Fim dos tempos 2

60 Capítulo 60 - Somos uma coisa só


Notas iniciais
Oi gente! Aqui estou, em primeiro lugar quero agradecer muito a Juliana Soares, recebi uma recomendação, ficou linda e me deixou muito emocionada, é o último capitulo e fico feliz de saber que mesmo depois de tanto tempo ainda recebo uma recomendação, faz valer a pena, é prova de que a fic não ficou chata no meio do caminho, Obrigada Jú! Não tenho palavras para dizer como foi importante. Também quero agradecer todo mundo que acompanhou, os que deixaram comentários, os que não deixaram, fanstasmas como chamam, para mim tão importantes quanto os outros. Todo mundo sabe do carinho especial que tenho por essa fic, como gostava de contar essa história, demorei para escrever esse último capitulo simplesmente por que não queria terminar, mas é assim, terminar antes que fique chata e cansativa, sempre posso voltar aqui e vocês também. É isso. OBRIGADA!!! A TODOS E A CADA UM!!!!!! adorei dividir isso com vocês.

Pov – Katie

─Oi mamãe! – Megan entra sorrindo, tão linda, agora uma mulher, forte e decidida, dona das ruas, aquele sequestro há seis anos a transformou numa líder, sua voz é ouvida, ela é admirada e querida não apenas na vila, mas em Horizonte e também em Esperança, Miguel e sua família, com a nossa ajuda fundou o lugar e hoje é tão próspero como o resto – Reunião das irmãs calamidade, me dá até medo! – ela me beija e se senta ao meu lado.

─Viemos mais cedo esperar a reunião do conselho – Beth me diz sorrindo – Cadê seu marido?

─Inspecionando coisas com o seu marido! – ela sorri para Beth – Desde que Carl resolveu que o pai é um cara fantástico eu o perdi um pouco, mas fico tão feliz de ver que tudo ficou no passado.

Jane entra correndo, ficou uma mocinha linda, lembra até um pouco Maggie, não fosse os olhos escuros, que Glenn garante ela puxou dele.

─Oi meninas, mãe você viu meu pai?

─Sim, ele está lá fora, não vá lá que ele tem um enfarte se passar dos portões! – Ela se senta no colo de Maggie, fez quatorze anos, mas isso parece não ter muita importância – O que queria?

─Só ficar com ele mesmo, gosto de ajudar o papai.

─Todo mundo só quer saber de pai nessa Vila, que droga, e eu? Não sirvo para nada?

─Serve mãe, a gente fez dia de menina ontem, passei o dia com aquele cabelo arrumado e tudo, achei que hoje era dia de menina e pai!

─Esse dia não existe, acabou de inventar – Maggie sorri alisando o cabelo de Jane que a abraça, Jane foi um presente que o universo enviou a Maggie, ela beija a filha – Vá pedir para algum adulto te levar até seu pai sua chata.

─Eu já devia ser adulta! – Jane reclama, depois acena e nos deixa.

─Bom eu só vim dar um beijo mesmo, estou indo para oficina, tenho muito trabalho, o Nick não para de inventar moda e eu e o Jimmy ficamos nos matando para por em prática.

─Vai filha, mas admita se esse negócio de energia solar que ele e o Jay inventaram funcionar vai ser perfeito.

─Vai, mas eles não inventaram a energia solar mamãe! – Megan me beija, depois assim como Jane deixa a casa.

─O Tommy e a Mich devem estar chegando, será que o Jay vem com eles? – Maggie pergunta.

─Acho que não, o bebê da Liv só tem três semanas, duvido que ele venha sem ela.

─O meu ratinho disse que depois do parto não sabia quem estava mais idiota, o Jay ou o Tommy, nos três dias que ficou lá disse que só viu o Tommy colado no berço.

─E por falar no Nick, por onde anda ele? – Beth pergunta tomando um gole do chá fumegante.

─Foi para esperança ontem, deve chegar para a reunião, ainda bem que esperança fica a três horas daqui, porque ele vai e vem toda semana.

─Não sei como o Jimmy deixa a Amy ir com ele, se fosse o Glenn a pobre da Jane só veria o namorado com supervisão.

─Ela já está uma moça, logo arruma um namorado, daí vai ver que sofrimento, ele parece o Daryl, todo ciumento – eu brinco e elas riem.

─Fico pensando se um dia o Matt vai mesmo bater na minha porta – Beth comenta – Me dá pena do Rick só de pensar.

