Finais Felizes Na Ecomoda.

57 Capítulo 57: Flagra no carro.


Notas iniciais
Hermes flagra Betty e Armando aos beijos dentro do carro, Alberto decide ficar em Bogotá, Nicolas não consegue esconder os ciúmes que sente de Patricia.

Alberto estava radiante naquela manhã mas não foi preciso Rebeca adivinhar o motivo de tanta alegria, ela já suspeitava que a secretária da Ecomoda havia enfeitiçado o irmão de seu noivo.

– Então você não vai mesmo voltar conosco para o Brasil Alberto? Questionava Fernando durante o café da manhã.

– Não, já está decidido. Fico em Bogotá e aproveito para observar a produção da Ecomoda. Alberto comentava entusiasmado.

– Não acredito que você não voltará para o Brasil só por causa daquela secretária Alberto! Rebeca protestava um tanto indignada.

– Nem eu acredito nisso Alberto. Você nunca foi insensato! Fernando também protestava contrastando com o bom humor de seu irmão.

– Quando se encontra alguém que faz o nosso coração parar de bater por alguns instantes, devemos prestar atenção pois pode ser a pessoa mais importante da nossa vida. Alberto concluiu silenciando Rebeca e Fernando.

Na Ecomoda todos já estavam em seus respectivos postos de trabalho, a vida era normal e rotineira. Betty se dedicando ao máximo a empresa, Armando como seu copiloto sempre amando e sempre amado. O quartel ainda degustando a fofoca da gravidez de Marcela, Freddy e Wilson na portaria flertando com as modelos, mesmo Freddy estando de namoro sério com Aura Maria. Somente três pessoas estavam alheias a monotonia da rotina diária. Daniel com seu plano impecável com Mario, Mariana que lutava para disfarçar sua tristeza e Jamille que também lutava mas para conter o grande amor que sentia pelo seu chefe. Parece até um clichê, uma secretária apaixonada pelo seu patrão, mas o que é a vida senão um eterno clichê de encontros e desencontros mas havia na história dos dois uma profundidade que somente quem continua amando, depois de ter sofrido a dor de uma decepção, entenderia.

Jamille porém não era fraca, ao contrário do que aparentava havia nela mais força e determinação do que se pode imaginar. Há em algumas criaturas inteligência fora do comum que as elevam a um patamar alcançado somente por certas almas cheias de amor e compaixão. Ela era assim, se fosse mais amiga de Beatriz veria nela um reflexo, ainda que distorcido, do seu. Ela se resumia a agradar Daniel mesmo quando ele estava irritado. Dizia-lhe sempre palavras cheias de ternura e compreensão na expectativa de que o coração dele se tornasse o oásis que ela tanto ansiava. As palavras cheias de fel que involuntariamente escapavam dele eram rebatidas com a ternura e a mansidão do espírito elevado dela.

O quartel perceberia os olhos apaixonados de Jamille se ela não fosse tão discreta quanto Beatriz e na hora do almoço quando Aura Maria a interrogava sem o menor pudor ela rebatia dizendo que o grande amor que ela tivera no passado a deixou traumatizada a tal ponto que ela nem sequer cogitava a possibilidade de abrir novamente o seu coração e assim todas se calavam, mas a verdade era uma só, ela continuava amando aquele homem que tanto a feriu.

Patricia continuava enrolada em suas aulas de finanças, mas ela não desistia estava determinada a ser uma grande financista de sucesso. Já estava acostumada com as caronas e a amizade de Alberto e apesar dele inúmeras vezes lançar a ela olhares carinhosos ela deixava bem claro que seu único amor no momento seriam os livros. Patricia o encantava, tanto pelo fascínio da beleza quanto pela determinação na carreira profissional, ele nunca havia conhecido uma mulher linda e que fosse estudiosa, pois era notório que inteligente ela não era, pelo menos ainda, mas esforçada sem dúvida ela era.

A amizade de Alberto não passou despercebida a Jenny, que tinha todo o veneno do mundo para destilar gota a gota em seu noivo, Nicolas. O que Jenny tinha era um profundo receio de que ele voltasse para Patricia e a abandonasse. Jenny apesar de parecer não era nada boba e ela tinha certeza da profunda paixão que Nicolas ainda nutria pela loira. Bastava Patricia passar no corredor para que os olhos de Nicolas a seguissem e quando ela ia para a faculdade com Alberto era pior, Nicolas ficava com um humor terrível.

– Lá vai a loira com o executivo, vão pra faculdade ou vão fazer filhinho! Cantarolava Jenny quando Patricia e Alberto passavam pela recepção, ela sabia que isso deixava Nicolas furioso mas mesmo assim cantarolava perto dele.

