Finais Felizes Na Ecomoda.
59 Capítulo 59: Vingança!
Notas iniciais
Nicolas seguiu o carro de Alberto até a Universidade e se espantou por nada demais ter acontecido no caminho, ele se sentia o próprio Armando quando seguia Betty por toda a parte. Tentava se convencer que só desejava desmascarar a interesseira da Patricia Fernandez, mas a verdade que ele não assumia a sí mesmo era o medo de perder para sempre a musa da sua poesia.
Na sala de aula Patricia já havia rezado todas as orações existentes e as que não existiam ela inventava, iria receber a nota da sua primeira prova, havia estudado muito e aquela prova seria o resultado do seu sucesso ou do seu fracasso profissional. Ela cruzava os dedos parecia que o professor nunca chegaria no nome dela, ele dizia as notas em voz alta segundo a ordem de chamada.
– Porque minha mãe não colocou o meu nome de Aline, ou de Bárbara tinha que ser justamente Patricia, a letra P não chega nunca! Ela dizia para o seu colega de classe que ria do nervosismo dela.
– Patricia Fernandez nota 8,75. Disse o professor e em seguida ouviu um grito ensurdecedor.
– Ah! Eu não acredito! Patricia gritava eufórica. Nunca em toda a sua vida ela havia tirado um nota tão alta.
Quando finalmente a última aula acabou, Patricia pôde sair de sala esbanjando toda a sua alegria. Tão feliz e iluminada estava que Alberto não resistiu e ao saber da nota dela a beijou apaixonadamente.
– Eu sabia, eu sabia! Nicolas correu gritando.
– Nicolas o que faz aqui? Patricia perguntou assustada.
– Eu vim comprovar o que já sabia há muito tempo, que você não passa de uma mulher falsa e interesseira. Que sai com qualquer um por dinheiro. Nicolas repetia as palavra ditas tantas vezes por Jenny e em resposta levou um bofetão no rosto.
– Você nunca mais me trate assim Nicolas Mora. Não que seja da sua conta o que eu tenha com Alberto, porque não lhe diz respeito o que fazemos. Eu sei o quanto eu sou desprezível para você, você deixou bem claro naquela noite em que rompemos o noivado por isso vá embora da minha vida, refaça a sua vida com a Jenny ela sim é boa para você. Eu agora estudo, vou terminar finanças, eu trabalho, eu não preciso mais de você e nem de ninguém e se eu escolher alguém é porque eu o amo e quero ficar com ele sem nenhum interesse a mais do que estar na presença dele. Adeus Nicolas Mora! Patricia concluiu e entrou no carro com Alberto.
Nicolas sentou-se na calçada da Universidade e chorou a sua tristeza, Patricia a sua musa não era mais a mesma, havia uma força e uma dignidade nela que ele jamais imaginaria que pudesse existir. E por fim ela estava resignada, não mais escolheria ele ainda mais existindo um executivo mais elegante e bem apessoado do que ele.
– Eu a perdi, eu a perdi! Nicolas dizia triste a si mesmo.
No carro Alberto questionava Patricia sobre o ciúme do vice-presidente financeiro da Ecomoda.
– Não era ciúme, era só rancor. Ela falava.
– Rancor? Não. Era despeito, ciúme. Ciúmes de um noivo que ainda ama você. Alberto respondia.
– Não importa o que ele sente ou deixa de sentir por mim. Agora só me importa minha faculdade! Ainda não acredito que tirei uma nota tão boa! Patricia mudou o rumo da conversa antes que a lembrança de Nicolas lhe tirasse a felicidade.
– Então acho que deveríamos comemorar num restaurante bem elegante, o que acha? Alberto propôs.
– Eu adoraria Alberto, mas não estou em condições financeiras de dispor de um jantar caro mesmo que seja para comemorar. Patricia falou um pouco sem graça.
– Eu convido! Ele sorriu.
– Eu adoraria, mas não posso aceitar. Eu vivo constantemente esse estigma de interesseira, e eu era mesmo no passado mas hoje eu sou uma nova mulher e preciso deixar para trás essa imagem. Mas eu te convido para comer uma pizza, aceita?
– Pizza? Poxa eu nem me lembro a última vez que comi uma. Vou adorar!
