Finais Felizes Na Ecomoda.

28 Capítulo 28: Visitas Inoportunas


Notas iniciais
Jamie fica furioso ao descobrir que os meninos foram embora sem pagarem o restante do dinheiro e jura vingança. Dona Eugênia simula uma trégua com Patricia, as meninas do quartel finalmente visitam Nicolas Mora e são servidas pela oxigenada. Betty confessa a sua mãe que Armando tem ciúmes dela com o mundo inteiro.

A manhã surgiu envolta de uma chuva fininha convidando a todas a continuarem dormindo seu sono de beleza. Só uma pessoa não conseguira dormir a noite tamanho era o seu excitamento pela vitória obtida. Jamille permanecia imóvel no sofá, coberta com um lençol rosa, relembrando as palavras de Mariana, sim ela levaria aquele homem ao altar. Ela que um dia derramou lágrimas que encheriam um oceano, finalmente teria sua vingança.

E entre pensamentos, sonhos e planos ela passou sozinha boa parte da manhã, até que às onze da manhã as meninas começaram a despertar. Sandra e Jamille foram preparar o café da manhã enquanto as outras faziam fila no único banheiro da casa para tomar banho e escovar os dentes.

– Casa de pobre é mesmo um horror, eu não acredito que tenho que ficar numa fila pra poder escovar os dentes! Reclamava Patricia.

– Não seja metida a rica querida porque nós sabemos muito bem que no seu antigo apartamento nem o que comer você tinha! Sandra falou gargalhando.

Durante o café da manhã só uma pessoa estava séria ou melhor sério, Jamie bufafa de ódio dos doutores da Ecomoda que tinham prometido o restante do dinheiro depois que escutassem a conversa da sua mãe com as amigas e provavelmente foram embora e se esqueceram dele. “ Eles me pagam!” Jamie pensava aflito.

Assim que terminaram a refeição, Patricia depois de insistir muito, fez com que Betty se despedisse e ambas voltassem para a casa. Assim que elas se foram Aura Maria comentou com as outras do quartel que acreditava piamente que a pessoa que trairia a Betty seria a oxigenada.

– Eu também acho! Mariana concordou.

– Precisamos ficar de olho naquela loira de farmácia, ela não vale nada, nadinha mesmo. Bufou Sandra.

– Meninas vocês se esqueceram que hoje nós devíamos ir visitar a Fernandez na casa da mãe do doutor Mora? Lembrou Aura Maria.

– Com as emoções da noite das garotas e com cada revelação das cartas eu acabei esquecendo! Confessou Sandra.

– Vamos fazer a oxigenada nos servir a tarde inteira, o que acham? Perguntou uma animada Aura Maria.

– Acho que vai ser bem divertido! Concluiu rindo Mariana.

– Meninas espero que me perdoem mas não poderei ir com vocês esta tarde, preciso ir para casa. Jamille falou como se estivesse triste por não poder ir com o quartel, mas na verdade estava aliviada não queria estar com a Fernandez de novo, mesmo que fosse para atormentá-la.

Quando Betty e Patricia entraram em casa a primeira coisa que ouviram foi um Seu Hermes bem zangado questionando se elas tinham passado a noite se embebedando com rapazes.

– Mas é claro que não Seu Hermes! Não se esqueça que eu sou noiva do Nicolas e respeito muito o meu noivo. Falou Patricia ofendida.

– Ai papai o senhor sabe que eu jamais faria algo que pudesse envergonhá-lo ou trair a confiança do Armando. Betty se defendeu um tanto cansada de sempre ter que se justificar para o pai.

– Bem agora eu vou dormir um pouco porque dormir naquele colchão improvisado no chão foi horrível e minhas costas estão me matando. Comentou Patricia subindo as escadas.

– Patricia a sua futura sogra a está esperando! Dona Júlia interrompeu a loira. Ela disse que vocês tem muito o que conversar.

Patricia fez uma cara de quem pede paciência a Deus, respirou fundo, contou até dez e foi se trocar para ir visitar a sua odiada futura sogra.

