Finais Felizes Na Ecomoda.

41 Capítulo 41: As faces do amor


Notas iniciais
O amor sempre nos surpreende pelo simples fato de não obedecer regras, ele surge de um olhar, de um aperto de mão e até mesmo de uma palavra dita no tom certo. O amor não é como nós queremos, não é quem nós escolhemos e muito menos quem é mais adequado para a gente, o amor é pura soberania! E o mais intrigante no amor é que o Universo inteiro conspira para que os apaixonados estejam sempre próximos mesmo quando eles fogem um do outro. Gostaria de dedicar este capítulo as minhas leitoras mais que românticas Stephanie, Comentar Apenas, Val, Suzy, San, Danni, Lidiane, Liduina e KKarrynne! Apaixonem-se, Chorem, Emocionem, Vivam, Percam, Sintam mas acima de tudo Amem Completamente. Divirtam-se meninas!!!

Ainda eram 9 horas da noite e Armando estava cheio de planos, finalmente poderia mostrar a sua amada a surpresa que havia preparado para ela. Beatriz ao lado de Armando, olhava pela janela do carro as luzes da cidade e nem parecia que ela estava lá, dentro do carro ao lado dele. A noite havia lhe reservado mais surpresas do que ela imaginara e na sua mente um turbilhão de pensamentos se enfrentavam como se a mente dela fosse um campo de batalha. Miguel estava lá a poucos centímetros dela, o homem a quem ela dedicou o seu primeiro amor, o homem que a inspirava os mais belos sentimentos e o homem que a vendeu como prêmio em uma aposta sinistra. Ele pareceu não tê-la reconhecido e não deveria mesmo uma vez que ela não era mais a Beatriz que ele conheceu.

– Meu amor, no que está pensando? Armando perguntou gentilmente.

– No jantar desta noite. Ela respondeu rapidamente mas sem olhá-lo.

– Está tão absorta nesses pensamentos que começo a sentir ciúmes deles. Armando sorriu.

Apesar do bom humor de Armando, ela se manteve calada, seu espírito não estava alegre e por mais que se esforçasse em afastar Miguel de seus pensamentos, lá estava ele como um vencedor da batalha que leva cativo o seu prêmio.

– Está tristinha por causa do enjôo no jantar, meu amor? Armando perguntou.

– Humrum. Ela mentiu.

– Não se preocupe com isso meu amor, você foi brilhante como sempre é brilhante! Armando sorriu.

– Formamos uma boa dupla. Ela falou com o mesmo tom de voz inerte.

– Nós somos imbatíveis meu amor, mas só quando estou com você é que eu me sinto forte. Armando falou estacionando o carro na garagem do apartamento.

– Acho que eu deveria ir para casa. Ela falou ainda dentro do carro.

– Ah não meu amor, faz tanto tempo que não ficamos a sós! Armando implorava.

– Não estou me sentindo bem, quero me deitar, dormir um pouco. Ela tentava convencê-lo.

– Mas eu tenho uma surpresa para você! Armando insistiu arrastando Betty para o elevador.

No elevador uma música suave com uma melodia melancólica tocava baixinho, e a melancolia de Betty só aumentava, e inúmeros pensamentos se misturavam dentro dela, se mesclavam as figuras de Armando e de Miguel assim como se mesclavam os planos e as armações deles para a enganarem. Armando imaginava que ela estava triste por causa do enjoou durante o jantar, ele sequer imaginava que o homem que destruiu a mulher que ele ama, estava presente no restaurante e fez prevalecer sobre ela pensamentos confusos e desordenados.

– Chegamos meu amor, vamos que eu sei como vou alegrá-la. Armando sorriu e puxou Betty pela mão.

– O que vai acontecer quando a empresa for devolvida a sua família e a família Valência? Beatriz perguntou sem entrar no apartamento.

– Como, como assim? Armando questionou confuso.

