Fim Dos Tempos
86 Capítulo 86 - As irmãs
Notas iniciais
Espero que gostem.
Pov – Katie
Estamos mesmo seguros no momento, nossa família está reunida e apesar de todas as perdas acabamos por comemorar porque vencemos aquele lunático mais uma vez.
O tal governador não tem a menor noção do que nos move, não entende que amor e amizade nos torna absolutamente fortes, que defender um irmão com a própria vida é o que nos faz quase invencíveis, ele não sabe o que isso significa por que se deixou levar pelos horrores do mundo a nossa volta, se deixou contaminar e nós não, desde o começo decidimos nos proteger disso.
Estou no pátio com meu bebê no colo, assistindo seus irmãos brincarem um pouco, foi difícil tirar Nick de perto de Jimmy, ele sempre decide ler e fazer companhia para os feridos, me lembro de Michonne, de como ela ficava para morrer cada vez que ele entrava na cela dela com um livro nas mãos, do seu olhar de desespero, era impossível não rir.
Com Jimmy era diferente, ele adora meus filhos, seus irmãos como ele gostava de dizer, o problema era Mary, se Nick não largasse do pé deles como poderiam se entender e já foi uma luta deixá-los afinal na mesma cela.
−Oi! Maggie me sorri sentando-se do meu lado – O que vamos fazer agora, juntamos o último casal.
−Desmanchar nossa sociedade e cuidar das nossas vidas? Eu brinco e ela ri.
−Não isso é chato! Ela olha em volta – Quem sabe Tyresse e MIchonne?
−Maggie! Eu recrimino.
−Tyresse e Carol não deu certo, a irmã vetou o projeto, ela odeia a Carol, esse clube aliás está crescendo, não vejo um bom fim para ela, tem pouca gente que convive bem com ela.
−Me apresente essa pessoa! Rimos juntas, ninguém vivia bem com Carol e a culpa era inteiramente dela.
−Vamos me ajude nessa empreitada, seria um casal bem bonito!
−Ajudo se a Sasha aprovar! Prometo sabendo que ela não me daria sossego se não a ajudasse e seria bem divertido ver Michonne apaixonada.
−O que achou da reunião de agora a pouco?
−Sabe Maggie acho que temos que viver a nossa vida e esperar um novo problema surgir, sempre surge.
−Tem razão!
Olhamos para as grades, seis zumbis caminhavam de um lado para outro, um número mínimo, felizmente, Daryl vem ao meu encontro, na verdade vem roubar meu filho, ele sempre faz isso.
−Vem com o papai! Ele ri muito contente, não, definitivamente tem algo em Daryl que as crianças enxergam, ele simplesmente é perfeito com todas as crianças – Que coisinha mais linda! Ele beija o filho, traz ele para perto e fica balançando nosso ratinho perto do rosto.
−Nossa Katie vocês dois são prejudiciais à saúde sabia? Maggie brinca – Para de olhar para o Daryl como se fosse sei lá a primeira vez, fica toda derretida cada vez que ele pega uma das crianças no colo! Ela ria de mim – E o fato é que ele vive com uma criança pendurada nele o que significa que você vive com essa cara de boba!
−Sou uma mulher completamente rendida! Eu brinco com ela, Maggie bufa e se afasta rindo, Rick se junta a nós.
−E então, estão mesmo tranquilos? Ele pergunta parecendo preocupado.
−Acho que é o que nos resta, se o cara vai atacar ou não, não temos como saber e nos desesperar não resolve nada! Daryl diz, mas olhava para o mini ratinho – Não é filho?
Rick olha para aquela cena com uma sobrancelha erguida, tinha um sorriso suave no rosto.
−Ainda não consigo me acostumar com esse novo Daryl, babão e de fala mansa! Ele ri quando Daryl olha feio para ele, Daryl detestava quando se dava conta que não metia medo em mais ninguém, talvez Jimmy e Glenn ainda ficassem um pouco na dúvida o resto nem ligava mais.
−O que é aquilo? Pergunto olhando para fora das grades, aquele andar não era de zumbis, e nem zumbis andavam de mãos dadas.
−Duas meninas! Daryl responde – As meninas que Jimmy falou!
