Notas iniciais
Aqui a história já tem a aparição de uma nova personagem. Boa leitura!

Melody – POV

Eu acredito que alguma força maior havia me ajudado naquele momento, a loja de conveniência tinha mais coisas do que a outra, talvez por que estamos nos aproximando do centro, então era provável que acharemos mais comidas.

Tirei a mochila das costas e coloquei alguns pacotes de salgadinhos, mais barras de cereais, e quando me aproximei da geladeira pra pegar água senti que Deus estava realmente comigo, a água estava gelada. Gelada! Talvez esse lugar tivesse um gerador de energia para manter a geladeira ligada ou a energia tenha acabado apenas alguns quilômetros atrás. Peguei várias garrafas e algumas latas de refrigerante e coloquei na mochila. Peguei uma das garrafas e resolvi tomar, fazia dias que eu não sabia o que era água gelada.

Eu sentia aquele líquido gelado descendo a minha garganta e me satisfaze...

AAAAAAAAAAH

Derrubei a garrafa e a água molhou minha camiseta. Coloquei a mochila nas costas, peguei a Springfield e sai da loja de conveniências. Me deparando com uma visão que me assustou.

Havia um homem, ele era alto – comparada a mim, qualquer pessoa é alta –, era um pouco acima do peso, usava uma camiseta preta, um short de moletom e uma touca preta que cobria seus cabelos raspados. Estava com um pequeno canivete na mão e apontava para o pescoço de Ana.

— E aí mina! Seguinte, gostei do seu carro vou ficar com ele e com suas armas. – ele gritou alto. – Mas olha só, você é mó gata! Queria ter pegado você, apesar de que sua amiga é gostosa também. – dizendo isso ele apertou os seios de Ana Lúcia que gritou.

— Não toque em mim seu nojento! – ela parou de gritar, mesmo a curta distância eu percebi que ele tinha encostado o canivete mais próximo do pescoço dela.

— Cala a boca! Ou eu vou cortar esse seu rosto! – ele falou encostando a boca no ouvido dela. – Passa essa sua arma aí e vaza daqui!

Eu não sabia o que fazer, eu poderia atirar, mas eu nunca atirei em alguém vivo. "Eles" não são humanos, não tem por que eu ponderar. Mas aquele cara, mesmo sendo um nojento, ainda é uma pessoa. Mas eu não iria entregar minhas armas e o carro. Eu estava tremendo. O que vou fazer?

Ana Lúcia – POV

Merda! Eu estava distraída e não vi esse porco se aproximando. Eu poderia acabar com ele, mas ele está com esse canivete muito próximo do meu pescoço, qualquer movimento que eu faça agora ele pode me cortar. Preciso fazer ele baixar a guarda.

Olhei para Melody, ela não sabia o que fazer.

— E aí! Eu não tenho o dia todo ô delícia! – ele gritou bem próximo do meu ouvido. Eu estava começando a ficar com muita raiva.

Logo minha mente raciocinou e eu pensei no que fazer.

— Melody! Entrega a arma pra ele! – eu apontava os olhos na direção do cara. Espero que a bonitinha entenda pelo menos meus sinais.

— Você ficou louca? Eu não vou entregar minhas armas pra esse...

— Melody! Entrega a arma! – a interrompi e fiquei piscando os olhos. Por favor, use a sua inteligência arrogante e entenda meus sinais.

Melody pareceu ponderar um pouco, mas parece que entendeu, deu dois passos para próximo de mim e desse filho da puta.

— Espera aí gata! – Ele disse apontando o canivete para frente. Essa era a brecha que eu precisava.

Com minha mão direita acertei no meio da virilha dele, automaticamente sua outra mão me soltou e ele se ajoelhou no chão segurando com ambas as mãos o meio de suas pernas. Chutei sua cabeça e fiz ele cair no chão. Olhei e vi o canivete algum centímetros de mim.

