Notas iniciais
Esse capítulo pode parecer meio disperso na fanfic, mas ele é realmente necessário. No próximo vocês vão entender melhor. E eu não revisei este capítulo, então por favor, perdoem os erros. Enfim, boa leitura!

Sarah – POV

Já fazia um tempo em que estávamos andando rumo a delegacia. A chuva golpeava com força sobre minha cabeça, que estava coberta pela capa de chuva. O som do plástico ressoava alto nos meus ouvidos, e algumas gotas fortes tocavam no meu rosto. De acordo com Lauren, a delegacia ainda estava longe, e durante todo esse trajeto nós não vimos nenhum desses monstros.

A chuva começou a engrossar. E eu ouvi um relâmpago cortando o céu cinza, era meio de tarde, e essa escuridão piorava nosso campo de visão.

— Vamos nos abrigar em algum lugar! Aqui é um ponto de alagamento, melhor encontrarmos algum lugar alto! – Lauren gritou, mas sua voz era abafada pelo som da chuva.

— Mas aonde? – August também gritou. – Não parece ter nenhum lugar alto o bastante!

— Tem uma igreja há algumas quadras, ela fica num ponto alto da Bela Cintra! – ela voltou a gritar. Nós assentimos com a cabeça e seguimos Lauren, que corria na dianteira.

~~~

Chegamos na grande igreja católica. Ela fica mesmo num ponto bem alto, tão alto que as escadas que subimos pra chegar nesse lugar parecia que iam até o céu.

A pouca claridade não seria o suficiente para iluminar o ambiente. Então nós pegamos as lanternas e começamos a andar.

— Seria melhor acendermos alguma das velas, pra poupar as pilhas. Não sabemos onde acharemos outras. – Gael apagou a lanterna e se dirigiu até o altar. Ascendendo uma das velas e colocando no castiçal.

Eu fui até um dos bancos de madeira e me sentei, cansada. Eu olhei a imagem de Nossa Senhora Aparecida, nunca fui fiel a nenhuma religião, mas nessas circunstâncias, eu estava quase sentando aqui e rezando. Eu estava cansada psicologicamente. Essa matança, essas coisas que um dia foram gente comendo uns aos outros, os corpos desfigurados por mordidas, sangue. Era tudo muito assustador para mim.

Senti uma mão tocar levemente em meu ombro. Virei o rosto e encontrei os olhos verdes de August. Eu sorri melancólica e me deitei sobre o peito dele. Meu olhar levantou, e vi Lauren se aproximando de nós com algo nas mãos.

— Nós vamos passar a noite aqui. Pegue este cobertor para vocês. – eu estendi a mão e peguei o cobertor que me era entregue. Levantei do banco, retirando a capa de chuva e a coloquei num ponto alto, deixando que ele escorresse.

Fui até minha bolsa e peguei uma garrafa de água, sorvi metade dela, apesar de ainda me sentir desidratada.

— Meu amor... – August falou atrás de mim, me abraçando. – Se algo te aflige, por favor, fale comigo...

Eu precisava, sim, desabafar muita coisa. Mas não queria preocupar meu marido. August tinha todo um treinamento militar, e sabia como reagir em situações assim. Mas eu não.

Eu não estava preparada para conhecer o verdadeiro "fim".

~~~

Nicole – POV

Todos nos reunimos na sala. Uma senhora de idade estava deitada sobre o pequeno sofá, mas pela sua estatura baixa, ela se encaixava perfeitamente no sofá de três lugares. Ela suava e arfava.

— O que ela tem? – Melissa perguntou alto, enquanto se aproximava do corpo da senhora, verificando a temperatura e o pulso dela.

— Minha vó tem uma doença que precisa da transferência mensal de sangue! – o garoto que estava todo exasperado explicou num único fôlego. Descobri por Bella que ele de chamava Matheus.

— Você sabe o nome? – desta vez foi Melody que se pronunciou.

— Não me lembro exatamente... Mas tem algo a ver com a medula! A clínica onde ela faz essa transferência é aqui perto! – Matheus estava sentado no braço do sofá, acariciando os grisalhos cabelos da senhora.

— Doença da medula que precisa de transfusão? – Melissa se pôs a pensar. A mão estava sobre o queixo, e a expressão em seu rosto era confusa. – Lembro que meu cuidava de uma criança que tinha essa mesma doença... Ah, deve ser A.R.!

— Não era esse nome... – o garoto quase gritou para Melissa, o que por algum instinto, fez com que todos no cômodo dessem um passo para trás.

— A.R. é só a sigla, seu otário! – a voz de Miller se fez presente, ela soou ríspida. Revelando que não gostava do tom que o menino tratava Melissa. – A doença se chama anemia refratária. Ou síndrome mierodisplásica.

— Por favor... – a voz anciã chamou a atenção de todos. – Não se preocupem comigo, é só eu ficar deitada que logo eu melhoro... – a senhora quase não conseguia falar. O rosto dela estava pálido, o que fez meu coração doer por um instante.