−Glenn o portão! Eu grito quando caminhava apressada, os zumbis já se aproximavam das crianças elas corriam, mas pareciam esgotadas.
−Daryl! Ouço Rick reclamar – Vai deixar ela ir?
−São seis zumbis, ela tem sete facas! Ele responde e acabo rindo enquanto corria para o portão, mas sei que ele já entregou nosso bebê a alguém e está me seguido.
Assim que saio para fora e acerto o primeiro zumbi sinto o problema realmente surgir.
−Horda! Eu grito, elas estavam sendo seguidas por uma horda, eles ainda não tinham surgido, mas estavam por perto – Sinto a correria atrás de mim quando derrubava os outros zumbis e corria para busca-las.
−Venham! Eu chamo quando me aproximo.
−Daryl? A mais velha pergunta – Jimmy mandou...
−Calma Jimmy está aqui, venha! Pego a menor no colo, devia ter a idade de Nick e estava completamente apavorada e esgotada, os zumbis começam a surgir – Vamos! Sinto Daryl do meu lado.
−Entrem, o que estão fazendo ai? Ele grita e quando pretendia puxar a menina ela se solta dele.
−Não! Ela diz chorando – Cuidem dela, Amy, Jimmy disse que cuidaria dela! Ela beija a irmã.
−Pare com isso, venha! Eu chamo e então ela me mostra a perna mordida.
−Não posso! Ela chorava olhando para irmã – Eu te amo Amy!
−Jane! A menina se debate em meus braços quando a irmã começa a se afastar, muitos zumbis se aproximavam as pessoas na prisão gritavam sem entender o que estava acontecendo e Jane nos dá as costas correndo de encontro aos zumbis – Não, Jane! Ela tinha muita força e Daryl precisa tira-la de mim, começamos a entrar e ainda assistimos a menina cair quando o primeiro zumbi a domina.
Era só uma criança, dois ou três anos a mais que minha filha, não consigo me conter, os portões são fechados, vejo Beth arrastar Nick para dentro evitando que ele assistisse aquela cena de terror enquanto Daryl apertava a pobre criança nos braços, ela soluçava sem parar.
−Jane! Ela pedia – Quero minha irmã!
−Calma querida, está tudo bem, vamos cuidar de você! Daryl dizia, escondendo seu rosto para ela não assistir a cena, embora pudéssemos ouvir os gritos de Jane enquanto era devorada.
Os zumbis caminham para o portão, pelo menos uns vinte e Rick comanda um grupo para mata-los, procuro meu bebê e o vejo no colo de Hershel, seguimos até ele, Glenn, Maggie, Rick e Michonne podiam dar conta das grades.
−Hershel! Daryl pede e ele faz que sim com a cabeça, estava tão chocado quanto qualquer um de nós.
−Vamos dar uma olhada nela! Ele diz gentil.
−Não, não! Ela chorava – Quero minha irmã!
−SShiu, vai ficar tudo bem! Daryl tentava acalma-la.
−Jimmy! Ela pede entre seus soluços completamente desesperados.
−Claro! Daryl diz já caminhando para dentro – Vou levar você para ele!
Entramos e meus ratinhos correm muito preocupados.
−Mamãe o que aconteceu? Nick pergunta assustado.
−Nada filho, vai ficar tudo bem!
Seguimos para cela de Jimmy ele se senta quando nos vê se aproximar fica chocado quando percebe quem Daryl trazia nos braços.
−Meu Deus! Ele nos olha – Amy!
Daryl coloca a menina em seu colo, ela se abraça a ele chorando, ele a aperta sem saber muito o que fazer nos olha confuso.
−Onde está Jane?
−Um zumbi mordeu ela! Amy chorava — Foi hoje cedo, ela ficou com febre, mas não parou de correr! Amy soluça ainda mais.
−Amy, eu sinto muito! Jimmy a abraça – Porque ela não pegou um carro?
−Jane não sabia dirigir! Ela diz – Disse que se contasse para você, que talvez não desse o nome do lugar para a gente se esconder.
−Eu não faria isso! Ele diz e posso ver que se sente culpado, Hershel surge na porta – Pode deixar meu amigo Hershel olhar um pouco você, ele é médico.