Na manhã seguinte um executivo simpático entrava rapidamente na sala de Betty.
– Estou pronto, na verdade mais do que pronto, podemos ir agora mesmo dar entrada nos papéis. Armando declarou entrando na sala da presidência.
– Do que está falando doutor? Betty perguntou curiosa deixando o trabalho que estava fazendo no computador de lado.
– Do nosso casamento é claro! Assim não temeremos mais a chegada do seu pai enquanto nos beijamos. Armando explicou abraçando Beatriz que ainda estava sentada em frente a tela do computador.
– Tem certeza doutor que quer passar toda a sua vida ao lado de uma única mulher? Betty questionou risonha já sabendo a resposta.
– Nunca tive dúvidas que quero passar não só uma vida mas toda uma eternidade ao seu lado! Armando falou beijando aquela que seria para sempre o amor de sua vida.
Na mesa da secretária da presidência uma Aura Maria ouvia irritada o desdém de Patricia ao narrar a fofoca que perambulava pelos corredores da Ecomoda.
– Pois sim todos, inclusive na produção, estão comentando a baixaria que aconteceu num certo clube noturno quando uma ex-recepcionista da Ecomoda encontrou o namorado nos braços de uma piriguete de vestido vermelho. Dizem que foi um escândalo horroso! Patricia ria.
– Ora não seja fofoqueira oxigenada! Reclamou Sandra.
– E por que não? Afinal vocês vivem fofocando de mim, é mais do que justo que eu pague na mesma moeda! Patricia exclamou feliz.
– Escuta oxigenada e a quantas anda o seu namorico com o executivo brasileiro heim? Será que ele vai te levar para o Brasil? Sofia desdenhou.
– Não seja boba Sofia, saiba que o Dr. Alberto e eu somos apenas bons amigos. E quero frisar o “bons amigos” suas mexeriqueiras!
Nesse instante um Nicolas sério passou como um trem bala para a sua sala, sem dar bom dia a ninguém.
– Escuta Patricia o Dr. Mora já sabe que você está namorando o Dr. Brasileiro? Questionou Sofia ao observar o semblante de seu chefe.
– Escuta anã de jardim de subúrbio o que eu faço ou deixo de fazer, quem namoro ou deixo de namorar não é da conta desse quatro olhos de terno. Patricia deu uma rabisaca e entrou na presidência.
– Mas é verdade mesmo que escândalo foi esse Aura Maria? Conta pra gente! Sorriu Bertha quando Patricia foi embora.
– Ai meninas vocês nem sabem, acreditam que o Fred estava lá na boate com uma piriguete? Aura Maria respondeu.
– E dançavam coladinho! Sandra complementou.
– E por falar em dançar coladinho, e você heim dona Sandra? Que fazia nos braços do Wilson? Aura Maria questionou risonha.
– Ora não seja boba Aura Maria, nós estávamos bêbados. Sandra retorquiu.
– Quer dizer então que todos os casais da Ecomoda já se formaram? Perguntou Bertha interessada. Adoro um romance.
– Todos os casais não Bertha Maria de Gonzales, eu e Wilson só estávamos dançando e pra sua informação nem a Mariana e nem a Jamille arrumaram um par. Sandra comentou.
– E onde elas estão que nenhuma das duas chegou? Inesita perguntou preocupada, enquanto o quartel fazia uma cara de que nada sabia a respeito.
No quarto de hotel Daniel acordava com beijos Mariana. Que noite bela, como é bom estar com ela. É interessante como corpos são só corpos, tantas noites ele havia passado com corpos mas com ela era diferente, havia alma e sentimento, era perigoso se envolver assim mas o que ele poderia fazer se estar ao lado dela era o único lugar do mundo em que ele, Daniel Valencia sentia paz?
– Hum... Bom dia doutor! Mariana sorriu despertando de um sonho bom.
– Bom dia! Ele sorriu.
Mariana o olhava com ternura, havia no olhar dele uma mistura de felicidade e medo. Ela não precisava adivinhar a fonte desse medo, era óbvio a diferença entre eles mas que hoje, pelo menos hoje, ela não faria caso das circunstâncias.