– Bom o senhor fez com que eu me apaixonasse pelo senhor, tudo para não perder a empresa e agora que a empresa, com este investimento brasileiro, está voltando para as suas mãos e as mãos de sua família imagino que o nosso relacionamento chegue ao fim. Beatriz falou a queima roupa.

Armando ficou atordoado por alguns momentos, ele não imaginava que os pensamentos de Beatriz estivessem tomando esse rumo.

– Eu só tenho uma coisa para lhe dizer Beatriz, nada neste mundo levará você de mim, não sinta nunca mais medo de sofrer porque todos os caminhos me encaminham para você, não há você sem mim e eu não existo sem você. Armando falou enxugando as lágrimas de emoção que surgiam na face do grande amor da sua vida.

E mais lágrimas surgiram quando ela viu o apartamento que antes era decorado com as fotos de Armando e Marcela, hoje decorado com as fotos deles dois, tiradas na ultima vez em que ela estivera lá. Ela estava em todos os cantos do apartamento, na entrada, na sala de estar, na cozinha e no quarto dele uma foto dela de corpo inteiro sorrindo em tamanho real.

– Beatriz amo-te tanto, meu amor...não cante

O humano coração com mais verdade...

Amo-te como amigo e como amante

Numa sempre diversa realidade.

Amo-te afim, de um calmo amor prestante

E te amo além, presente na saudade.

Amo-te, enfim, com grande liberdade

Dentro da eternidade e a cada instante.

Amo-te como um bicho, simplesmente

De um amor sem mistério e sem virtude

Com um desejo maciço e permanente

E de te amar assim, muito e amiúde

É que um dia em teu corpo de repente

Hei de morrer de amar mais do que pude.

Armando enxugava com beijos as lágrimas quentes que caiam da face dela e a beijava com tanto ardor que ela já não lembrava mais do passado, só existia o presente para eles. E a noite entrava curiosa naquele quarto expiando o amor dos dois que a cada instante aumentava como as batidas do coração que mais e mais se aceleravam numa entrega plena, e as estrelas riam felizes em cumplicidade com o amor.

Num bar do centro da cidade chamado Dance, um executivo satisfeito e irritado ao mesmo tempo procurava alguém em meio a multidão. Não definitivamente, não era um ambiente para ele então porque ele estava ali? Se perguntava sem ao menos saber a resposta com exatidão e quando a sua razão ia vencendo a sua vontade ele a avistou, sorrindo, dançando, alegre como uma ninfa da noite. Sim era ela e estava linda, como é perfeita ele pensava. Mas ao avistar Wilson que também dançava sorridente, uma profunda irritação tomou conta dele. E sua raiva era tão grande e seu despeito maior ainda, que ele saiu abruptamente empurrando a todos a sua volta para sair o mais depressa possível do bar. Embora soubesse que deveria ir até o carro para o motorista levá-lo para o seu apartamento, suas pernas simplesmente não obedeciam a sua vontade. E parado na entrada do bar ele ficou por alguns minutos esperando, mas o que ele esperava? Nem ele mesmo sabia, estava tudo confuso e a música agitada estava lhe dando dor de cabeça. Ele entrou novamente no bar e passando por todos simplesmente pegou Mariana pelo braço e a levou para fora, deixando todos os empregados da Ecomoda perplexos. Se Sandra desconfiava de algo entre os dois agora já não desconfiava mais e Aura Maria tentando contornar a situação, comentava que o doutor Valencia veio atrás de Mariana para pegar com ela algumas informações sobre alguns documentos, embora não ajudasse muito a explicação da loira.

– Aqui está acontecendo algo muito estranho! Freddy comentou boquiaberto.

– Mas é claro que não Freddy, o doutor Valencia só veio atrás de informações. Sandra declarou pondo um ponto final naquela conversa. E vamos dançar Wilson que hoje eu quero me divertir.

Na entrada do bar Daniel brigava com Mariana.

– Que bonito senhorita Mariana, a secretária de um alto executivo dançando com o porteiro.

