Fim dos tempos 2
32 Capítulo 32 - Tentando se acostumar
Notas iniciais
Pov – Daryl
Foi a coisa mais estranha do mundo ver minha filha vestida de noiva descendo as escadas da minha casa, primeiro porque me faz pensar que o mundo não acabou, é muita normalidade para um mundo sem vida, segundo porque me dou conta muito a contra gosto que ela cresceu, é uma mulher e vai começar uma vida onde eu fico em segundo plano.
Mas nada disso tem importância, o que importa é que seus olhos brilham como duas joias e isso me deixa completamente feliz, um tipo de felicidade que nunca achei que teria a sorte de conhecer, algo que não depende de mim, dos meus desejos, uma felicidade que vem desse amor sem interesses que os pais sentem pelos filhos, não quero nada em troca, apenas que continue sorrindo.
A rua está completamente diferente, as pessoas ficam nos olhando caminhar e sorriem, estão contentes por estarem ali.
Entrego Megan a Carl e isso é estranhamente natural, sempre soube que aconteceria, me posiciono ao lado de Katie para ouvir as palavras de Glenn e no fim me emociono com o discurso, Hershel foi muito bem representado.
─No que está pensando amor? – Minha pequena pergunta quando entravamos em casa com Matt dormindo no meu colo.
─Que foi uma cerimônia bonita! – Ela me sorri – Que Hershel foi bem representado.
─Bom! Acho que já posso dormir hoje mesmo no quarto que era da Megan, né? Amanhã transfiro minhas coisas – Nick tinha uma cara de pau que dava gosto, eu nem me intrometo na conversa, deixo isso para Katie que era muito boa em colocar ordem na casa.
─Acho que pode ir direto para sua velha e em perfeito estado cama, que é onde o senhor vai continuar dormindo!
─Mamãe! – Ele resmunga enquanto subíamos ─ É sempre muito mandona! – Só Nick era corajoso o bastante para desafiar a mamãe, nunca ganhava, mas também não desistia, já o restante de nós apenas aceitamos.
─Nick precisa cuidar do seu irmão, Megan dormiu com vocês até o senhor ter dez anos e eu confiar que podia ficar sozinho com o Matt, vai ter que esperar ele ter idade de tomar decisões numa emergência.
─Não decisões que incluem se lambuzar de restos de zumbis e pular o muro para passar pelo meio de uma horda! – Eu o lembro e ele revira os olhos.
─Obrigado papai! Foi uma boa ajuda.
Coloco Matt na cama, que se enrola nas cobertas voltando a dormir despreocupado, não sabe do perigo que corre, que todos corremos o tempo todo.
─Mamãe o que acha que pode acontecer?
Katie se senta na cama com ele, respira fundo e o encara firme.
─Tudo Nick, não é tolo, sabe disso, podemos ser atacados, uma horda pode surgir e destruir tudo, posso morrer dormindo atacar seu pai e vir aqui fazer o mesmo.
─Que horror mamãe! – Concordo com Nick, mas era verdade, morrer nos tornava monstros em potencial, e no fim ninguém sabe quando ou como pode acontecer.
─Se lembra do que te aconteceu a bem pouco tempo, foi visitar a senhora...
─Eu sei, não quero lembrar disso, já entendi, vou ficar aqui e cuidar do meu irmão até ele estar pronto.
Katie da um beijo em Nick que se deita, ela o cobre, depois beija Matt e acenamos para Nick antes de deixar o quarto.
─Boa noite! – Ele diz quando fechávamos a porta.
Sigo com ela até nosso quarto, nos preparamos para deitar e não posso deixar de pensar em minha ratinha.
─Acha que ela gostou?
─Tenho certeza amor, Megan está muito feliz, e deve estar... Esquece – Ela não termina a frase e sei no que pensou e isso é realmente irritante e confuso para mim, não quero imaginar, não quero nem pensar nisso, porque ela tinha que me lembrar?
─Sobre bebês, falou com ela sobre isso? – Pergunto detestando a ideia, as palavras saindo com dificuldade.
─Um milhão de vezes, ela está bem, não pense nisso, só o que importa é que ela pode ser tão feliz quanto nós dois somos, não seja egoísta.
─Bom o que importa é que fiz minha parte, agora é com o Rick, ainda vou ver meu mini ratinho batendo na porta dele para pedir a Bravinha em casamento, será minha vingança!
Katie ri despreocupada, me puxa para ela e nos beijamos, ela acaricia meu rosto com cuidado.
─Lembrei tanto de nós dois na torre, me deu uma saudade!
