Fim dos tempos 2
39 Capítulo 39 - Conselho
Notas iniciais
Pov – Jay
Desde que cheguei aqui o lugar só me surpreende, claro que poderiam estar muito melhor, não cresceram muito, parecem do tipo simples que não precisam de muito para sobreviver, diferente de Carol e das pessoas de Horizonte que pensavam de modo grandioso, esse grupo parece dar mais valor as relações, só de observa-los eu percebo.
Meu pai teria sido mais feliz aqui, são de paz, unidos, formam famílias e parecem dar estremo valor a elas, isso os torna fortes, mas é também o ponto fraco, Carol sabe disso, usou isso e vai usar ainda mais, pelo que entendi eles tem muitas crianças, na ânsia de protege-las podem fazer tolices, eu não tenho nada a perder e desse modo, tanto faz, não sobreviveria muito lá fora, então só me resta tentar ajuda-los.
Parece que Tom deixou suas marcas por aqui, pelo que entendi abusou da menina e se estiver mesmo certo, não foi a primeira vez, ela tem a proteção de Tommy, desde que o vi achei uma figura impressionante, quase como a versão masculina de Katrina, mas um cara bom.
Liv é muito bonita, está abatida, meio ferida e tem os olhos assustados que a deixam bem interessante, mas não estou aqui para isso e depois do que passou deve querer distância do sexo oposto, não vou me aventurar.
As pessoas são bem fortes, dá para ver que ali não tem ninguém incapaz, isso é bom, se tiverem armas e munição o bastante podem conseguir, não sem perdas eu acho, mas podem, assim como podem fazer esse lugar muito melhor e vou ajuda-los nisso também, tudo que meu pai fez por Horizonte, todas as ideias dele, seus planos, os sucessos, os fracassos, estão todos na minha cabeça e posso ensinar a essas pessoas e quem sabe aqui, construir alguma coisa minha.
Só de estarmos reunidos em um conselho e não sendo liderados por um ditador como em Horizonte com Carol já me sinto melhor.
─Diga o que acha de tudo, Jay, vamos ouvi-lo! – Rick me diz depois do pequeno estresse com o filho, um garoto da minha idade que pelo que percebi era casado com a garota a seu lado que sem dúvida era linda e filha de Daryl, alguém que eu devia ficar longe, mas embora ela fosse muito bonita era o tipo forte, decidida, sempre gostei mais de garotas delicadas, frágeis, meu pai dizia que eu tinha instinto protetor.
─Vamos lá, pelo que entendi isso é um conselho, então decidem as coisas juntos, certo?
─Sempre! – Katie responde, se encosta em Daryl e são tantos casais que me confundo um pouco.
─Katrina morreria, e vai morrer por Carol, primeiro por gratidão, Carol cuidou dela quando precisou, segundo por que Katrina é apaixonada por Carol e apesar de Carol não sentir o mesmo, se aproveita disso, Katrina é completamente cega, não vê nada que Carol faça como errado e isso só deixa Carol ainda mais forte.
─Katrina e Carol, elas... – Maggie pergunta, estou decorando bens os nomes.
─Não sei tanto assim, acho que não, essa coisa que Katrina ficar longe da comunidade cuidando das coisas no posto de triagem, é um modo de Carol contornar isso, assim ela tem tudo que quer e fica livre das investidas.
─Faz bastante sentido – Carl admite.
─Mas agora Katrina não vai estar mais no posto, não depois de terem vindo aqui, ela vai se tornar a sombra de Carol, vai deixar Horizonte mais fortificado e seguro, com mais homens se preparando para virem para cá como Carol disse que faria.
─O que significa que Horizonte vai ser uma fortaleza ainda maior.
─Sim Daryl, é assim que será, por outro lado, ela tem muita coisa no posto de triagem, armas, munição e pessoas, é de lá que saem as missões, é para lá que vai a pilhagem, se Katrina por um lado não vai abandonar Carol, não vai deixar o posto completamente abandonado, vai demorar até que busque o que tem lá, vai respeitar o prazo que deu a vocês.
─Acha que Tom vai estar lá? – Tommy me pergunta cego de ódio, eu o entendo, fazer o que aquele canalha fez com a pobre moça, não tem perdão.
