Finais Felizes Na Ecomoda.
1 Capítulo 1: Libertando um amor: Marcela Valencia.
Notas iniciais

Marcela ainda estava trancada em sua sala após a conversa que tivera com Beatriz a poucos instantes, refletindo e revivendo cada segundo e cada palavra. Abrir mão de Armando foi a coisa mais dolorosa que já fizera em sua vida, ela sentia-se amassada como uma folha borrada que não é mais necessária ao escritor. Relembrava a voz de Margarita dizendo-lhe que ela, Marcela, tinha nas mãos o futuro de muita gente e da Ecomoda, pois bem, certamente fizera o correto. Contara tudo a Beatriz, mas isso não significava que por fazer o que era correto era menos intensa a sua dor.
Patricia entra em sua sala e pergunta a ela o que conversara com Beatriz, se havia pedido a presidência para Daniel, mas ao ver a cara de tristeza de Marcela a Loura imaginou que Betty havia discutido com sua amiga e não estava disposta a entregar a Ecomoda.
– Marci o que aconteceu? Por que você está com essa cara de tristeza? Patricia realmente se preocupou.
– Contei tudo a Beatriz Patricia. Ela respondeu num fio de voz.
– Mas tudo o quê Marci? Não foi pedir a presidência para o seu irmão? Marcê o que esta acontecendo? Patricia insistiu.
– Daniel não pode assumir a presidência Patricia, isso é um fato. Mas o que conversei com Beatriz não foi somente sobre a empresa, entreguei a ela o meu amor Patricia. Marcela chora dessoladamente.
– Como assim entregou o seu amor Marci, do que você está falando? Patricia ficou seria.
– Contei a história de Armando que ela desconhecia, ela vai perdoá-lo, eles vão se acertar e eu vou morrer. É isso o que vai acontecer. Marcela chorava muito.
Patricia abraçou Marcela como se quisesse diminuir a angustia que dominava a sua melhor amiga.
Como Marcela supunha Beatriz já estava na produção fazendo as pazes com Armando e deixando para trás toda dor e amargura dos dias passados.
A noite chegou e todos já haviam se retirado da empresa, menos Marcela e Patricia que continuavam trancadas no escritório da vice-presidência comercial.
– Marci precisamos ir embora daqui. Falou Patricia.
– Eu sei Patricia. Mas quando eu sair por aquela porta nada mais vai restar. Eu não quero ir embora. Marcela declarou com lágrimas nos olhos.
– Marci eu preciso te dizer que eles já foram. O Armando e a Garfield já se foram e juntos.
Apesar das palavras de Patricia terem sido ditas da maneira mais delicada possível, elas atravessaram o coração de Marcela como adaga afiada. E como morta, Marcela Valencia se levantou da sua cadeira resignada e foi para o seu apartamento, juntamente com Patricia Fernandéz.
Armando já sentava-se como genro de seu Hermes e pedia permissão para namorar Betty. Ele a olhava como quem enxerga a luz do Sol pela primeira vez, depois de tanta escuridão finalmente Armando estava com a sua amada e nada era mais perfeito do que o sorriso luminoso de Betty, sua Betty. E nem mesmo as história enfadonhas do seu Hermes tiravam o bom humor de Armando Mendonza. Dona Júlia olhava com gosto o casal que repousava no sofá, sua filha finalmente seria feliz depois de tantos desastres amorosos.
O telefone de Armando tocou, ele assustou-se pensando ser Marcela, mas não. A pessoa do outro lado da linha era sua mãe, perguntando se ele não iria jantar com ela e com seu pai. Armando disse que não jantaria com eles pois já havia jantado na casa de Betty, mas ainda passaria na casa de seus pais para conversarem.
– Era a Dona Marcela? Perguntou timidamente Betty, mesmo ouvindo a conversa de Armando ela queria ter certeza de que a ex-noiva de Armando deixara de ligar para ele.
– Não. Respondeu Armando. Era minha mãe, perguntando se eu iria jantar com eles.