─Sabe Beth eu acho que não demora, aqueles dois não se desgrudam.

─Só quero ver convencerem o Matt a fazer isso, aquele garoto é a cópia do pai, parece que não precisa de nada, sempre com aquela besta nas costas, dono de si e de tudo a sua volta, nem fez treze ainda e já sai lá fora, caça, acerta zumbis, é impressionante.

─Estão certas, só quem manda no Matt é a Judy – Sorrio, meu pequeno caçador é um menino forte, está sempre ocupado seguindo o pai, cuidando das coisas, tem uma coragem que impressiona – Já viram como ele fica perto dela, da vontade de apertar os dois!

─Já pensaram que um dia vamos ser vovós? – Beth diz e recebe caretas em resposta.

─Eu não, que horror Beth, já pensou alguém me chamando de vovó Katie? Me dá medo, além disso acho que a Megan e o Carl não vão ter filhos, os dois nem pensam nisso, a vida deles é muito agitada.

─É maninha, mas você tem mais dois filhos! – Beth ri, Maggie me olha concordando com ela.

─Nick tem dezoito anos só, e o Matt é meu bebê, nem pediu a Judy em namoro ainda, definitivamente falta muito.

Eu as deixo um instante, vou na cozinha buscar mais chá, o dia está mais frio do que era esperado para aquela época do ano, coloco água no fogo e vou até a janela da cozinha, apenas queria ver o céu, mas bem perto da janela estão Matt e Judy.

─Vou dar uma volta lá fora com meu pai, não devo demorar – Matt diz passando uma mecha de seus cabelos para traz da orelha dela, sorri carinhoso, nem parece meu filho, fico ali, devia sair e deixar os dois, mas então não seria Katie, claro que continuo ouvindo os dois.

─Vou com vocês, onde vão? – Eles dão as mãos, Matt com a besta nas costas, os dedos entrelaçados e sorrindo um para o outro.

─Até a igreja, ver como está tudo por lá, uma hora e estou de volta, mas claro que pode ir se quiser, cuido de você.

─E eu de você – Ela toca os cabelos dele, meu queixo cai, isso não é amizade, esses dois estão de namoro, é isso? – Não gosto quando vai lá fora sem mim, não é certo, meu coração se aperta, temos que ficar sempre juntos.

─Sei disso, é assim que sempre vai ser, mas é normal que não confiem em mim o bastante ainda para levar sempre você comigo.

─Somos uma coisa só Matt, desde sempre.

Matt beija os lábios de Judy, um beijo suave, mas está claro que não é o primeiro, cadê o pedido, as mãos dadas e depois o beijo? O que eu faço? Não vou contar a ninguém até ter certeza, eles saem de mãos dadas e continuo ali, não vou contar, não vou, mas que droga, é claro que vou, nunca vou conseguir segurar minha língua dentro da boca e depois Beth precisa saber e o Daryl tem que falar com ele, exigir que os garotos assumam esse namoro, assim o Rick impões suas regras e eles...

─Viu um fantasma? – Maggie me pergunta quando chego na sala.

─Era meu último bebê, cresceram todos, que dia foi isso? Ele estava na minha barriga ontem, eu me lembro, meus pequenos e o papai ficavam ali a minha volta falando com ele, ele chutava e eu... Eu chorava, era o mini ratinho, meu pedacinho do Daryl – Umas lágrimas escorrem quando me sento com elas a minha volta – Agora namora escondido nos fundos da casa, beijando...

─Beijou minha filha? – Beth se espanta, nos olhamos, meio confusas as duas.

─Sim, um beijo casto, um selinho, mas não foi o primeiro, dava para perceber.

─Que merda Katie, nem chamou a gente para espionar junto? – Maggie reclama enquanto eu e Beth nos encaramos com o mesmo olhar de saudade – Vocês querem parar com isso, essa melancolia idiota – Maggie diz brava e olhamos para ela – É isso mesmo, é o apocalipse, se lembram? Passamos fome, frio, medo, perdemos pessoas, muitas, as melhores, enfrentamos os mortos, os vivos, sangramos, literalmente, todos nós, e fizemos tudo só por isso, para que esse dia chegasse, o dia em que eles tivessem uma vida, um lar, um sonho, agora se lamentam?