─Tom é o segundo homem, sem dúvida ela vai manda-lo para o posto, com ele um grupo de homens, um número bem menor é claro, mas bons soldados.
Eles se olham pensativos, eu sei que é difícil confiarem em mim, que preferiam que não estivesse na reunião onde talvez falassem mais abertamente, mas como estou aqui e quero ajudar, vão ter que se acostumar com isso.
─Podemos ataca-los, enfraquecemos o grupo, diminuímos a vantagem e ainda conseguimos armas e munição.
─Carl eu não sei... – Rick não parece ser um homem que goste de guerras, já o filho eu não diria o mesmo.
─Chega de esperar pai, de ser surpreendido pela morte, Carol quando esteve aqui e nos olhou, quando viu como vivemos, ela.. ela insinuou que não prosperamos e ela está certa, chegamos aqui, nos instalamos e simplesmente aceitamos, temos tudo que quisermos lá fora, era só ir buscar, mas fomos preguiçosos.
─Carl, não é hora para isso, podemos pensar nisso quando a guerra acabar.
─Você quer dizer depois que Carol chegar com seu exército, matar metade de nós e cairmos na estrada com o que sobrou para recomeçar mais uma vez? Não pai, não vai acontecer de novo, podíamos ter aumentado nossos muros, expandido a horta, construído um moinho maior, não precisaríamos racionar água e comida, mas não fizemos, a gente tem a péssima mania de se acostumar com o que nos acontece.
─Vocês tem um bom potencial aqui, daria mesmo para fazer tudo que ele está falando! – Eu não resisto a um comentário.
─Ótimo, vamos fazer, podem construir um império se quiserem, prometo ajudar, mas hoje temos uma guerra para vencer e é nisso que vamos focar! – Daryl acaba com a discussão.
─Tom vai seguir para Horizonte, ouvir as ordens de Carol, juntar alguns homens e depois seguir para o posto de triagem, não vai chegar lá antes de amanhã à noite, o que significa que nesse momento deve ter três no máximo quatro homens lá, podem chegar primeiro, surpreender Tom, vai demorar pelo menos uma semana para Carol compreender o que aconteceu, só quando ninguém do posto aparecer para a visita semanal é que ela vai mandar averiguar, então mesmo que queira vir terão um tempo para se organizar, ganham bastante tempo para preparar um ataque, proteger a vila.
─É um bom plano, onde estão as armas que falou? ─ Tommy me questiona ─ Estive lá, passei um tempo com o grupo, não vi isso.
─Na casa de Katrina, tem um porão, tudo de mais valioso fica lá, mas cuidado, ela deixa uns zumbis acorrentados lá em baixo, é sempre assim que elas se protegem, adoram essas coisas.
─Perder essa chance vai ser muita burrice! – Carl insiste.
─Nós vamos, acho mesmo tolice não tentar, rendemos os caras, nos escondemos dentro, atacamos quando entrarem, pegamos todos, as armas e se tiver sobreviventes se quiserem nos acompanhar serão bem-vindos depois voltamos, então aqui, armamos um modo de nos defender – Katie diz e ela sim, parece ter muita influência pelo que percebo.
─Quem? Quantos de nós, quem fica? – Glenn questiona – Não vamos nos arriscar todos e deixar a vila vazia.
─Eu vou, acho que estou pronto! – Carl diz determinado.
─Posso ir se quiserem, por mim tudo bem! – Aviso – Eu sei lutar, me defender.
─Não! – Rick diz sério – Veja bem Jay, não é uma questão de confiar em você ou não, mas sabe muito sobre eles, e acho que seria bom ter você aqui para prepararmos o ataque ou a defesa caso Horizonte venha mesmo nos atacar.
─Não vou brigar sobre isso, eu estaria na rua se não tivessem me trazido, não viveria muito sozinho, então estou à disposição para o que acharem melhor.
─Combinado! – Rick me olha, depois encara o restante do grupo – Quem vai?
─Acho que o Jimmy tem que ficar, por conta da Mary, é forte o bastante para ajudar a defender a vila, com ele ficam Megan, Liv, Beth.
Rick anuncia, não conheço bem todos os nomes, mas pelo que vi ficam os mais protegidos.
