Fim dos tempos 2

55 Capítulo 55 - Sequestro


Notas iniciais
Oi gente, mais um capitulo, novas tensões.

Pov – Megan

Pegamos a estrada, nem acredito, eu e Carl sozinhos numa viagem, com um cesto no banco de trás levando uma refeição, horas de estrada e depois uns dias na casa de uma amiga, como se tudo fosse como antes, parece um sonho, é um sonho.

Abro o vidro gosto do vento no meu rosto, de sentir o ar gelado do dia, as piro profundamente, Carl não passa dos cem por hora, mesmo assim é bom, podia gritar, mas me contenho.

─Agora fecha linda, é mais seguro! – É como andar com meu pai, eles nunca me veem como adulta, mas estou feliz demais para brigar, fecho o vidro.

─com essa velocidade acha que um zumbi pode mesmo surgir do nada e me ataca pelo vidro?

─Não sei linda, tanta coisa pode acontecer, sei lá, o carro quebra, ficamos na estrada.

─Nem parece que casou com uma mecânica, o carro não vai quebrar! – Prometo confiante, ele sorri de lado, os olhos fixos na estrada – Na volta deixa eu dirigir um pouco?

─Sim senhora, na volta, agora estou tenso demais.

─Está um dia lindo, fico pensando no Matt e na Judy, no quanto vão gostar de fazer essa viagem, sabe tão pouco do mundo aqui fora.

─Isso é mesmo estranho, eles não conhecem as coisas, nunca ao menos não depois que começaram a entender estiveram assim, num carro em movimento, olhando as ruas, casas, prédios, só o que veem por sobre os muros da vila, ano após ano, que triste.

─Nick está tentando convencer o papai! – Digo feliz, Nick consegue tudo que quer, meu pai vai traze-los um dia.

─E vamos fazer tudo direito, assim não vamos ter problemas para voltar depois.

─Combinado! – Prendo os cabelos num rabo de cavalo, me ajeito ao lado dele – Acha que a Liv e o Jay já se entenderam?

─Não sei, mas tenho certeza que vai descobrir.

─Espero que ela esteja bem, gosto dela, fiquei triste quando foi embora, nunca achei que poderíamos vivenciar isso, uma visita!

Passamos pelo primeiro vigia, um homem a cavalo, Carl diminui, era Steve, vivia um tempo em Horizonte, um tempo conosco, ser trabalho era evitar zumbis, limpar a estrada, mantinha contato com os outros em pequenas ligações uma rede entre um lugar e outro.

─Oi meninos! – Ele cumprimenta – Tudo limpo! – Avisa.

─Obrigado Steve, daqui a pouco alguém vem saber de nós! – Carl diz e está certo, logo meu pai ou o dele iriam querer se passamos por ele.

Acenamos e seguimos viagem, passamos por todos os postos, paramos para comer e claro não descemos do carro, depois Carl me obriga a ficar lá dentro enquanto completa o tanque, voltamos para a estrada e então os portões de Horizonte surgem, era mesmo um grande lugar, assim que o carro se aproxima os portões são abertos, entramos e fico impressionada.

─Olha isso lindo, que lugar!

─Um dia a Vila será assim, estamos trabalhando para isso.

─E sem o sangue de inocentes! – Eu digo feliz por ainda podermos dizer isso, ele concorda, quando estaciona Liv surge sorrindo, nos abraçamos felizes.

─Correu tudo bem?

─Tudo perfeito!

─Que bom que chegaram! – Logo Michonne e Tommy se aproximam, Mich sorri, acho que sei como se sente, nos ver chegando assim, sozinhos e sem riscos deve ser bom.

─Conseguiram afinal! – Tommy diz – Papai Daryl deve estar se roendo agora!

─Não seja mal Tommy!

Pegamos nossas coisas no carro, uma mochila apenas, o porta malas está cheio de encomendas para horizonte, e temos coisas para levar em troca.

─Cadê as espadas, quero ver o trabalho do Jimmy! – Michonne pede impaciente.

─No porta malas! – Carl avisa, ela abre com olhos brilhantes, ergue a primeira, analisa cada detalhe, passa o dedo por toda sua extensão, faz alguns de seus movimentos habituais, depois sorri.

─Aquele ratinho é mesmo uma parada, não é que deu certo, isto é uma Katana de verdade!

