Finais Felizes Na Ecomoda.
35 Capítulo 35: Reflexões
Notas iniciais
Quando Betty chegou em casa exausta depois de um longo dia de trabalho, Patricia a esperava receosa.
–A Marci me ligou hoje e estava furiosa por descobrir que você está me ajudando Betty. Patricia falou tristemente.
–Eu imaginei pelo tom de voz com que ela falou comigo. Betty respondeu sentando no sofá.
–Você acha que eu sou uma traidora? Patricia perguntou num lamento.
– Acho que você é humana. E como ser humano que é se adaptou ao meio. Betty respondeu.
–A Marcela sempre esteve ao meu lado, sempre foi minha amiga e agora que ela está sem nada, eu não posso abandoná-la Betty. Patricia falou com muita tristeza na voz.
– Eu compreendo Patricia. Betty falou com muita tristeza na voz também.
– Betty eu nunca esquecerei o modo como tem me ajudado, nunca tive uma irmã e viver aqui com a sua família é o mais próximo que ja tive de pertencer realmente a uma família. Mas eu não posso abandonar a Marcela, não agora que ela não tem os pais, não tem mais sogros e muito menos o Armando, se eu tiver que escolher, escolherei ela. Patricia falou olhando profundamente nos olhos de Betty e subiu para o seu quarto.
Beatriz entendia Patricia pois não era ingratidão para com ela é sim fidelidade para com Marcela e disso, Betty não poderia reclamar. Suspirou e tão cansada estava das emoções da noite anterior que nada disse e nem jantou, beijou os pais que estavam na cozinha e foi para o seu quarto. Estava realmente exausta, tomou um banho, colocou o pijama e quando foi se deitar viu na escrivaninha o diário, haviam fatos importantes demais para serem esquecidos ou não mencionados pelo menos poderia registrá-los no seu companheiro de tantas horas felizes e de aflições. Pegou o diário e uma caneta e numa página em branco começou a guardar seus sentimentos e emoções.
Hoje não é um dia qualquer e ontem também não foi uma noite qualquer. Ontem a noite o homem dos meus sonhos, aquele a quem o meu coração pertence me pediu que se tornasse a sua esposa, que o deixasse me fazer feliz e apesar de ter consciência de que não sou a mulher mais adequada para um homem tão elegante como ele também não posso me privar de amá-lo pois como ele mesmo disse seria injusto com o criador que o colocou em meu caminho. E como eu o amo meu Deus, quero a cada dia fazê-lo feliz e sei que o posso fazer pois não há nada neste mundo que eu deseje mais do que passar ao lado dele todos os dias da minha existência. Ele me pediu em casamento no mesmo lugar onde o pai dele pediu em casamento a dona Margarita e isso me prova o quanto sou especial para ele, pois sei que ele nunca pediu a dona Marcela em casamento e muito menos num lugar tão lindo como aquele, sei que apesar dos enganos e das dores passadas eu sou amada e amo, amo, amo com todo o meu coração o doutor Armando. Não pude ainda contar ao quartel sobre o meu noivado pois sei que seria muito doloroso para a dona Marcela saber disto e por respeito a ela, prefiro desfrutar sozinha este grande acontecimento. Em breve a dona Marcela chegará e sei que não será fácil para ela ter a certeza de que o homem que dividimos por tanto tempo pertencerá agora somente a mim e não posso imaginar quanta dor essa certeza lhe causará mas oro a Deus para que a dona Marcela encontre um verdadeiro amor.
Daniel contava a Mario às notícias sobre os possíveis investidores brasileiros, que seriam a salvação da Ecomoda.
– E quanto eles pretendem investir? Mário perguntou curioso bebendo calmamente o seu wisk.
–Ainda não sei. Mas Estão interessados em comercializar nossas roupas. Daniel respondeu.
–Mas isso é uma boa notícia. Você deveria estar contente Daniel. Mario falou notando a inquietação de Daniel.
–Isso não é tudo. Armado pediu a Beatriz em casamento.Daniel falou.
–E essa é a sua preocupação? Mario gargalhou. Se esqueceu de que o Armando também foi noivo da sua irmã? Isso não quer dizer nada. Mário falou tentando tranquilizar Daniel.
Mário observou Daniel por alguns instantes e reconheceu aquele olhar perdido de Daniel, era o mesmo olhar que Armando tinha quando começou a se apaixonar por Betty.
–Daniel me responda uma coisa? Você está pensando na Beatriz? Está se apaixonando pela doutora monstro? Mário perguntou.
–Não seja ridículo Calderón. Que a Beatriz é inteligente como nenhuma outra mulher, isso eu não posso negar. Que está sexy é uma verdade, mas fazer com que eu me apaixone é um absurdo! É uma pergunta tão ridícula que eu não deveria nem ter respondido. Daniel falou irritado.
–Tudo bem Danielzinho. Mas não esqueça que foi exatamente assim que o Armando ficou aprisionado na própria teia.
–É por isso que eu não brinco com sentimentos. Beatriz não está nos meus pensamentos. Daniel respondeu friamente.
Quando Mário finalmente foi embora Daniel pode refletir sobre os seus próprios pensamentos, que estavam sempre concentrados nos olhos e no beijo de Mariana.
–Um impulso, nada mais que um impulso! Daniel falava para si mesmo repetidas vezes. Como se por repetir inúmeras vezes uma afirmação ela se tornasse verdade.
Mariana estava deitada em sua cama relembrando cada minuto daquela manhã, não tinha palavras para descrever o quão ela foi afetada por aquele beijo. Depois de Daniel ter lhe olhado nos olhos, certamente ele comprovou que ela estava apaixonada por ele. Logo ela uma simples secretaria que não tinha ao menos um pouco da genialidade de Betty. Como se sentia infeliz por se apaixonar por alguém que estava muito acima dela. Era preciso voltar para a recepção e afastar- se dele imediatamente.
–Amanhã mesmo eu volto para a recepção! Mariana falou para si mesma enquanto as lágrimas corriam copiosamente em seu rosto.
As três da madrugada uma Marcela chorosa e cansada chegava em seu apartamento, ele estava exatamente como ela o havia deixado, alguns papéis em cima da mesa o quarto com a cama empoeirada e o retrado dela com Armando, ambos sorrindo. Ela pegou o retrato da mesma maneira que o pegou da última vez com uma imensa tristeza, com o retrato ainda nas mãos caminhou para o closet e o abriu, sim ele estava lá, ainda no plástico o vestido de noiva que nunca seria usado. E em sua mente a memória do sonho do casamento que jamais aconteceria, lágrimas começaram a correr por sua face.
– Será que essa dor nunca vai acabar, será que esse amor nunca vai morrer? Marcela perguntava baixinho para si mesmo.
E agora mais do que nunca ela estava sozinha, trocou Michel por um devaneio, um momento de loucura, ele que trouxe uma paz que ela nunca teve ao lado de Armando. Voltou para Bogotá e voltou de mãos vazias, como iria a Ecomoda, como suportaria ver Armando com Beatriz, como suportar tudo o que a esperava? Sua vontade era de desaparecer, de morrer mas covardia era um defeito que os Valencia não possuíam e em meio a sua agonizante tristeza ela adormeceu.

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