— O que você pensa que est... – sua voz parou e um enorme grito histérico saiu de sua garganta. Eu peguei o canivete e cravei no meio de suas pernas.

— Corre pro carro! – gritei olhando para Melody. Ela não pensou duas vezes, abrindo a porta do motorista.

— Sua vagabunda! Eu vou te matar! – ele gritava. Apoiei meu pé sobre o canivete e afundei com mais força. O grito dele ecoou mais alto.

— Isso por você ter tocado em mim, seu nojento! – falei alto o bastante para que ele ouvisse. Virei meu rosto e vi alguns "deles" se aproximando.

— Espera! Não me deixa aqui! Eu não quero morrer! – ele gritava.

Desviei meu rosto e corri até a humvee. Melody estava desesperada tentando ligar o carro. Após o ronco do motor ela botou o pé no acelerador e nós saímos de lá. Depois de alguns minutos nós duas ouvimos um grito.

Ele foi pego.

Inclinei meu corpo para frente e coloquei meu rosto sobre minhas mãos.

O que eu fiz?

Eu condenei um cara a morte.

— Você não fez nada de errado. – a voz da Melody soou fria. Ela olhava atentamente a pista vazia. – Ele teria te matado sem pensar duas vezes. Você apenas se defendeu. Você não o matou. Foram "eles" que o mataram.

Eu não respondi. Encarei a pista vazia e me espreguicei sobre o assento da humvee. Melody estava errada. Eu condenei um homem a morte.

Não havia nada de certo nisso.

~~~

Melody – POV

Desde o – não tão – pequeno incidente de manhã, Ana estava muito quieta. Não trocamos nenhuma palavra sobre o ocorrido, e por mim, assim estava ótimo. Eu não gosto de ficar remoendo coisas que já aconteceram.

Observei mais a frente e avistei um hotel a beira de estrada. Fazia mais de três dias que eu não tomava um banho e dormia numa cama quente. Precisava descansar direito. Virei o carro para a entrada e recebi um protesto de Ana:

— Porra, se você for dar um cavalo-de-pau desses pelo menos avisa! O que você pensa que está fazendo?

— Está vendo aquele hotel? Vamos ficar nele hoje, assim poupamos um pouco de gasolina, e podemos tomar um banho quente! – Ana abriu a boca, provavelmente ela ia protestar alguma coisa, mas logo ela se silenciou.

— Talvez um banho seja uma boa ideia. – Sorri triunfante. Estacionei o carro numa pequena área onde dizia "reservado". A humvee era grande e ocupou duas vagas. Virei e peguei todas as mochilas e peguei três das minhas armas, a (minha amada) Springfield, a Kiku Crest e a Ithaca. Entreguei a Ithaca nas mãos de Ana.

— Espera! Por que você vai levar todas as bolsas e as armas? – encarei o rosto dela. Ela era burra? Não era óbvio.

— Fofa, nós não sabemos o que vamos enfrentar lá dentro. É provável que tenha muitos "deles", e vamos precisar trocar de roupas, e claro, se vamos ficar aqui, vamos precisar de alimentos. Você por acaso é burra?

— Escuta! Eu não sei o que se passa nessa sua cabeçona! E eu não sou burra! – Ana bufou, mas a contra gosto pegou sua mochila e a Ithaca.

Descemos da humvee, eu a tranquei e ativei o alarme. Segurei a Springfield, coloquei a Kiku enrolada no cinto da minha calça e andei apontando a arma para frente. Entramos na recepção do hotel. Estava uma bagunça, todos os papeis estavam no chão, e várias marcas de sangue seco estavam nas paredes e no chão. Andei vagarosamente empunhando a springfield para o balcão. Olhei para dentro dele e senti meu estômago embrulhar. Havia uma mulher morta no chão, seu corpo estava todo dilacerado e sua cabeça estava aberta, mostrando seu crânio e o cérebro exposto. Engoli em seco. Não é hora para ter medo Melody! Olhei mais para dentro do balcão, vi uma gaveta jogada no chão com diversas chaves com números. Obviamente eram dos quartos. Precisava pegar uma. Mas pra isso eu precisava entrar e passar pela moça morta. Meu corpo estava completamente paralisado com aquilo, sentia nojo, estava enjoada, eu não conseguiria entrar.

Ana Lúcia – POV

Apontava aquela arma para todos os lados, o silêncio imperava naquele lugar, e isso estava me desconfortando. Olhei para Melody e vi ela parada próxima ao balcão. Ela parecia paralisada. Me aproximei com a arma empunhada.

— O que houve? – perguntei de costas para ela. Não obtive resposta. Virei para o balcão e vi o corpo da mulher morta. Era grotesco. Percebi também a quantidade de chaves com números numa gaveta jogada no chão. – Pegue logo duas chaves e vamos para os quartos!

Não obtive resposta outra vez. O que deu nessa garota?

— Hey, ta me ouvindo? Pega logo duas chaves e vamos!

— E-eu não consigo! – ela gaguejou.

— Por quê?

— Eu não consigo chegar perto daquele corpo! Olha que nojento! Eu não consigo!

Sério mesmo? Ela estava com nojo? Estamos enfrentando monstros zumbis e ela esta com nojo? Tinha que ser uma patricinha mimada.

— Me dê cobertura! – falei indo para a entrada do balcão, passei pelo corpo e peguei duas chaves. Número 43 e 50. Entreguei uma das chaves para Melody, que deixou cair no chão ao perceber que estava coberta de sangue. Olha o tipo de gente que eu tenho que lidar.