– Vou pedir um café da manhã pra nós dois e então voamos pra Ecomoda, lá eu dou uma desculpa qualquer para o nosso atraso. Ele sorriu e ela foi tomar um banho.
Em poucos minutos ela se sentava ao lado dele na imensa cama.
– Está tão séria? Ele perguntou comendo uma uva.
– Estamos atrasados! Ela respondeu.
– O que importa o tempo quando estamos juntos?
– Desde quando o senhor é romântico assim? Mariana questionou.
– Desde que beijei você pela primeira vez! Ele falou olhando nos olhos dela.
E foi impossível não se amarem mais uma vez e banhados pela luz do Sol.
Um pouco atrasada Jamille chegou na Ecomoda, estava decidida iria pedir demissão dessa empresa que só lhe trouxe dor. Recordava mentalmente as suas intenções quando fez a entrevista com Gutierrez mas agora, todos os seus planos terminaram, sem ao menos terem começado.
– Bom dia Jamille! Wilson sorriu.
Ela retribuiu o sorriso como se aquele fosse o ultimo sorriso que ela fosse dar na vida, os óculos escuros não deixavam transparecer às lágrimas que ameaçavam brotar em seus olhos.
Entrando furtivamente na presidência, ela recebeu uma enxurrada de reclamações de Patricia, sobre o atraso colossal.
– Pensa que só porque é secretária daquele cretino do Daniel Valência pode ser metida como ele? Pois não, não pode! Patricia reclamava.
Sem dar atenção a Patricia, Jamille perguntou se poderia conversar a sós com Betty.
– Claro! Patricia pode nos dar licença um momento! Betty pediu.
– Mas Betty onde eu vou ficar? Patricia questionou.
– Vá na produção e pegue umas amostras de tecido pra mim, pra nova coleção brasileira. Betty pediu.
– Você dá muita liberdade a esses empregados! Patricia falou dando um olhar de desdém para Jamille.
– Meu chefe já chegou? Jamille perguntou baixinho.
– Não, ainda não chegou. Betty respondeu, nós podemos conversar a vontade. Ela sorriu ternamente.
Ele ainda deve estar com a Mariana. Jamille pensou e lágrimas involuntárias desceram da sua face. Mesmo com os óculos escuros Betty pode notar as lágrimas de Jamille e não pode deixar de lembrar de si mesma, levantou-se e abraçou a secretária que chorava desconsoladamente em seu ombro.
– Vamos sair daqui! Betty falou e saiu dizendo a Aura Maria que ela anotasse todas as ligações pois iria resolver um assunto com Jamille.
– Você vai demorar doutora? Perguntou Aura.
– Vou sim. Diga ao Armando que não me espere, vou almoçar com a Jamille.
– Sim, doutora! Aura Maria afirmou.
Assim que as duas saíram no carro azul de Betty, Daniel chegava e um pouco atrás dele Mariana. Ela se dirigiu a recepção e ele foi para a sua sala, estranhando contudo a ausência da presidente. Ligou para a sua secretária mas quem atendeu foi Sandra.
– Onde está a minha secretária? Ele perguntou irritado.
– A Jamille saiu com a doutora Pinzón! Posso ajudar em algo doutor Valencia? Sandra perguntou solicita.
– Não! Ele respondeu ferozmente e desligou o telefone.
Numa cafeteria próxima da Ecomoda, Betty e Jamille sentavam-se em uma mesa no canto, discreta para que Jamille pudesse chorar a vontade e tirar de dentro de si tudo o que a machucava.
– O que aconteceu Jamille? Betty perguntou penalizada.
Jamille sabia que sua presidente era discreta, mas ela jamais poderia revelar a sua história pessoal.
– Estou cansada Betty. Jamille falou tirando os óculos escuros, mostrando seus olhos inchados de tanto chorar.
– Eu sei que trabalhar ao lado do doutor Valencia não é fácil, se você quiser posso remanejar os cargos e colocá-la em outro lugar! Betty falou sorrindo.
– Não! Não posso mais ficar na Ecomoda! É muito penoso pra mim Betty. Mesmo que eu explicasse você não entenderia. Jamille falou sinceramente.