─Maggie, você era mais legal quando não tinha uma filha, desde quando é a voz da razão? – Eu e Beth começamos a rir, ela estava certa, era para comemora, isso sim, hoje era um dia de festa, conseguimos, eles cresceram – Está certo, vamos comemorar! – Nos abraçamos chorando, as três irmãs do apocalipse inseparáveis.

─Ai meu Deus, o que aconteceu agora? Porque estão chorando? – Rick pergunta parado no meio da sala, nos afastamos secando as lágrimas.

─Nada meu amor, apenas estávamos lembrando do passado, só isso! – Beth responde, sabia que não contaria a ele, não antes de falar com Judy.

─Que alivio, faz tanto tempo que não temos um problema sério que me deu até medo pensar, só vim avisar que deixei a Judy ir com o Matt e o Daryl lá fora, sabe que com eles não tem perigo não é?

─Nenhum perigo, o Matt é um ótimo menino, não acha amor, o melhor de todos, sabe disso não? – Beth pergunta, Rick franze a testa, olha de uma para outra.

─Vocês estão muito estranhas, vou até voltar lá para fora, nos vemos na reunião!

Ele sai e acabamos por rir as três.

─Você fala com o Daryl, ele fala com o Matt e quero seu mini ratinho batendo na minha porta o mais rápido possível.

─Feito!

Pov — Daryl

Matt e a Bravinha andam na minha frente, meu mini ratinho com a besta em punho, tem braços fortes para um menino de quase treze anos, claro que passar todas as horas do dia com a Besta ajudou, são altos também, todos os dois, e Judy é forte, inteligente.

─Papai, acha que podemos voltar para horizonte com o Tommy e a Mich? – Matt pergunta atento a tudo.

─Para?

─Ver o bebê Daryl, se não quando ele tiver idade para vir já vai estar grande.

─Bravinha eu soube que seu pai e a Beth vão em uns dias, pode ir com eles.

─Sem o Matt? Não quero, fico com vocês até eles voltarem então, ou você deixa o Matt ir comigo.

─Atenção vocês dois, depois falamos disso, na volta! – Os dois suspiram trocando um longo olhar e seguimos em frente.

─Sempre penso que o Nick foi bem corajoso andando tudo aqui quando aquela horda atacou – Matt diz.

─Seu irmão só faz merda mini ratinho, não pense em seus exemplos!

─Faz um tempo que ele não apronta nada – A bravinha diz quando chegávamos a igreja.

─Não faz um ano aquele ratinho estava fugindo de casa para fazer teste nuclear com o Jay e a Amy, quase me mata do coração.

─Não era teste nuclear papai – Matt ri quando destranco a igreja e entro na frente – Eles foram testar novos explosivos, e funcionaram.

─Podiam ter avisado, mas não, fugir é sempre mais emocionante e nossa vida quase não tem emoção, e pare de defender seu irmão.

─Você já faz isso papai! – sim, eu fazia, sempre faço, Katie tentou colocá-lo de castigo como se fosse um bebê e me deu muito trabalho fazê-la mudar de ideia, eu paro de repente, escuto sussurros, talvez um gemido, ergo a mão os dois se calam e param logo atrás de mim, faço um movimento para que ficassem ali em silencio, Matt firma a besta, Judy puxa uma pistola e sigo em direção a sacristia.

Caminho silencioso e quando entro no lugar, Mich e Tommy estavam se vestindo, me viro de costas.

─Mas que merda vocês dois! – Reclamo, já não tenho imagens horríveis o bastante, ainda vou ter que guardar aquela cena na minha mente – Que porra é essa?

─Pode se virar! – Tommy me diz.

─Não quero, não quero me virar nunca mais, vocês não tem casa, cama, sei lá, isso é uma igreja!

─Cala a boca Daryl, estamos na estrada há muito tempo, paramos para descansar um pouco.

─Não foi o que vi não tinha ninguém descansando aqui.

Eu me viro, os dois me encaravam completamente vestidos, se minha pequena estivesse comigo eles estariam encrencados até o fim da vida, ela iria fazer fila e cobrar ingresso.

─A igreja está segura! – Tommy me diz sorrindo sem graça.

─Os garotos estão comigo, pelo amor de Deus, se recomponham!

Eles se olham, depois olham para mim.

─Estamos vestidos, quer parar de drama! – Mich resmunga pegando a espada.

─Estão com cara de que estavam fazendo o que estavam fazendo.

─Então estamos com uma cara ótima, vamos logo.

