Fin De Siècle

4 O Funerário Demoníaco de Primeiro de Abril


Notas iniciais
Demorei muuuuuuito a fazer esse capitulo, bem, eu andava meio sem ideias. Após vocês lerem esse capitulo, tenho certeza que vão achar muuuuito sem história. Só não continueu a escrever, pois percebi que estava ficando meio grande. Mas, eu já tenho uma ideia pro próximo capitulo, e depois desse próximo capitulo, eu irei fazer tipo... uma continuação desse capitulo aqui. Vai ficar muito legal, tenho certeza. E por favor, caso esse capitulo não esteja aprovado... não joguem pedra em mim >< O ano está acabando, então me concentrei nas provas >< Aiaiai se eu pegar recuperação...

Fin de Siècle

Fim do Século

Uma semana se passou e, a rotina do hospede não mudara, tomava chá da manhã com os bonecos, observava, de longe, o bailar da bailarina e, com freqüência visitava o primo em seus aposentos.

__ Sebastian? -- Chamou o lorde, sentado à beira da cama.

__ Sim, meu lorde. -- Respondeu o mordomo com cortesia.

Louis olhou para seu reflexo no enorme espelho pendurado na parede do quarto e, com certa angustia, não o reconheceu.

__ O senhor está belíssimo, como sempre, meu lorde. -- Disse o mordomo quando percebeu que o pequeno encarava a se próprio no espelho.

__ Belo? -- O menor continuou a encarar-se, sem sorrir. -- Infeliz. Angustiado. Irritado. E belo. Ah sim, muito belo. Mas não é sobre a minha aparência que desejo conversar com você. Chamei-lhe para disser que desejo visitar, hoje, a cidade. Juntamente com o meu primo. Espero que assim possa acalmar o coração do coitado. E você está encarregado dos preparativos para a minha saída.

__ Sim, meu lorde.

Kouta

Hoje cedo recebi a feliz notícia que iríamos à cidade, ou seja, deixar a mansão assombrada.

Kouta vestiu-se com as mais belas e limpas roupas que encontravam-se na mala que trouxera de casa e foi sentar-se a mesa com os bonecos para tomar o costumeiro chá da manhã inglês.

“Pequeno! Que demora! Vamos, entre, entre!” Disseram os bonecos em uníssono.

__ Calma, cheguei na hora de sempre. Não me atrasei. -- Respondeu Kouta na defensiva.

“Nós sabemos. Mas estamos ansiosos para recebê-lo” O Chapeleiro Maluco abraçou fortemente Kouta, fazendo com que suas costelas estalassem.

Ambos os bonecos sentaram-se, separados por uma única cadeira, cadeira que Kouta se sentaria.

O boneco de cabelos louros serviu-os uma xícara de perfumoso chá de frutas vermelhas acompanhado de pães com pavê.

__ Excelente chá! -- Exclamou Kouta animado.

“Obrigado. Esse chá fui eu mesmo quem fiz.” Disse o louro.

Após o chá, o pequeno se despediu dos bonecos e foi encontrar-se com seu primo no portão da mansão. Quando lá chegou, deparou-se com Louis Diel já a sua espera.

__ Oras primo, atrasou-se cinco minutos do prometido! Vamos, vamos. Suba logo.

Sem tempo e possibilidade de responder, pulou rapidamente para dentro do carro e atou o cinto. O luxuoso carro preto, assemelhava-se a uma pequena limusine. Kouta sentia-se desconfortável por estar na presença do primo que, como era menor de idade, teve de sentar-se na parte de trás do carro juntamente com Kouta.

O pequeno observava as árvores, embaçadas pela velocidade do carro, e pensou no quanto desejava poder voltar para casa. E mesmo o dia estando ensolarado, sentiu frio e uma única maldita lágrima escorreu por seu rosto. Chorão, isso que eu sou. Limpou-a antes que o primo visse.

