Fim do Mundo – Interativa
16 Capítulo Extra – 03
Notas iniciais
Aeroporto Internacional de Kansai – Japão
George – POV
Já se passaram três dias desde a explosão da ogiva nuclear P.E.M., estávamos desde então sem energia. O sol começava a raiar e finalmente estávamos recebendo luz.
Eu estava no teto alto de um dos prédios, estava com a Assault Rifle, a mira parou de funcionar, por que ele usava elétrons para focar em longas distâncias. Os monstros haviam desaparecido por quase completo. Alguns estavam escondidos e sem a mira avançada do rifle eu teria grandes problemas em atirar, e desperdício de balas era inadmissível, agora que não tínhamos como sair desse aeroporto para buscar mais.
— George... – uma mão tocou levemente no meu ombro. Desviei meu olhar da mira e encontrei o rosto de Camilo. – Descansa um pouco. Você não dormiu essa noite.
Eu e Camilo fomos escalados para fazer a vigilância noturna, logo poderíamos voltar para dentro do aeroporto e descansar devidamente. Mas eu não conseguia dormir direito. E sei que ele também não.
Minha esposa estava nos Estados Unidos, na base da Força Americana (onde eu e ela trabalhávamos), eu não consegui entrar em contato com ela desde então. Fomos informados que o presidente havia sido infectado por um desses monstros, e se até o presidente foi mordido, o que terá acontecido com minha mulher?
Mas a minha mente não focava apenas nela... Eu também pensava em minha filha. Como Lauren estaria? Ela estava no Brasil, tirou alguns dias de descanso depois de sua última missão. Ela também trabalha na força americana (influência minha, por sinal), ela tem um treinamento tão pesado quanto o meu, sei que ela conseguiria sobreviver a esse apocalipse.
— George! – Camilo me chamou novamente. Levantei meu olhar e o encarei. – Sei que está pensando na sua família. Eu também estou. Mas você não pode se remoer por causa disso.
Camilo estava certo, eu precisava me acalmar. Mas era impossível. Eu sempre fui muito severo, tanto com minha esposa quanto com minha filha. Eu me sentia responsável por elas. Depois de Lauren ingressar no trabalho de campo, eu percebi que ela poderia se virar sozinha, mas minha esposa só tinha treinamento de tiros, ela não saberia agir em combates corpo-a-corpo.
Soltei um suspiro pesado e peguei o binóculo, observei melhor o aeroporto. Ainda tinham alguns desses monstros, mas a quantidade era bem menor do que a inicial. Observei a área da entrada do aeroporto, Derrick estava fazendo um "x" com as mãos. Indicando para que voltássemos.
~~~
Camilo – POV
Havíamos retornado para a área de embarque. George estava muito quieto. Eu o conheci quando eu ainda era militar, ficamos amigos, mas o tempo nos afastou e fomos nos reencontrar justamente nesse apocalipse. Como o destino gosta de nos pregar peças!
Derrick se aproximou de nós. Nos entregando copos térmicos. Ah, café quente! Derrick havia criado uma fogueira numa parte externa do aeroporto e conseguiu esquentar água para fazer café para todos. Era um trabalho que exigia tempo e esforço.
— Alguns líderes mundiais estão numa reunião na área administrativa. – Derrick comentou. – Parece que é um assunto importante!
— O único assunto importante que estou aguardando é de como essa praga afetou o mundo que conhecemos! – George falou depois de um longo gole de café.
No dia anterior, nosso supervisor havia nos informado que iria exigir uma explicação dos atuais presidentes e da monarquia de como essa "doença" começou a se espalhar.
— Eu honestamente queria um avião pra voltar ao Brasil! – comentei olhando o copo térmico vazio. – Preciso reencontrar minha filha o mais rápido possível!
— Mas Camilo... – George comentou alto remexendo o copo com o pouco café dentro. – Você não tinha um filho também?
Silêncio.
Fuzilei George com um olhar de pura raiva. Me aproximei até ficar frente a frente com seu rosto.
— Meu filho está morto!