─Também lembrei pequena, o tempo todo, por isso acho que no fim foi bom exigir uma cerimônia, ela vai sempre se lembrar disso, assim como nós dois.
─Também acho, disse a ela para guardar tudo na memória para os dias ruins.
─Ela estava linda não é, tão linda quanto você estava, e eu estava tão nervoso quanto naquele dia, mas também feliz.
─Que bom! – Ela me beija mais uma vez.
─Mas vou sentir falta dela! – Conto, e minha pequena faz bico, me rouba um beijo.
─Eu sei, vamos esquecer isso por hora.
Ela começa a tirar minha blusa, nos beijamos mais uma vez, depois nos afastamos um instante.
─Não vou precisar trata-la diferente vou?
─Quer calar a boca e participar um pouco mais das coisas aqui? – Katie diz brava, me faz rir – Fazia tempo que não pensava nisso, mas está me fazendo lembrar de coelhinhos brancos, é isso que quer? Ser confundido com um coelhinho branco?
─Isso foi uma provocação, não devia ter brincado com fogo senhora Dixon, acho que está encrencada.
─Espero que sim! – Ela responde rindo e então eu a beijo, um beijo de verdade, me esqueço de tudo a nossa volta e me concentro em Katie e no desejo que ela sempre me desperta, quando nos olhamos novamente só o que vejo é fogo, gosto disso, de como mesmo tanto tempo depois ainda queimamos um pelo outro.
É uma grande noite, pela manhã me sinto leve e quase não penso em Megan e seu marido, passo a manhã em casa, o dia está tranquilo, organizamos tudo para isso, no fim da tarde vamos ter uma reunião, Tommy vem pedindo isso a dias, estou na sala ensinado Matt a conferir as flechas, saber se estavam em bom estado, mais de uma vez uma flecha podre e sem direção quase me deixo em apuros, mas isso foi há muito tempo, agora as coisas estão mais fáceis.
─Bom dia! – Megan diz entrando em casa com um lindo sorriso, contenho o impulso de perguntar onde estava, ela abraça Katie, as duas trocam um olhar cúmplice, acho que significa que tudo está bem e preciso ficar feliz com isso, mas que é irritante é.
─Bom dia papai! – Ela vem para perto de mim, se senta ao meu lado, sorri para o irmão menor e sorrio de volta.
─Bom dia! – Respondo investigando seu rosto, os olhos brilham e ela sorri, é tão linda e parece tão feliz e tão igual a como sempre esteve.
─Vim dar bom dia, o Carl foi para casa.
─Tem reunião do conselho, vocês devem vir, no fim da tarde, ou pode ficar aqui até a hora da reunião.
─Ou o papai pode deixar de ser possessivo e deixar a ratinha dele aproveitar o primeiro dia de casada! – Katie ralha comigo, mas sou conhecido por sempre tentar, ás vezes funciona, outras não.
─Eu tentei! – Brinco e ela me abraça – Feliz?
─Muito.
─Ficou com medo de dormir lá na casa nova Megan? – Matt pergunta.
─Não, o Carl estava comigo.
─Acha que eu vou ter que casar também quando crescer? – Ele questiona.
─Claro! – respondo rápido – Com a Bravinha, acho até que devia ir lá e avisar ao Rick.
─Daryl! – Levo mais uma bronca, dou de ombros e Megan ri.
─Eu vou indo, só vim aqui dar um oi, volto com o Carl para a reunião, vou lá dar um oi para a Beth.
─Faça isso filha, já comeu? – Katie pergunta.
─Mamãe como vai ser essa coisa de comer? Não vou ficar tentando cozinhar, ninguém me disse que iria ter que fazer essas coisas.
─Eu sabia, avisei que casar não era boa ideia, vamos eu te ajudo a trazer suas coisas de volta! – brinco e elas riem.
─Ele não vai desistir, aceite! – Katie brinca também – Bom se o Carl ama mesmo você vai fazer como seu pai e comer qualquer porcaria que servir a ele.
─Acho bom ele me amar mais e aprender a cozinhar, isso sim.
─Ou isso! – Katie concorda.
Megan me beija, depois a mãe e o irmão e nos deixa, Matt desiste de me ajudar e segue a irmã, vai ao encontro de Judy e espero que faça o pedido, quero só ver se o Rick ainda vai achar tudo tão divertido.
─Pequena! – Eu chamo sua atenção e ela vem para meus braços – Se lembra do nosso primeiro encontro?
─Claro, cada segundo!
─Lembra do jantar? Quer dizer brinquei com alguma coisa sobre não conseguir reservas e de noite a comida estava bem caprichada e Beth ou alguém disse que você tinha caprichado, a comida estava realmente boa, desaprendeu depois disso?
