Notas iniciais
Esse capítulo ficou bem maior do que eu queria. Mas aqui está uma pequena introdução da história, pra vocês saberem do que ela vai se tratar. A ficha de inscrição está no final da história. E pra continuar o próximo capítulo precisarei de pelo menos 3 personagens. Enfim, é isso! Boa leitura!

Eu havia dormido pouco na noite anterior ao fim do mundo...

Eram 7h da manhã quando eu fui acordada pelo meu celular tocando, eu havia passado a noite toda lendo um livro muito interessante – isso claro, se você considerar o código penal interessante –, eu tinha uma prova importante na próxima semana, e precisava estudar. Me considero muito inteligente, – claro, tendo um QI mais avançado do que 80% da população –, mas acontece que não nasci sabendo de tudo, precisava ler, absorver conhecimento, assim eu poderia colocar tudo em prática quando eu fosse uma advogada renomada.

Olhei o visor de meu celular e vi que era uma ligação de meu pai, estava sem um pingo de paciência, eu já tenho 22 anos e meu pai me trata como se eu tivesse 15, deve ser algo clichê dos pais, achar que temos que ser tratadas e cuidadas como crianças.

— Olha pai, são 7h da madrugada de sábado, e eu dormi muito pouco, se não for algo importante eu vou des...

— Melody! Você precisa ficar em casa, não saia por nada nesse mundo daí! Você me ouviu? – meu pai gritava do outro lado da linha, mas apesar da gritaria, eu podia ouvir tiros e barulhos de sirene do outro lado da linha.

— Pai? O que aconteceu?

— Melody! Não saia de casa! Não saia...

A ligação foi cortada e eu fiquei extremamente assustada, sentei na cama e redisquei o número de seu celular. "Esse celular se encontra indisponível ou fora da área de cobertura". Fiquei encarando o visor do celular sem entender nada. Meu pai havia viajado para um aeroporto no meio do pacífico por motivos confidenciais. Eu sei que era um lugar afastado, mas eu sei que os celulares funcionam por lá (muito bem por sinal, desde que viajou a duas semanas, meu pai me liga todos os dias pra saber como estou). Deixei o celular de lado e passei a mão pelo meu rosto, retirando um pouco dos fios do meu cabelo preto que estavam sobre ele.

Levantei da cama e fui até o banheiro.

Abri uma gaveta e retirei de lá um laço e amarrei meu cabelo num rabo-de-cavalo e lavei meu rosto com a água gelada da torneira. Fechei e fiquei me olhando no espelho, tenho olhos castanhos claros um pouco puxados, sou descendente de japoneses, e meus cabelos são longos e escuros, normalmente eles vão até o final de minhas costas, com o rabo-de-cavalo eles chegam no meio delas. Minha pele é amorenada de sol, e diga-se de passagem, sou muito bonita. Escovei os dentes e desci até a cozinha.

Estava sozinha em casa...

Parece que Magda ainda não havia chegado. Que saco, praguejei, vou ter que fazer o café da manhã sozinha. Peguei uma maça que estava na fruteira e a descasquei, liguei a cafeteira expresso e coloquei um pouco dos grãos de café, peguei um pão que estava no armário e passei margarina nele. Coloquei tudo num prato, depois peguei minha xícara de café e fui até a sala, liguei a tv, a essa hora da manhã só estaria passando o noticiário.

— ...e o governo já tomou medidas de segurança contra os repentinos casos de tumulto que estão acontecendo nas localidades. – a voz da repórter na televisão era extremamente séria, depois de dar uma mordida no pão eu olhei para o monitor. Era uma transmissão ao vivo do centro da cidade de São Paulo, muitas pessoas corriam em uma única direção e estavam sendo barradas pelos polícias que ali estavam. – O acionamento da defesa nacional ainda está sendo visto com cautela, tanto pelo governo como pela a população.
Observei bem para a cena, as pessoas estavam correndo em confronto com a polícia e gritavam desesperada. Deve ser algum tipo de manifestação, pensei. Peguei o controle sobre a mesa de centro e mudei de canal.

— ...estimulasse que sejam mais de mil vítimas na região. – Era outro noticiário, desta vez, ele mostrava a visão superior, filmado de um helicóptero, da cidade do Rio de Janeiro. – O exército Brasileiro já foi avisado e estamos aguardando nov... – A tela ficou toda azul, e voltou a central de comando do Jornal.

— Perdemos comunicação. Então iremos continuar aqui do estúdio. – O âncora falou logo após alguns minutos de silêncio. Dei de ombros, era extremamente normal ter falhas de comunicação durante transmissões ao vivo. Mudei de canal novamente e era outro noticiário.