Betty deu um beijo afetuoso em sua mãe e dona Júlia confidenciou a filha que o doutor Armando estivera perguntando por ela na noite anterior assim que saiu do hospital.

– Eu sei mamãe, o Armando apareceu na casa da Sandra tarde da noite. Betty respondeu.

– Ele estava preocupado com você filhinha e com muitas saudades mas me prometeu que iria para casa. Dona Júlia comentou baixinho temendo que Hermes as ouvisse.

– Saudades mamãe? O que ele queria era se certificar que eu não estava bebendo em algum bar com as meninas e sendo paquerada por alguém. Betty comentou irritada.

– Ele estava com ciúmes filha? Mas de quem? Dona Júlia perguntou curiosa.

– O Armando sempre está com ciúmes mamãe e ciúmes do mundo inteiro. Betty respondeu seriamente. Mas depois falamos mamãe eu também não dormi muito bem a noite e quero tirar um cochilo.

– Mas você não vai almoçar filinha, fiz peixe cozido com batatas, eu sei que você adora.

– Estou com mais sono do que fome, mamãe. Depois eu como alguma coisa ou esquento o almoço. Betty deu outro beijo na bochecha de sua mãe e foi para o quarto.

Patricia chegou na casa de dona Eugênia preparada para o pior pois certamente a futura sogra já sabia da briga que Nicolas iniciou por culpa dela. Mas para a sua surpresa dona Eugênia estava amena e a conviou cortesmente para sentar na sala.

– E cadê o Nicolas? Perguntou curiosa Patricia.

– Meu tesouro está dormindo, ontem depois que saiu do hospital ele chegou muito tarde em casa. Mas o que eu quero falar com você Patricia é que precisamos de uma trégua, eu não quero que o meu filho se mate só porque você andou paquerando qualquer vagabundo por aí! Dona Eugênia falou seriamente olhando nos olhos de Patricia.

– Dona Eugênia me respeite que eu não paquerei ninguém, muito menos um pobretão como esse Ramón. Patricia se defendeu.

– Não vamos conversar uma discussão sim. Só quero lhe pedir condescendência nestes dias em que o meu tesouro está se recuperando da agressão que sofreu por sua culpa, é claro. Dona Eugênia não precisou olhar para Patricia para ter certeza de que ela estava indignada e furiosa. É claro que em breve vocês não morarão mais neste bairro, logo que casarem se mudarão para um apartamento portanto a nossa convivência não será tão assídua.

Os olhos de Patricia brilharam ao imaginar o seu apartamento num bairro muito chique, e pensando nisto concordou com dona Eugênia.

– Sim querida sogra pelo bem do Nicolas devemos nos dar bem. Afinal ele é o seu único filho e eu prometo cuidar muito bem dele. Patricia respondeu tentando ser o mais sincera possivel mas sua mente só se concentrava no apartamento.

– Claro querida nora! Dona Eugênia sorriu cinicamente para a loira fingindo acreditar que Patricia realmente cuidaria bem do seu tesouro.

E ambas estavam convencidas de que engaram uma a outra a contento, pois na verdade dona Eugênia tinha um novo plano para separar seu amado filho da loira que ela acreditava ser ambiciosa ao extremo e Patricia se esforçaria até as ultimas consequências para ser condescendente com sua futura sogra, queria uma vida luxuosa a qualquer custo e somente Nicolas poderia lhe dar essa vida, ninguém nem mesmo dona Eugênia poderia arrancara isso dela.

Beatriz ainda estava dormindo tranquilamente em seu quarto, quando o quartel em peso bateu em sua porta. Dona Júlia as atendeu muito amavelmente, ela gostava das amigas da filha como se fossem suas próprias amigas.

– Olá meninas! Entrem, entrem! Convidou dona Júlia para que o quartel entrasse em sua casa.

– Dona Júlia cadê a Betty? Perguntou Sandra.

– A menina está dormindo, mas se for importante eu a chamo num instantinho. Dona Júlia respondeu.

– Não dona Júlia, não é necessário acordar a Betty. Inesita respondeu.