─Vai desenterrar o passado é isso? – Ela ri se sentando no meu colo – Não fui eu que cozinhei, apenas abri umas latas e pedi a Beth para caprichar, mas combinamos que era boa ideia impressiona-lo, ou iludi-lo para ser mais exata.
Rimos os dois, eu a beijo, como se isso fosse importante.
─Mas foi tudo ideia da Beth, eu estava tão nervosa e ansiosa que nem dei muita importância, além disso nunca pensei que terminaríamos assim numa casa como antes, comigo tento que ser esposa a moda antiga.
─Não ligo para isso, foi só curiosidade!
─Eu sei, se ligasse eu já teria aprendido, Megan vai acabar aprendendo.
No fim do dia todo grupo chega para a reunião, era sempre triste que Sasha e Bob não estivessem presentes, mas tínhamos de nos acostumar.
Acertamos mais uma vez as coisas corriqueiras do dia a dia, toda vez que olho para Megan ela e Carl estão sorrindo um para o outro, o mini xerife deve estar muito feliz por ter finalmente vencido a batalha.
─Acho que queria falar alguma coisa não Tommy? –Rick pergunta.
─Sim, eu andei conversando com a Liv, a garota é bem observadora, me contou alguns detalhes que eu não sabia sobre aquele grupo, coisas que quero dividir com vocês e que me deu uma ideia.
─Vamos lá, pode dizer.
─Primeiro ela acha que o grande líder o que comando tudo inclusive Katrina é uma mulher, não vou entrar em detalhes do porque ela acha isso, mas cheguei à conclusão que pode estar certa.
Para mim não faz muita diferença, mas vejo que para Katie sim, seu olhar fica levemente tenso, ela e Maggie se entreolham.
─Isso é ruim? – Pergunto confuso.
─Acho que sim, ao menos foi o que a doutora fez parecer! ─ Tommy conta – O que acham? ─ Ele questiona Maggie e Katie.
─Acho que seria ruim se for uma mulher, no caso de nos encontrarmos, não sei, pode ser bobagem, mas quando penso numa mulher assim tão sem sentimentos que permite esse tipo de coisa, saquear, matar, não sei isso soa muito mal para mim! – Katie diz preocupada.
─Concordo plenamente.
─Se Maggie e Katie concordam com Lauren então acho que vou colocar meu plano em ação.
Tommy diz se recostando no sofá, parece sério, não que ele não fosse assim o tempo todo, mas no momento eu sinto sua tensão.
─Que plano? – Pergunto já pensando em como dissuadi-lo de fazer alguma tolice.
─Venham ver! – Ele abre o mapa na mesa, nos aproximamos todos – Fiz Liv me apontar esse mapa exaustivamente, ela tem certeza.
─Diz logo Tommy! – Glenn pede impaciente.
─Ela foi encontrada por Tom aqui – Ele aponta no mapa – Me disse que chegaram um pouco antes na região, ela e seu grupo, durante a madrugada um carro passou, carregado de coisas, eles viram, foi nesse sentido ─ Ele aponta mais uma vez ─ Voltou pouco tempo depois, descarregado, duas horas, ela acredita.
─Foi descarregar em algum lugar próximo, pelo tempo.
─Exato, pela manhã eles encontraram Tom e foi como quando nos encontraram, as mesmas promessas, eles foram com o grupo, um dos caras questionou sobre o carro já que eles seguiram nessa direção.
─Foram para onde estivemos.
─Sim. Tom desconversou, mas o cara foi morto naquela noite e depois dele todo o grupo de Liv, um por um até só restar ela.
─Acha que a sede deles, a comunidade fica então a duas horas deste ponto? – Michonne aponta no mapa – Isso nos dá uma ideia de onde pode ser esse lugar.
─Sim, e realmente quero achar esse lugar, não pretendo bater na porta nem nada, mas acho que seria bom termos uma ideia de quem são, quantos, onde e como vivem.
─Tommy você não é um rastreador! – Minha pequena diz séria, sei onde essa conversa vai chegar.
─Exatamente Katie, eu não sou, Daryl é, e você também, você sabia muito antes de Daryl e aprendeu mais depois, além disso é a única ainda hoje a reconhecer os sinais, pelo menos com tanto tempo de antecedência.
─Não sei, acha mesmo que uma aventura dessas é necessário? – Glenn questiona – Quer dizer, hordas pelo caminho, sobreviventes, todo tipo de riscos só para olhar pelo buraco da fechadura?