−Não me morderam, a Jane não deixou! Ela choraminga – Não vou virar zumbi, eu juro! Aquilo era de cortar o coração, me faz lembrar meus ratinhos perdidos, quantas crianças perdidas ainda restavam por ai?
−Escute querida é só uma olhadinha, para ver se está machucada, dói alguma coisa? Eu pergunto.
−A cabeça, as pernas a barriga! Era uma boa lista, Jimmy me olha completamente apavorado e a afasta, Hershel se ajoelha ao lado dela, examina seu corpo de forma superficial.
−Acho que só está cansada! Precisa de um banho e de uma boa alimentação, andou muito?
−Nossa Hershel você não faz ideia do quanto! Jimmy diz muito triste.
−Vou dar um banho nela! Mary se oferece – Katie consegue roupas para ela?
−Claro, vai indo com ela, te encontro lá!
Sigo com Daryl e meus pequenos para nossa cela, começo a remexer nas coisas de Nick procurando algo que servisse na menina.
−Mamãe, ela é sozinha? Nick pergunta.
−É querido, infelizmente é uma criança sozinha, vamos ajudar ela? Eu peço a ele porque sei que nesse momento ele está com muito medo de ganhar mais um irmão.
−Claro, mas ela é menina, vi usar roupa de menino? Nick dividia muito bem esse mundo em dois, meninos e meninas, sempre fácil assim.
−Só por uns dias, tudo bem?
−Eu acho que sim!
Pego algumas roupas e quando olho para Daryl ele segurava nosso bebê e me olhava, eu desejo imensamente sumir com ele para torre, mas apenas me encosto nele um minuto, juntando energia para continuar, ele me envolve com uma mão. Só Daryl podia me dar forças quando me sinto abatida, e assustada, só ele tem o poder de me trazer de volta a terra quando é preciso e me levar para longe quando podemos simplesmente fugir.
−Aquilo foi horrível! Quero chorar, mas ainda não posso, ele me beija de leve.
−Minha pequena é a mulher mais incrível que conheço, vá ajudar a Mary com a criança, cuido dos nosso ratinhos.
Megan entrava na cela sozinha e agora era ela que abraçava o pai e chorava.
−Eu vi papai! Ela soluça e ele a envolve – Carl mandou eu não olhar, mas não consegui!
−Calma ratinha! Ele se senta e de algum jeito consegue acomodar Megan e o bebê no colo – O papai está aqui! Ela se esconde em seu ombro, pode ser uma mocinha, pode ter um namorado e pode andar armada, mais ainda corre para o colo do papai sempre que algo dá errado, eu a beijo e caminho para a porta.
−Mamãe o que a Megan viu? Nick me pergunta eu olho para Daryl pedindo socorro, ele é o melhor pai do mundo e tenho certeza que pode arrumar espaço para o Nick naquele colo gigante.
−Vai pequena! Ele me diz sorrindo – Cuido dos ratinhos!
Obedeço e vou ao encontro de Mary no caminho passo pela cela de Jimmy.
−Me ajuda Katie! Ele diz assustado.
−Vai ficar tudo bem Jimmy! Eu o acalmo.
−Acha que tive culpa? Ele está tão abatido que sinto pena.
−Deixa de ser bobo, claro que não, vou ajudar a Mary e já voltamos.
Estava quase chegando no vestiário quando Carol me para no caminho com aquela cara de bruxa velha.
−Vai adotar mais um? Ela ri de mim, como se eu me importasse.
−Quem sabe, minha família não para de crescer! Ela fica me olhando cheia de ódio, devia ter sido mais cruel, mas não sou como ela e então encontro Mary que secava a menina ainda chorando, entrego as roupas, Mary a ajuda a se vestir e seguimos para o refeitório.
Beth e sua eficiência sem fim já trazia um prato de comida e agua fresca para menina que bebê desesperadamente, ela come um pouco no colo de Mary que acariciava seus cabelos e sinto que não preciso adotar mais um, Mary era completamente capaz de lidar com isso e me parece que logo Jimmy seria papai, acabo sorrindo da ideia.
−Quero ficar perto do Jimmy! Ela pede triste – Jane não vai mais voltar?