– Só vinhemos aqui para pedir que a Betty nos leve a casa do doutor Mora, soubemos que ele esteve no hospital e queríamos fazer uma visita. Falou Sofia.

– Se é isso meninas eu explico a vocês aonde mora o Nicolas é bem pertinho daqui, somos praticamente vizinhos. Dona Júlia comentou.

– Sim dona Júlia por favor nos diga aonde mora o doutor Nicolas que desde que eu acordei que só penso nessa visita. Falou Bertha maliciosamente imaginando se a oxigenada as serviria mesmo.

– Claro meninas fica ali na esquina, a única casa amarela. Não tem erro a de número 884. Se eu não estivesse tão atarefada iria com vocês! Dona Júlia sorriu simpaticamente.

– Não se preocupe com isso dona Júlia, assim que terminarmos a visita ao doutor Mora passamos aqui para ver se a Betty já acordou e nos despedirmos da senhora. Falou Sandra.

Em menos de dois minutos o quartel estava na frente da casa do doutor Mora e mal conseguiam conter a excitação de ter a oxigenada as servindo e as tratando bem.

– Olá! Cumprimentou dona Eugênia abrindo a porta sem conhecer nenhuma das mulheres que se encontravam na frente da sua casa.

– A senhora deve ser a mamãe do Nicolas não é? Perguntou Sofia.

– Sim sou eu! Quem são vocês? Dona Eugênia perguntou desconfiada.

– Eu sou a secretária do seu filho e estas são as outras secretárias da Ecomoda. Soubemos que ele esteve no hospital e como gostamos muito do doutor Mora vinhemos visitá-lo. Respondeu Sofia.

– Ah! Que bom, entrem, meu tesouro está dormindo mas sei que ele ficará muito feliz em saber que vinheram visitá-lo. Dona Eugênia sorriu.

– Só uma perguntinha dona Eugênia. A Patricia Fernandez está aí? Bertha perguntou.

– Está sim, por que a pergunta?

– Sabe o que é dona Eugênia é que a Patricia não gosta muito da gente, ela acha que por sermos pobres não deveríamos ser amigas do doutor Mora. Confidenciou Mariana pondo em prática o plano de atacar Patricia, sabendo que a loira não era nenhum pouco estimada pela futura sogra.

– Não se importem com isso sei que Patricia as receberá muito bem em minha casa. Dona Eugênia sorriu imaginando uma maneira de se aproveitar da visita do quartel.

Patricia ficou branca ao ver as meninas do quartel entrando na sala de estar de sua futura sogra.

– Mas o que estão fazendo aqui suas xeretas? Patricia gritou.

– Ai Paty não seja malvada só queremos saber como está o doutor Mora! Respondeu sonsamente Mariana.

– Pois não vão saber de nada suas fofoqueiras! Patricia gritou mais irritada ainda vendo o olhar de sonsas que as meninas do quartel faziam.

– Patricia! Dona Eugênia gritou mais alto do que ela. Por favor querida, isso são modos de tratar as funcionárias da empresa onde o seu futuro marido trabalha? Dona Eugênia falou abrandando a voz.

– Não dona Eugênia, não é o jeito certo de tratar as funcionárias! Patricia baixou o tom e frisou bem a palavra funcionárias.

– Pois então querida por que não lhes oferece algo para beberem? Sugeriu sonsamente dona Eugênia.

– Mas a casa nem é minha, como eu poderia oferecer algo?! Patricia riu um pouco sem jeito.

– É quase sua casa Patricia querida, afinal você em breve será a doutora Morae vai ter que atender bem não só os funcionários da empresa onde o seu marido trabalha, como também os clientes e outros executivos da empresa, não é?

– É claro que sim dona Eugênia! Patricia não querendo perder a cordialidade fingida que conquistou com a futura sogra, educadamente ofereceu suco ao quartel que de pronto aceitou.

– Poderia trazer uns biscoitinhos também Paty, é que estou com fome! Pediu Bertha.

