Fim dos tempos 2
53 Capítulo 53 - O nascimento de um novo lider
Notas iniciais
Pov – Tommy
Agora que não temos tanta preocupação em como vamos chegar em Horizonte eu digiro tranquilo, uso o caminho mais curto entre a vila e Horizonte e paramos apenas uma vez, preciso encher o tanque e todos queremos esticar um pouco as pernas, respirar, se mover.
─Tommy não acha melhor eu entrar primeiro e ver como vão as coisas antes de vocês entrarem.
─Não, quero entrar com você, ver com meus próprios olhos como vão as coisas.
─Ainda não confia em mim?
─Não confio em ninguém Jay, não é pessoal.
Michonne me olha, caminha um pouco com a Katana na mão, eu continuo meu trabalho de encher o tanque, realmente é bom ter Katie por perto nessas horas.
Assim que termino um zumbi sai da floresta, Liv bate no vidro me avisando, eu acabo por sorrir, ela é mesmo apenas uma menina, como se eu e Mich já estivéssemos atentos a isso, sorrio para Liv e seus olhos arregalados, Mich a essa hora já está caminhando para ele, mas me viro, o ser é nojento, definitivamente eles estão se tornando as coisas mais assustadoras do mundo, está quase nu, apenas uns farrapos o cobre, é possível ver suas costelas, não tem cabelo, a pele despenca a cada passo, os dentes podres e ninguém poderia dizer o que afinal aconteceu.
Antes era possível olhar para eles e saber como tinha sido, imaginar quem eram, como viviam e então o tempo foi passando, passando e apesar de ainda estarem de pé, eram apenas a sombra do que um dia foram, Michonne o acerta com a espada, enfia na testa e puxa de volta num elegante movimento que me faz erguer a sobrancelha e pensar na cama dela.
Voltamos para a estrada, mais algumas horas e finalmente Horizonte se apresenta, é mesmo um lugar admirável, se fosse possível conviver com eles seria muito bom.
─Como se entra?
─Por incrível que pareça pelo portão da frente! – Jay diz e faço uma curva dando de cara com grandes portões – Carol achava que era o melhor, se alguém finalmente achasse esse lugar era bom que achassem que era um lugar seguro e despretensioso.
─Carol aprendeu muito com os anos! – Michonne comenta quando paramos o carro.
─Tem sempre um homem na torre, ele fica de vigia, dia e noite temos alguém lá.
Jay desce do carro, dá uns passos para frente e acena com as duas mãos, quer ser visto, eu e Mich trocamos um olhar.
─Cuidado agora, fica atenta.
─Vai para o inferno Tommy, sei me cuidar.
Acabo rindo, só cruzo com mulher independente, desço do carro, Liv fica esperando uma ordem para sair, então o portão se abre, dois homens surgem armados, se aproximam.
─Jay! – Um deles diz – Que merda aconteceu com você?
─Temos muito que conversar, como estão as coisas aqui?
─Fodidas, definitivamente, a Carol saiu com o Tom, e a Katrina, não voltaram mais, nenhum deles, nenhum sinal, estavam indo para uma batalha, recrutaram homens, mas deu errado.
─Sei, e aqui, algum problema? – Jay pergunta olhando para dentro – Quem ficou cuidando das coisas?
─Ninguém, uma merda, estava tudo bem até as pessoas se darem conta de que a Carol não voltaria, agora sinto uma tensão no ar, uma disputa por poder se aproxima.
─Esses são meus amigos, me acolheram na estrada, vieram para ficar.
─Jay, seu pai construiu tudo aqui, sabe que tem a minha lealdade e para ser honesto acho que a de todos aqui, se Carol realmente não voltar apenas você pode controlar as coisas por aqui, o nome do seu pai é quase uma oração para essa gente.
─Vamos ver, apenas me ajude a manter as coisas calmas e a segurança dessas pessoas – Jay olha para mim, depois para o carro, faz sinal para Liv descer, ela segue até ele e os dois se dão as mãos – Antony, essa é minha namorada.