−Não querida, sinto muito, mas vamos cuidar de você! Mary a envolve num abraço muito maternal quando ela volta a chorar e seguimos para cela de Jimmy.
Ela se junta a ele, se senta em seu colo chorosa, assim como Daryl, Jimmy era bom com crianças.
−Foram aqueles caras maus que te machucaram? Ela pergunta.
−Sim, mas agora estou bem! Ele diz.
−Jane disse que você era muito bom e que sempre cuidaria de mim que me salvou, disse para não ter medo de você!
−Isso mesmo, vamos cuidar de você e vai morar aqui!
−Sem minha irmã? Era difícil para uma criança entender o que estava acontecendo – Ela morreu como os outros?
−Sim Amy, foi isso que aconteceu! Ele diz e Nick entra na cela, não fica muito feliz de ver a menina tão perto de Jimmy se senta a seu lado e fico pensando que meu ratinho era o garoto mais mimado e possessivo de todos os tempos.
−Oi! Ele diz a ela – Eu sou o Nick!
−Sou a Amy!
−O Jimmy é meu irmão! Ele avisa – Eu tenho um coelho!
−Um de brinquedo?
−Claro que não! Ele diz rindo – De verdade, o meu irmão Jimmy que me deu quando meu porquinho morreu, chama Lily, quer ver?
−Quero! Ela diz muito impressionada.
−Vamos na minha cela, quer conhecer meu irmão, é um bebê, chama-se Matt, eu que escolhi, minha mãe deixou.
−Posso ir Jimmy? Ela pergunta a ele e não sei quem fica mais surpreso se Jimmy ou Nick.
Jimmy olha para Mary completamente apavorado depois para mim, era um mudo pedido de socorro.
−Parece que é você que decide Jimmy! Eu aviso – É uma decisão importante, e parece que definitiva, está pronto? Pergunto.
Sabia que era uma decisão muito importante, mais do que deixar Amy ir a minha cela acompanhada de Nick, era sobre se ele estava pronto para assumir as responsabilidades, se era isso que queria para a própria vida, se dissesse que não eu e Daryl cuidaríamos dela, estava na cara, vamos acabar montando um coro infantil se continuarmos assim, mas sei que posso amar muitas crianças, sou boa nisso, se Jimmy dissesse que sim eu e Daryl ajudaríamos ele, é claro que ajudaríamos e acho que ganharíamos uma linda sobrinha ou coisa do gênero.
−Pode ir Amy, quando se cansar pede para o Nick te trazer de volta aqui! Ele olha para Nick – Pode fazer isso? Nick estufa o peito se sentindo um adulto – Pode cuidar dela para mim?
Daryl surge na porta e me olha com a sobrancelha erguida era fácil entender o que estava acontecendo ali.
−Como o Carl? Nick pergunta e Jimmy franze a testa.
−Não, menos Nick, só traz ela de volta! Ele diz assustado e a risada de Daryl faz Jimmy gemer – Não sei brincar disso! Ele diz.
−Jimmy se eu aprendi, qualquer um pode! Daryl responde, as crianças não estavam entendendo o que estava acontecendo e caminham para fora da cela.
−Vamos amor, cadê meu mini ratinho?
−Com a irmã, vim te buscar porque está na hora dele mamar! Acenamos para Jimmy quando deixamos a cela e seguimos para nosso canto, estou cheia de saudades do meu amor e da nossa torre, mas parece que vai ter que ficar para amanhã.
Eu realmente não me importo de esperar, porque a verdade é que assim que chegarmos lá, quando Daryl me tocar o mundo deixa de existir e só o que sinto é a paixão que sentimos um pelo outro nos envolver e dominar cada um dos meus sentidos.
E sei que sempre vai ser assim, porque ainda nos amamos do mesmo jeito, aquilo nunca diminui, de algum jeito que não entendo só aumenta, cada passo que damos, cada sofrimento superado só faz nos unir, nossos filhos, nossos amigos, cada coisa que conquistamos nos deixa mais próximos, somos uma coisa só, sempre fomos, sempre vamos ser e por isso posso esperar, não importa quanto tempo sempre posso esperar.
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