— ...estamos aqui coletando os corpos que foram encontrados no Parque Redenção, em Porto Alegre. – a situação não era diferente dos outros lugares, havia uma aglomeração de pessoas atrás da repórter e algumas macas com sacos pretos, reconheci que eram onde guardavam os cadáveres encontrados no chão. – No momento acreditamos que sejam mais de vinte vitim... – BANG! – Tiros? Isso são tiros? – a repórter gritou afobada olhando para trás e soltando um grito estridente.
A tela ficou toda azul, e ao contrário do canal anterior, eles não voltaram para o estúdio. Fiquei esperando alguns minutos sentada no sofá, encarando a tela azul que ficou no monitor da tv. Nenhuma resposta.

Levantei do sofá e desliguei o aparelho "do jeito antigo", estava em estado de choque que esqueci completamente do controle remoto que estava na minha outra mão.

— O que está acontecendo? – falei em voz alta pra mim mesma.

Subi até meu quarto, e peguei meu celular. Tentei ligar novamente para meu pai. "Esse celular se encontra indisponível ou fora da área de cobertura". De novo... Meu pai tentou me avisar de algo. Mas o que seria?

~~~

Não sei quanto tempo se passou, mas já esta escurecendo. Passei o dia todo em casa, Magda não apareceu, assim como o carteiro, a empregada, nenhum dos funcionários aqui do condomínio apareceu.

Isso é muito estranho.

Peguei meu celular e continuei olhando o visor. Nenhuma ligação de meu pai. Nenhum mensagem de nenhum colega de classe. Não havia ninguém que eu pudesse ligar. Não tenho amigos, sou muito melhor que todos eles, sou inteligente, bonita e rica. Aqueles que tentam se aproximar de mim é apenas por interesse. Mas eu gostaria de ligar pra alguém, saber o que estava acontecendo.

Tentei ligar a tv do meu quarto mais cedo, mas todos os canais estavam fora do ar por algum motivo.

Abri a porta da varando de meu quarto e olhei o pôr-do-sol pelos prédios mais a fundo. Eu morava num condomínio na zona Sul de São Paulo, era uma casa grande e bem próxima da minha faculdade. Meu pai morava comigo, mas ele viajava mais do que ficava em casa.
Apoiei meu braço na sacada e fiquei pensando em meu pai. Ele era a única família que eu tinha. Algo deve ter acontecido com ele...

— Não! – Disse com convicção para mim mesma. – Ele está vivo.

Me endireitei e olhei mais a longe, vi a entrada do condomínio, o portão estava aberto e algumas pessoas se aproximavam. Estranhei. O porteiro jamais cometeria esse deslize, esse condomínio é um dos melhores justamente pela segurança.

Desci até a entrada de casa, estava ficando bem escuro e as luzes ainda não estavam acesas. Comecei a andar próximo a entrada e senti um cheiro horrível, algo próximo de carniça, algo podre. Tampei meu nariz e continuei andando. Vi uma senhora andando, não, ela rastejava a perna. Ela estava de costas para mim. Usava uma camisola branca de dormir, parece que acordou e veio até aqui.

Me aproximei e a chamei.

Não obtive resposta.

Chamei mais alto.

Ela parou.

Senti um frio me correr pela espinha. Uma sensação estranha.
Ela virou devagar para mim e minhas pernas tremeram. Ela estava com o rosto deformado, o lado esquerdo estava em pura carne viva, como se houvesse sido mordido. Não. Devorado.

Ela começou a rastejar em minha direção e eu não conseguia me mexer, minha aparente distância segura não era mais segura. Eu queria correr, mais um medo maior me impedia. Quando ela estava mais próxima de mim eu gritei e comecei a correr. O pavor em mim estava tão alto que eu não pensei, corria sem olhar pra frente e nem percebi quando bati em um tronco de árvore que estava no chão. Merda! Sempre acontece nos filmes! Olhei pra trás, e minha visão se focou em outra coisa que apareceu, tinha mais uma pessoa além da senhora, mas desta vez, eu conhecia, era Jaime, o carteiro, ele usava o uniforme de serviço, mas ao contrário da senhora, ele não estava apenas com o rosto devorado, seu braço e a perna esquerda também estavam da mesma maneira. Mais a longe, percebi que mais alguns se aproximavam, um estado pior que o outro.

O que estava acontecendo?