– Claro Doutor. Betty sorriu.
– Acho que não terei mais ligações de Marcela, nunca mais. Armando riu.
Pouco mais de onze horas da noite Armando chegava na casa de seus pais mais feliz do que uma criança na manhã de natal. Ele abraça a mãe e ri um sorriso sincero de satisfação.
– O que aconteceu Armando? Dona Margarita perguntou, mas já imaginava o que havia acontecido ao seu filho.
– Ela é minha mamãe. Betty é minha para sempre. Armando sorriu.
– Imagino que ela não vai mais renunciar a Ecomoda, então?
– Não mamãe, não vai renunciar. Vamos trabalhar muito e recuperar a empresa.
Armando segurou as mãos da mãe, olhou em seus olhos e contou-lhe tudo o que havia sucedido naquele dia. Contou-lhe em detalhes sobre a reconciliação inesperada com Betty, a expulsão de Daniel Valencia da presidência, o namoro de sofá na casa de seu Hermes e toda a sua alegria que era desmedida. Roberto chegou na sala e ficou escutando atentamente cada palavra do filho.
Fazia tempo que Dom Roberto não via seu filho tão tranquilo, tão feliz. E Dom Roberto sabia que Armando precisava de alguém como Beatriz ao seu lado pois diferente de sua querida Marcela, Beatriz depertava o melhor lado do seu filho. E no final tanto Dom Roberto quanto Dona Margarita estava satisfeitos com o rumo que as coisas estavam tomando.
No dia seguinte Dona Margarita telefonou para Marcela.
– Como você está minha querida? Dona Margarita perguntou em terna voz.
– Viva por milagre Margarita. Pra falar a verdade eu nem dormi esta noite. Eu não sei o que fazer, não sei para onde ir, estou perdida. Armando era todo o meu mundo, era tudo o que eu tinha, agora eu não tenho mais nada. Marcela chorou.
– Marcela, minha querida não fique assim. Esse romance com Beatriz é uma fase de Armando. Vai passar, assim como passaram todas aquelas mulheres na vida dele. Tenha paciência! Margarita tentava confortar Marcela.
Era inútil tudo o que sua ex-sogra lhe dizia, Marcela estava totalmente consciente de que Armando já não pertencia a ela.
– Margarita eu preciso desligar o telefone. Eu preciso de um tempo. Marcela falou calando o choro.
– Eu vou para o seu apartamento minha querida, chego aí em um minuto.
– Não é preciso, Patricia está aqui comigo. E eu preciso mesmo é ficar só.
– Esta bem, não vou insistir, mas me ligue mais tarde pois estou preocupada com você. Você é como uma filha para mim Marcela, não esqueça disso. Margarita falou.
– Sim, eu sei. Obrigada Margarita depois eu ligo para você.
Assim que Marcela desligou o telefone Patricia entrou no quarto trazendo uma linda bandeja de café da manhã. Apesar de tudo Patricia é mesmo uma boa amiga.
– Marci, olha o eu te trouxe... frutas, café, leite, torradas e neste caso o principal, chocolate.
– Ai Patricia, não gosto de doces. Marcela sorriu tentando esconder a tristeza aparente.
– Marci acredite em mim, eu sei o que é a dor de uma separação. Quando Maurício Bigman me deixou, eu pensei que ia morrer Marci. Ele era tudo o que eu tinha, por ele larguei a faculdade San Marino, por causa dele não tive filhos, para cuidar somente dele não fiz nada da minha vida, porque eu vivia para ele. E quando ele me pediu o divórcio, eu perdi tudo, porque eu só tinha ele. É verdade que me acomodei ao luxo, a riqueza, quem não se acostuma a coisas boas? Mas tive que seguir em frente.
Marcela abraçou Patricia, ela conhecia a história do divórcio mas nunca ouvira a versão tocante da amiga. E abraçadas se sentiram cumplices na solidão do apartamento.
– E curei minhas tristezas com muitos chocolates. Patricia gargalhou.
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