Se Patricia e Alberto ouviram fingiram que não ouviram, Patricia tinha preocupações demais na faculdade para prestar atenção em Jenny e em Nicolas.

Daniel, Betty e Armando saíram logo em seguida do elevador. O casal se abraçava ternamente, hoje seria um jantar na casa de Betty o que prometia um longo tempo namorando a amada e longas conversas com o pai dela.

– Então Nicolas você vai jantar lá em casa hoje? Mamãe fez coxinhas de frango! Betty falou.

– É, eu tô sem fome. Nicolas respondeu irritado.

– Nossa o que aconteceu pra você estar com esse mau humor? Armando questionou mas já imaginando a resposta.

– Nada, estamos atrasados para o jantar e estou morrendo de fome! Nicolas respondeu se contradizendo.

Puxando Jenny pelo braço, Nicolas saiu cismado da Ecomoda, tendo mil e um pensamentos a respeito de onde estaria realmente Alberto levando Patricia, o que faziam e o que conversavam. E num rompante enquanto ligava o carro, ele lembrou de quando junto com Armando seguiu Patricia e Betty por todos os lados no hospital. Sim, ele já sabia o que fazer e com certeza faria!

Quando chegavam a casa de Betty, Armando parou o carro numa esquina depois da casa dela.

– Doutor esqueceu aonde eu moro? Ela riu.

– Não minha Betty. Mas eu passei o dia inteiro somente te olhando, sem poder ao menos te tocar. Estou com saudades! Armando falou com uma carinha que derreteria até o coração da Feiticeira Branca de Narnia.

– Oh meu amor! Betty sorriu.

Eram beijos tão apaixonados e tão calorosos que qualquer pessoa por mais incrédula que fosse, se visse creria no amor. Porque no beijo está também a ligação das almas, essa que se acorrentou por livre e espontânea vontade. Pois o amor nos liberta de nós mesmos e nos acorrenta ao ser amado, de tal maneira que já não existimos se ele não existe. Armando abraçava a sua Betty como se estivesse a segurar o próprio sentimento apaixonado e ela retribuía todo o ardor dele, pois era ela também cativa dele desde sempre. E era tão bom estar com ele, sentir seu cheiro, o seu calor. Ele é o sonho realizado, a inspiração dos versos que haviam sido escritos no diário dela.

Estavam tão inspirados no ardor do seu amor que não perceberam a chegada de um certo senhor mais do que indignado, que recebeu a ligação de uma vizinha reclamando do comportamento licencioso da doutora Pinzón dentro de uma Mercedes, na frente da casa dela.

– Mas que pouca vergonha é essa? Gritava indignado Hermes.

– Papai! Betty falou agoniada.

– Calma Seu Hermes que eu posso explicar! Armando falou tentando diminuir a irritação de seu futuro sogro.

– Eu não quero ouvir nada, quantas vezes já avisei que o diabo é porco! Agarrando a minha filha dentro do carro e no meio da rua! Saia já desse carro Beatriz Pinzón. Ordenou Hermes.

Beatriz saiu do carro e Armando também, os dois tentavam acalmar o pai de Betty, mas era impossível. Hermes segurou Betty pelo braço e a levou para casa, deixando Armando triste e irritado. “Preciso me casar logo com a Betty, ter ela levada arrancada dos meus braços dói demais!” Ele pensava consigo.

Em casa Beatriz escutava todos os sermões possíveis, e ouvia tudo caladinha sentada no sofá como uma criança travessa pega em flagrante.

– Minha filha, Júlia, minha própria filha como uma qualquer agarrada ao doutor Mendonza no meio da rua. Hermes gritava indignado para a esposa.

– Mas querido será que a nossa vizinha não exagerou? A menina só estava dando um beijinho no noivo dela! Dona Júlia tentava em vão amenizar a situação.

– Beijinho Júlia? Beijinho? Porque você não viu o que eu vi. Eu não criei Beatriz para ficar agarrada no meio da rua assim, dediquei toda a minha vida e tudo o que eu tinha para formá-la e torna-la uma mulher honesta. E é assim que ela me paga, agarrada com o executivo dentro do carro, no meio da noite! Hermes chorava de raiva e tristeza.

– Me desculpe papai, eu não queria ferir a sua integridade. Betty se desculpou sinceramente. E prometo que isso nunca mais vai acontecer.

Betty abraçou o pai, se desculpou também com a mãe e sem jantar foi para o seu quarto. Minutos depois o celular dela tocava, era Armando mas ela estava tão chateada pela decepção que o pai teve que não tinha vontade de atender e a noite que tinha começado bela, terminou triste.