─Glenn não esteve lá, não sabe o quanto aquelas pessoas podem ser cruéis, não estou aqui tentando dar uma de herói, do tipo que pretende enfrentar o mal e coisa do tipo.
─Então por que Tommy, não acha arriscado, mais do que isso, não acha que pode colocar todos aqui em risco?
─E se eles baterem em nossa porta, não quer ter uma carta na manga?
─Acha que isso pode acontecer? – Katie questiona, esses caras sempre estiveram por ai, até sabermos da existência deles não eram um problema, porque agora tinham que se tornar um?
─Eles tem homens que vivem disso, de caçar pessoas, grupos.
─Ficaríamos pelo menos uns três dias fora. – Katie parece interessada.
─Pequena...
─Amor, vamos apenas discutir isso, temos combustível para uma viagem como essa, armas e munição, formamos um grupo pequeno, eu, você, Tommy e quem sabe Mich.
─Estou dentro! – Ela diz feliz, aposto que está, Michonne adora a adrenalina das ruas.
─Não gosto disso, vão deixar as crianças, a vila em busca de uma comunidade de assassinos? – Beth se pronuncia – E se forem descobertos e se algo der errado, não sei, estamos bem agora, seguros acabamos de passar por uma tempestade, perdemos pessoas queridas, acho que não estou pronta para algo assim.
─Está certo! – Eu digo – Vamos amadurecer a ideia, conversar mais sobre isso, tentar montar um esquema seguro.
─Vou pedir ao Jimmy para dar uma ajuda na oficina, vamos trocar umas peças do melhor carro que tivermos, quem sabe a picape, podemos colocar uma moto junto, para uma emergência, deixar tudo preparado.
─Faça isso ratinha, não está decidido, podemos voltar a falar sobre isso em alguns dias.
─Seria uma viagem segura na medida do possível, e podemos aproveitar para varrer mais lugares, não sei, tem tanta coisa que pode estar acontecendo a nossa volta, é bom não ficarmos alienados como se só existisse essa vila e estas pessoas.
Katie diz firme, eu sei que ela tem seus instintos e que não consegue não se preocupar com as crianças, que faria qualquer coisa para garantir que permanecessem seguros.
─Acho que sou a prova disso! – Lauren garante – Eu estava lá fora, algumas vezes achei que não tinha nada mais vivo além daquelas pessoas que caminhavam comigo e olhem o que encontrei? – Ela nos aponta num gesto amplo – E se houver mais coisas boas, estamos sempre esperando o pior.
─Porque é sempre o pior que bate em nossa porta! – Carl comenta sério – Mas penso que achar esse grupo é necessário, se são muitos ou poucos não importa, são inimigos e podem chegar até onde estamos.
O casamento não diminuiu o pessimismo de Carl, ele nunca baixa a guarda, nunca descansa, sempre está pronto para o pior, se por um lado isso é triste e perigoso é também um modo de garantir que não se decepcione, Carl nunca vai levar um baque, um susto, ele sabe que pode cair e que todos a sua volta também podem e por isso nunca se dobra aos acontecimentos.
─Acho que chega por hoje, vamos nos reunir no fim da semana e colocar um ponto final nessa história, se for para irmos então vamos de uma vez! – Rick diz e sinto que pretende ir conosco, não sei se gosto disso, se vou sair por três dias preciso que ele esteja aqui com as crianças, a quem mais confiaria meus pequenos?
As pessoas se dispersam, Megan e Carl partem de mãos dadas, as velhas mãos dadas, mas agora essas mãos carregam alianças que põe abaixo minhas regras, eram boas regras, sinto falta delas.
─Amor você é tão ridículo, se visse sua cara! – Minha pequena me diz rindo quando ficamos sozinhos.
─O que? – Reclamo.
─Cara de desgosto, para dizer o mínimo!
─Cara de pai sem filha isso sim, ela não ficou nem dez minutos comigo hoje, sabia disso? Não está sentindo falta dela, veio um minuto de manhã e agora foi, tchau papai te amo e boa noite! – Digo mal humorado e ela ri de mim, desde sempre meu mal humor não a afeta.
─Será que é porque hoje é o primeiro dia de casada da sua filha e ela está em lua de mel?
─Pequena eu te amo, sempre vou amar, mas você não tem coração, definitivamente, me lembrar algo assim é crueldade!
─Está certo, vou te fazer esquecer isso, deixa só eu colocar seus ratinhos na cama, aguarde!
Estou começando a gostar ideia, eu a beijo.
─Acho que vai demorar para esquecer isso, tenho boa memória, não sei não, vai ter muito trabalho!
─Sou persistente amor, não se preocupe.
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