─Puxa vida! Que bom Jay, vamos entrar, as pessoas vão ficar impressionadas em ver você, todo mundo achava que estava morto, Carol mandou caçar você dia e noite.
─Imagino que sim! – Vamos entrando, me impressiona o quanto Jay parece firme ali, adulto, decidido e respeitado.
Depois das primeiras apresentações e a comoção em torno dele Jay nos conduz pelo lugar, acena aqui e ali e o lugar é um esplendor, grande, próspero, podemos ver plantações, o moinho, canos levando água para todos os lados, casas, é pelo menos umas quatro ou cinco vezes maior que a vila.
─Ali era a casa de Carol, mais tarde vamos até lá, sempre quis mexer nas coisas dela, descobrir mais, mas acho que agora a gente pode ir para minha casa, ficamos lá.
A casa de Jay ficava na rua principal, era confortável, dois quartos cozinha, sala e livros e mais livros.
─Nick adoraria esse lugar.
─Quem sabe um dia ele não vem aqui pegar uns livros, tem uma escola inútil no fim da rua, as crianças nunca chegaram realmente.
─Mas agora podem chegar – Liv diz esperançosa ainda de mãos dadas com Jay – Vai ficar aqui, como parece que querem?
─Vamos decidir isso juntos! – Jay promete a ela que me olha imediatamente.
Descansamos umas horas, na verdade apenas ficamos ali, acho bom que as coisas se acalmem um pouco, assim quando a curiosidade desaparecer será mais fácil ter uma ideia do que afinal está acontecendo.
No fim da tarde saímos com Jay que pediu a Antony para reunir o grupo, ele me olha na porta.
─Acha mesmo que tenho que abrir o jogo assim, dizer na cara de todo mundo o que aconteceu, quer dizer, Carol liderava essas pessoas, vou dizer a matamos?
─Vamos logo conhecer quem é quem, não gosto desse jogo Jay, gosto das coisas às claras, sem diplomacia, se tiver que agir, então faremos.
─Certo, mas não quero derramamento de sangue.
─Nem eu, pelo menos não o meu sangue.
As pessoas se reunião na frente da casa de Carol, um homem nos para antes de chegarmos ao grupo.
─Então está aqui! Ouvi dizer, não achei que era sério, não tinha fugido assustado no meio da noite?
─Sam, acho que pode se juntar ao grupo e ouvir o que tenho a dizer.
─Acha que vai dizer o que quer liderar essa gente e tudo bem? – O cara o desafia, se aproxima e eu e Mich damos um passo à frente – Pois não vai, é só um garoto, não vou colocar minha vida em suas mãos.
─Jay não está sozinho e não quer sua vida, acho que pode perceber isso, não gosto de ameaças e não sou paciente! – Digo baixo, quase no ouvido do tal Sam.
─Anda Jay, seu velho amigo vai se juntar ao grupo! – Michonne empurra Liv de leve e começamos a andar.
Jay para diante de todos, temos ali pelo menos umas cinquenta pessoas, uma ou outra criança, dois ou três idosos e o restante, gente forte e saudável.
─Pessoal, tenho algo importante a dizer, podem me ouvir com atenção?
─O que aconteceu Jay, sumiu e agora está aqui com essas pessoas, quem são eles, o que está acontecendo? – Uma mulher pergunta.
─Vou dizer, não se preocupe.
─Ótimo, vamos ver que mentiras o garoto vai nos contar.
─Cala a boca Sam, Jay sempre esteve aqui, é parte do grupo! – alguém defende Jay.
─Eu fugi, quando sai daqui não tinha um plano, só não queria mais ficar perto desse lugar, minha vida corria risco como a do meu pai, Carol o matou, mandou matar na verdade, fez isso porque meu pai a confrontou, ela não era quem parecia ser, quando meu pai se deu conta ela o matou e iria fazer o mesmo comigo se não tivesse fugido, essas pessoas me ajudaram.
─Quem são eles? – Alguém grita.