~~~
São Paulo, Zona Oeste – Brasil
Lauren – POV
Eu estava trancada nessa loja já fazia algumas horas. A água já estava escassa e a energia acabou nessa região da cidade. Eu tinha que me aproximar do centro. Mas eu havia batido meu carro contra uma mureta que bloqueava a entrada nesse bairro. Eu estava a pé, e o caminho seria longo mas eu precisava me manter firme. Tive um treinamento longo e árduo, talvez justamente por esse treinamento eu tenho sobrevivido até agora.
Peguei uma das minhas mochilas e retirei de lá meu celular. Eu estava sem área desde o dia anterior. Meu último contato com meu pai havia sido na sexta-feira, e não consegui ligar para minha mãe deste então. Meu pai foi chamado para o aeroporto internacional de Kansai, no Japão. Ele não me contou exatamente o motivo e eu não tive como pesquisar. Estava de férias do meu serviço.
Abri uma outra mochila e contei o restante de munição que eu tinha. Não era muito. Mas se eu não me engano tem uma loja de armas ao Leste da cidade. Mais a frente tem a universidade Anhembi Morumbi. Seria um ótimo lugar para me abrigar até traçar um plano.
Saí da loja de conveniências e empunhei minha M21 e comecei a me guiar pelas ruas. Eu topava com alguns desses zumbis, mas eu os ignorava. Percebi que eles são guiados pelo som, se eu atirar em um, atrairia a atenção de vários sem necessidade. E eu seria morta.
Estava cansada. A cidade era enorme, chegar até o lado leste me esgotaria. Atravessei uma rua, tinha um posto de gasolina. Caminhei até a loja de conveniências, encontrei água gelada. Finalmente!
Abri uma garrafa e tomei alguns goles. Isso era ótimo! Estou sem comer algo decente, mas conseguiria sobreviver durante dias apenas com água. Resultado do meu árduo treinamento.
Eu estava prestes a sorver um outro gole quando ouvi um barulho atrás de mim. Virei meu rosto bruscamente e encontrei um homem. Ele usava um uniforme do exército brasileiro, desviei meu olhar para sua mão e vi que ele empunhava uma Metralhadora. Colt M4. Não pude evitar de soltar um sorriso. Era uma arma maravilhosa.
— O que faz aqui? – ele me perguntou sério. Sua voz era grossa e autoritária.
— Pegando água, senhor sargento! – falei irônica. Ele fez uma cara de desprazer, como se houvesse detestado meu tom sarcástico.
— Precisa de ajuda senhorita...? – ele pareceu ignorar meu comentário.
— Lauren. Agente Especial Lauren Magalhães Clark. – eu ia pegar meu distintivo que estava no bolso de trás da minha calça. Mas com meu simples movimento ele empunhou a arma para mim.
— Agente Especial? – ele repetiu, atônito.
— Eu vou pegar o meu distintivo, e você abaixe a arma. – eu retirei o pedaço de couro com um brasão dourado da CIA. Ele abaixou a arma e soltou um suspiro de conforto.
— Desculpe. Não queria ser rude com você, faz dias que estou vagando, e não encontrei nenhum sobrevivente até agora. – ele começou a se explicar retirando o chapéu. Eu pude analisar melhor seu rosto, o queixo e o maxilar eram quadrado, ele tinha olhos verdes penetrantes e um cabelo castanho ondulado curto num estilo propriamente militar.
— E o senhor seria?
— August. Capitão August Carter. – ele me lançou um sorriso amarelo, como de conforto.
— Está sozinho? – voltei minha atenção a garrafa da água, eu estava morrendo de sede.
— Não, estou com minha esposa. Ela está no meu carro, colocando gasol...
— Você tem um carro? – minha voz saiu afobada. Era justamente o que eu precisava.
— Sim. Tenho. – August me encarou.
— Poderia me ajudar? Eu preciso ir para o leste da cidade! – acabei deixando a garrafa de água cair.
— O que pretende fazer lá? A cidade já está toda destruída, seria melhor escolher um local seguro. – o olhar que August me lançava era de total confusão.
— Tem uma loja de armas ao leste. E eu preciso muito de munição. E isso seria útil pra você também. – eu apontei para a metralhadora que ele carregava. – Aposto que você também tem armas que estão descarregadas.