O clima dentro do carro estava tenso, todos mudos, como se os lábios tivessem sido costurados. Motorista, lorde e hospede.

Em um momento, passaram entre um jardim de rosas. Rosas de todas as cores, um arco-íris em meio ao verde da grama.

E o pequeno lembrou-se das rosas vermelhas e do fantasma que conhecera. A criatura grotesca e imunda, mas que possuía os mais belos cabelos. E junto com esses pensamentos sobre beleza, outro rosto de sobrepôs ao do fantasma. O rosto da bailarina. E, sentado na poltrona do carro luxuoso e silencioso, pôde ouvir os violinos cantando, as notas arrastadas do piano e, até mesmo, o leve ressoar de tambores. O quarto negro com as luzes postas no vestido rodado da bailarina...

Kouta suspirou profundamente fazendo com que o primo o encarasse.

__ Estás bem? Quer que abra o vidro? -- Perguntou o lorde preocupado.

__ Não... Está tudo ótimo. Para qual parte da cidade nós iremos?

__ Irei ás compras. Preciso de alguns... Ingredientes, para a sobremesa de amanhã. Caso queira, podemos dar umas voltas mais tarde...

O carro encostou-se ao meio-fio. O motorista, elegante e charmoso, abriu a porta e deu passagem para que o pequeno passasse, e repetiu o mesmo ato com a outra porta.

Agora Kouta pôde ver o belo e formal terno que o lorde usava e sentiu-se desconfortável.

Louis Diel

Louis encarou os olhos curiosos de Kouta e viu o quanto o primo era belo, mesmo com roupas tão simples.

O lorde subiu o olhar para a placa que anunciava o nome do local o qual estavam indo.

“Funerária”

“Só para os mortos.”

“Mas se tiver dinheiro, pode entrar.”

A Funerária era construída com madeira velha e cheirava a morte. Louis Diel sabia que sua reputação era grotesca devido aos lugares os quais freqüentava, mas pouco se importava. Sem olhar para trás, subiu os poucos degraus imundos que levavam à porta de madeira mofada da funerária. E a empurrou, devagar, para apreciar o ranger da madeira. É como a cartilagem de um velho, pensou porém, é um pouco mais assustador. Assim que a porta foi totalmente aberta, ventos gélidos passaram por ele, fazendo com que este arrepiasse de tensão.

__ Venha rápido, ó meu querido Kouta. Ou ficará perdido nos labirintos de mortos desta funerária. -- Disse Louis, vendo o semblante preocupado do primo e achando graça.

__ Funerária? -- Perguntou o outro, perplexo e temeroso. -- O que iremos fazer em um lugar como este?

Novamente, o vento despenteou a cabeleira de ambas as crianças. Kouta correu disfarçadamente até Louis, que esperava, paciente, o primo.

__ Confie. Siga-me. E verás.

Kouta

O Funerário Demoníaco

De Primeiro de Abril

Kouta seguia o primo nos corredores escuros da funerária. Via-se cadáveres jogados pelo chão. O pequeno lutava para não olhar para as órbitas vazias dos mortos, os quais se encontravam em posições espantosas, como se tivessem gritando por socorro. O menor sentia angustia apenas por observar os ossos deformados, cobertos por uma fina e apodrecida camada de carne humana, tombados no chão de madeira velha.

__ Pare de olhar. -- Disse Louis de repente. -- Estão mortos.

Após virarem uma curva, uma luz surgiu no final do corredor.

Kouta apressou ainda mais o passo, tentando alcançar a claridade sem ter que agüentar o terror de outras órbitas sem vida. Porém, na pressa e ousadia de alcançar a luz, tropeçou em um braço morto e caiu no chão, na pilha de podridão humana.

Um grito agudo escapou de seus lábios e seus olhos se fecharam com força, com o desejo de nunca mais voltarem a se abrir, pois sabia o que era a coisa pegajosa a qual estava deitado.

__ Preste mais atenção por onde anda. Levante-se. -- Disse Diel, irritado com a idiotice do outro. __ Quer continuar deitado em cima de corpos em decomposição?

Vendo que não obteria respostas, Louis andou em direção à luz, só olhando para trás ao dizer:

__ Pois que fique aí até os fungos comerem a sua pele. Eu estou indo.

Kouta estava com medo de chorar. Com medo dos fungos os quais o primo dissera. E com medo, com muito medo, do corpo embaixo de si, se levantar! Era apenas uma criança com medo do escuro e do suposto tigre demoníaco embaixo da cama.

“Não sou mais uma criança. Tenho catorze anos. Tenho que me levantar! Mas não vou abrir os olhos.”

Lentamente Kouta foi se mexendo. Apoiando, cuidadosamente, o corpo. Sempre com os olhos fechados. Até que pôs-se de pé! E, ainda com os olhos fechados, pôs-se a correr!

Soube que estava no final do corredor quando uma forte claridade atingiu seus olhos, que mesmo fechados conseguiam captar a luz.

E só então, o pequeno abriu os olhos.

__ O que diabos é isso?! -- Gritou Kouta, horrorizado com o que via na pequena saleta.

As paredes estavam lotadas com estantes de... de... ursinhos! Usinhos de todas as cores e tamanhos!

Ursinhos, patinhos, vaquinhas e gatinhos! Em uma funerária!

__ Louis Diel me trouxe um visitante, e nem me contou!

O pequeno ainda não havia notado a presença do homem estranho. O homem era alto, tinha cabelos brancos que arrastavam no chão, usava um enorme chapéu de mágico (aliás, isso o tornava ridículo), a franja tampava o rosto do homem, só deixando à mostra a boca de dentes afiados. Usava um casaco marrom comprido e a calça, larga, de um tom mais escuro. E o homem era esplendidamente alto, belo e engraçado!

__ Não lhe avisei pois pensei que, meu querido primo, havia se tornado parte dos seus corpos podres. -- Explicou Diel ao ‘mágico’, que desabou em risadas estridentes.

O pequeno corou e parou de prestar atenção à conversa do primo para continuar a analisar a sala a qual estava.

Havia também, ursos maiores, nos cantos da sala. Os brinquedos eram como todos os outros brinquedos que Kouta já vira, a não ser pelos olhos. Nos olhos de cada um havia uma pequena chama, como se estivessem vivos. Pare de pensar besteiras Kouta!

A sala era muito iluminada e assemelhava-se com uma pequena loja de brinquedos e não combinava em nada com o homem estranho, que agora sabia ser o funerário. O pequeno chegou a essa conclusão devido as conversas entre o lorde e o ‘mágico’.

__ Venha Kouta, despede-se do maluco e vamos.

__ Ó, por favor, magnífico lorde Diel, não me chame de maluco. Não se vá ainda, senhor Kouta. Tenho um presentinho para lhe dar. -- O funerário estendeu a mão, com uma pequenina caixinha vermelha sufocada por um grandioso laço dourado, para o pequeno. -- Venha. Pegue. É seu!

Kouta olhou para o primo em busca de apoio, mas o lorde apenas o olhou rabugento. Não vendo alternativa, a não ser aceitar o presente, o garoto rastejou-se até o grande funerário.

Quando estendeu as mãos para alcançar o pequeno presente, rapidamente o funerário fechou as mãos. Vendo o rosto de desentendido do menor, o ‘mágico’ não teve opção a não ser desabar em risadas.

“Sabe...” Dizia o funerário enquanto enxugava as lágrimas causadas pelas gargalhadas. “Digamos... É um presente muito especial. Portanto, terá que conquistá-lo.”

__ Conquistá-lo? -- Perguntou o pequeno não entendo a brincadeira do homem.

Novamente, desabou em risadas, e teve que bater os pés no chão para conter-se.