─Amigos, me ajudaram, eles tem uma comunidade, estive lá, tem crianças, velhos, mulheres, não se perguntam porque não recebemos mais pessoas, porque as crianças nunca chegam?
─O que quer dizer Jay, o que descobriu?
─Carol era uma assassina, matava saqueava, é daí que vem a prosperidade de Horizonte, Katrina e Tom faziam isso.
─Mentiroso! – Sam grita no meio do grupo, uma discussão começa entre eles, Jay tentava acalma-los, nada parecia resolver, saco minha arma, atiro para o alto e o silencio retorna.
─Jay não precisava vir aqui, estava bem instalado, quis oferecer ajuda a vocês, então escutem.
─Obrigado Tommy.
─Vá em frente garoto.
─Carol estava fora de si, atacou o grupo, lá, na casa deles, ninguém veio aqui, ela foi até lá, eles não tiveram escolha, eu não tive, Carol e todos eles foram mortos, foi uma guerra – O silencio é brutal – Vejam que podia deixá-los no escuro sobre isso, mas estou aqui, como meu pai faria.
Usar o nome do pai é uma boa jogada, as pessoas começam a concordar com ele.
─Quem vai nos liderar agora, essas pessoas querem vir aqui, nos roubar de volta, estamos em risco?
─Não queremos nada de vocês!
─Precisam pensar sobre um novo líder, não uma rainha cheia de vontades como Carol, alguém que seja justo e digno, prosperar como uma família, como eles vivem.
─Eu posso cuidar de tudo! – Sam se apresenta, sei como tudo funcionava, Carol me deixou a par e me pediu para cuidar das coisas.
─E só o que fez foi beber e dar ordens! – Antony reclama, mais pessoas concordam.
─Chega disso, quem está comigo? – Sam convida, dois homens e uma mulher se aproximam dele, concordando – Não acredito que vão deixar um garoto no comando?
Jay me olha, se aproxima de mim, está claro que querem ele como líder e mais claro ainda que ele não quer liderar ninguém.
─Assuma Jay, ficamos até que esteja seguro, depois se achar que não está pronto passa o poder para alguém que confie
Ele concorda, olha para Liv, ela faz um movimento concordando com ele
─Eu quero ficar aqui, continuar o trabalho do meu pai, levar todos nós para um novo lugar, abrir comércio com outros grupos, expandir as fronteiras.
─Está bem, quem está com o Jay? – Antony diz e todos concordam, Sam será um problema, seu olhar de ódio me diz tudo, não vai desistir e não vai viver para colocar o garoto em risco, eu e Mich trocamos um olhar.
─Obrigado pela confiança, vou fazer por merecer, agora acho que podem voltar para suas casas, seus trabalhos, vou me inteirar de como as coisas estão e vamos resolvendo tudo.
As pessoas se dispersam e entramos na casa de Carol, é um ambiente sombrio, principalmente para Mich que foi quem realmente conviveu com ela, na sala onde ela comandava tudo achamos documentos, listas com nomes, lugares, papéis e mais papéis, ela era mesmo uma mulher esperta, mas tudo fica bem claro, nomes de pessoas que desapareceram, em uma lista e entre eles o nome de Jay, no fim da lista.
─Eu sabia que ela queria me pegar, eu era uma ameaça, matar meu pai foi só um dos passos dela.
Me sento no sofá, Liv ao meu lado e Mich de pé, ela está sempre impaciente, Jay se aproxima.
─Vão ficar não é, eu não sei se estou pronto para liderar essa gente e o Sam vai tentar alguma coisa, ele era um seguidor apaixonado.
─Eu vou ficar aqui até que esteja seguro.
─Eu também.
Michonne diz me olhando torto, remexe aqui e ali, olhando tudo com atenção a cada gaveta que abre retira uma arma, pistolas, facas, punhais.
─Ela tinha mãos de ferro, mas sempre esteve pronta para uma traição – Michonne diz juntando todas as armas na mesa.
─Vê! Não quero isso.
─Não precisa ser assim Jay, deixe que se sintam seguros e não vai correr riscos, nunca tivemos disputas de poder na Vila.