─Jeff é bom que fique, deu provas que podemos confiar nele e é bem aceito por todos na vila, caso haja um motim! – Daryl avisa e ergo a sobrancelha, é mesmo um mundo difícil esse, amigos se tornam inimigos num piscar de olhos.
─Eu e Maggie vamos! – Glenn comunica – Tommy já sei que não vai abrir mão, Katie podia...
─Nem pensar, vou com o Daryl, sabem disso! – Ela diz firme e ninguém discorda, nem mesmo ele.
─Certo, Carl também vai e podemos levar o Sam e a Emma, eles são fortes e jovens, acho que lutariam, o resto fica.
─De jeito nenhum eu fico aqui! – Michonne se pronuncia e acho mesmo uma tolice deixarem alguém como ela aqui.
─Sabemos Mich, por isso nem citamos você.
─Ótimo, nesse caso, vamos recolher armas e nos preparar, acho que devíamos sair na madrugada, chegamos lá pela manhã, isso nos dá bastante tempo para organizar tudo, não se esqueçam dos zumbis nos muros.
─Eu e Daryl resolvemos isso com as facas e flechas, não serão um problema, mas acho que temos que entrar sem derruba-los, se Tom chegar e eles não estiverem lá ele vai se dar conta, perdemos o elemento surpresa.
─Está certa Katie, não que algum dia tenha estado errada o que é bem irritante, mas já disse isso! – Glenn comenta.
─Reunião encerrada, vamos nos preparar, nos despedir, e Megan... – Ela o interrompe.
─Vou deixar dois carros prontos!
─Vai coordenar as coisas aqui com o Jeff ratinha, e tentar manter seu irmão dentro dos muros – Daryl avisa.
─Isso sim é missão impossível, Nick está sempre com um plano bem mal organizado na manga.
As pessoas começam a se levantar, eu fico ali sem saber bem o que fazer, para onde ir, ainda estou com a Mochila nas costas e me ergo.
─Vocês tem um lugar que eu possa ficar?
─Vai ficar na minha casa Jay! – Tommy me avisa – Assim fico de olho, tem um bom sofá lá!
─Um sofá está ótimo! – Eu o acompanho em direção a saída.
A casa dele ficava em uma esquina eu já tinha notado, Liv caminha a seu lado muito silenciosa, vez por outra me olha de lado, mas na maior parte do tempo apenas, olha para o nada, é fácil saber o que pensa, tem tanta dor em seu olhar que deve ficar revivendo os momentos nas mãos de Tom.
Sempre soube que aquele cara era um canalha, mas que Carol achava aquilo natural era novidade para mim, ela era sempre muito firme sobre como os homens tratavam as mulheres de Horizonte, meu pai me disse uma vez que seu comportamento deixava claro uma vida de agressão, acho que andou se esquecendo de como era.
Entramos e a casa está arrumada, tudo parece no lugar e olho para o sofá, parecia mesmo confortável.
Apoio minha mochila no chão ao lado de uma estante de madeira escura, alguns objetos enfeitavam o móvel e simplesmente sei que já estavam ali quando chegaram, não se parece com Tommy ou Liv.
─A parte de baixo da estante, as gavetas e portas estão vazias, pode colocar suas coisas lá – A voz de Liv é delicada, suave e engulo em seco, apenas concordo, sem dizer nada.
Os dois seguem para a cozinha, acho que pretendem me dar algum espaço, me sento no chão e abro uma das portas, o cheiro de madeira me traz recordações a muito esquecidas, uma casa grande, Zion, meu cachorro correndo em volta de mim enquanto minha mãe passava a flanela na estante do meu quarto resmungando da minha bagunça de garoto, há quanto tempo não me lembrava disso, do tempo que os mortos simplesmente ficavam deitados em suas tumbas, que bandidos eram presos por seus crimes, as coisas são diferentes agora, só se faz justiça se for com as próprias mãos, e nem sempre ela funciona para todos.
─Eu tinha deixado pão e frutas aqui para você Tommy, antes de sair por que achei que devia estar chegando! – Escuto Liv dizer na cozinha e fico ali os ouvindo.
─Não se preocupe comigo agora, apenas quero que fique bem.
