ele me agradeceu com seu lindo sorriso.
Após o almoço Ren disse que ia passar a tarde com Sunil, olhando casas perto da universidade. Eu me arrumei rapidamente e rumei para a Livraria.
Hoje ela estava movimentada, o início das aulas estava próximo, e havia muitas crianças pela loja. Hoje era meu dia de cuidar do caixa, mas percebi que Sr. Davis ia se sentir melhor ocupando meu lugar, e eu o dele. Então, ajeitei meu avental e convenci-o a se sentar atrás do caixa, enquanto eu me apressei para atender muitas crianças entusiasmadas, e adultos com listas de materiais a serem comprados. No final do expediente, eu estava exausta.
Quando passei pela frente da casa, estava tudo escuro.
Será que Ren ainda não chegou em casa? Já são 6h30.
Estacionei meu carro na garagem, e para minha surpresa, o carro dele estava na vaga. Achei estranho. Recolhi minha bolsa e entrei pela porta.
A casa estava vazia, não se ouvia um ruído lá dentro. Subi as escadas e dei com Ren saindo do chuveiro.
— Meu Deus! Que susto. Não tem nenhuma luz acessa, nenhum barulho. Já estava começando a imaginar coisas. – reclamei.
— Iadala, jamais faria alguma coisa para te assustar. – ele me abraçou, e segurou meu queixo, erguendo ele pra cima.
Beijei-o. Beijei meu príncipe indiano com amor, com todo o amor que sentia por ele.
Ele me soltou e disse para que eu tomasse um banho e me arrumasse, porque iríamos sair para jantar.
Tomei banho e lavei meus cabelos. Eu os tinha cortado recentemente, desta vez Ren não reclamou. Estavam um pouco mais curtos que o meio das costas. Eu gostava, não dava tanto trabalho para cuidar.
Saí do chuveiro e espiei a roupa que Ren estava usando.
Uau! Ele está todo arrumado. Onde será que vamos jantar hoje?
Decidi me arrumar à altura também, passei um pouco de rímel nos meus cílios, um batom com tom rosado. Escolhi um vestido de alças com um tecido de seda molhada, que ia até metade das coxas, e um sapato de tiras que combinavam. Olhei-me no espelho, e uma garota diferente me olhou de volta. Ela era bonita, confiante em cima dos saltos agulhas. Me senti intimidada por mim mesma.
Quando desci, Ren estava na sala me esperando. Ele levantou o olhar e sorriu com malícia assim que me viu, corei na mesma hora.
Ren dirigiu por alguns minutos e estacionou o carro em frente a um restaurante que se chama Andina Restaurant. Era bonito, e julguei ser caro, mas era tão aconchegante.
Possuíamos uma reserva. Fomos conduzidos para uma mesa perto das janelas. Havia uma brisa quente no ar, o verão estava acabando, logo chegaria o frio.
A comida era deliciosa, Ren me explicou que era um restaurante com comidas peruanas, e eu fiquei tentada a viajar pela América do Sul.
— Você gostaria de visitar o Peru? – Ren me perguntou depois que me viu fascinada com o sabor da comida.
— Não somente, mas vários países da América do Sul.
— Então vamos! – Eu ri do entusiasmo dele, mas eu não podia simplesmente largar tudo e embarcar em uma viagem para o Peru. Quem ia ajudar o Sr. Davis na livraria? A neta já não estaria mais lá...
—Vamos pensar sobre o assunto. – Sorri para ele. Aqueles lindos olhos azuis me encaravam com diversão no rosto. Ren parecia um pouco inquieto, eu diria que até um pouco nervoso. Mas eu não saberia dizer o motivo, então arrisquei:
— Está tudo bem com a empresa? Sunil te deixou chateado por decidir vir pra cá estudar?
— Não. Claro que não. Não está acontecendo nada, Prema. Pode ficar tranquila, e aproveitar a torta de pêssego com creme que está vindo para a sobremesa. – concordei com a cabeça e sorri por conta do comentário da torta. — Eu adoraria experimentar uma.
Corei imediatamente e lancei um olhar para ele, que riu de mim.
Assim que acabamos nosso jantar, Ren quis dar uma volta pelo centro. Estávamos passando por uma pequena ponte que ficava sobre um pequeno rio.
Ren me abraçou pros trás e ficamos assim por alguns minutos. Ele começou a beijar minha nuca, e seguiu uma linha de beijos até minha orelha. E então falou:
— Kelsey, você sabe que você é o amor da minha vida, Meri aadoo or aru. –Me virei para ele, ainda em seus braços. Olhei fundo em seus olhos azuis cobaltos penetrantes, e concordei com a cabeça, cheia de curiosidade para ouvir o que mais ele tinha para dizer para mim. – Desde a primeira vez que te vi, no circo, senti nossa ligação. Depois de tudo que já passamos juntos, eu só pude ter certeza de algo que eu já desconfiava.
Meu coração batia forte no peito, tinha certeza de que Ren podia ouvir cada pulo que ele dava lá dentro.
MEU DEUS!
— A verdade é que o destino nos uniu, e eu não sei mais como viver sem você. Na verdade, eu acho que só comecei a viver depois de conhecer você.
Ren se desvencilhou do nosso abraço e se ajoelhou, com uma caixinha preta na mão.
— Por favor, você aceita casar comigo?
Já estava com lágrimas escorrendo pelo rosto, me abaixei junto a meu príncipe, e beijei-o, por todo seu rosto, e por fim em sua boca. Um beijo quente, cheio de amor. Afastei-me, percebi que seu rosto estava molhado, mas não tinha certeza se era por causa de minhas lágrimas ou das dele.
— SIM! É óbvio que aceito me casar com você!
— Mujhe tumse pyarhai, Kelsey.
— Eu também te amo.
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