─Porque tem um conselho!
─Monte um, use o que acha bom na vila aqui, construa um lugar, podemos mesmo fazer negócios, abrir um caminho entre esses dois mundos, encontrar mais comunidades, reconstruir não só um lugar, mas um novo mundo!
Realmente acredito nisso, que se pode fazer mais, ele concorda, não sabe muito o que fazer, mas concorda e deixamos aquele lugar, Jay tranca a porta quando saímos, leva a chave com ele, descobrimos que ainda restou um bom estoque de armas, que comida não é problema e que eles tem um bom jeito de afastar zumbis.
Uma senhora traz comida quando chegamos ela abraça Jay carinhosa.
─Vou gostar de ter você cuidando de tudo, seu pai foi um grande homem e sempre temi Carol, o modo como ela nos olhava, como se devêssemos algo a ela, conte comigo e com todos que admiravam seu pai, mas Sam não ficou contente, e quando ficamos sozinhos, bem, não sei, Jennifer e Jorge sumiram, sabe como eles eram queridos aqui, acho que foi ele.
─Vou cuidar disso, amanhã damos uma busca e descobrimos o que aconteceu.
Ficamos sozinhos, comemos juntos, Liv me olha confusa quando Jay a convida para ficar no quarto dele.
─Preste atenção Liv, vou continuar cuidando de você, mas isso é uma decisão sua, não tenho nada com isso e não me importo, mas é você que tem essas coisas na cabeça, não vá se não quer ir.
─Certo, eu vou ficar com ele então – Ela me abraça, não precisava de tanto, mas a garota gosta e fico meio atrapalhado, a risada de Michonne me irrita, trocamos um olhar e então estamos sozinhos.
─Papai Tommy!
─Não enche, pode ficar no quarto, vou ficar aqui, não vou dormir.
─Sempre querendo brincar sozinho, vou ficar aqui esperando Sam com você, quero dar um bom soco naquele idiota.
As horas passam, deixamos tudo escuro, a porta destrancada como acho que é comum aqui, as ruas se acalmam, então no meio da madrugada, ouvimos a porta da cozinha, Michonne se posiciona, eu também, não tenho intensão de render ninguém, não é assim que trabalho, comigo não existe segunda chance, a porta da frente abre devagar, ele não veio sozinho, espero que entre, feche e logo depois saio das sombras, o homem se assusta, ergue a arma e então eu disparo, ele cai, outro cai na cozinha, Michonne é adepta de espadas detesta tiros.
E logo mais dois entram, dessa vez atirando sem receio, um tiro passa por meu ombro, eu me escondo atrás de uma parede, vamos trocando tiros.
─Fica ai dentro Jay! – Grito antes de derrubar mais um.
Me preocupo com Michonne, ela tinha uma arma, mas não sei se está bem, ouço tiros vindos da cozinha, começo a me esgueirar para tentar me aproximar da cozinha.
Tiros começam a vir de fora, só então percebo Jay, atirando conseguimos finalmente dar cabo de todos, ao final da confusão cinco homens e duas mulheres estavam caídos no chão espalhados pela casa, Michonne me encara com a arma em punho.
─Acho que a rebelião acabou! – ela diz tranquila, Liv sai do quarto com uma pistola na mão, nos olha assustada e corre para os braços de Jay, fico feliz que Michonne não é esse tipo, acho aquilo meio grudento.
─Pulei a Janela! – Jay avisa ─ Estava esperando por isso.
Logo a cidade está toda em frente à casa, Jay se aproxima da porta para acalmar as pessoas.
─Sam nos atacou, nos defendemos e ele está morto, como vai ser agora?
─Você cuida de tudo Jay, se venceu o Sam então merece a posição de líder!
As pessoas realmente gostam do garoto e acho que ele não volta mais para Vila, Jay será o líder desse lugar e isso é bom, nos abre fronteiras que jamais achei que teríamos.
─E Nasce um novo líder! ─ Michonne diz ao meu lado.
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