– Está apaixonada pelo Daniel Valencia não é? Betty perguntou o mais delicada possível e ainda assim foi como um tiro a queima roupa em Jamille.
– O quê? Jamille questionou perplexa.
– Você é bem discreta, mas eu sou muito observadora e como você, apesar dos gritos estridentes do meu chefe eu também me apaixonei por ele.
– O doutor Armando? Jamille perguntou curiosa.
– Sim, ele ainda era noivo da dona Marcela. Eu sei foi errado me apaixonar, mas como a gente manda no coração? Como podemos dizer coração não ame esse alguém pois esse alguém não lhe pertence? Betty falava enquanto lágrimas quentes corriam da face de Jamille.
– Eu não quero amá-lo! Eu juro! Jamille foi sincera.
– Eu sei. Mas fugir não vai arrancar o doutor Valencia de dentro do seu coração. Onde você for, ele vai te acompanhar! Acredite em mim pois eu fugi do Armando, conheci outras pessoas e ainda assim ele me acompanhava, e como poderia ser diferente se ele mora dentro de mim?! Betty abria o seu coração na esperança de que a sua cura também curasse Jamille.
– Eu sei, onde eu for ele me acompanha mas como um fantasma, sempre a me perseguir, sempre a conduzir os meus pensamentos. Eu o odeio na mesma medida que eu o desejo. Será que faz algum sentido? Jamille questionava Betty.
– Faz sentido pra quem se apaixona! Mas sair da Ecomoda, deixar o seu emprego, mude de setor, tire uma semana de folga mas não saia da Ecomoda. Betty tentava convencer Jamille a não deixar o emprego.
– Eu sou só uma funcionária qualquer. Jamille respondeu descrente.
– Não para mim! Para mim você é uma amiga muito querida! Betty respondeu e segurou firme a mão de Jamille.
E por incrível que pareça, Jamille se sentiu querida e jurou a si mesma ser uma amiga leal e fiel de Beatriz Pinzón Solano.
– Eu vou pensar no final da tarde, eu respondo. Jamille falou.
A tarde na Ecomoda Armando se queixava para tudo e para todos a ausência de sua presidente. O quartel já não aguentava mais sem Betty o doutor Mendonça ficava insuportável. Por fim Betty e uma tranquila Jamille saiam do elevador.
– Meu amor como pôde me abandonar aqui sozinho? Armando correu para Betty e a abraçou.
– Tive alguns probleminhas para resolver e a Jamille me acompanhou. Betty sorriu abraçando Armando.
– Prometa que pelo menos irá jantar comigo? Armando insistiu.
Betty acenou sorrindo e foi para a sala de Armando, arrastada por ele.
– O que pretende fazer comigo doutor sozinhos em sua sala? Betty sorriu.
– Coisas impróprias para menores! Armando riu e beijou sua amada.
E entre eles o amor e a ternura se mesclavam harmonicamente, Betty era tudo o que ele amava, desejava e não merecia e para ela, Armando era o seu sonho realizado. Era impossível não amá-los.
Nas mesas das secretárias, se encontravam vários papéis que Sandra organizava.
– Jamille que bom que chegou, olha tem esses papéis pro seu chefe assinar, eu ia levar mas agora que você chegou... Sandra falou pegando os papéis.
– Tudo bem, eu os levo. Jamille respondeu pegando a pilha de papéis em cima da mesa.
Na presidência Patricia não estava e ao se aproximar para bater na porta Jamille ouviu as suas esperanças se renovarem como chamas de fogo. Uma conversa um tanto suspeita de Daniel com Mario Calderón ao telefone fez arder em Jamille um sentimento conhecido. A esperança de que Daniel não havia mudado nem mesmo pelo amor que demonstrava por Mariana. Jamille só precisava de uma desconfiança e a conversa dos dois trouxe para ela, uma alegria quase selvagem.
– Parece que meu trabalho aqui ainda não acabou! Jamille disse para si mesma e esperou a conversa acabar. Por fim bateu educadamente na porta, deu um cordial boa tarde, entregou os papéis ao seu chefe e saiu sorrindo da presidência.
Dizem que a vingança abranda a dor e é o deleite das almas subjugadas, se é verdade isso Jamille nos dirá em breve.

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