— Você por acaso lembra se a transfusão era de plaqueta ou de plasma? E qual o tipo sanguíneo de sua vó? – Melissa voltou a perguntar diretamente para Matheus.

— A primeira eu não sei, mas o tipo é "o". – ele cruzou as pernas, assim como os braços.

— Você por pelo menos se lembra qual a cor da substância dentro da bolsa de transfusão? Se era vermelha ou amarela? – Melissa também cruzou os braços. Ele se levantou do braço e ficou em pé, batendo o pé insistentemente no chão.

— Amarela... – ele respondeu meio incerto.

— Se for amarela é possível ser transfusão de plasma comum congelado. – Melissa concluiu. – Mas já se passou quase três dias desde que a energia acabou...

— Com licença! – Rosalinda, a mãe de Bella se pronunciou. Podíamos ver que Noah puxou a mãe, eles tinham o mesmo rosto, mas os cabelos delas eram cacheados, igualmente os de Bella e Faith. – Meu tipo sanguíneo também é "o", se precisar da transfusão pode usar o meu sangue...

— Fazer transfusão de sangue direta é perigoso em diversos sentidos! – Melissa interrompeu a mulher. – Além disso, o tipo sanguíneo não importa nesse caso.

— Ué? – Alan se pronunciou desta vez. – Eu achei que o tipo "o" só recebesse do mesmo tipo!

— Isso é quando se trata de glóbulos vermelhos! – Melody voltou a se intrometer. – Neste caso estamos falando de plasma sanguíneo. Ou seja, a combinação de tipos se inverte.

— Mas... O que tudo isso quer dizer? – Miller fez com que todos olhássemos para ele.

— A clínica dela é aqui perto! Eu acredito que podemos ir buscar... – Melissa falou se dirigindo a todos nós.

— Por que nós? – Miller voltou a dizer. – Ela vai precisar desta transfusão novamente, não vai? E quem vai buscar da próxima vez? E onde? – a voz dele começou a se alterar. – Isso vai ser apenas um fardo...

— Escuta aqui! Estamos abrigando vocês! Não fale que minha vó é um fardo! – Matheus pulou até a frente de Miller, e os dois se encaravam com fúria.

— Eu vou! – a voz de Bella impediu que os dois saíssem na porradaria. – Dona Margot cuidou muito de mim quando eu era mais nova, isso é o mínimo que eu posso fazer por ela!

— Eu te acompanho! – Alan falou alto. Se aproximando de Bella.

— Eu também vou, afinal ela é minha vó! – Matheus também se pronunciou.

Eu olhei atentamente para Miller, e o olhar azul dele me assustou por um momento, parecia que ele tramava alguma coisa.

— Então eu também vou. – Miller falou alto o bastante para que todos ouvissem.

— Você estava se negando ajudar até agora a pouco, por que viria? – Matheus falou entredentes. Miller apenas deu um sorriso e não falou nada.

— Eu vou acompanhar vocês. – o senhor que nos apontou a arma no dia anterior se fez presente. – Eu fui militar e acredito que vocês precisam de alguém com treinamento de tiro. – ele sorriu confortante.

— Se vocês vão, eu preciso que peguem essas coisas. – Melissa pegou um bloco e uma caneta que estavam sobre o armário da sala. – Vão até a geladeira da clínica e procurem um saquinho escrito "P.F.C.", peguem tudo o que tiver! E não se esqueçam do kit de transfusão! – ela anotou algumas coisas no papel e entregou para Matheus.

— Mas a geladeira vai estar desligada. – Alan falou se aproximando de Melissa.

— Se ela ficou fechada, é possível que ainda esteja fresco lá dentro. – Melody se aproximou de Melissa e se apoiou no ombro dela. – Pela condição de conserva desses produtos sanguíneos, muita coisa pode estar estragada. Mas normalmente as geladeiras de P.F.C. são extremamente geladas e esse plasma é congelado. Deve dar pra usar.