─Jimmy tem produzido uma por dia, ele faz todo trabalho sozinho, desde forjar o ferro até o acabamento final, se treinarmos mais alguém podem ter mais de uma por dia – Eu aviso orgulhosa dos meus irmãos, o que planejou e o que colocou em pratica.

─Estão testando facas, e outros armamentos, mas parece que para isso precisam de você Tommy – Carl diz a ele.

─Eu sei, estamos voltando com vocês, vamos ficar uns dias lá – Tommy avisa.

─Vamos gente devem estar cansados! – Liv convida – Queria que ficassem na minha casa, mas o Tommy quer que fiquem com eles.

─Prefiro assim, quero ficar de olho nos dois, tudo está tranquilo, as pessoas são boas, mas nunca se sabe o que pode dar errado.

─Mas vão jantar lá em casa, eu e o Jay queremos muito, levem suas coisas e descansem um pouco, depois vão ficar comigo.

Liv e eu nos abraçamos mais uma vez e vamos para casa de Tommy e Mich, acho aquilo esquisito os dois dividindo uma casa.

─Esse é o quarto de vocês, tem comida lá em baixo, mas o jantar é feito para todos num grande refeitório, só hoje vão jantar com a liv e o Jay porque os garotos querem brincar de 1950! – Tommy diz sério – Descansem.

Ficamos sozinhos num quarto simples, uma cama razoável, uma cômoda e só, me sento na cama sorrindo.

─Reparou que só tem dois quartos? – Carl me olha sem entender – Lindo, eles estão dividindo um, minha mãe vai ter um treco quando souber.

─Que tal a gente cuidar da nossa vida?

─Sabe quem eu trouxe? – Conto quando ele me puxa para deitar com ele.

─Quem? – Me pergunta beijando meu pescoço e descendo por meu colo.

─A lingerie sexy!

─Hum! Quer dizer que tinha planos?

─O tempo todo! – Mas ela podia esperar, tudo podia, é a primeira vez que fazemos amor em uma cama diferente da nossa, isso é bom, emocionante.

Depois nos arrumamos para encontrar Jay e Liv, quero muito conversar com ela, saber como foram as coisas, ao que parece eles moram juntos, então só podem ter se entendido.

Jay vem nos encontrar, não sabemos onde Tommy e Mich estão então seguimos com ele para sua casa, é um lugar bem simples e agradável, Liv está na cozinha e fico com ela enquanto termina o jantar, Carl e Jay conversam na sala, fazem planos.

─Me conta Liv, como vão as coisas entre vocês?

─Nada bem! – Fico triste só de ouvir – Não é o que está pensando, eu me apaixonei por ele, e o Jay por mim.

─Nesse caso por que não tem nada bem?

─Bom quando decidimos ficar o Tommy me deixou ficar aqui, mas eu tinha medo, ─você sabe meu passado.

─sei.

─Fiquei num quarto e ele no outro, e continua assim, namoramos, adoro estar com ele, não sinto mais nenhum medo, mas ele nunca tenta nada.

─Que cara legal! – Eu rio dela, bem que Carl tentou uma vez ou outra durante nosso namoro, nada muito ostensivo, mas ele tentou – Acho que ele está te esperando dar o sinal verde.

─Acha que tenho que ser clara?

─Acho, o Jay não tem tanta experiência assim, ninguém para orientar muito, nem você, acho que por isso estão nessa confusão, diz para ele que não tem mais medo.

─Sério? Sei lá não vai parecer...

─Para Liv não vai parecer nada, e o Tommy, sabe disso?

─Mais ou menos, sabe que dormimos separados, então sei lá o que ele pensa, o que sei é que aqui todo mundo acha que sou filha dele e mulher do Jay.

─Tipo a primeira dama? – Ela ri.

─Sim, o Tommy que saiu dizendo isso, disse que era para ninguém tentar se meter comigo, a Mich briga com ele um pouco, diz que ele me protege muito, os dois vivem batendo boca.

─Vou dizer ao Nick que já tem pai então! – Nick vive querendo resolver o problema dos órfãos do apocalipse, começou por nós dois e nunca mais parou – A Mich e o Tommy são um casal? Se chegar em casa sem essa informação minha mãe e a Maggie me matam.