Seguimos ao encontro das crianças, os dois sorriem quando veem Tommy e Mich, baixam as armas, e deixamos o lugar, seguimos conversando, Matt na frente com Mich e Judy, eu mais atrás com Tommy, ele ia contando como as coisas em Horizonte estavam.

O lugar costumava ser muito tranquilo, estava sempre limpo de zumbis, esse era um cuidado que tínhamos há alguns anos, mas então um sai de trás de uma arvore, Mich puxa a espada, eu ergo a besta Matt também e Tommy saca um pequeno machado, mas Mich tropeça, prende o pé, sua espada escapa, e Judy pega a espada, e quando vejo acerta o zumbi, do queixo para cima, a espada atravessa seu crânio ao meus tempo que eu e Matt acertamos nossas flechas, depois Mich se ergue retira a espada do zumbi e nos olhamos todos sem acreditar nos trinta segundos mais estranhos que vivemos.

─Eu sempre disse ao Nick, não escolhemos a katana, ela nos escolhe e você foi escolhida Judy! – Mich diz sorrindo orgulhosa – Vou te ensinar.

─Eu tenho treinado com uma, o Matt me ajuda, vai ser bom aprender com você.

Os dois andam brincando com espadas? Alguém providencie uma caixinha para guardar meus filhos, porque eles nunca me deixam descansar?

─Ótimo, virei toda semana te treinar.

─Viremos! – Tommy corrige.

─Quer parar de achar que só posso andar por ai se for com você? – Mich reclama.

─Quer parar de achar que pode andar por ai sem mim? – Ele retruca, os dois ou estão se agarrando ou estão brigando, aquilo não muda e me diverte, adoro ver Tommy e Mich enroscados, presos um ao outro sem forças e nem vontade de se separarem.

─Os pais de vocês dois vão saber que andam brincado com espadas! – Aviso a Matt e Judy.

─Você é meu pai e já sabe.

─Estou falando da parte mãe dos pais, aquela parte que briga e põe de castigo.

─Ah! – Matt resmunga – A parte mandona.

─Essa mesmo.

Mich e Judy passam o resto do caminho conversando sobre a espada, de vez em quando paravam para fazer um movimento ou outro, quando chegamos de volta as pessoas já se reuniam em minha casa para a reunião, apenas Nick não tinha chegado e ele era parte importante da reunião, ficamos conversando despreocupados a espera dele que vinha de Esperança junto com Miguel.

─Essas reuniões interestelares são uma chatice! – Maggie comenta – Uma vez por mês temos que reunir representantes de todas as comunidades, pelo menos essa é aqui.

─A próxima vai ser em Horizonte, o Jay quer fazer uma festinha para comemorar o nascimento do Alex, ele é bem espertinho.

─Puxou o vovô? – Eu o provoco, ele me olha torto.

─Cala a boca Daryl! – Tommy responde e então meu ratinho entra seguido de Miguel.

─Desculpem o atraso! – Nick diz vindo em minha direção – Oi papai, oi mamãe! – Ele nos beija, não se importa de ser um homem, estar agora maior que eu, Amy sorri da porta.

─Ratinho vou ver meus pais e meu irmão.

Ele sorri e ela vai embora, a reunião começa, relatamos fatos importantes, contamos situações que foram superadas, aconselhamos uns aos outros, trocamos ideias e fazemos planos do trabalho em conjunto, montamos escalas, aqueles encontros aconteciam pouco, mas duravam horas e horas, nós éramos mesmo apenas conselheiros, Carl era o responsável pela segurança, Nick e Jay eram responsáveis pela expansão e desenvolvimento, Megan e Jimmy colocavam tudo em pratica e nós estávamos ali para o que precisassem, mas eles eram mesmo muito capazes, nas mãos deles tudo se desenvolvia como nunca tínhamos visto.

Depois todos se dispersam, Nick sai apressado para ver Amy, eu fico com minha pequena em meus braços, Matt se despede de Judy e vai para o quarto.

─O que tem para me dizer pequena?

─Sabia que iria logo perceber, amor temos que conversar.

─Meu ratinho mal chegou pequena, o que ele pode ter feito dessa vez?

─Não foi ele, foi o Matt, eu o espionei hoje, sem querer, juro, mas não acredita no que vi.

─Meu coração envelheceu pequena, diga de uma vez!

─Ele e a Judy se beijaram.