Na Casa de Mariana apesar dos barulhentos jogos de vídeo game de Jamie, um tom de tristeza pairava no ar. Aura Maria sabia o que era e por isso entendia o silêncio da amiga. Mas Aura não é do tipo de pessoa que curti fossa por muito tempo, depois dessas duas semanas que seguiam longuíssimas desde que os executivos brasileiros voltaram para o seu país de origem, ela decidiu.

– Nós vamos paquerar!

– O quê? Mariana questionou confusa.

– Isso mesmo o que você ouviu sua boba, nós vamos paquerar e amanhã mesmo! Aura Maria comentava com toda a alegria e felicidade do mundo.

– Aura Maria não estou para paqueras! Mariana declarou.

– E quem disse que para paquerar e ser paquerada tem que estar isso ou estar aquilo? Não senhora paquerar é bom em todos os momentos, levanta o nosso ego, a nossa feminilidade, tira toda essa tristeza um gatinho bem divino! Aura gargalhou.

– Eu não quero nenhum gatinho divino Aura Maria! Mariana sussurrou.

– Eu sei, mas o que você espera da vida Mariana? Ter um relacionamento com o doutor Daniel? Casar com ele? Ter um filho dele? Isso nunca vai acontecer Mari! E quanto mais rápido você superar isso, melhor será.

Mariana sabia que tudo o que Aura Maria falou era verdade, uma verdade dolorida mas libertadora. Já fazia duas semanas que eles terminaram o caso, era preciso seguir adiante, afinal não há dor que dure para sempre!

– Está bem, amanhã depois do trabalho nós vamos sair e paquerar! Mariana concluiu.

Na casa de Jamille, sua irmã notava a irmã mais serena, mais doce. E concluía que ela era a consequência do doutor Valência.

– Lendo Senhora? Que livro é este que te deixa tão entretida? Dai perguntou sentando-se no sofá ao lado da irmã.

– Um livro que foi recomendado na faculdade, na cadeira de português. Ela respondeu.

– Recomendado na faculdade? E porque está lendo agora? Dai perguntou curiosa.

– Porque eu acho lindo o amor de Aurélia.

– Aurélia?

– Sim, a personagem principal. Ela ama tanto Fernando que é capaz de sacrificar todo o seu futuro para transformá-lo em um homem decente! Jamille falava do livro com tamanha paixão que Daiane se interessou pela história.

– E como ela sacrifica-se?

– Ela dá a ele exatamente o que ele quer, mas o faz enxergar quem ele realmente é. E é através dos olhos dela que ele vê seu reflexo desonrado. Mas no final eles são imensamente felizes, afinal tem algo que o amor não consiga vencer? Jamille riu.

– Adoro vê-la assim! Sorrindo, leve, descontraída mas tenha cuidado Aurélia é uma personagem fictícia, você é real assim como Daniel. Não deixe o que te destruiu renascer! Dai alertou sua irmã querida.

– Tem medo de que eu morra de amor? Jamille questionou brincando.

– Tenho medo que esse amor a destrua mais uma vez. Eu só tenho você Jamille, nossos pais morreram, não temos mais nenhum familiar vivo, nem tios, tias, primos, primas, somos só você e eu. Você entende o que a sua perca pode me afetar? Daiane falou nervosa.

– Prometo você que nunca mais homem nenhum vai me destruir, hoje eu sou muito mais forte! Jamille declarou e tinha profunda convicção da sua força, adquirida com muito sacrifício. Mas eu sinto em meu coração que ele mudou, talvez não por completo mas há ternura dentro dele.

– E você é a causa dessa ternura? Dai questionou sua irmã.

– Não, acho que não. Tenho uma inclinação de que é a Mariana, a recepcionista da Ecomoda. Jamille falou um pouco triste.

– E se for mesmo essa Mariana, o que você irá fazer?

– Se ele realmente a amar e não brincar com o coração dela, eu o liberto do amor que sinto por ele. Jamille falou resignada.

– Isso é mesmo muito bom!

– Mas não creio que seja sério, ele a ignora, ela sofre. Foi um caso, se tiver mesmo sido porque a Mariana não faz o estilo do Daniel. A Mariana é linda sim, simpática, amiga mas não é uma modelo, nem brilhante intelectualmente. Não posso crer que ele realmente tenha se apaixonado por ela. Jamille respondeu esperançosa.

Notas finais
Meninas perdão pela demora na postagem, mas estou estudando muito e meu tempo anda bem corrido. Mas eis dois capítulos de uma vez. Espero que gostem. Bjim!!! :)