__ Estou apenas brincando com o senhor. -- Disse o funerário, recompondo-se. -- Agora que o vejo mais perto... Senhor Tashi, o senhor é muito belo. -- O homem aproximou-se do rosto de Kouta, e sussurrou, colado em seu ouvido: -- Se o senhor fosse um brinquedinho, tenho certeza de que seria um ursinho. Um ursinho do rosa mais belo e puro. E sabe o que é melhor? Se o senhor fosse um ursinho, poderia ficar aqui na funerária para sempre. Poderia ficar comigo eternamente.

Kouta estava congelado, não sabia como reagir. Mas, para quebrar a tensão, o milagroso e enorme relógio soou. E rapidamente o funerário endireitou-se e estendeu as mãos com o presente para o pequeno.

__ Pequeno, só há uma coisa. Você só pode abrir o embrulho quando chegar na mansão Diel. E, por favor, não precisa me agradecer pelo presente. Pois isso já pertencia ao senhor. E não sou eu quem o está devolvendo. Foi um grande amigo meu quem o enviou. -- Disse o funerário antes que ambos os rapazes partissem.

Após saírem da funerária, os primos passaram em uma lojinha de chocolates, e ambos provaram de todos os doces que encontraram. Depois de satisfeitos, voltaram para o carro luxuoso, onde o mesmo motorista de antes o esperavam.

Na volta para a mansão, pegaram um atalho e chegaram rapidinho. O pequeno até mesmo esquecera-se do pequeno embrulho guardado desleixadamente no bolso de trás da calça jeans.

Kouta deixou-se cair desleixadamente na cama, pois estava exausto.

Enquanto lutava para encontrar uma posição confortável na cama, sentiu a elevação no bolso de trás, e no mesmo instante lembrou-se do presente.

O pequeno ficou irritado consigo mesmo por ter esquecido coisa tão importante como esta. Levantou-se rapidamente e tirou o pequeno embrulho do bolso da calça jeans. Segurou-o com ambas as mãos e maravilhou-se com a pequena miniatura, perguntando-se o que estaria escondido naquela caixinha.

Puxou a fita dourada e brilhante, e o laço se desfez. Sem o laço, o presente perdera a graça.

Hesitante, o pequeno retirou a tampa da caixinha. Preso na tampa do embrulho, havia uma espécie de carta. O papel era muito suave e parecia dissolver nas mãos do garoto. E com letras perfeitas, escrito em vermelho sangue:

“Ainda hei de cobrar minha dança”

De inicio, o pequeno não entendera a mensagem, pois seus olhos estavam fixos no objeto que estava dentro do embrulho. Uma rosa morta, já com as pétalas marrons e velhas. Aterrorizado, Kouta cuspiu uma poça de sangue sobre a rosa e trancou-se no banheiro, precisava tomar um banho e se recompor do susto.

Mas Kouta não percebera que, devido ao sangue que cuspiu, a rosa sucumbida, ganhara o mais belo tom de vermelho escarlate...

O que o faz ser o Funerário Demoníaco de Primeiro de Abril?

Por mais que seja sinistro e cruel, o homem é apenas uma criança com uma coleção de brinquedos mortos.

Mas se ele gosta de você, você pode até odiá-lo, mas você será, para sempre, o seu ursinho predileto.

Notas finais
Então, caso queiram me criticar ... >< Ou me elogiar... XD É só mandar um reviewr.
Essa fanfic tá POWER SEEEM reviewr. Agradeceria muuuuuito que ALGUÉM NESSE MUNDO AMADO E CRUEL mandasse um reviewr :/
Ou ao menos virasse leitor da fanfic XD /brinks/
Só estou dizedo que estou muito sem incentivo para continuar a escrever essa fanfic :/
BjsBjs, agradeço a quem ler! E no próximo capitulo vou deixar agradecimentos pelos reviwrs de cada um! Digo a verdade!
:*
Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.