─O casal mais estranho que já vi, brigam se provocam, ele quer mandar nela, ela quer mandar nele, uma confusão, mas não se vê eles separados uma vez no dia, e já teve até uma crise de ciúme porque um cara deu em cima da Mich, foi bem divertido, ela mandou o cara pastar, sabe como é a Mich, nem precisou de ninguém para protege-la, e o Tommy ficou bem bravo, eu caí na besteira de dizer que ele estava com ciúme e juro que fiquei com medo do ataque que ele deu.

─A que droga, não vejo a hora de tê-los de volta e me divertir um pouco com isso.

─Vamos comer, eu que fiz, não é grande coisa! – Ela diz feliz, antes de sairmos seguro seu braço.

─Vai dizer a ele?

─Vou, mas amanhã, quem sabe preparo uma surpresa de noite?

─Lingerie! – Sussurro e ela fica vermelha, rimos e vamos para a mesa.

É uma noite divertida, dois casais conversando e rindo, me sinto num outro mundo, depois vamos para casa de Tommy e Mich, no caminho conto tudo ao Carl que fica sem acreditar.

─Você descobriu tudo isso naquela meia hora na cozinha?

─Para lindo, estávamos conversando, o que tem demais?

─Sei lá! – Mich estava na sala, lustrando sua katana, Tommy na cozinha, limpando as armas – Oi gente?

Carl sorri, é mesmo divertido ver aqueles dois, ficamos com Mich um tempo conversando sobre a vila, contando as novidades, depois deixamos o casal, temos uma noite incrível e a lingerie fica esquecida na mochila, pela manhã nos reunimos ao grupo, tomamos café no refeitório e depois Jay vai resolver as coisas com Carl, eu fico livre para uma volta, todos tem afazeres, Liv tem os dela e saio para um passeio pelo lugar.

Chego aos portões, só tem um guarda, dou uma olhada pelas grades, não é muito para se ver, pela frente ainda se podia ver um pedaço da estrada, mas ali nos fundos só a floresta.

─Bom dia moça! – O senhor que fazia a guarda cumprimenta – Perdida?

─Não, só dando uma volta, está um dia bonito é a primeira vez que venho aqui, estava conhecendo o lugar.

─Sei, fique à vontade, mas não dá para ver muito não é?

Olho para fora mais uma vez, pelo vão entre as grades grossas, realmente não se vê muito e arvores e terra eu via da minha casa, já estava me afastando quando vejo um vulto, presto atenção, é um garoto, uns dez, doze anos, ele observava, de trás de uma arvore, sujo e rasgado, os olhos assustados.

─Tem uma criança lá fora! – Aviso, o homem olha atento.

─Ei! – ele chama o garoto se esconde, deve estar com medo.

─Será que mora aqui?

─Não, de jeito nenhum.

─Então vai lá buscar ele, pode estar sozinho.

─Desculpe moça, mas só tem uma regra que tenho que cumprir e é nunca abandonar meu posto!

─Um garotinho sozinho, pode ter perdido a família, deve estar com medo, um zumbi pode encontra-lo antes de tomar coragem, abre eu vou lá.

─Moça! – Ele me adverte.

─Tenho minhas facas e uma pistola, é um minuto, só vou convida-lo, se ele não quiser eu volto.

─A senhorita que sabe, não estou aqui para impedir ninguém de sair, essa é a única regra que tenho, todos podem entrar e sair.

Só ai já se vão duas regras como únicas, acabo sorrindo enquanto ele abre o portão, agradeço e caminho uns passos atenta, escuto um instante, nada, então continuo, o homem deve estar me vendo na porta, me sinto segura e dou mais uns passos, vejo o garoto mais ao longe, não posso gritar e caminho um pouco mais para perto.

─Ei, menino! – Ele me vê, não se move, olha para os lados, mas fica parado – Não quero machucar você, não quer vir comigo? Está sozinho? – Ele não diz nada, olho para trás, as árvores já tampam a visão do portão – Vem, não tem perigo, é seguro.

Então sinto uma dor aguda na cabeça e tudo escurece.

Retomo a consciência aos poucos, primeiro é uma dor infinita na cabeça, depois sinto braços me arrastando e o barulho de passos pela floresta, algo prende minha boca e abro os olhos, me debato, tentando me livrar dos braços, são dois homens, um de cada lado, tento gritar.