─O primeiro beijo do ratinho eu perdi, o primeiro beijo do mini ratinho de novo eu perdi, mas quem viu o primeiro beijo da ratinha, quem? Claro eu, essa vida é muito ingrata.

─Amor, não foi o primeiro beijo da Megan! – Ela me diz e faço careta – E acho que não foi o primeiro do Matt, aquilo não estava com cara de primeiro beijo.

─Sério? Ele anda beijando a Bravinha pelas nossas costas?

─Nos fundos de casa amor, não é certo, o Rick confia nele e nós também.

─Espero anos por esse pedido, garotinho independente esse seu filho!

─Agora é meu? – Ela resmunga, eu puxo minha pequena para mim, ela se senta no meu colo – Vai falar com ele? Até chorei hoje amor.

─Que pequena manhosa, até chorou?

─Eles cresceram todos, a gente não tem mais bebês, a vida vai ser chata sem bebês.

─Quer um bebê é? – Eu beijo minha pequena, ela se aperta a mim, mas depois me afasta.

─Não amor, precisa falar com o Matt primeiro a Beth está esperando um pedido.

─Ela viu? – Olho para Katie – Mas que boca essa sua – Ela me beija de novo – Vou lá falar com o mini ratinho.

─Falar o que? ─ Ele descia as escadas, sorrimos quando ele se senta no sofá e coloca a besta ao lado dele – Estava indo na Judy, ainda é cedo não acham?

─Acho mesmo muito bom que vá até lá – Eu digo e ele me olha – Você e a Judy são amigos não é?

─Pergunta estranha papai.

─Não tanto, eu fiquei pensando que se isso mudasse, se deixassem de ser amigos e quisessem algo mais procuraria o Rick não?

─Fala dessa coisa de pedidos, aquilo que me diz desde que nasci?

─Aquilo que digo desde antes de você nascer.

─Papai, um dia arrombou uma porta e a mamãe estava lá e desde então ela é sua não é?

─Sim.

─Não precisei arrombar nenhuma porta, a Judy e eu somos uma coisa só desde sempre, não acho que preciso pedir porque nada pode mudar isso, a gente sempre soube.

─É bonito isso, eu sei porque me sinto assim, mas não acha que o Rick e a Beth merecem ser comunicados? Quer dizer, não acha que Judy merece que tenha esse cuidado com ela, que mostre respeito pelas pessoas mais importantes para ela?

─Já falamos disso, eu e a Judy, mas temos medo.

─Do que? – Pergunto começando a sentir pena do garoto, meu mini ratinho está apaixonado.

─Se o Rick disser não? Se me impedir de ficar perto dela? Não consigo sem ela papai, você tinha um mundo antes da mamãe e ela também tinha, sei que preferem o mundo de depois de estarem juntos, mas tinham um mundo antes, sabem como é, eu não, não conheço um mundo sem a Judy, ela sempre esteve aqui.

─Porque namora garotas mais velhas! – Brinco e ele sorri, só quero acalma-lo um pouco, minha pequena me olha emocionada.

─Uns meses!

─Rick nunca vai dizer não, se disser fugimos com a bravinha!

─Daryl! – Minha pequena ralha comigo – Filho vai lá e fala com ele, não esqueça que a Beth sempre fica do seu lado.

─Bom se é importante vou lá agora, não gosto de esperar e estava mesmo achando ridículo ficar namorando escondido.

─Isso você não precisa dizer ao Rick! – Aconselho me levantando.

─Onde vai? – Ele me pergunta.

─Está maluco se acha que vou perder isso, vou com você.

─Certo.

─Sabe que nada de ficar sozinho por ai com ela, e precisa...

─Deixa as regras para o Rick papai.

─Certo, é que tenho umas ótimas, posso...

─Papai!

─Vamos logo! – beijo minha pequena, sei que ela vai entrar pelos fundos se juntar a Beth e ficar ouvindo a conversa, mas gosto da ideia de bater finalmente na porta do Rick – Esses beijos de vocês...

─Só tenho doze anos papai, não é nada demais.

Matt coloca a mão na maçaneta, eu o impeço, ele me olha confuso.

─Tem que bater, como eu sempre imaginei que seria, não estraga minha festa!

Matt revira os olhos, bate na porta de cara amarrada, a besta inseparável nas costas, os olhos firmes e decididos, ninguém diz não a tanta fibra, Rick abre a porta, seu olhar vai dele para mim, tenho um sorriso vitorioso no rosto que o deixa pálido, ele da espaço para entrarmos.