~~~

Passou alguns minutos depois que subimos para os quartos, Melody disse que deixaria a ithaca comigo, disse que a minha .380 não teria balas suficiente caso um "deles" aparecesse e me deu uma pequena caixa de munição, que de acordo com ela, tinha 20 balas extras. Minha primeira ideia foi tomar um banho quente, eu não queria admitir para ela, mas eu estava agoniada com o suor impregnado no meu corpo. A nossa sorte foi que a luz não acabou nessa região, e a água ainda estava quente.

Sequei meus cabelos e me dirigi a cama, peguei uma regata preta na minha mochila e uma calça de moletom cinza. Melody deixou alguns pacotes de salgadinhos comigo, e também água e duas latinhas de refrigerante. Guardei isso na mochila, abri uma latinha e sorvi um grande gole. Depois peguei um enlatado de patê de presunto que estava na minha mochila, seguido de um pacote de bolacha – também dado por Melody –, passei ele no patê e comecei a comer. Mas segui um conselho que a bonitinha me deu, evitar comer demais, não sabemos por quanto tempo nosso estoque de comida irá durar.

Apesar do jeito arrogante e metido de Melody, ela era uma boa pessoa. Mas ainda assim, muito chata.

Melody – POV

Um banho quente é o que mais me revigora depois de qualquer coisa, eu já havia me trocado, coloquei uma regata rosa leve e um shorts também rosa de capri. Peguei duas barras de cereal e um garrafa de água, aquilo teria que me satisfazer até a manhã seguinte. Aproveitei que vi uma tomada, peguei meu celular e o carregador dentro da bolsa e o conectei. Esperei ele acender e tentei novamente ligar para meu pai. "Esse número se encontra indisponível ou fora da área de cobertura". Nada ainda.

Me joguei na cama olhando para o teto.

Papai...