─Como posso ficar bem se mal chegou e já vai sair?
─Que escolha eu tenho Liv?
─Vai voltar Tommy? Porque tenho medo que essa sua necessidade de fazer aquele... Não quero que se arrisque.
─Eu e aquele infeliz não vamos continuar no mesmo planeta, pode apostar nisso.
─Não morre, só me restou você, eu sei que não queria uma garota no seu pé, mas eu...
─Liv a gente vai ficar bem, não tem isso de ficar no meu pé, vamos ficar perto, seu um pouco como todos por aqui.
─Uma família? – Ela pergunta, não consigo evitar um sorriso, ela parece ávida por uma, ele parece assustado, mas acho que estou meio que presenciando um nascimento.
─Ou isso! – Tommy diz querendo se livrar da conversa.
─Obrigada! – Eles ficam em silencio, me estico um pouco sem resistir, quero ver o que está acontecendo, ela está abraçada a ele e Tommy parece o cara mais desajeitado do mundo.
─Só não espere muito de mim, não sou como o Daryl! – Já vi que Daryl é o pai protetor, a família modelo.
─Vou aceitar o que puder me oferecer, só de não estar mais sozinha... Obrigada!
─Já anoiteceu e tenho umas coisas para resolver, então como vamos sair de madrugada quero que fique na casa do Daryl, a família vai ficar toda lá com certeza, é sempre assim.
─Mas não é muita gente? Eu fico com vergonha de incomodar.
─Olha Liv, vai ser assim, eu não vou te deixar aqui com o Jay por que mal se conhecem, então fica lá, mas te levo e será bem-vinda, não quer ser uma família? Então se acostume, eles serão sua família também.
Acho que ela concorda, não os escuto por um tempo, depois eles aparecem na sala.
─Preciso fazer uma coisa, volto mais tarde antes de partir, arrume suas coisas Liv e veja o que o Jay precisa, trago armas para os dois – Tommy me olha – Conheço pessoas garoto, sei que posso confiar em você, só por isso vai ficar armado e tenho certeza que pode ajudar na segurança.
Afirmo e ele acena deixando a casa, Liv fica imediatamente tensa. Confia em mim, mas tratou de tirar a garota da casa com medo do que posso fazer com ela.
─Vou trazer cobertas e travesseiros para você!
Liv me deixa sozinho, termino de guardar minhas coisas e me sento no sofá, ela volta, deixa as coisas e se senta tímida.
─Precisa de mais alguma coisa?
─Não, estou ótimo, posso me virar, não precisa me agradar e nem me olhar assim cheia de medo, não vou fazer nada contra você.
─Confiar nas pessoas é difícil, eu já...
─Ter pena de si mesma também não serve para nada, todo mundo já se deu mal, confiou na pessoa errada.
─Eu sei! – Ela torce os dedos nervosa, acho que fui grosseiro, não sou bom com garotas, ao menos não depois que a Mia morreu, namoramos seis meses e ela acabou na boca de um zumbi, quem não acaba?
─Olha Liv, não quero ser um babaca nem nada, desculpe, só não sei muito como lidar com tudo, eu olho em volta e todos tem alguma desconfiança.
─As pessoas aqui são muito boas, as melhores que já encontrei, eles apenas se preocupam, mas quando se acostumar vai gostar.
─Se é que vai dar tempo, essa guerra vem de um jeito ou de outro.
─Eu sei, acho que não me importo mais de morrer, só que eu queria poder proteger essa gente, as crianças principalmente, o Tommy, a Megan que é minha amiga, eu fui muito covarde, desde o começo, sempre me escondendo e agora...
─Esconder, lutar, que diferença faz? Você sempre acaba mal.
─Está bravo. – Ela constata – É horrível perder todos, já aconteceu comigo.
─Só tinha meu pai, isso foi há muito tempo.
Conto a ela sobre meu pai e Horizonte, ela fala um pouco dos pais, da família e de como foi parar no posto de triagem, mas então acho que pensa em Tom e fica calada, faço o mesmo, não sei o que dizer, não quero fazê-la pensar no cara, além disso acho que Tom não vai viver para repetir seu erro.
─Acho que vou deixar você descansar.