Rastejei e comecei a correr até o caminho da minha casa. Quando cheguei tranquei todas as portas e subi até meu quarto e olhei pela varanda. Aquelas pessoas. Não. Não eram pessoas. "Eles". "Eles" estavam se aproximando da minha casa. Eu já havia visto filmes de zumbis, mas nada assim, tão... tão... tão do nada.

Ouvi um barulho do andar de baixo.

— Eles estavam batendo na minha porta? Como? Como eles chegaram aqui tão rápido? – gritei pra mim mesma.

Eu preciso sair daqui!

Calma Melody! Raciocina. Como funciona naqueles filmes de apocalipse zumbi? As pessoas precisam de armas, comida, e um carro!

Eu tinha um carro na garagem, mas era uma bmw, um carro de passeio, mesmo eu andando rápido era um carro baixo. Não daria pra passar por eles.

Lembrei de duas coisas. Meu pai é um oficial senior da Força Especial da Província, a SAT. Ele tem em seu quarto uma sala onde tem armamento que até o exército invejaria. E que ele tem um Humvee, ele era grande o suficiente para passar por "Eles" e espaço o bastante para guardar diversas bolsas.

Fui até meu guarda roupa e peguei as primeiras roupas que vi na minha frente, eu não teria tempo de escolher os melhores looks agora, eu preciso sair daqui o mais rápido possível. Coloquei a mochila nas costas e saí correndo pelos corredores até o quarto de meu pai. Tinha uma porta eletrônica com uma combinação chave. Um código de 6 letras era pedido. Ri. E digitei o seguinte código: H-I-N-A-T-A.

Ouvi um som e as portas se abriram. Ai pai, você é tão previsível.

Quando eu havia dito que meu pai tinha armamento que até o exército invejaria eu não estava brincando. Havia mais de 20 armas e munição. Sou inteligente o bastante pra saber que eu não poderia levar e usar todas essas armas. Meu pai vive viajando em diversas missões, e quando eu era criança eu o acompanhava, ele é um dos melhores atiradores, e fez questão de me ensinar a como manejar várias armas. Eu observei todas as munições disponíveis e calculei que apenas cinco das muitas armas tinha munição o suficiente para mais de 200 tiros.

Peguei uma springfield M1A1, um fuzil de precisão SR-25, Ithaca M37, uma Browingd M1910, uma Kiku Crest Luger P08 e suas devidas munições, joguei em cima da cama de meu pai e peguei dias mochilas que estava no topo de seu guarda roupa e guardei a munição, as duas armas pequenas eu guardei na mesma mochila, as outras três coloquei no meu colo e corri novamente para a cozinha, peguei algumas coisas que poderiam me sustentar durante alguns dias. Peguei todas as frutas que estavam na fruteira, algumas bolachas e pães que estavam no armário. Peguei 3 garrafas de água e joguei dentro da outra mochila livre. Corri até a garagem, olhei nas paredes e encontrei as chaves da Humvee, abri o porta malas e joguei todas as mochilas dentro. No armário da garagem vi uma pequena caixa de primeiros socorros e uma pistola de pregos, não pensei duas vezes e joguei as duas dentro da humvee.

Subi no lado do motorista, abri a garagem com um botão automático, o portão da garagem se abriu fazendo um enorme barulho, eu percebi que havia alguns "deles" na frente do portão, coloquei a chave no contato e girei desesperadamente. Nada. Girei mais uma vez, com toda a minha força. Nada. Girei mais uma vez.

— Vai porra! Funciona!

Como alguma força sobrenatural o humvee ligou, pisei no acelerador com toda a força e passei sobre "eles".

Dirigi até a saída do condomínio indo em direção a avenida, logo, mais a frente, eu avistei algo que me deixou de boca aberta. Tudo estava uma calamidade, eu podia ver alguns "deles" no meio da rua rastejando em direção a mim. Não havia nenhum carro na rua, pelo menos, nenhum intacto. Todos que eu enxergava estavam virados ou já haviam explodido pela combustão da gasolina.

Respirei bem fundo.

Eu estava pronta.

Pronta pra enfrentar o fim do mundo.

Notas finais
Abaixo está a ficha de inscrição pros seus personagens poderem participar: FICHA DE PERSONAGEM NOME: IDADE: SEXO: ( ) MASCULINO ( ) FEMININO APARÊNCIA (descrição detalhada): PERSONALIDADE: HISTÓRIA: O QUE GOSTA: O QUE NÃO GOSTA: HABILIDADES: ARMAS (de fogo e brancas): ACESSÓRIOS (ex: mochila): ESTA CIENTE QUE SE PARAR DE COMENTAR, SEU PERSONAGEM SERÁ EXCLUÍDO?: