Fim dos tempos 2
59 Capítulo 59 - Se libertando
Notas iniciais
Pov – Tommy
Depois daquele momento dramático em que ficamos assistindo Carl em sua luta pessoal nos dispersamos, fica decidido que o grupo novo segue para Vila, lá o bebê podia se alimentar até o leite da mãe se fortificar um pouco, eles não parecem ainda muito confiantes, acho que tenho muito a ver com isso, mas o que posso fazer?
Pegaram justo Megan, se fosse um dos homens de Horizonte talvez eu não tivesse sido atingido daquela maneira, mas fui e penso um pouco sobre o mostro que me domina, se Carl conseguiu se livrar dele para mim tudo parece mais difícil, não sei muito lidar com ele, com esse ódio que me domina as vezes, com a dificuldade em conviver com as pessoas.
Pouca gente tem poder sobre mim, Gina tinha, invadiu minha vida e dizia e fazia o que queria, Katie é um pouco assim, está sempre se intrometendo em tudo, não me teme, Liv está começando a achar seu espaço na minha vida, gosto da menina, simples assim, ela chegou do nada e gosto de saber que está bem e feliz, ela me faz bem, é doce e sensível tenta cuidar de mim, das minhas coisas, está sempre me oferecendo comida, cuidado, me deixa irritado às vezes, mas gosto até disso.
Michonne é outra história, ela ocupa um espaço que nem conhecia, me deixa ardendo por ela, e me irrita, me provoca, esquenta meu sangue de todos os modos, mas também está sempre ali, do meu lado, companheira, sem julgamentos, apenas aceita quem eu sou, não ficamos de conversinha, não saímos por ai de mãos dadas, nem temos apelidos bobos como os casais que conhecemos, mas quando estamos sozinhos então é dinamite pura e não sei explicar isso, nem quero me livrar disso como achei que queria.
Dividimos a cama, nos primeiros dias cada um tinha seu quarto, mas sempre acabávamos na mesma cama e por fim passamos a dividi-la, claro que ninguém falou sobre isso, fingimos que nada acontece e isso parece infantil e me irrita ser assim.
─Como eu queria saber o que tanto pensa! – Katie me pergunta quando caminhávamos para os carros, olho torto para ela, prefiro dez zumbis me devorando a dividir meus pensamentos com ela – Mas acho que sei.
─Ótimo Katie, então guarde para você.
─Isso eu queria ver! – Daryl brinca de mãos dadas com ela.
─Está repassando sua vida, não sabe o que fazer com a Liv nem com a Mich.
─Errou! – Digo sem convicção, ela ri despreocupada.
─Mente muito mal Tommy, sabe o que eu acho?
─Não, mas vai me dizer, tenho certeza.
Ela sorri, Daryl olha para ela e acho muito estranho esses dois, o jeito como são encantados um pelo outro, nunca vi Daryl lançar um olhar para ela que não fosse o mais puro olhar amoroso, nunca os vi brigar de verdade, ou ficarem separados, nenhuma reclamação verdadeira, nunca se cansam um do outro.
─Liv precisa de você, a menina é louca por você, eu sei que é porque ela não esconde aquele olhar carinhoso e preocupado, e você precisa dela e pode ajuda-la a ser feliz, o que você diz é lei para ela.
─Gratidão apenas! – Eu digo quando paramos os três um pouco antes de chegar no carro.
─Quem sabe, mas meus ratinhos começaram assim, tinham o mesmo olharzinho para nós, então não fuja da menina, ninguém vai te achar menos mal se deixar ela fazer parte da sua vida.
─Ela já faz isso Katie, me perturba o dia todo.
─E a Mich...
─Não vai me dar conselhos amorosos, Daryl controle sua mulher – Eu peço, ele apenas faz um movimento demonstrando que não pode fazer nada, suspiro.
─Você e a Mich são parecidos demais, devia ser você a se abrir um pouco, sabe que quer fazer isso, é só olhar, podiam formar uma família, já dormem juntos, a Megan já me contou, namorem então, tipo fala com ela, assumam uma relação.
─Acabou? – Ela afirma – Ótimo, não vou fazer nada disso, cuide da sua vida.
─Sabe que isso vai ficar martelando sua mente, tipo minhas palavras serão como um fantasma te atormentando – Eu olho dela para Daryl ele prendia o riso, para que vou querer uma mulher na minha vida, para ficar feito o idiota do meu melhor amigo?