Meus olhos pesaram e não percebi quando acabei dormindo.

~~~

Ouvi barulhos do lado de fora do quarto. Que horas eram? O que está acontecendo? Foquei meu olhar no cômodo escuro, peguei a Kiku e apontei para a porta. Bateram nela outra vez. Cheguei próximo da maçaneta e puxei com toda a força apontando o gatilho da fuça de... Ana Lúcia!

Abaixei a arma.

— O que foi? Quase que eu tiro sua vida por nada! – resmunguei, eu dormi pouco e sempre ficava mal humorada quando isso acontecia.

Ela fez um gesto pra eu ficar em silêncio.

— Eu havia levantado do quarto e fui até o andar de baixo. Eu juro que vi alguém lá. – ela falou sussurrando. – Precisamos sair daqui!

Levantei uma sobrancelha. Eu queria muito mandá-la embora e voltar a dormir, mas na atual situação eu não podia me arriscar muito.

Peguei minhas coisas no quarto e calcei o mesmo par de tênis que usei nos últimos dias. Empunhei minha arma e acompanhei Ana até seu quarto para que ela pudesse pegar suas coisas.

Descemos as escadas devagar, tomando extremo cuidado para nada aparecer e nos pegar desprevenidas.

Escadaria. Nada.

Recepção. Nada.

Cozinha. Nada.

— Realmente Ana, parece que foi algo da sua imaginação... – falei rude, perdi muitas horas de sono por causa dessa garota.

— Cala a boca, bonitinha! Eu sei muito bem o que eu vi e...

Um som alto chamou nossa atenção. Era um barulho ensurdecedor. Mas o quê é isso? Minha mente estava tentando se acostumar ao barulho e depois de alguns segundos eu o reconheci.

— É o alarme da humvee! – gritei!

Corremos para fora a ponto de ver uma garota tentando quebrar a janela da humvee.

— Parada! – gritei.

Ela se virou e também apontou uma arma para mim. Estava muito escuro, não conseguia reconhecer a arma, mas era pequena, parecia uma pistola UK USP, usada pelo exército brasileiro. A garota tinha cabelos ondulados até a metade de suas costas. Usava um grande jaqueta do exército brasileiro, uma camisa preta debaixo da jaqueta e uma calça jeans clara justa ao corpo. Ela parecia ter a minha altura e pelo forma que ela segurava a arma com firmeza, ela deveria ter contato com o exército.

Ouvimos um barulho vindo da entrada. Ana, eu e a garota apontamos as armas e vimos uma horda "deles" se aproximando, e não apenas de lá, alguns saiam de dentro do hotel.

— Desliga o alarme! – a menina gritou.

— Como é? – gritei de volta.

— Desliga o alarme! Eles são atraídos pelo som! – não sabia se o que ela estava dizendo era verdade, mas eu não ia arriscar. Apertei o botão e o alarme parou. Mas não estávamos salvas, eles se aproximavam rapidamente.

Ouvi tiros. Ana havia atirado com a Ithaca um dos mais próximos. Eu também resolvi atirar.

— Isso é perda de tempo! São muitos! As balas não vão durar! – a garota atrás de nós gritava. Droga! Detesto admitir, mas ela está certa.

Eu e Ana corremos em direção ao carro e quando me aproximei da menina eu pude ver melhor seu rosto, ela tinha feições joviais demais, e um par de olhos castanhos escuros.

— Você é uma criança. – balbuciei observando-a melhor.

— Eu já tenho 16 anos, não sou uma criança! – está fazendo uma brincadeira comigo, garota? Você é uma criança sim.

Ignorei. Ana abriu a porta do passageiro e entrou. Abri a porta do motorista e empurrei a menina pra dentro. Joguei as mochilas e as armas na parte de trás e liguei o carro desesperada.

Quando consegui manobrar a humvee para ficar de frente pra saída, muitos "deles" estavam na minha frente. Eu teria que passar por cima. Não teria outra maneira.

Pisei no acelerador.

— Você é maluca? Você não vai conseguir passar por eles! – a garota gritou apontando para frente.

— Cala a boca, pirralha! Você não me conhece!

Apertei com toda força o acelerador.

Eu vou conseguir.

Notas finais
Seguinte, eu não estou reclamando pela quantidade de personagens femininas (não vou mentir, adoro), mas caso vocês tenham personagens eu gostaria que vocês me apresentassem eles. Obrigado.