─Calma moça, se colaborar não vamos feri-la! – Tento me livrar mais uma vez, me debato, tento gritar, um milhão de coisas na cabeça, vejo o menino que segui um pouco mais a frente.

─Ela é forte, segura direito, Raul!

─Estou segurando, fica quista, se aparecer um cabeça oca te deixamos de refeição!

─Já que acordou anda! – Ele me deixam firmar as pernas no chão, a dor na cabeça piora a cada passo, mas fico firme, penso quanto tempo fiquei apagada, quão longe estou de horizonte e o tempo que vai demorar até avisarem meu pai ele enlouquecer me encontrar e matar esses idiotas, preciso ficar viva até lá.

─Já estamos chegando! – O que se chama Raul avisa, mas então eu vejo a estrada, atravessamos e continuamos mais meia hora, não desisto de me debater, até ver um zumbi caminhando sozinho, um dos homens me solta, o menino vem para o meu lado assustado, o cara caminha até ele e o acerta com um facão – Deu sorte de ser um só, para de fazer barulho – Ele pega meu braço mais uma vez e então tem uma pequena elevação, sou arrastada para subir, saímos no que parece umas casas, entre umas ruas de terra e a floresta, entramos em uma delas.

─Miguel o que é isso? – Uma mulher diz quando eles entram me arrastando e sou deixada em uma cadeira, outra mulher surge, essa mais velha, vejo duas crianças menores e uma jovem surge com um bebê nos braços.

O lugar fede, eles estão todos sujos, maltrapilhos, é quase uma cabana, acabada, escura, úmida, me dá medo e pena, mais pena que qualquer outra coisa.

─Vamos fazer um acordo com aquela gente, chega de ficar com medo! – O homem diz.

─Pegaram a moça? Meu Deus Miguel, o que isso pode nos ajudar?

─Não podemos mais ficar aqui, sem comida, armas, correndo riscos, Pedro é só um bebê, ela vai ser nossa moeda de troca, comida, armas, um transporte e a libertamos.

─Como vai fazer isso?

─Deixe que se desesperem, daqui dois dias eu os procuro e faço o acordo.

Aquilo ia mal, muito mal, meu pai me encontraria antes disso, eles deixaram todo tipo de rastro, quando fosse achada ninguém iria perguntar, eles seriam mortos antes que se dessem conta, olho para a mulher, gemo com o tecido na boca, ela entende, é uma senhora, deve ter uns sessenta anos, vem até mim e me liberta a boca.

─Obrigada! – Tento ficar calma, negociar eu mesmo era a melhor solução.

─Ninguém quer te machucar, fica calma e vai dar tudo certo! – Miguel que deve ser o líder me diz, a moça com o bebê me olha, meu coração se aperta.

─Não vai dar certo, me deixem ir, eu posso ajudar.

─aquela gente não ajuda ninguém, sabemos do que são capazes.

─Está errado, as coisas mudaram, escute Miguel, meu nome é Megan, não vivo em horizonte, vi ver amigos, tenho um bom lugar, posso ajuda-los, ajudar essas crianças.

─Vai prometer qualquer coisa, não caia nessa Miguel o outro homem diz, sabemos como eles são.

─Carol a mulher, a líder deles, ela está morta, foi nos atacar e matamos ela, podem ir até Horizonte comigo, serão bem recebidos, terão comida, casa, trabalho, escola!

─Mentira!

─Me desamarra e vai comigo, prometo, negocio então, se quiserem podem partir, levem meu carro, eu tenho um, entrego a vocês.

─Fica ai moça, e quietinha, vai quando eu disser que vai.

Miguel desaparece para dentro da pequena casa, o resto fica me olhando, estão acabados.

─Conseguiram comida? – A mulher pergunta, eles estão com fome.

─Nada Maria, nem um esquilo sequer.

As crianças baixam a cabeça e se afastam o homem também some para dentro, a moça com o bebê o coloca no seio para mamar e se senta a senhora me encara.

─Posso ajudar Maria, juro que posso, eles precisam me libertar, não precisam viver assim, não mais.

─Não sabe de nada moça.

Miguel volta, decido ser honesta com ele, acho que é o melhor.

─Miguel, eles vão saber que fui levada, tinha um homem me protegendo, meu pai é um grande rastreador, vai me achar, vocês não tem dois dias, deixaram todo tipo de pistas, até eu acharia um rastro como esse, quando meu pai chegar aqui, não vai perguntar entende, não vai negociar, não sabe que tem crianças aqui, eles vem com tudo que tem, muitos homens, muitas armas, será tarde.