─Vocês já estão indo embora não é? Você e essa sua praga.
No carro as pessoas se arrumavam para seguir viagem, Rick levava alguns deles num carro, Daryl ia em outro com mais alguns e Megan e Carl seguiam com Selena e o bebê.
─Eu e o Tommy vamos em dois dias com um cavalo e voltamos com um dos carros.
Mich avisa e está louca se acha que vou cavalgar um dia todo com ela num único cavalo, perto assim vamos demorar um mês para chegar, não consigo ficar perto dela sem leva-la para cama.
O grupo parte depois das despedidas, Liv vem para perto de mim quando Jay volta para o trabalho e Mich vai cuidar de sei lá o que.
─Tommy, você sente falta de morar lá na vila?
─Moro lá ainda Liv, aquele é meu lugar, estou apenas um tempo aqui, mas vou voltar.
─Eu... é que, tem uma coisa que quero falar, mas eu não sei muito como.
─Com a boca Liv, comigo funciona assim – Então as malditas palavras de Katie me vêm à mente, respiro fundo, a menina quer conversar, não custa, me sento com ela num banco de praça que tínhamos em uma das alamedas, ela torce os dedos – Pode falar.
─Vou falar assim tudo de uma vez, fica mais fácil – Ela me dá um sorriso fraco – Eu e o Jay, a gente você sabe, não aconteceu ainda...
─Merda Liv, porque tem que falar disso comigo, não serve a Mich? A Katie e a Megan estavam aqui até agora.
─Estava tudo bem, eu estava achando que ficaríamos todos aqui e conversei com a Megan e me decidi e tudo, mas vi como fica mais feliz com eles e pensei que logo vai querer voltar então acho que não vou... Você sabe... eu e o Jay...
─E porque não, ele é seu namorado e gosta dele.
─Mas disse que a gente vai embora.
─Eu disse que eu vou, mas você pode ficar.
─Acontece que se vai embora eu também quero ir, porque é minha família e não admite muito, mas precisa de mim.
─Não preciso de coisa nenhuma, e não quero uma garotinha atrás de mim.
A menina me olha espantada, os olhos ficam marejados, eu só faço merda, que boca grande essa minha, gosto dela, é boa comigo, se preocupa, está disposta a abrir mão do rapaz por mim e o que faço? Estrago tudo, ela já se levantava para sair quando seguro seu braço.
─Senta Liv, não foi isso que quis dizer, na verdade foi, mas é porque sempre faço isso com as pessoas, não sou esse cara legal que acha que sou, nem imagina as coisas que já fiz na vida, se visse o que fiz com Tom talvez estivesse correndo de mim agora.
─Como o Carl, eu sei que se vê assim.
─Quem me conhece também.
─Eu conheço e não acho, as vezes fica gritando comigo e mesmo com o Jay, mas a gente te entende, então não tem nada errado com você.
─Olha Liv, vamos combinar uma coisa, gosto de você e de saber que cuida de mim, e somos uma família, e as vezes as famílias, ao menos antes moravam longe, nem é tão longe assim um dia e estamos perto, não vê como o Daryl chegou rápido? Então você constrói sua vida com o Jay e eu vou sempre ficar por perto, indo e vindo assim como vocês, mantenho minha casa aqui e seu quarto lá, para quando for ficar comigo.
Ela me abraça, correspondo, deixo que se acalme e depois nos afastamos, ela sorria, me abraça de novo, acabo sorrindo.
─Vai lá dizer para seu namorado que está decidida.
─Achaque ele vai pensar...
─Acho que vai ficar tão feliz que nem vai pensar muito.
Ela sai correndo ao encontro de Jay e sigo para casa, entro despreocupado, até um pouco mais leve e então dou de cara com Michonne secando lágrimas, aquilo é confuso para mim, que dia sem fim, mulheres são mesmo uma coisa difícil.
─Está chorando? Quer dizer, está eu sei, mas está doente? Ou é coisa de mulher?
─Você perde muitas chances de ficar de boca fechada.
─Acredite, eu sei – Me sento a seu lado, que seja, vamos colocar todos os pingos nos is – Ficaria feliz em saber o que foi, sei que acha que não ligo, mas realmente não gosto de te ver assim, acabo de descobrir é claro porque nunca te vi assim antes.
Michonne seca o rosto e me olha, acho que pensa a respeito, pondera.
─Mich, vamos logo resolver isso?