─Devia ter fechado a porta na cara de vocês! – Resmunga quando nos sentamos – Vamos lá a que devo a honra da visita?

Judy surge na sala, se espanta quando vê a cena, Matt dá de ombros, Beth deixa a sala, vai fofocar com Katie na cozinha, Judy se senta ao lado de Matt, eles entrelaçam os dedos.

─Rick eu e a Judy estamos namorando.

Assim, a seco, de supetão, sem enrolação, estilo Daryl Dixon, um kamikase.

─Estão ou querem estar? – Rick pergunta.

─Estamos – Judy responde.

─Isso é culpa da Beth! – Ele me diz, sorrio.

─Feministas – Respondo.

─Estou aqui disposto a respeitar suas regras – meu mini ratinho me enche de orgulho – Mas não vou me separar dela.

─Regras, gosto de regras, regras são boa coisa não acha Daryl?

─Acho.

─Vamos lá... ahm... diz uma ai Daryl.

─Nada de ficarem sozinhos em casa – Não resisto, é a bravinha, e sou bom em regras para namoros adolescentes, que posso fazer.

─Muito boa, gostei dessa, e que droga, me pegaram desprevenido, vou pensar em mais algumas, por enquanto nada de ficarem sozinhos em casa.

─Vamos respeitar isso.

─Ótimo, nesse caso eu permito o namoro, e nada de abraços demorados e beijos... sem beijos, ou só alguns, de vez em quando, quando eu não estiver olhando.

Beijos são de doer, eu sei como é, quase sinto pena do Rick, mas me lembro que um dia aquele mini xerife também bateu na minha porta e acho bem feito, uma pequena vingança.

─Certo, vamos fazer assim como querem, agora a gente vai indo, vamos papai? Mamãe! – Ele chama e minha pequena entra com Beth as duas sorriam – Sabia que estavam ai.

Não consigo parar de sorrir, Rick não esconde a cara de desespero, entendo, nunca mais dormir até a filha entrar, talvez descobri-la escalando paredes.

─Feliz papai?

─Sim, e você?

─Aliviado, vou para cama. Boa noite!

Ele beija a mãe, depois eu e some correndo pelas escadas, minha pequena vem para meus braços, eu beijo seus lábios suave.

─A gente não teria respeitado nenhuma dessas regras! – Ela sussurra.

─Não, nenhuma, e já que não temos regras que tal subirmos?

─Só se estiver disposto a me provar que não é um coelhinho branco.

─Pequena você está brincando com fogo mais uma vez.

─Não sei não! – Ela se solta de mim e sobe correndo, eu a sigo, felizmente não são as escadas da torre o tempo passou e meu folego não é mais o mesmo, fecho a porta atrás de mim, e ela está lá, de pé, com o sorriso mais lindo que já vi, os olhos verdes brilhando cheios de promessas, minha pequena atiradora de facas, dona de tudo a sua volta.

A mulher que me colocou de pé todas as vezes que cai, minha melhor parte, me aproximo devagar, ela respira ansiosa, ainda nem a toquei e já me sinto queimar, envolvo minha pequena, beijo seus lábios, minha boca desce por seu pescoço, aspirando seu cheiro de flores, sentindo o gosto de sua pele que nunca me abandona, ela suspira feliz, desabotoa minha camisa, beija meu peito, vamos nos despindo sem pressa, é sempre uma surpresa, como da primeira vez, é sempre intenso como se fosse a última, então estamos na cama, nos procurando, tocando.

─É minha vida! Sempre foi.

─Amo você! – Ela diz com a voz rouca pelo desejo que nos consome desde sempre, então não podemos mais esperar, acho que nunca conseguimos esperar, nos pertencemos e nada muda isso.

O paraíso nos acena quando entrelaçamos os dedos, seguimos juntos em direção a ele, os olhos fixos um no outro, e como de costume o mundo para de girar em respeito ao nosso amor, somos de novo uma coisa só.

─Foi um longo caminho! – Ela me diz em meus braços – Valeu a pena cada segundo.

─Não mudaria nada, nenhum segundo, nenhum passo, todos nos trouxeram aqui.

─A gente nunca desistiu não é? – Ela me olha com os olhos marejados – Nem nos dias mais difíceis, se tinha você tinha tudo.

─E vai ser sempre assim pequena.