Os cinco assentiram com a cabeça e subiram para o andar de cima. Pegar algumas capas de chuva e as armas. Eu senti uma sensação estranha quando Miller se pronunciou a ajudar. Algo ia dar errado.

~~~

Miller – POV

Eu, Alan, Bellatrix, Matheus e o senhor Heitor andávamos pela grossa chuva, indo até a clínica hospitalar de Bela Cintra. Era alguma quadras da casa de Bellatrix, não era tão longe, mas por encontrarmos alguns dos demônios no caminho, o caminho pareceu levar horas.

Estávamos parados bem na frente do posto, numa parte coberta. Eu retirei a preciosa debaixo da capa, e a empunhei.

— Hey meu jovem! – Heitor tocou em meu ombro, fazendo com que eu virasse meu rosto para ele. – Melhor não atirar, caso tenha alguns desses zumbis aí dentro, o barulho chamará a atenção de todos. Apenas afaste os mais próximos! – eu apenas franzi o cenho, detestava ser mandando. Mas resolvi acatar a sugestão dele, e aliás... Eu tenho outros planos com outra pessoa.

Entramos na clínica. Eu empunhando a preciosa, Bellatrix com a baioneta de Melody, Alan usava o fuzil que Nicole sempre usa, Matheus usava um taci de beisebol, e Heitor usava uma espingarda de cano duplo. Começamos a andar a passos leves, olhando para todos os lados. Nada.

Quando passamos a recepção seguindo para a área de transfusão, uma porta foi ao chão com tudo, e de lá de dentro, saíram diversos dos demônios! Eu ia atirar, mas não podia estragar meu plano, então apenas usei a haste para bater na cabeça desses filhos de Satã.

Percebi que haviam mais atrás de nós. E todos apenas despistavam eles com as armas. Não iríamos durar muito tempo assim, e eu não tinha muito tempo.

— Allan, Bellatrix e Heitor! Vão pegar as coisas que a tomboy pediu! – falei para os três. – Eu e o carinha aí nos víramos com esses demônios!

Vi que Bellatrix e Alan relutaram um pouco, mas acabaram aceitando minha ordem e foram atrás dos itens necessários. Matheus usava o taco de beisebol para rachar o crânio dos demônios.

— São muitos! – ele falou arfando, retrocedendo alguns passos.

— Tem razão... são muitos. – olhei discretamente para trás, para ter certeza de que não havia ninguém me observando. – E você está prestes a se tornar um deles.

— Com...? – antes que ele falasse qualquer coisa, eu chutei suas costas e o joguei sobre a horda que se aglomerava na recepção. – AAAAAAAAARGH!

Eu sorria enquanto via os dentes dos demônios rasgando a pele de Matheus. Era pra esse moleque aprender a não me desafiar. Mas eu ainda não estava satisfeito. Ergui a preciosa e mirei em sua cabeça, ele ainda estava vivo e gritava desesperadamente, e num click quase mudo, o tiro ecoou alto, terminando de desfigurar o rosto. Mas ao perceberem que não tinha mais o que comer, os demônios começaram a se aproximar de mim. Eu me dispus a correr.

Alan – POV

Eu e Bella chegamos até a geladeira da clínica, remexi em várias bolsas de sangue podre, até finalmente encontrar o plasma sanguíneo congelado, ele ainda estava duro como pedra, então ainda seria útil. Virei meu rosto e encontrei Heitor guardando todo o kit de transfusão numa mochila negra.

— Tudo pronto! – ele gritou.

BANG!

Ouvimos um tiro alto. A porta da sala se abriu e fechou no mesmo instante, mostrando Miller repleto de sangue.

— O que houve? – Bella gritou. – Cadê Matheus?

— Eles o pegaram, e eu precisei atirar! – ele também gritava. – Vamos sair pela janela!

Eu estava prestes a abrir a grande janela de vidro, mas os cacos caíram sobre o chão, e outros "deles" estavam do lado de fora. Rodei meu olhar pelo cômodo. Estamos cercados. Mas eu me lembrei de uma coisa, os tetos de hospitais são forrados, não de concreto.

Empunhei a arma para cima e atirei. Despedaçando todo o forro. Heitor pegou uma mesa, para que conseguíssemos subir. Bella foi a primeira, eu segundo, depois foi Miller, Heitor ficou por último. Mas no exato momento em que ele subiu, a porta caiu no chão fazendo um alto estrondo. Eles derrubaram a porta.

— Vem logo! – Bella gritou, olhando para o senhor.

Mas um grito estridente saiu da garganta dele. Ele estava preso no forro, de sua boca já saía sangue. Por algum instinto eu o puxei. Mas me arrependi ao ter visto aquela cena, sua perna estava toda devorada.

— Me mata! Me mata enquanto eu ainda sou humano! Por favor! – ele implorava, eu empunhei o fuzil para seu rosto, mas eu não tinha coragem. – Por favor!

BANG!

Virei o rosto e vi que Miller disparou sobre a cabeça de Heitor. Fazendo com que o crânio se despedaçasse e os miolos fossem expostos sobre o forro.

Meu estômago revirou. Mas era necessário.

Mas eu percebi uma coisa: perdemos duas pessoas para salvar uma. De certa forma... Esta tenha sido nossa verdadeira derrota.

Notas finais
Eu fiz uma ilustra de uma das minhas cenas favoritas: http://imgur.com/SGaA37K E quem adivinhar que cena é essa vai ganhar um desenho especial de seu personagem :D E caso queiram dar uma olhada nos meus outros desenhos, aqui está minha página: http://facebook.com/fabiornt.art Um amigo me deu a ideia de montar uma hq dessa fanfic, mas eu não se compensaria, iria me exigir muito tempo e concentração. E também, eu estudo e preciso de muita paciência pra desenhar algo mais complexo.