─Tive um filho, deixei com o pai no meio do apocalipse, sai em busca de suprimentos, ele morreu, nunca mais confiei algo que importasse a alguém.
─Tipo seus sentimentos?
─Sim, conheci o grupo da prisão assim, fechada, mas sabe como eles são, vão invadindo sua vida sem dar chance de fugir – Sorrimos, sei como é – Quando vi fazia parte deles, era da família, não sabe, nunca vai entender como foi a queda da prisão, a morte de Hershel, o peso de tudo aquilo, o quanto lutamos por aquele lugar, as perdas, vi tudo de um ângulo diferente, do lado de fora, ajoelhada ao lado de Hershel, o homem mais integro e inabalável que já conheci.
─Sente culpa?
─Todos sentimos, eu cacei aquele marginal, dia e noite, baixei a guarda, deixei o Hershel me acompanhar lá fora e então ele me pegou, me colocou de joelhos diante da prisão e me fez assisti-lo ameaçar minha família, usou minha Katana para cortar o pescoço de Hershel, ele tombou do meu lado sem que pudesse fazer nada.
─Sei o quanto é difícil se sentir impotente, passei por isso.
─Enfiei a espada no marginal, vinguei Hershel, mas depois disso, bom segui em frente com o resto da família, nos reerguemos, você e tantos outros chegaram, como diz coloquei o monstro para dormir.
─Mas ele acordou naquela floresta.
─Sim, me fez pensar sobre tudo, sobre nós dois, sobre a vida que levo, sobre o apocalipse.
Meu coração dispara, incrivelmente me da medo, um medo diferente que não conhecia, medo de Mich estar terminando tudo e me dou conta que realmente gosto dela, não quero ficar longe se for isso que ela vai dizer eu vou ficar sem chão.
─Sabe minha história Mich, meu passado, o quanto chegar aqui foi difícil, mas eu... bom as coisas estão se ajeitando agora, finalmente, se acomodando.
─Quero uma vida Tommy, não o que tenho, dias e dias esperando desesperadamente por alguma ação que me faça esquecer, quero ficar longe desse monstro, não quero mais me sentir como aquele lixo, o baque do que fiz... a verdade na minha cara, as palavras de Rick, chega.
─Entendi, mas esse chega, bom ele... nós dois, quer dizer...
─Se estou colocando um fim? – Ela me pergunta, os olhos firmes me encarando.
─Está?
─Depende, quem é você Tommy, o que quer?
─Eu? – Que merda, o que deu em todo mundo, o que ela quer ouvir?
─A verdade Tommy, sabe o que quer?
─Quero... Quero tudo, quero o que a gente tem e sei lá, eu posso... Não sei muito essas coisas românticas... mas quero as coisas que podemos ter.
─Um compromisso?
─É o que quer? Aceito – Beijo Mich, não daquele jeito voraz de sempre de um modo suave, mas então ela passa o braço ao redor de mim e então começo a arder por ela – Mas não vamos andar por ai de mãos dadas, nem ter apelidos românticos – Ela me olha e fico pensando que talvez ela queira algo assim – A menos que seja importante para você.
─Não fala bobagem, se fizer isso corto sua língua e sua mão! – Ela me ameaça.
─Olha ai o monstro querendo atacar! – Provoco, ela ri e lá estamos nós envolvidos de novo – Precisa saber que temos uma filha, não vou ficar falando de sexo com a Liv, você vai.
─Cala boca Tommy, vem!
Pov – Liv
Tommy realmente me assustou, mas sei que ele só tem medo e no fim acabou se rendendo, vamos ser uma família e acho que ele vai acabar ficando mais aqui do que lá, porque ele sempre se preocupa comigo e não vai ficar longe.
Agora vem meu real problema, Jay, como vou dizer isso a ele? Que quero ser dele, de verdade que não precisamos ficar entre beijos castos e carinhos suaves.
─Oi – Jay surge em casa, tomo um susto que derrubo o prato, ele se quebra em mil pedaços – Que susto!
─Que foi isso? – Ele ri – Pensou que era um zumbi?
─Não estava distraída, pensando em outra coisa e então você chegou silencioso, não sabia que estava chegando.
─Eu sabia que estava sozinha, que ficou muito preocupada com tudo que aconteceu e vim ficar com você, resolvi umas coisas e corri para cá.
Como ele sempre sabe o que dizer, dou um beijo leve em Jay.
─Estou preparando o jantar.
─Vamos comer sempre aqui agora? Quer dizer achei que ficaria como antes só no refeitório, não foi porque a Megan e o Carl estavam aqui?