Nada se compara a ter Katie em meus braços, ainda a amo com a mesma intensidade e só me faz ter certeza que isso começou a muito tempo, antes do fim dos tempos, numa outra vida.

Estamos felizes pela manhã, adoro acordar despreocupado, com minha pequena em meus braços, ainda sinto falta da cama cheia de ratinhos, mas de vez em quando eles ainda se reúnem a nossa volta, numa briga constante por espaço.

─Estou tão feliz hoje que nem vou te obrigar a tomar meu café! – Ela ri me beijando, descemos de mãos dadas, meus ratinhos sussurravam na cozinha e nos olhamos sem entender.

─Nick você é um paspalho, mamãe vai te matar! – Megan diz baixinho.

─Você só faz merda em Nick falamos isso ontem eu e o papai.

─Eu reuni vocês para me ajudarem, não criticarem, somos os ratinhos Dixons, um ajuda o outro! – Nick diz e rimos os dois.

─Acabou de inventar isso, nem quero ver o que isso vai dar, e o Jimmy, quando ele souber...

─Souber o que? Ratinhos Dixons – Eu pergunto quando entramos na cozinha.

Eles se olham, depois nos olham, se juntam em formação, me sinto um zumbi ameaçador.

─Fala Nick! – Megan exige.

─Vou falar.

─O que aprontou ratinho?

─Eu? Olha não é ruim, se pensarem bem, é bom.

─Então diz filho! – O papai logo suaviza, nem sei o que é mais já estou do lado dele caso Katie decida coloca-lo em quarentena.

─Vai Nick, abre logo essa boca grande e diz de uma vez, a gente está aqui – Matt pede.

─Bom... Eu e a Amy a gente precisa morar junto.

─Nossa! Que drama gente, achei que era sério! – Minha pequena diz se sentando – Fala com o Jimmy, ainda temos casas, ou podem ficar aqui, se quiser organizo um casamento, já tem alianças? Acho cedo sabe, mas se for isso...

─Pequena, tem mais nessa história – Eu aviso encarando meu ratinho que olha para os irmãos.

─Tem? – ela pergunta olhando de um para o outro.

─Precisam? – Eu enfatizo.

─A gente... as coisas... eu amo a Amy, ela me ama, nós namoramos há muito tempo e então... quer dizer, não planejamos, na verdade acho que o problema meio que foi esse, não planejamos, devia sentar papai!

─Não sou idiota Nick, já entendi.

─Nesse caso acho que eu sou, não entendi – Minha pequena diz mordendo o lábio.

─Papai, mamãe, a Amy vai ter um bebê!

─Um bebê? Do tipo bebê, desses que se espera nove meses e depois nascem como os que você andou ajudando por ai? – Katie pergunta perplexa, ele afirma sério – Vou te trancar num quarto para sempre, jogar a chave fora, se o papai quiser te salvar eu o coloco lá com você, é isso, simples assim, está resolvido, cárcere privado é a solução.

─Pequena... – Depois do baque me sinto feliz, não tem mesmo nada errado nisso, a gente bem andava precisando de um bebê novo, um fresquinho, dormir com ele no meio, podíamos rouba-lo de vez em quando, ensinar umas travessuras, enlouquecer o meu ratinho um pouco, era um bom castigo, não tenho culpa de adorar bebês, quem sabe não o convenço a gostar mais de mim do que do meu ratinho, podia ser pior, podia ser minha ratinha.

─Não faz cara de feliz! – Minha pequena diz tentando não sorrir, mas está difícil resistir.

─Você bem andou dizendo que a gente não tinha mais bebês por aqui.

─Não disse nada, quer dizer eu disse, mas... – Ela olha para Nick – Seu irmão vai te matar!

─Eu sei mamãe, é hora de me protegerem, sou seu ratinho não sou?

─Mamãe, sabe que não vai fazer nada que vão ficar feito dois bobos paparicando o bebê, então porque não pulamos essa parte chata e vamos de uma vez no Jimmy, a Amy está lá assustada esperando essa pequena confusão acabar.

Megan é sempre sensata.

─Vamos Nick, eu vou com você, já fiz um pedido ontem, não é difícil, a gente chega lá e diz que a Amy está gravida e vão morar junto, diz de uma vez e pronto, acabou.

─Que pedido fez ontem? – Nick pergunta a Matt.

─No caminho família Dixon, vamos logo! ─ Katie sorri – Que jeito de começar o dia, sorte de vocês que minha noite...