– Doutor Valencia não vejo mal algum em dançar com o meu amigo. Mariana se defendeu frisando bem a palavra amigo.

– Preferiu sair com as caça homens do quartel das feias e dançar com o porteiro ao invés da minha companhia, você sabe como soa ridículo essa afirmativa? Daniel questionava com um ar profundamente irritado.

– Não doutor Valencia o que soa ridículo é a maneira como o senhor se refere aos meus amigos, o senhor não tem porque estar aqui. Nossa conversa foi definitiva. Mariana falou e tentou voltar para o bar mas Daniel lhe impediu.

– Acha que gosto de estar aqui, neste bar vulgar? Acha que eu não prefiro estar no meu apartamento ao invés de ouvir esta zuada infernal? Acha mesmo que para mim aquele beijo significou alguma coisa? Daniel falava exasperado.

– Eu tenho certeza de que aquele beijo nada significou para o senhor e de que eu não passo de uma recepcionista, eu sei que as mulheres com quem o senhor costuma sair em nada se parecem comigo e por isso mesmo doutor Valencia, por termos tantos pontos contra é que é melhor acabar com isso antes que crie raízes. Mariana explicava num lamento.

– Eu sei que você está certa, e que a razão me manda ir embora. Mas quando eu penso em deixá-la aqui com outra pessoa, uma loucura me acomete. Daniel falava com sinceridade mais para ele mesmo do que para ela.

– Assim que deve ser doutor Valencia eu no meu lugar e o senhor no seu. Que futuro poderiamos ter além de dor e preconceitos? É melhor assim. Mariana falou e voltou para o bar.

Daniel foi para o carro e absorto estava em seus pensamentos tanto que nem ao menos dera alguma ordem para o motorista. E num gesto impensado ele simplesmente saiu do carro e começou a andar, algo que não era seu costume. Fugia daquele lugar, fugia dele mesmo, fugia dos seus pensamentos, fugia dos seus sentimentos e por fim fugia dela.

Quando Mariana voltou para junto do grupo, todos a olhavam de cima a baixo como se esperassem que ela confessasse algo. Entretanto Mariana estava muito triste e muito abalada para interrogatórios e decidiu que iria embora.

– Ah! Não Mariana você não pode ir. Aura Maria falou.

– Não sem antes nos contar o que o doutor vampiro queria com você! Sandra falou baixinho para não ser ouvida por Freddy nem por Wilson.

– Meninas por favor, não estou com ânimo para nada. Me deixem ir e sem perguntas. Mariana falou com tanta determinação que não houve objeção de ninguém.

E caminhando rua afora Mariana pensava nele e caminhava como se por percorrer uma longa estrada conseguisse afastar também os sentimentos. Como doía não saber onde ele estava e com quem ele estava, apesar da certeza da decisão que ambos tinham tomado algo doía, incomodava, feria, machucava. E assim estavam os dois no meio da rua machucados e feridos como só a negação de um amor poderia fazer quando os olhos se encontraram e parados um na frente do outro o Universo parecia demonstrar que não adiantava fugir porque de uma maneira ou de outra eles se aproximariam. Mas ao invés de correrem para longe um do outro, se aproximaram, o coração acelerando a medida que o espaço entre eles diminuia e um beijo pôs fim a terrível agonia de se ignorar o amor.

Num quarto de hotel finalmente Mariana pertenceu a Daniel e Daniel pertenceu a Mariana, e este ato de amor profundo iria para sempre modificar as suas vidas.

Notas finais
Espero que tenham amado ler como eu amei escrever. A inspiração desta noite foram as canções: Betty e Armando- Eu não existo sem você (Tom Jobim) [http://letras.mus.br/tom-jobim/86198/] Daniel e Mariana- Quem de nós dois (Ana Carolina) [http://letras.mus.br/ana-carolina/44130/] E o poema que Armando declamou para Betty - Soneto do Amor Total (Tom Jobim) [http://letras.mus.br/tom-jobim/1070027/] Espero os comentários garotas. Bjim!!!