─Olha moça! – A jovem com o bebê me chama – Não temos mais nada a perder, vê como vivemos?

─chegamos aqui a bastante tempo, pensamos em nos juntar a eles, mas observamos um tempo e descobrirmos muita coisa, eles são o mal, passam por cima de tudo.

─E porque não partiram? – Não consigo entender porque vivem daquele jeito.

─Dois homens, mulheres e crianças, não sobreviveríamos muito, aqui eles mesmo sem saber afastam as hordas, um cabeça oca ou outro aparece as vezes então damos cabo, vivemos à sombra deles, mas não tem mais nada a nossa volta há muito tempo, o bebê chegou, e as crianças tem fome, queremos tentar, mas onde vamos com dois facões e toda essa gente?

─Então me deixe ajudar, já disse esse tempo acabou a meses, venham comigo, digo que me salvaram, ajudo vocês, vão chegar como heróis se me levarem de volta.

─Escute a moça Miguel, é um jeito melhor! – Maria pede.

─Acredita nela? – Ele diz irritado – Sabe do que essa gente é capaz, viu o que aconteceu com Selena!

Ele aponta a moça com o bebê, nem preciso ser muito esperta, ela abraça a criança.

─Um homem chamado Tom? – Pergunto a ela, os olhos arregalados respondem minha pergunta – Ele foi morto, justo por isso, acabou, não tem mais nenhum deles vivo, só as pessoas boas, por favor! – Me desespero por um instante.

─Deixa ela ai, não falem com ela, só quer fazer a cabeça de vocês!

O homem some mais uma vez, penso em Carl, em Tommy e Mich, estão me caçando, mandaram alguém até a vila para buscar meu pai, mas estão me caçando, meu coração bate forte, tudo pode dar errado, minhas facas sumiram, minha pistola também, minha cabeça lateja e meus braços doem amarrados para trás.

─Quanto tempo caminhando até Horizonte? – As duas mulheres se olham.

─Três horas de caminhada.

Então fico ali sentada e sozinha, só consigo pensar na angustia de minha família, na dor de todos eles, no desespero, escurece, o bebê começa a chorar e a moça volta para perto de mim chacoalhando o pequeno.

─Está cansada não é, me deixa ir, te ajudo, prometo, volto com ajuda, comida, armas e vão embora.

Ela nega, mas olha em direção ao quarto, sinto que fica em dúvida, preciso sair e encontrar meu pai e Carl, antes que seja tarde para todos.

─Não tem medo do seu filho acabar morto?

─O tempo todo, não concordo com o que estão fazendo.

─Me solta, nem que seja para evitar mortes, se chegarem aqui...

Não termino de propósito, ela balança a criança que choraminga, é um bebê pálido, magro, sem forças para chorar.

─Ele está doente? Temos um médico, remédios.

─Meu leite é fraco, só isso.

─Me ajuda, por favor! – Quero ir embora, só consigo pensar em Carl, meu pai e minha mãe, é muito para eles – O menino que estava lá fora, é seu parente?

─Meu irmão.

─Usaram ele de isca, acha certo?

─Miguel está desesperado, mas é um homem bom!

─Vocês são bons, isso não é certo.

Ela te os olhos marejados, some por um instante, volta com minhas armas, coloca no chão ao lado o bebê, me desamarra, pego minhas armas.

─Não vai sobreviver lá fora – Ela me diz, olho para ela, sou uma Dixon, eu decido quando morrer, mas ela não sabe disso.

─Vou e prometo ajudar vocês, me dá uma direção.

─Siga sempre para o norte e vi acabar chegando em Horizonte, cuidado.

─Obrigada Selena, confie em mim, vou ajudar.

─Vai antes que alguém acorde.

Ela pega o bebê no colo e saio por uma janela a pedido dela, corro uns metros e embrenhando pela mata, depois paro para me decidir que caminho seguir, escuto a floresta, nada além do silencio, pego a direção indicada por Selena, o rosto de Carl me vem à mente, a noite perfeita que tivemos, todas as promessas que fizemos um ao outro, não posso deixar que acabe.

Notas finais
Amanhã posto mais um gente, sei que ficou tenso. beijos