─Mamãe! – Os três tampam os ouvidos, rimos.

Então minha pequena encara o filho, ele sorri assustado, meu ratinho choramingando de dor depois de perder o dedo, acordar da morte ouvindo papai, papai, meu pequeno escondido num porão depois de explodir um galpão e enfrentar zumbis, ele está aqui, escrevendo o futuro, não tem nada de ruim nisso e minha pequena o abraça chorando, ele fica aliviado, agora pode sorrir.

─Sabia que não esperaria! – Digo abraçando meu filho – Sempre se metendo em encrenca, amo você filho.

─Se for menino prometo chama-lo de ratinho Dixon! – Ele me diz voltando a me abraçar – Amo vocês.

─Como é aquele negócio de diminuir amor? – Minha pequena pergunta, finalmente ela entendeu, é sempre melhor diminuir.

Jimmy fica bravo, depois fica muito bravo, depois abraça Nick, e então fica feliz, tudo isso enquanto Mary abraçava Amy chorando, então finalmente podemos comemora o aumento da família.

Quando volto para casa Rick estava na minha varanda, nos sentamos lá, um ao lado do outro olhando o movimento da vila, em silencio, Katie nos traz um café e entra com Beth.

─Agora juntando as três comunidades somos 374 pessoas! – Eu digo tomando um gole do café quente.

─373.

─Quatro, Nick vai ter um bebê – Rick me olha com a sobrancelha erguida.

─Vovô Daryl – ele ri.

─Cala a boca! – Resmungo.

─Parabéns, mas agora vou repensar as regras do Matt.

─Acho bom! – Eu concordo.

─Quem diria que envelheceríamos.

─Eles construíram mesmo um lugar, valeu a pena trazê-los até aqui.

─Daryl tem uma coisa que precisa saber.

─O que?

─Meu joelho anda me matando.

─Essa droga de besta está cada dia mais pesada, minhas costas doem!

Rimos, Glenn sobe os degraus, se senta conosco.

─Reconstruímos, ficamos vivos, e estamos crescendo! – Ele diz me olhando – Vovô Daryl?

─Cala a boca seu dia está próximo!

─Estamos aqui, vivos, num mundo quase seguro, tomando o café horrível da Katie.

─O que tem eu? – As garotas se juntam a nós, Beth se senta ao lado de Rick, minha pequena vem para meu colo, Maggie sobe os degraus e se encosta em Glenn.

─Rick estava elogiando seu café! – ela faz careta.

─Tenho outros talentos.

Nick está do outro lado da rua, olha alguns papeis com Jimmy, aponta aqui e ali, sorri feito o ratinho de sempre, minha ratinha passa de mãos dadas com o mini xerife, acenam sorrindo, o mini ratinho chega de mãos dadas com a Bravinha, caminha para porta então eles param.

─Podemos ficar lá dentro enquanto estão aqui fora? – Matt pergunta.

─Não! – Rick responde – Depois do Nick, definitivamente não.

Eles dão meia volta resmungando o quanto o irmão apronta, é impossível não rir. Tommy e Mich se aproximam, se sentam conosco, apenas um ao lado do outro, nada de mãos dadas ou beijos públicos, preferem igrejas abandonadas.

─Acho que o futuro chegou – Rick diz tranquilo.

─Veio debaixo de uma bela tempestade mas sim, finalmente ele chegou.

─Os que não conseguiram, eles estão orgulhosos agora, posso sentir! – Maggie diz sorrindo.

─Sim, não foi um caminho fácil, mas chegamos onde nunca achamos possível! – Minha pequena me diz encostada em mim – A gente sempre continua não é amor?

─Sempre pequena, você não desiste, eu não desisto!

─Nunca! – Ela me olha – Agora é sempre o mar de azul sem fim e águas tranquilas.

Beijo minha pequena e agradeço mais uma vez o dia em que chutei aquela porta e mergulhei no paraíso, ela é minha vida, somos uma coisa só.

Notas finais
Espero que tenham gostado, que possam deixar um recadinho para que eu possa agradecer pessoalmente, adorei escrever! Sinto falta dos meus ratinhos e ainda nem dei enter! Beijos nos vemos nas outras fics. Postei a segunda temporada de Ressurreição o Julgamento final 2, vão lá dar uma olhada, e tem uma fic que começo em breve. Beijos
Você chegou ao fim do livro. Parabéns!