– Mas é claro que ela pode trazer biscoitos para todas não é Patricia querida?! Dona Eugênia respondeu e Patricia só teve a reação de sorrir sem graça e ir para a cozinha atrás do suco.

Em alguns instantes Patricia voltou e confidenciou a dona Eugênia que não tinha suco pronto.

– Pois então faça o suco querida! Dona Eugênia sugeriu sinicamente fazendo Patricia quase perder a compostura.

Patricia voltou à cozinha tão indignada e só conseguia pensar em se vingar do quartel, estava claro que elas juntamente com dona Eugênia tinham se programado para atormentá-la, mas a loira não iria deixar barato. Pegou algumas laranjas espremeu, adicionou água e ao invés de colocar açúcar colocou sal e com um belo sorriso no rosto ofereceu ao quartel. Inesita não gostou do modo como as meninas do quartel estavam provocando Inesita e por isso não aceitou o suco de Patricia. Assim que as meninas provaram o suco cuspiram no chão de Dona Eugênia.

– O que houve? Dona Eugênia perguntou assustada.

– Esse suco está uma salmora! Falou Mariana.

– Por favor preciso de água! Pediu Aura Maria.

A própria dona Eugênia as serviu água.

– Eu lamento tanto meninas, acho que confundi o sal com o açúcar que cabeça de vento essa minha! Falsamente se desculpou Patricia.

– Não se preoucupem meninas ! Patricia irá fazer outro suco, não é mesmo Patricia querida?! Dona Eugênia perguntou com uma delicadeza que todas notavam que era sinismo.

– Mas eu... Patricia tentou falar quando foi interrompida pela futura sogra.

– E irá fazer um bom suco até acertar! Sentenciou dona Eugênia.

Patricia foi furiosa para a cozinha e dessa vez fez um bom suco, não iria passar a tarde inteira na cozinha só por causa do quartel de ressentidas.

Enquanto o quartel comia e conversava animadamente com dona Eugênia, Nicolas acordou e foi cumprimentá-las. Ele sabia que o quartel não se dava bem com a sua Paty, mas também sabia que elas o estimavam muito e por isso as recebeu com muita alegria. Patricia estava sentada no canto furiosa, tentando inutilmente esconder a irritação de ter que servir o quartel de feias e mais irritada estava ao observar a simpatia de seu noivo com elas, uma idéia lhe passou pela cabeça, estaria ela com ciúmes do seu noivo? E ao imaginar isso começou a rir e a falar consigo baixinho.

– Não seja ridicula Patricia uma mulher sexy e atraente como você não teria ciúmes de um bobão como o Nicolas Mora. Mas esse quartel me paga, nunca vão entrar no meu apartamento quando eu tiver um. E falando consigo mesma não percebeu que o quartel já se despedia.

– Voltem mais vezes meninas, adoramos a companhia de vocês, não é Patricia querida?! Exigiu dona Eugênia que a loira concordasse com ela.

– Mas é claro que sim, não é todo dia que este bairro vê belezas tão exuberantes como a de vocês! Seria até um pecado negar a este bairro uma visão tão bela! Patricia respondeu ironica.

Depois que o quartel partiu Patricia conversou seriamente com Nicolas, no quarto dele, longe dos ouvidos de dona Eugênia.

– Nicolas quando é que eu vou poder ter a minha casa? Quero dizer a nossa casa? Patricia perguntou.

– Como assim Paty? Nicolas perguntou sem entender onde ela queria chegar.

– Você me pediu em casamento, eu aceitei por quantos anos você pretende me deixar de molho sem que nos casemos? Patricia perguntou furiosa.

– Assim que os papéis do casamento civil estiverem prontos no outro dia Paty, eu caso com você! Nicolas garantiu feliz da vida.

– Posso então procurar o meu apartamento, digo o nosso apartamento? Ela perguntou entusiasmada.

– Mas é claro minha deusa! Nicolas respondeu e foi cercado por muitos beijos e carícias da sua musa inspiradora.

Notas finais
Bem meninas como prometido mais um capítulo escrito e postado com imenso carinho e sem muita demora. Espero que gostem, beijinhos...