─Não estou cansado, só ansioso, acha que essas pessoas são fortes o bastante para lutar numa guerra?
Liv me conta algumas histórias que ouviu, inclusive da horda que esteve aqui um pouco antes de ela chegar.
─Eles podiam desviar as hordas, fazíamos isso em Horizonte, é possível fazer, posso ensinar.
─Acho que sim, acho que eles poderiam fazer, meio que fizeram quando a horda chegou.
─Tem namorado? – Não devia ter perguntado, ela arregala os olhos com minha pergunta – Desculpe é que todo mundo parece ter alguém por aqui.
─Não, eu não tenho e não quero ter! – Ela diz desviando os olhos e me sinto um completo idiota, claro que ela não quer ter, não depois do que passou, que pergunta estúpida.
─Eu sei, foi tolice, eu tinha, Mia era seu nome, eu a conheci em Horizonte, mas ela morreu. Mia saiu uma vez com o grupo e não voltou, foi uns meses antes do meu pai.
─Sinto muito, namoravam há muito tempo?
─Seis meses, o que dura mais que isso?
─Aqui parece que tudo, pelo que pude entender, espero que continue assim, eu vou arrumar minhas coisas, Tommy está demorando, boa noite Jay.
Liv não espera minha resposta, se ergue e deixa a sala, fico ali pela primeira vez sozinho, não vai ser fácil recomeçar, por mais que Horizonte tenha se tornado um pedaço do inferno, por muito tempo foi minha casa, agora parece que minha casa se resume a esse sofá, vou ser forte e recomeçar.
Mas não vou permitir que me escondam e me protejam como fizeram com meu pai, porque ele ficou sob a proteção de Carol até que Horizonte estivesse de pé e não precisasse mais dele e depois ele simplesmente foi descartado.
Pov –Tommy
Me reúno com nosso grupo de novo, dessa vez para acertarmos o plano, Jimmy e Jeff participam, já que ficariam cuidando de tudo, Megan é como a mãe e dá boas ideias.
As decisões são tomadas, tudo está decidido e as pessoas começam a se recolher, Daryl segue com Katie para casa, vão ficar colados nos filhos até a hora de partirem, Megan e Carl seguem para casa de mãos dadas, a garota tem olhos tristes, imagino que deva ser difícil para ela deixar que metade da família siga para guerra, Rick vai com Beth, ela está chorosa, Beth é corajosa e já lutou muitas vezes, mas era um tempo diferente, estávamos nas ruas e todos tínhamos que lutar, aqui na vila sua luta é para manter as crianças em segurança, e ela faz isso muito bem.
Fico sozinho nas ruas da vila, caminho em direção a minha casa, Liv está lá, Jay também, eu devia entrar, conversar um pouco com os dois, saber mais do garoto e prepara-los para o tempo que ficaríamos fora, sim era exatamente isso que devia fazer, mas então porque minhas pernas me levam para a casa de Michonne? Porque não faço nada para impedi-las?
Paro na porta, penso um instante, o tempo todo, desde aquele beijo as lembranças estão em algum lugar do meu cérebro querendo me dominar enquanto mantenho uma luta interna para afasta-las, acho que o melhor é bater de uma vez na maldita porta, que adianta ir para uma guerra com a mente confusa?
Eu suspiro, sou um maldito idiota que não anda bem da cabeça, um fraco que não consegue mais dominar os próprios instintos, bem, estou aqui, não vou sair então é melhor bater de uma vez, deixar para ela a sanidade de me mandar para o inferno.
Bato levemente, ela foi a primeira a deixar a reunião, assim que acabou seguiu para casa e sei que sua intensão era apenas fugir de mim. A porta se abre, nos olhamos.
─Eu não queria bater! – Digo a ela, é bom que saiba que estou lutando contra isso.
─Eu não queria abrir! – Ela me diz antes de dar espaço para que eu entre, então é isso, não consegui não bater, e ela não conseguiu não abrir.
A porta se fecha com um movimento firme de Michonne e de algum jeito no segundo seguinte ela estava em meus braços e nos beijávamos do mesmo modo como nas ruinas, com a mesma intensidade, e me sinto da porcaria do mesmo jeito, completamente entregue.
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