─Sim, quer dizer eu pensei que hoje a gente podia comer aqui, precisava me distrair um pouco e pensei que era um bom jeito.
─Tudo bem então, deixa eu te ajudar com essa bagunça.
Limpamos a sujeira, depois ele segue para um banho e fico cozinhando, logo ele chega de volta, termino e deixo Jay sozinho, tomo um banho, me olho no espelho, não sei como dizer, como mostrar.
Começamos a comer e estou silenciosa, ele me olha de vez em quando, devia ser romântico, mas está cada vez mais constrangedor.
─Quer mais?
─Não, estava ótimo, conversou com o Tommy hoje, tudo bem?
─Sim, ele você sabe, anda pensando em voltar para vila, quando tudo estiver bem por aqui.
─Acho que agora entendi porque está assim – Jay se levanta, anda de um lado para outro – Tommy vai embora e vai com ele.
─Não é isso, está errado – Paro na frente dele – Conversamos e eu vou ficar aqui com você e ele vai ficar nos dois lugares, falei até que... que nós dois nunca...
─Falou sobre isso com o Tommy?
─Ele é minha família, com quem mais seria? Ele disse que eu devia dizer a você.
─Dizer o que?
─Isso que vou ficar... Com você entende, que eu já estou pronta para ir além.
Jay fica me olhando um minuto, processando o que falei, depois sorri, me puxa para ele, me faz um carinho leve.
─O que foi?
─Amo você – Ele me diz, fico corada, meu coração dispara – Poderia esperar mil anos, mas saber que está pronta, quer dizer tem certeza, não é apenas porque o Tommy pensa em partir?
─Não isso é porque te amo, e quero ficar aqui e construir minha vida com você.
Então Jay me beija, me envolve, ficamos ali, nos beijando trocando carinhos, depois ele segura minha mão e caminhamos para seu quarto, ele é gentil, carinhoso, vai de vagar me fazendo relaxar, me envolvendo e quando me dou conta estamos na cama, nus e então enquanto me beijava de modo apaixonado sinto meu corpo sendo invadido pelo dele, é bom, esperado, desejado, pela primeira vez eu queria e não sinto medo, só prazer, vamos nos encaixando, aproveitando cada segundo, ele é tão carinhoso que nem acredito, diz coisas bonitas, me olha, me beija, me faz acreditar.
─Você é perfeita sabia, me apaixonei por você no minuto que te vi! – Ele sussurra, suspiro, gemo, não sinto qualquer pudor, tudo ali parece permitido e bonito, as coisas então saem do meu controle, nunca achei que pudesse ser assim, me esqueço tudo que não seja seu corpo e o meu e então uma onda de prazer me invade, me domina e arrebata, ficamos imóveis nos olhando.
─Foi perfeito, nunca pensei que eu pudesse ser assim, viva, achava que não podia sentir essas coisas.
─Vamos ter muitos momentos como esse, cheios de vida.
─E vamos morar juntos não é? Quer dizer, vou dormir aqui agora, com você, todos os dias?
─Que mulher apressada, nem espera eu pedir! – Ele brinca comigo, fico um pouco envergonhada – Vamos sim, é minha mulher agora.
Me arrumo em seus braços, suspiro feliz e ele me aperta nos braços, continua carinhoso, me beija.
─Liv, quando aceitei ser o líder deles eu pensei que seria por pouco tempo, mas o fato é que estou gostando de cuidar das coisas, acho mesmo que posso fazer esse lugar ir longe, prosperar e me dá medo abrir mão de tudo por alguém que sei lá, pode acabar nos levando onde Carol nos levou.
─Acho que é um líder perfeito para eles.
─Aceita isso? Vai ficar do meu lado, não vai ser fácil, será muito trabalho, está disposta a construir esse novo mundo comigo?
─Desde que o apocalipse começou espero minha morte, dia após dia achava que seria a próxima, agora me convida para reconstruir o mundo que sempre achei morto? É tudo que quero Jay.
─As pessoas gostam de você, te tratam como um tipo de primeira dama, esperam sua ajuda, seu apoio, pode fazer isso, me ajudar a dar esperança e conforto para todos, como meu pai queria?
─Vamos fazer isso!
Sim, era assim que seria, nós dois reconstruindo um mundo, ajudando as pessoas, trabalhando lado a lado com a Vila e todas as outras comunidades que surgirem no nosso caminho.
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