Ele pareceu ponderar um pouco. Logo ouvimos um barulho de buzina.
Merda!
August virou o rosto e eu observei atrás dele um grande Jipe, M1025. Empunhei minha arma e saí da loja de conveniência. August ia protestar mas uma grande quantidade de zumbis começaram a se aproximar de nós.
— Merda! – praguejei. – Sua mulher está no carro?
— Sim! Mas... Por quê?
— Eles são atraídos pelo som. Como essa parte da cidade está sem energia, a buzina talvez tenha sido o único som em quilômetros!
August empunhou a metralhadora.
— O que você pretendia fazer? – perguntei baixo, vendo que alguns se aproximavam do jipe.
— Pegar comida, ou qualquer coisa pra sustentar por um tempo. – ele respondeu no mesmo tom que eu.
— Topa me levar até o leste?
— Topo.
Abaixei a arma e voltei para a loja, abri minha mochila e joguei dentro garrafas de água, barras de cereal e alguns amendoins. As únicas coisas interessantes naquele lugar. Quando voltei para fora vimos que eles já estavam em maior quantidade e estavam batendo contra o jipe.
— Você disse que eles reagem ao som, não é? – August perguntou olhando para mim, eu apenas assenti com a cabeça.
Ele destravou a metralhadora e atirou sobre uma horda. Os outros começaram a vim na nossa direção.
— Você sabe atirar?
— Como você acha que consegui ser uma agente da CIA. – falei sarcástica, também destravando minha M21.
— E sabe correr bem rápido?
Aspirei o máximo de ar que pude, e assim que eles começaram a se aproximar eu atirei sobre um e me desatei a correr. August também se pôs a correr, e como sua metralhadora disparava em maior quantidade, ele conseguia despistar mais zumbis do que eu.
Quando finalmente chegamos no jipe, eu abri a porta traseira, joguei as mochilas para dentro.
— Quem é você? – uma voz feminina se dirigiu a mim. Mas antes mesmo que eu pudesse responder, August entrou pelo banco do motorista e ligando o carro na presa.
— Pisa no acelerador! – gritei para ele quando alguns zumbis começaram a se aglomerar na frente do jipe.
August pisou com tanta força que o jipe chegou a inclinar levemente, passando sobre alguns corpos. Depois de longos minutos nos afastamos da grande horda. E pela primeira vez nesses dias, eu consegui relaxar. Abaixei meus ombros e suspirei levemente.
— August, me explica. Quem é essa garota? – a voz feminina voltou a perguntar. E agora com mais calma eu consegui analisá-la.
Ela tinha uma pele levemente bronzeada, olhos castanhos escuros, cabelos longos e ondulados, que estavam amarrados num rabo-de-cavalo. Observei melhor seu corpo. Ela era muito... gostosa. Literalmente. Ela tinha seios grandes, eu chutaria 83cm de busto e uma cintura fina. Muito bonita. Me senti até rebaixada agora.
— Esta é Lauren. – August me apresentou. – Agente da CIA. – Vi que a mulher arregalou os olhos ao escutar essa informação.
— Eu sou Sarah. – ela se apresentou virando o rosto para me encarar, ela me lançou um sorriso encantador. Isso é concorrência desleal.
Sarah desviou seu olhar de mim e começou a remexer em uma bolsa. Ela retirou de lá um espelho compacto e me entregou. Eu não havia compreendido muito bem, apenas aceitei o espelho e assim que me encarei percebi o motivo dela ter me entregado. Eu estava com uma aparência horrível!
Meus olhos azuis estavam com enormes olheiras, estavam bem roxeadas. Claro, eu não dormia direito a dias. Meus longos cabelos louros estavam desalinhados.
— Descanse, querida! – Sarah me lançava um olhar gentil. – Você parece estar bastante cansada. Aproveite e relaxe um pouco.
Eu confesso que estava desconfiada, mas o cansaço falava mais alto. Me deitei sobre o banco. Eu nem acabei percebendo, mas meu corpo estava tão exausto que dormi assim que fechei os olhos.
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